Ontem à noite, estava voltando para casa. Tarde.
Eu tinha música nos fones de ouvido, uma música antiga que sempre me deixa um pouco melancólica.

Olhava para a frente, observando a calçada, quando percebi que algo estava se movendo.
Me aproximei.
Era uma pessoa. Ela estava deitada. Ou talvez estivesse rastejando.
Ela se arrastava como se estivesse participando de uma estranha corrida mal feita.
Com as pernas, ela se empurrava, as mãos estavam rígidas, como se houvesse um cordão invisível que as mantinha tensas.
Meu primeiro pensamento: bêbado. O segundo pensamento: sujo. Ontem choveu, e há poças de lama por toda a calçada.
Terceiro pensamento: e se ele não estiver bêbado…?
Outras pessoas passavam perto de mim. Ninguém parava. Era preciso voltar para casa, o filho, o jantar, uma série na TV.
A pessoa que rastejava era evitada por todos, alguns viravam a cabeça com nojo.
Eu também queria ir para casa. Mas algo não me deixava tranquila.
Me aproximei, me agachei e, com a voz trêmula, chamei:
– Você está bem?
O rapaz me olhou. Seus olhos eram claros. Pisqueava confuso.
– Me ajuda a levantar – disse ele, pronunciando as palavras com dificuldade.
Só então percebi que suas mãos estavam curvadas de forma anormal, e também suas pernas estavam estranhamente distorcidas, deitadas no chão. Percebi imediatamente: paralisia cerebral.
Estiquei a mão. Ele a agarrou com força com suas mãos sujas e lamacentas.
Seu cheiro… caldo. Um cheiro simples, de caldo caseiro.
O levantei.
– Qual é o seu nome? – perguntei, pensando no que fazer.
– Olivér.
– Olivér, como você chegou aqui?
– Eu estava indo… comprar pão… Minha madrasta está doente… – ofegou ele.
– Você caiu?
– Sim… Um ciclista… me bateu… não consigo me levantar… – acrescentou rapidamente, do jeito que conseguia.
Agora ele estava de pé, mas ainda segurava minha mão com força.
– Você mora longe?
– Não… só ali – ele apontou para o prédio próximo. – Me acompanhe… porque eu posso cair de novo…
Assenti.
– Vamos – disse, embora uma voz dentro de mim dissesse: “Não seja ingênua!” Mas, de algum modo, eu não sentia ameaças dele. Só o cheiro de caldo.
Chegamos lentamente ao prédio. As pessoas nos olhavam na rua: eu, vestida de forma elegante, vinha de uma apresentação, e ele, sujo, arrastando os pés.
– Com quem você mora, Olivér? – perguntei, quebrando o silêncio.
– Com minha madrasta. Ela está doente. Fica na cama…
Assenti.
– E você vai sozinho ao mercado?
– Não… mas hoje não tinha mais ninguém…
Assenti novamente.
– E como você vai para o mercado? – perguntei.
– Não sei… Quando preciso, vou… Às vezes me pedem para ajudar…
Ele parou de falar por um momento. Parecia cansado. Mas ainda me segurava a mão.
– Você quer ajuda? – perguntei.
Ele me olhou.
– Pode me ajudar, por favor? Para que eu possa continuar? Eu não consigo mais… é muito difícil para mim, eu não entendo o que está acontecendo… Eu preciso de ajuda. Você pode me ajudar?
Eu estava com medo, mas não queria ir embora. Não sabia o que fazer.







