Era fim de tarde quando as vi—uma mulher e uma menininha sentadas sobre um pedaço de papelão em frente a um mercado.
A mulher parecia exausta, com os braços ao redor da criança, como se pudesse protegê-la do frio.

A menina, de uns cinco ou seis anos, segurava um coelhinho de pelúcia com um olho faltando.
Na frente delas, havia um pequeno copo de papel, quase vazio.
Eu tinha acabado de comprar mantimentos, e algo nelas me fez parar.
Hesitei por um instante antes de me aproximar.
“Oi,” disse suavemente.
“Vocês gostariam de algo para comer? Tenho comida na minha bolsa.”
A mulher levantou os olhos para mim, seu olhar cansado carregava um certo receio.
“Isso seria muito gentil da sua parte,” disse ela baixinho.
Peguei um sanduíche, uma maçã e uma garrafa de suco na minha bolsa.
A mulher aceitou com gratidão, mas foi a menininha que chamou minha atenção.
Ela não tentou pegar a comida.
Em vez disso, me encarou com olhos grandes e curiosos.
Então, com uma voz pequena, perguntou: “Você é rica?”
A pergunta me pegou de surpresa.
Olhei para minhas roupas—apenas jeans e um suéter, nada luxuoso.
“Não, não sou,” respondi.
“Por que pergunta?”
Ela apontou para a sacola de compras.
“Você comprou tudo isso sem pensar.”
Eu não soube o que responder.
Antes que eu dissesse algo, ela continuou: “Mamãe diz que a gente tem que pensar antes de comprar qualquer coisa.
Tipo, se comprarmos comida, talvez não tenhamos dinheiro para o ônibus.
Se pegarmos o ônibus, talvez não comamos hoje.”
Meu peito apertou.
Sua mãe soltou um suspiro leve.
“Ela é esperta,” disse, passando a mão pelos cabelos da menina.
“Esperta demais para a própria idade.”
Abaixei-me até a altura da menina.
“Qual é o seu nome?”
“Lena,” ela disse.
Sorri.
“Lena, você gosta de laranjas?”
O rosto dela se iluminou.
“Eu amo!”
Peguei uma laranja da minha bolsa e entreguei a ela.
Ela a segurou como se fosse a coisa mais preciosa do mundo.
“A mamãe faz chá de laranja,” disse orgulhosa.
“Quando tínhamos uma cozinha.”
Engoli seco.
“Isso parece maravilhoso.”
A mãe se mexeu desconfortável.
“Eu… não quero pedir muito, mas se você souber de algum abrigo… estamos tendo dificuldades para encontrar um lugar seguro para ficar.”
Assenti imediatamente.
“Posso procurar para você.”
Peguei meu celular e comecei a buscar.
Depois de algumas ligações, encontrei um abrigo que ainda tinha espaço para famílias.
“Tem um abrigo a uns dez minutos daqui.
Eles têm uma vaga para vocês e servem jantar.”
A mulher soltou um suspiro de alívio.
“Muito obrigada.
De verdade.”
“Posso levar vocês até lá, se quiserem.”
Ela hesitou, depois assentiu.
“Isso significaria muito para nós.”
Juntamos os poucos pertences delas, e elas entraram no meu carro.
Enquanto dirigia, Lena falava animada sobre todas as comidas que queria comer quando tivessem uma cozinha de novo.
“Macarrão com queijo, panquecas, espaguete e o chá de laranja da mamãe.”
A mãe sorriu tristemente.
“Um dia, querida.”
Quando chegamos ao abrigo, os funcionários as receberam com carinho.
Antes de entrar, Lena se virou para mim, segurando firme sua laranja.
“Vou guardar essa,” disse ela.
“Para quando tivermos uma cozinha de novo.”
Meus olhos arderam com lágrimas.
Assenti.
“Acho que essa é uma ótima ideia.”
Enquanto dirigia para casa, percebi algo: para mim, uma laranja era apenas um lanche.
Para Lena, era esperança.
E eu esperava, com todo meu coração, que um dia ela pudesse fazer seu chá de laranja novamente.







