No aniversário do meu amado, preparei uma surpresa para ele no quarto e me escondi. Mas o que vi depois me chocou tanto que ainda não consigo me recuperar…

Olya esperava ansiosamente por ele voltar do trabalho.

Ela se preparou tanto para isso, afinal, hoje era o aniversário do seu querido Kolenka.

Olya passou o dia todo recortando flores e setas de papel colorido, escrevendo bilhetinhos e desenhando um grande cartaz com os dizeres: “Feliz aniversário, meu amor!”

Sua ideia era simplesmente genial.

Kolenka entraria em casa e, logo no corredor, veria as setas coloridas no chão.

As setas o guiariam pela casa até um armário em um dos quartos, onde ele encontraria um bilhete indicando o próximo passo.

Em cada lugar seguinte, Kolenka encontraria outro bilhetinho.

Os bilhetes estavam em armários, gavetas, até mesmo no micro-ondas e no forno.

No final, os bilhetes o levariam ao quarto, onde o chão estava coberto de flores recortadas de papel colorido.

Na parede, pendurado, havia o cartaz “Feliz aniversário, meu amor!”, e sobre a cama estava um presente lindamente embrulhado.

Olya vestiu um novo e bonito vestido e se escondeu atrás da cortina no quarto.

Ela queria observar, do seu esconderijo, como Kolenka desembrulhava o presente e ficava encantado.

Depois sairia de trás da cortina, o beijaria com carinho, pegaria sua mão e eles iriam para o jardim, onde uma mesa para dois estava posta na pérgula para um jantar romântico.

A jovem imaginava o quanto Kolenka ficaria surpreso e feliz — ninguém nunca tinha feito nada assim para ele.

Ele era tão sério, tão ocupado, sempre afundado no trabalho… E, de repente, um momento de pura romantismo…

Ele, com certeza, não estava esperando.

Ela se perdeu nos pensamentos.

Eles se conheceram há pouco tempo, na verdade, foram apresentados por amigos numa festa.

Olya e Kolenka eram tão diferentes, mas talvez fosse justamente isso que os atraiu um ao outro — e tudo aconteceu muito rápido.

Dois meses após se conhecerem, Kolenka a convidou para morar com ele.

Eles eram realmente muito diferentes.

Os amigos dela a chamavam de “a moça das festas”.

Ela conseguia transformar qualquer acontecimento, por mais insignificante que fosse, em uma celebração, sempre criando uma atmosfera especial, decorando os ambientes, cuidando de cada detalhe, da mesa posta, das roupas, dos toques inesperados.

E tudo isso ela fazia com facilidade, como se estivesse brincando.

Olya se alegrava com as pequenas coisas da vida como uma criança.

Nikolai, por outro lado, era sério, sempre impassível, quase nunca demonstrava emoções — parecia completamente desprovido de romantismo.

Ele sempre esboçava um sorriso condescendente quando Olya mostrava mais um enfeite, outro presente bem embrulhado, ou contava como ela e os amigos organizaram uma festa divertida para alguém.

Sorria com indulgência, mas não dizia uma palavra.

Olya nunca entendeu se ele gostava ou não daquilo tudo.

A mãe de Nikolai, por outro lado, estava encantada com ele, sempre dizia: “Você teve sorte com ele! Um homem sério, confiável, bem de vida! Segure-o firme! Pare com essas infantilidades e não seja tola!”

E agora, finalmente, chegara o dia em que Olya podia organizar uma festa para o querido Kolenka.

O som do motor e do portão se abrindo a tirou de seus devaneios.

Kolenka tinha chegado.

Depois de algum tempo, Olya ouviu os passos dele sobre o cascalho…

Kolenka estacionou o carro e se dirigiu à casa.

Ela ficou imóvel atrás da cortina.

A jovem imaginava como Kolenka se surpreenderia, caminhando pela casa à procura dos bilhetinhos, até finalmente aparecer na porta do quarto.

Já se passara meia hora.

Nikolai ainda não aparecera, embora pelo cálculo dela todo o trajeto levaria no máximo 15 minutos.

Olya prestou atenção.

Nenhum passo pela casa.

Ela saiu do esconderijo e espiou com cuidado para fora do quarto.

Ouviu atentamente.

Silêncio.

Desceu as escadas.

Kolenka estava na cozinha.

Ele tinha tirado algo da geladeira e começado a jantar.

