Minha melhor amiga e eu estávamos namorando o mesmo cara – Nenhuma de nós sabia até o momento chocante em que ambas aparecemos no apartamento dele

Quando conheci Adam, pensei que finalmente tinha encontrado alguém especial.

Ele era charmoso, engraçado e tinha um jeito natural de me fazer sentir como se eu fosse a única garota do mundo.

Estávamos saindo juntos há cerca de três meses e, embora eu não pudesse dizer que estava apaixonada, definitivamente via um futuro com ele.

A única pessoa que sabia tudo sobre ele era minha melhor amiga, Julia.

Ela e eu éramos inseparáveis desde a faculdade – não havia nada que não compartilhássemos.

Eu tinha contado a ela tudo sobre Adam: a maneira como ele beijava minha testa antes de se despedir, as viagens espontâneas que ele adorava fazer, até mesmo o jeito estranho como ele se recusava a deixar que eu tirasse fotos dele.

Mas nada poderia ter me preparado para o que aconteceu naquela noite.

Era uma sexta-feira e Adam tinha me convidado para jantar na casa dele.

Ele sempre planejava nossos encontros, e eu nunca questionava isso.

Naquela noite, me arrumei um pouco mais cedo do que o normal.

Eu estava animada para surpreendê-lo – ele tinha mencionado que teve um dia longo no trabalho e achei que levar a comida favorita dele animaria seu humor.

Quando cheguei ao condomínio dele, notei outro carro estacionado na entrada.

A visão daquele carro fez meu estômago revirar – era o carro da Julia.

Meu primeiro pensamento foi que talvez ela estivesse visitando alguém que morava ali.

Não era impossível.

Mas, quando saí do meu carro e caminhei em direção ao prédio, vi que ela estava parada na porta da frente, segurando um buquê de flores e uma garrafa de vinho.

Ela ficou tão surpresa de me ver quanto eu fiquei de vê-la.

“Clara?” Julia piscou, confusa.

“O que você está fazendo aqui?”

Eu hesitei, tentando entender o que estava acontecendo.

“Eu… Adam me convidou. E você, o que está fazendo aqui?”

A cor desapareceu do rosto dela.

Ela olhou para a garrafa de vinho e depois para mim.

“Adam também me convidou.”

Por um segundo, nenhuma de nós disse nada.

Era como se nossos cérebros se recusassem a processar a realidade do que estava acontecendo.

E então a ficha caiu.

Adam estava namorando as duas.

Ao mesmo tempo.

Sem dizer uma palavra, trocamos olhares – daqueles que não precisam de explicação.

Julia estendeu a mão e tocou a campainha, a mão tremendo levemente.

Meu coração batia tão forte que achei que fosse explodir.

Ouvimos passos se aproximando.

A porta se abriu.

E lá estava ele.

O sorriso de Adam congelou no momento em que nos viu lado a lado.

Ele abriu a boca e depois a fechou, como se seu cérebro tivesse travado.

“Uh—”

Foi tudo o que conseguiu dizer antes de Julia empurrar a garrafa de vinho contra o peito dele.

“Seu lixo humano.”

Cruzei os braços.

“Então, Adam. Qual de nós você estava esperando hoje à noite?”

Os olhos dele se moveram de uma para a outra, seu rosto pálido.

“Eu… olha, posso explicar—”

“Nem tente.”

A voz de Julia era fria.

“Você estava enganando nós duas, não estava?”

Eu podia ver sua mente correndo, tentando inventar uma desculpa, uma mentira para sair daquela situação.

Mas não havia saída.

Ele tinha sido pego.

“Eu não queria—” ele começou, mas Julia o interrompeu.

“Guarde para você.”

Ela se virou para mim, seu rosto misturando mágoa e raiva.

“Acho que devemos ir embora. Juntas.”

Eu assenti.

Adam nos chamou enquanto saíamos, mas nenhuma de nós olhou para trás.

Naquela noite, Julia e eu ficamos no meu apartamento, bebendo o vinho que ela levaria para Adam.

Rimos, choramos, xingamos o nome dele.

Mas, acima de tudo, nos lembramos de uma coisa: homens como Adam vão e vêm, mas melhores amigas?

Essas ficam.