“Sergey Viktorovich, você não entende — amanhã é o aniversário da minha namorada! Como posso ir agora?”
“Maxim, você é adulto, entende tudo sozinho…”

Era óbvio que ao chefe não importavam nada os problemas pessoais do subordinado.
Para ele, o trabalho sempre vinha em primeiro lugar. Claro, Maxim poderia ter insistido, recusado a viagem — afinal, uma viagem em um dia de folga não era sua obrigação direta.
Mas ele não podia se dar ao luxo disso.
Porque em breve haveria uma tão esperada promoção, que prometia não só uma posição prestigiosa, mas também um aumento significativo no salário.
E aquele momento não era o adequado para mostrar seu caráter.
Sergey Viktorovich parecia bem ciente disso e continuava insistindo.
“Tudo bem,” cedeu Maxim. “Eu irei, o que posso fazer.”
“Peça desculpas à sua namorada, mas é realmente necessário.”
Mesmo que Maxim não tivesse a intenção de pedir desculpas pelo chefe, entendia perfeitamente: Dasha ficaria furiosa.
Dasha era uma daquelas garotas que adoram ser o centro das atenções.
E o aniversário para ela era uma verdadeira festa da vida, que ela planejava nos mínimos detalhes meses antes.
E Maxim deveria ser o protagonista principal dessa celebração.
Como explicar isso para ela? Uma coisa era clara — a conversa seria difícil.
E suas premonições não o enganaram.
“Então o trabalho para você é mais importante do que eu? Você me abandona num dia tão importante?”
“Dasha, entende, eu não posso recusar! A promoção é iminente, tenho que me destacar.
É pelo nosso futuro! Na nova posição poderei cuidar muito melhor de nós.”
Mas nenhum argumento conseguiu abafar a raiva da garota.
Ela se fechou em si mesma por vários dias, ignorando as tentativas de Maxim de encontrar um compromisso.
Nem mudar a festa nem prometer uma noite romântica depois teve resposta no coração dela.
No entanto, não havia muita escolha.
Quando chegou a hora de se despedirem, Dasha abraçou Maxim mesmo assim.
“Vou sentir sua falta,” disse.
“Eu também. Desculpa de novo. Aproveite a festa!
Depois comemoramos juntos, combinado?”
“Combinado,” respondeu Dasha, não muito feliz.
Sem dúvida, Maxim também se sentia desconfortável com a situação.
No fundo, ele queria compartilhar aquele dia especial com Dasha, mas as circunstâncias eram outras.
No dia do aniversário, ele não parou de tentar fazer sua amada feliz — ligou para ela, mandou um buquê de flores por um entregador, tentando de alguma forma compensar sua ausência.
Dasha disse que iria jantar num restaurante e depois continuaria a festa numa discoteca com as amigas.
Essa ideia não agradou muito a Maxim.
Embora confiasse completamente nela, temia pela segurança dela nesses lugares.
Mas decidiu não impor sua opinião — afinal, depois do que tinha acontecido, sentia que devia mostrar compreensão.
Passou a manhã e parte do dia trabalhando, e perto da noite recebeu uma boa notícia — poderia voltar para casa ainda naquele dia!
Essa perspectiva o animou.
Mudou rapidamente as passagens e pensou em avisar Dasha do seu retorno.
Mas depois mudou de ideia — faltava pouco para a meia-noite e encontrá-la no restaurante já não seria possível.
Então teve a ideia de preparar uma surpresa romântica: decorar o apartamento, preparar guloseimas — criar um clima de festa para a celebração deles.
Maxim tinha certeza de que uma surpresa assim provocaria em Dasha uma tempestade de emoções positivas.
Afinal, ela o esperava só no dia seguinte, e ainda assim — uma coincidência quase perfeita com o aniversário.
Perto da uma da manhã, voltou para o apartamento, mas Dasha ainda não estava em casa.
Para calcular bem o tempo da preparação, ligou para ela.
Mal conseguiu ouvir a resposta — o barulho da música e vozes altas indicavam claramente que ela ainda estava na discoteca.
“Você ainda está aí?” perguntou, tentando manter o mistério.
“Sim, na discoteca!”
“Por muito tempo?”
“Aproximadamente duas horas, provavelmente.”
“Me avise quando chamar o táxi, ok?”
“Ok!”
O prático Maxim também levou em conta o cansaço dela após a viagem, mas decidiu que o aniversário da amada era mais importante.
Fez pedidos nos serviços de entrega 24 horas.
Depois de uma hora e meia, tudo estava pronto. Apesar do cansaço forte, esperou pacientemente.