Tudo o que ela havia preparado passou despercebido.

— Onde você estava? Eu estou com fome, sabia?

Já comecei a jantar sem você — disse Nikolai, irritado.

— Por que você se arrumou assim?

— Mas… é o seu aniversário — respondeu Olya, confusa.

— E você achou que iríamos sair para comemorar? — ele riu.

— São todas iguais! E daí que é meu aniversário? Eu trabalho até tarde, fico morto de cansaço.

Você podia ter entendido e não ficar esperando um jantar em restaurante.

— Eu nem estava esperando isso… — Olya se confundiu ainda mais.

— Você não percebeu nada?

— O que eu deveria ter percebido?

Olya pegou sua mão e o levou até o corredor, onde tudo deveria começar.

Ele realmente não tinha notado nada.

Ela o guiou por todos os esconderijos com bilhetes até o presente.

— O jantar romântico está na pérgula — disse ela baixinho.

Nikolai nem abriu o presente.

Virou-se bruscamente para ela.

— E você achou que isso era uma boa ideia? Você vai crescer algum dia? Tolerei todas as suas firulas sem dizer uma palavra.

Mas me fazer esse teatrinho no meu aniversário, depois de um dia exaustivo? Era só me dar os parabéns como gente e me servir um jantar.

Ou você é incapaz de agir como um ser humano normal?

Gritando com ela, Nikolai bateu a porta e desceu.

Olya ficou sentada na cama.

Não tinha forças para dizer ou fazer nada.

Sentia como se tivesse levado um balde de água fria.

Nikolai jantou e, demonstrativamente, foi dormir no escritório.

Quando ele adormeceu, Olya desceu silenciosamente, desmontou o jantar da pérgula, arrumou a cozinha.

Depois subiu, rapidamente fez as malas, chamou um táxi e voltou para casa.

A mãe não disse nada quando a filha chegou de madrugada.

Mas de manhã ela teve que se explicar, e a reação da mãe a deixou em choque.

— O que foi que você fez? — exclamou a mãe.

— O Nikolai tem razão, você simplesmente se recusa a amadurecer.

Você já pensou que está na hora? Quantos anos você tem? Você encontrou um homem maravilhoso e está estragando tudo com suas próprias mãos.

Você é uma bobinha.

Vá imediatamente até ele, peça desculpas e aprenda a se comportar como uma adulta.

Olya, primeiro, ficou paralisada com o ataque. Depois se recompôs, tomou fôlego e falou tudo o que pensava.

— Olha, mãe, primeiro: eu não vou voltar.

Segundo: eu não estou agindo como uma criança. Eu me esforço para fazer coisas boas para as pessoas que amo, e isso sempre deu certo.

Terceiro: se eu irrito tanto alguém assim, por que devo continuar ao lado dessa pessoa? Não entendo só por que ele aguentou tanto tempo.

E por fim: parece que você também não se agrada comigo.

Por que você está me atacando agora? Quem foi ferida aqui fui eu.

Olya virou-se bruscamente e saiu rápido para o trabalho, só para não continuar a discussão.

O mês seguinte passou como se estivesse em um nevoeiro.

Nikolai ligava o tempo todo, exigia um encontro, mas ela recusava.

Ele ligou várias vezes para a mãe dela, provavelmente pedindo que influenciasse sua filha tola.

A mãe tentava convencê-la o tempo todo.

E dia após dia era a mesma coisa, como no Kipling.

Dia-noite, dia-noite, caminhamos pela África.

Dia-noite, dia-noite, sempre pela mesma África.

Quem deu um grande apoio à Olga foi Kostik, um antigo colega.

Ele a convidava ora para um café, ora para o cinema, ora para dançar, ora apenas para caminhar pelas ruas.

Tão bom o Kostik, tão familiar, tão caloroso, tão próximo.

De alguma forma, naturalmente, Olga acabou contando a ele tudo o que tinha acontecido.

— Sabe — disse Kostik, depois de ouvi-la com atenção —, você nunca foi necessária para ele.

Sim, ele se sentia confortável.

Você cozinhava bem, criava aconchego, cuidava dele…

Mas você, como pessoa, não era importante.

Ele queria uma dona de casa, não você.

Quando uma mulher é amada, quando ela é necessária, não se dizem certas coisas.

Não se machuca quem se ama. Tem-se medo de perder a pessoa amada.

Então, não fique tão triste.

