Era um dia sombrio de dezembro. Desde a manhã, o céu estava coberto por nuvens espessas como chumbo, e à noite começou a cair uma neve fina e cortante, como um pardal irritado bicando as janelas.
O vento empurrava a neve entre os prédios, forçando os pedestres a se enrolarem melhor nos cachecóis e apressarem o passo para casa.

Ao longe, ouvia-se o som abafado de um bonde, e uma a uma se acendiam luzes quentes nas janelas.
Em um dos prédios de nove andares, no quarto andar, Aliona acordou.
Seu sono tinha sido agitado — as últimas semanas de gravidez estavam sendo especialmente difíceis.
Seu ventre pesava, e a pequena Liza se agitara a noite toda no berço, soluçando enquanto dormia.
Aliona levantou-se com dificuldade da cama, apoiou-se no sofá para se endireitar e colocou uma almofada nas costas.
Ela escutou: a casa estava em silêncio. Nikolai, como sempre, saíra para o trabalho sem se despedir, sem deixar um bilhete, sem qualquer demonstração de carinho.
No balcão da cozinha ainda restavam vestígios do café da manhã dele — uma xícara com a espuma seca do café e migalhas do sanduíche.
Eles tinham se mudado para aquela cidade quase um ano antes, logo após o casamento.
Uma cidade pequena e cinzenta, com ônibus lotados e uma zona industrial na periferia.
No começo, tudo parecia novo, brilhante, cheio de possibilidades.
Nikolai arranjou emprego numa fábrica, Aliona deixou o dela para se dedicar à gravidez.
Os primeiros meses pareciam um filme: passeios juntos, jantares à luz de velas, palavras doces sussurradas ao ouvido.
Parecia que juntos poderiam enfrentar qualquer coisa. Mas a realidade se mostrou mais dura.
Agora Aliona ainda era jovem, mas por dentro parecia esgotada. Cada manhã começava com ansiedade. Nikolai tornara-se irritadiço, fechado, sempre à beira de explodir.
Bastava um olhar ou um gesto para provocar uma discussão.
Às vezes, ele apenas a fitava em silêncio, com um desprezo tão gelado que ela sentia medo.
Ele batia portas, derrubava cadeiras ou jogava objetos contra a parede.
O mais terrível era que ela temia cada minuto antes da chegada dele do trabalho, até o som da chave na fechadura a deixava nervosa.
Nikolai mudara aos poucos, como uma lâmpada que se apaga — primeiro enfraquece, depois pisca, e por fim, apaga de vez. No começo, ele era atencioso, afetuoso, amoroso.
Acariciava o ventre de Aliona, falava com o bebê, sussurrava que tudo ficaria bem, que ela era a mulher mais forte do mundo.
Mas dia após dia, o olhar dele mudava — tensão, irritação, indiferença.
Começou a criticar tudo: o borscht aguado, os brinquedos fora do lugar, o vestido novo que não ficava bem nela.
A voz ficou mais ríspida, o olhar mais frio e cada vez mais ausente.
Às vezes ele voltava para casa, passava por ela sem dizer nada, e horas depois explodia por qualquer coisa.
— Aliona, os pratos ainda estão sujos? — perguntou um dia, ao chegar do trabalho, cansado e nervoso. — O que você faz o dia inteiro?
Ela o olhava com tristeza nos olhos.
— Eu faço o possível… fico com a Liza, está difícil…
— Faz o possível? Não parece. Você acha que pode ficar deitada o dia todo?
No início, frases assim pareciam apenas desabafos. Ela os justificava com o cansaço dele.
Mas com o tempo, Nikolai passou a controlá-la mais e mais — limitava os contatos com a mãe dela, não aprovava encontros com amigas, tinha ciúmes do passado dela.
— De novo ligando para sua mãe? — irritou-se ao vê-la discando.
— Quer que a gente se separe? Volta então pra cidade dela.
Aos poucos, as ligações cessaram. Ela se afastou de todos que poderiam apoiá-la.
E quanto mais sozinha ficava, mais Nikolai sentia essa fraqueza.
Ele via como sua voz diminuía, como seus movimentos ficavam cautelosos, como seu olhar perdia segurança.
