Mas mal havia entrado em casa, congelou ao ouvir a conversa deles! As palavras que escutou fizeram seu sangue gelar…
Ao chegar, Natália parou diante da porta e respirou fundo para acalmar os nervos.

Ela colocou a chave na fechadura o mais silenciosamente possível e entrou na casa na ponta dos pés.
Queria confirmar sua suspeita antes de confrontar alguém.
A casa estava estranhamente silenciosa.
Normalmente, a televisão no quarto de Victor estava no volume máximo, e Lídia Petrovna fazia barulho na cozinha.
Mas agora, só se ouviam vozes abafadas vindas da sala de estar.
Com passos leves, Natália se aproximou da porta entreaberta.
As vozes de Victor e de sua mãe agora estavam claramente audíveis.
— …não podemos continuar assim, mamãe.
Ela começou a fazer perguntas.
— Deixe a Natália comigo — respondeu Lídia Petrovna com uma dureza que Natália jamais ouvira antes.
Foi um erro envolvê-la desde o início.
— O que eu devia fazer? Eu precisava dela para convencer a todos de que eu era inválido.
Natália sentiu o sangue gelar em suas veias.
Victor… não era inválido? Todo esse tempo em que ela sacrificara sua carreira, sua vida social, tudo para cuidar dele…
— O dinheiro está quase acabando — continuou Victor.
Precisamos acessar a conta na Suíça antes que Egor encontre uma maneira de nos expor.
— Egor não é uma ameaça — disse Lídia Petrovna com uma calma assustadora.
Eu cuidei pessoalmente disso na semana passada.
Ele teve um… infeliz acidente.
Natália levou a mão à boca para conter o soluço de choque.
Egor tinha razão o tempo todo — e agora provavelmente estava morto, assassinado por sua sogra.
— E a Natália? — perguntou Victor com uma voz fria e calculista.
Se ela começar a suspeitar…
— Isso seria lamentável — suspirou Lídia Petrovna teatralmente.
Aperfeiçoei bastante minha receita para o chá da noite dela.
Desta vez, não vai deixar rastros.
Uma risada breve e sem humor encheu o ambiente.
Natália sentiu as pernas ficarem bambas.
Eles planejavam envenená-la.
Essa família, pela qual ela sacrificou tudo, planejava matá-la.
Nesse momento, Natália pisou acidentalmente numa tábua que rangeu.
As vozes cessaram imediatamente.
— Natália? É você? — chamou Victor, sua voz de repente fraca e indefesa, exatamente como ela a ouvira nos últimos seis meses.
Com o coração disparado, Natália sabia que precisava agir rápido.
Se fugisse agora, levantaria suspeitas.
Teria que fingir que não ouvira nada, para ganhar tempo.
— Sim, querido, acabei de chegar — respondeu ela, esforçando-se para soar natural.
Fui às compras.
Querem que eu prepare algo para beber?
— Um chá seria maravilhoso, meu amor — respondeu Victor docemente.
Natália foi até a cozinha, com a mente funcionando a mil.
Precisava pegar o pen drive, encontrar os documentos no cofre de Victor e sair daquela casa o mais rápido possível.
Mas, antes, precisava sobreviver àquela noite.
Na cozinha, suas mãos tremiam enquanto preparava o chá.
Percebeu Lídia Petrovna entrando e se aproximando com um sorriso falso.
— Deixe-me ajudar, querida — disse ela, pegando um pequeno pote no armário.
Um pouco de mel vai melhorar o chá.
Natália sorriu, embora sentisse os pelos da nuca se arrepiarem.
— Não se preocupe, mamãe.
Hoje comprei um mel especial.
Está na minha bolsa no corredor.
Ao sair para pegar a bolsa, Natália aproveitou o momento para enviar rapidamente uma mensagem para o número que Egor lhe dera para emergências.
Se ele ainda estivesse vivo, talvez pudesse ajudá-la.
As duas horas seguintes foram uma encenação tensa cheia de dissimulação.
Natália serviu o chá, cuidando para trocar as xícaras discretamente quando Lídia Petrovna não olhava.
Fingiu beber o próprio chá, enquanto observava a sogra encará-la atentamente, esperando o efeito.
Depois que Victor e Lídia Petrovna finalmente adormeceram, Natália se esgueirou até o escritório do marido.
Com mãos trêmulas, moveu o quadro de lado e encontrou o cofre.
Digitou a data de nascimento da sogra e, com um clique suave, a porta metálica se abriu.
Dentro, exatamente como Egor dissera, estavam documentos, um diário e uma bolsa com passaportes falsos.
Ela pegou tudo que era importante, arrumou rapidamente suas coisas e se preparou para fugir.
Ao abrir a porta da frente, deparou-se de repente com Egor.
Ele estava pálido, com um curativo na têmpora, mas vivo.
— Você recebeu minha mensagem — sussurrou ela, aliviada.
— Sim — respondeu ele.
Vim imediatamente.
Conseguiu encontrar as provas?
Natália assentiu e apontou para sua bolsa, cheia de documentos.
— Eu poderia ter morrido esta noite.
— Eu sei — respondeu Egor seriamente.
Lídia tentou me matar na semana passada, mas eu sobrevivi.
Já enviei as provas para a polícia, mas precisava também dos documentos do cofre.
Juntos, se afastaram rapidamente da casa e entraram no carro de Egor, estacionado na esquina.
— O que vai acontecer agora? — perguntou Natália, olhando pela última vez para a casa que fora sua prisão por seis meses.
— A polícia vai prendê-los ainda esta manhã.
Temos provas suficientes para colocá-los atrás das grades por muito tempo.
Fraude, tentativa de homicídio — e quem sabe que outros crimes mais serão descobertos.
Natália olhou pela janela enquanto as casas passavam, sentindo como se estivesse acordando de um longo pesadelo.
— Obrigada — disse ela baixinho.
Você salvou minha vida.
Egor a olhou de relance, com um sorriso triste nos lábios.
— Digamos que estamos quites.
Você me devolveu a liberdade, e eu devolvi a sua.
Enquanto o sol surgia no horizonte, Natália sentiu um novo caminho se abrir diante dela.
Uma vida sem mentiras, manipulações e sacrifícios inúteis.
Uma vida que — pela primeira vez em muito tempo — era só dela.