Você é uma garota-festa, você sabe disso. E sempre será assim. E eu gosto de você exatamente desse jeito.

Kostik sorriu de forma desarmante e o coração dela se aqueceu.

Ela parou de atender às ligações de Nikolai e não reagia quando a mãe tentava novamente convencê-la.

A vida seguiu seu curso.

Ela e Kostik continuaram a se encontrar de vez em quando.

Ela se acostumou com esses encontros, ela gostava muito deles.

Olga se pegava pensando que gostava muito do Kostik.

Mas ele se comportava apenas como um amigo próximo.

Tudo mudou de repente.

O verão passou, chegou o outono.

Um dia, Olga voltou para casa.

Na entrada, foi recebida pela mãe.

Ela segurava um maço de balões coloridos.

— Mais uma vez essas bobagens! Que tipo de pretendente faz esse tipo de coisa idiota? — dizia a mãe, irritada, entregando-lhe uma carta.

Olga pegou a carta de Kostik, abriu e leu:

“Amanhã vou embora por um mês.

Não posso mais ficar em silêncio.

Não quero ser apenas seu amigo, porque te amo há muito tempo.

Você é a garota-festa.

Você é a garota-felicidade.

Você é a garota-sol.

Quero estar com você.

Quero voar com você.

Se você concorda, apenas solte esses balões da varanda.

Vamos voar juntos?”

— Você arranjou um maluco igual a você? Tem um homem de verdade ainda tentando te reconquistar!

Você estaria protegida ao lado dele, como atrás de uma muralha!

E você escolhe um desconhecido.

Use a cabeça, pelo amor de Deus! — gritava a mãe.

— E não ouse soltar esses malditos balões! Eu não vou deixar você arruinar sua vida!

A mãe rapidamente empurrou os balões para dentro do quarto e trancou a porta.

— Mãe, o que você está fazendo? Você não entende que é você quem está tentando arruinar a minha vida agora?

Eu não vou ficar com alguém para quem eu não sou importante, alguém que me machuca, não importa o quão sério ou bem-sucedido ele seja.

Sim, eu gosto desse cara — e ele não é nenhum idiota!

Tudo foi em vão.

A mãe não abriu a porta.

Olga saiu correndo do apartamento e desceu as escadas.

Ela correu em volta do prédio, tentando encontrar Kostik.

Não o encontrou.

Olga tentou ligar, mas Kostik não atendeu.

— Claro, ele entendeu que não era importante para mim — pensava ela.

No dia seguinte, Kostik não estava no trabalho.

Ele tinha partido, como dissera.

O mês passou como em estado de torpor.

Olga vivia como num ciclo:

Trabalho-casa, casa-trabalho.

O relacionamento com a mãe se deteriorou.

A mãe via o estado dela e, aparentemente, entendeu que tinha passado dos limites.

Mas já era tarde demais.

Olga tentou ligar para Kostik várias vezes, mas ele não atendia.

Ela percebeu o quão insuportável seria trabalhar ao lado dele, vê-lo todos os dias, sabendo que tinha estragado tudo.

E pediu demissão.

No novo trabalho, encontrou pessoas muito agradáveis.

Ela agradava muita gente.

Era convidada para sair, mas não queria.

Colegas antigos lhe contaram que Kostik tinha voltado.

Ela tentou várias vezes reunir coragem para encontrá-lo, mas não conseguia.

Um dia, quando Olga voltou para casa, a mãe perguntou de repente:

— Aquele rapaz dos balões já voltou?

— Sim, voltou.

— E o que isso muda? — respondeu Olga.

— Olha, eu errei, admito. Mas vamos tentar consertar…

Encontre-se com ele, se você o ama.

Não se prive disso, por favor.

— Mãe, e como você imagina que eu faça isso? Ele tem certeza de que fui eu quem recusou, e além disso eu ainda pedi demissão.

— Eu imagino assim — sorriu a mãe. — Compre balões.

Olga olhou para a mãe, confusa, depois se aproximou e a abraçou.

Kostik saiu do escritório e a viu.

Olga o observava, sorrindo.

Ela segurava um maço de balões coloridos.

Ele se aproximou.

— Vamos voar? — sorriu Olga, soltando os balões.

Eles subiram alegremente ao céu, correndo uns à frente dos outros.

Kostik olhou para cima, riu de felicidade, a pegou nos braços e girou com ela.

— Vamos voar!