— Por que está suja de novo? — perguntou um dia, irritado, ao vê-la voltando de um passeio na chuva. — É tão difícil se cuidar?
— Eu não quis… — tentou explicar ela.
— Você nunca quer fazer nada direito! Nem isso consegue!
Aliona abaixava a cabeça, cerrava os punhos segurando as lágrimas. A dor era insuportável.
Ela se lembrava de como Nikolai fora um dia — gentil, cuidadoso, amoroso.
Dizia que ela era o mundo dele. Agora, aquele mundo só tinha frio, vazio e medo.
A manhã começou como sempre. Liza já estava acordada — deitada no berço, apertando um patinho de borracha. Aliona lhe deu um beijo carinhoso na bochecha, ajeitou a coberta e foi para a cozinha.
O fogão estava frio desde a noite anterior, e ainda havia mingau velho na panela.
Sua cabeça latejava, os pensamentos confusos de tanto cansaço.
Ela colocou a chaleira no fogo automaticamente, depois sentou-se e ficou olhando para o nada.
Os dedos tremiam de exaustão crônica.
De repente, sentiu o ventre se mover — como se o bebê dissesse: “Você não está sozinha. Você é forte.”
À noite, tudo desabou. Aliona estava limpando os restos do café da manhã de Liza da mesa, quando a porta da frente se escancarou com violência.
Nikolai entrou furioso, sem nem tirar o casaco.
O cheiro de neve molhada e tabaco barato invadiu o ambiente.
— De novo sem fazer nada? — rosnou. — Cadê a comida, está louca?
— Eu… não deu tempo, a Liza estava muito chorona… — murmurou Aliona, olhando para o chão.
— Cadê a comida, sua vaca?! Cansei das suas desculpas!
Trabalho igual um burro e você aí, se fazendo de princesa no meio da lama!
Ele cerrava os punhos, o rosto deformado pela raiva. Mais um passo e talvez ele a agredisse.
Aliona instintivamente cobriu o rosto com as mãos, esperando o pior.
Nesse momento, ouviu-se o ranger da porta no corredor. Alguém entrou.
Na entrada apareceu uma mulher — alta, imponente, com um casaco de inverno longo e uma bolsa de viagem na mão. Era Lídia Nikolaevna, a mãe dela.
— Tira as mãos de cima dela, seu canalha! — disse com firmeza, entrando na cozinha. Sua voz era firme como aço.
Nikolai ficou paralisado, como se tivesse congelado. Não conseguiu dizer nada.
A mãe o olhava com tanto desprezo que parecia que tinha diante de si não um homem, mas algo repugnante. Então ela olhou para a filha.
— Aliona, pegue a Liza. Nós vamos embora. Agora. Nem mais um minuto aqui.
Aliona ficou ali, imóvel. As lágrimas encheram seus olhos.
Era verdade? Alguém ouvira sua dor? Tinha visto?
— Mãe… Mas pra onde vamos? — sussurrou ela.
— Pra casa, — respondeu Lídia Nikolaevna com calma. — Onde te amam.
Onde ninguém grita com você. Onde você pode voltar a ser você mesma. E sorrir.
Nikolai tentou protestar, mas a mãe se virou para ele:
— Se ousar encostar um dedo nela — está acabado. Gravei tudo o que você disse.
Um passo em falso e você vai ver o que é problema de verdade.
Ele se calou. Em segundos, pareceu murchar, perdido, como se toda sua raiva tivesse evaporado.
Vinte minutos depois, já estavam fora do prédio.
A neve continuava caindo. Aliona caminhava lentamente, com Liza nos braços, e a mãe ao lado. Um táxi os esperava em frente ao portão.
— Obrigada, mamãe… — conseguiu dizer Aliona, com voz embargada.
Lídia Nikolaevna a abraçou forte, como fazia quando ela era criança.
— Minha querida, você não deve nada a ninguém. Você só precisa viver.
Só ser feliz. Agora estou com você.
A neve pousava sobre seus ombros, derretendo-se com o calor do amor materno.
Fazia frio, mas pela primeira vez em meses, Aliona sentia calor por dentro.
Uma esperança tímida. Talvez agora tudo pudesse recomeçar.
E sim, era certo nunca mais voltar atrás.