O apartamento se transformou: as peônias preferidas de Dasha num vaso, a mesa festiva, velas por toda parte — ele tinha pensado em tudo com antecedência.
A mensagem “Estou no táxi” chegou no horário.
Maxim desejou boa noite calorosamente, antecipando sua surpresa.
Cerca de vinte minutos depois, uma chave girou na fechadura.
Com um buquê de flores numa mão e o telefone na outra, saiu para o corredor — sabia que Dasha gostava de compartilhar momentos felizes nas redes sociais.
Mas a cena à sua frente o paralisou.
Dasha, entrando de costas em casa, se beijava apaixonadamente com um homem desconhecido.
Chocado, Maxim não desligou o telefone imediatamente.
Quando Dasha finalmente o notou, seu rosto mostrou medo.
Ela se afastou do homem.
Recuperando-se, Maxim guardou o telefone.
Seu olhar passou da garota para o acompanhante, que imediatamente entendeu que não era bem-vindo.
“Bem, vou embora… Desculpa, irmão,” murmurou e desapareceu rapidamente pela porta.
Dasha desviou timidamente o olhar, depois olhou para o apartamento decorado para a festa.
“Você decidiu me colocar à prova?” explodiu ela primeiro, escolhendo uma tática defensiva.
“Eu saí mais cedo do trabalho.
Cheguei duas horas atrás, queria fazer uma surpresa para você.”
“Bem… você conseguiu.”
Seu estado mostrava claramente que ela havia bebido bastante.
“Quem era aquele?” perguntou, apontando para a porta.
“Apenas um rapaz… Nós nos conhecemos na discoteca.”
“E você fala disso tão tranquilamente?”
Parecia que o álcool havia completamente nublado sua mente — as tentativas de se justificar eram pouco convincentes.
Dasha deu de ombros despreocupada e, ignorando Maxim, passou adiante.
“É sua culpa!” ouviu-se do banheiro. “Você me deixou sozinha num dia tão importante!
Eu estava tão triste… E aquele rapaz estava ali perto, cuidando de mim.
Eu só queria que você estivesse comigo.”
“E assim que eu não estava, você já encontrou um substituto!”
Só agora o choque inicial desapareceu, dando lugar a uma raiva total que, como uma onda venenosa, dominou Maxim completamente.
“Foi um erro estúpido… Eu bebi demais.
Me perdoa. Realmente não aconteceu nada.”
Maxim sorriu amargamente em resposta.
“Não aconteceu nada só porque eu voltei a tempo.”
“Você não pode saber disso com certeza! Eu não planejei nada! E mesmo assim, hoje é o meu dia!”
Maxim recusava-se a acreditar no que ouvia. Dasha falava como se realmente nada tivesse acontecido.
Como se cinco minutos antes ela não tivesse se beijado apaixonadamente com um desconhecido na porta de casa.
Talvez não fosse o primeiro caso assim? Quem sabe? Porque em sua voz não havia nenhum sinal de remorso.
Ele viajava muito a trabalho, mas sempre confiava nela completamente, considerando-a a namorada mais fiel.
Queria expulsá-la imediatamente.
Mas o fato de ela estar muito bêbada o impediu — ele se sentiria responsável se algo acontecesse a ela na rua.
Nem tinha forças para falar com ela ou ficar sob o mesmo teto.
Por isso, Maxim preferiu ir para o hotel.
Não conseguia dormir. Principalmente porque Dasha continuava ligando até que ele desligou o telefone de vez.
No dia seguinte, o comportamento dela mudou drasticamente.
Sóbria, ela percebeu a gravidade do que aconteceu.
Pediu desculpas em lágrimas, jurou que era a primeira e última vez, que estava muito perturbada e não percebeu suas ações.
Mas Maxim não podia mais acreditar nela.
Depois de ouvir todas as explicações, pediu que ela fizesse as malas e fosse embora.
Ele não conseguia entender como ela podia ter feito aquilo.
Afinal, eles se amavam e tinham planos para o futuro.
Ele sempre tentou ser um bom parceiro: prover, cuidar, proteger. Mas pelo visto, não foi suficiente.
Dasha tentou várias vezes reconquistá-lo, mas mesmo o doce Maxim permaneceu inflexível.
A confiança estava irremediavelmente perdida, e com ela também as emoções.
Infelizmente, essa experiência teve seu efeito — agora Maxim acreditava que a confiança total nas pessoas era impossível.
Isso certamente influenciará seus relacionamentos futuros.
A menos que um dia encontre alguém capaz de lhe ensinar a acreditar novamente.







