— Temos uma nova faxineira. Ela acabou de ser liberada. Não se esqueçam disso, — declarou o chefe.

— Todos vocês vão trabalhar na limpeza!

Saibam disso — vou demitir todos vocês! — rugiu Vladimir, batendo barulhentamente a porta de seu escritório.

— Esses preguiçosos realmente se acharam, — resmungava para si mesmo.

— Não querem trabalhar, mas querem receber! Enquanto isso, a empresa está à beira da falência, perdendo dinheiro!

No fundo, Vladimir sabia que o único culpado era ele mesmo, mas mentalmente se recusava a admitir.

— E daí? Por que eu deveria controlar tudo?

Tenho uma equipe inteira de funcionários!

Ele havia herdado a empresa do tio — de forma repentina e um pouco estranha, considerando que em quarenta anos Volodia nunca tinha se destacado muito.

Trabalhava onde dava, e de repente — virou empresário.

“Ah,” pensou então, “agora vou mostrar quem eu sou!” Mas, por enquanto, nada funcionava.

A empresa seguia sozinha, por inércia, não graças à sua liderança.

Isso deixava Vladimir furioso.

Por semanas ele não aparecia no escritório, depois chegava, gritava, demitia alguém “por precaução”, tentava entender quem fazia o quê.

Culpava todos os funcionários — e tudo recomeçava.

Hoje ele não queria ficar ali.

Tinha gritado com todos, podia ir embora — amanhã partiria com sua namorada, ou amante (depende do que se chama), para o mar.

Conseguiu juntar mal o dinheiro de todas as contas — a contadora quase desmaiou.

— Vladimir Grigorievich, você vai nos deixar sem dinheiro.

O salário é daqui a duas semanas. — Melhor fazerem o trabalho do que esperar o dinheiro! É tão difícil simplesmente fazer seu trabalho?

A contadora apertou os lábios, mas acrescentou: — Você mesmo demitiu a faxineira que não gostava.

Agora todo o escritório está sujo. Talvez contrate uma nova?

Vladimir levantou a voz: — Por que eu deveria me preocupar com isso?

— Porque a pessoa que cuidava disso — a responsável pelo pessoal — foi demitida há alguns meses.

Ficou chocado com tanta ousadia. Queria dizer algo, mas a contadora já havia saído, fechando a porta atrás de si.

“Eles são mimados! Não entendem nada!” — pensou, preparando-se para ir embora.

Como sempre, a única salvação era Lena.

Só ela entendia, sabia como era difícil com esses idiotas preguiçosos.

Não, quando voltar do mar — aí vai realmente cuidar de educar todo o escritório.

Lena pegou o envelope com o dinheiro e contou rapidamente.

— Vou pagar tudo hoje à noite. Está tudo? — “Len, seja consciente, não é suficiente?”

— Bem, não que seja pouco… Só que não dá para se divertir direito.

— Imagina, tem que trocar todo o pessoal! — continuou Vladimir reclamando.

— Nem consigo tirar meu dinheiro para umas férias decentes.

Eles também estão insatisfeitos. E agora essa faxineira…

Lena olhou atentamente para ele: — O que houve com a faxineira?

— Eu a demiti… Já disse — ela tropeçou em um balde…

Lena assentiu seriamente: — Então você demitiu a faxineira porque não viu o balde? — “Vamos, Len, entende que isso é inaceitável! Por que colocar baldes por todo lado?”

— Bem, claro… — “E agora querem uma nova faxineira. Está sujo, vê?”

Que peguem um esfregão e limpem sozinhos! — “Então por que procura uma faxineira e não a responsável pelo pessoal?”

— Porque a responsável pelo pessoal também não está mais aqui. Eu a demiti antes.

Volodia hesitou um pouco, mas logo encontrou uma desculpa:

— Ela me respondeu de forma desrespeitosa. É preciso respeitar o chefe.

Na verdade, a responsável pelo pessoal, jovem e bonita, deu-lhe um tapa na cara na frente de todos quando ele “amistosamente” colocou a mão no lugar errado.

Embora ninguém tenha visto exatamente onde ele a colocou — mas o tapa todos notaram muito bem.

O que fazer? Mandar embora? Ele não é fraco. Além disso, deve-se ser amigo do chefe, não mimá-lo.

Só que Lena não deveria saber — ela era uma verdadeira vadia. Podia até dar um tapa mais forte nele.

À noite Lena disse de repente: — Volodia, arranje uma faxineira que não faça a vida parecer um conto de fadas.

— Como assim? — “Com personalidade. Alguém meio estranha.”

— Você é louca?

E se roubar algo? — “Então tranque seu escritório. E se eles perderem algo — que se entendam.”

Vladimir pensou.

— Len, você é uma gênia! Se eu pegar alguém assim, eles não terão coragem de demitir sem mim.

— E então?

— Então vão trabalhar.

Sem pausas para café a cada dez minutos que a faxineira tirava.

Depois de alguns dias encontraram a candidata perfeita.

Tiveram que pedir ao vigia do bairro — um amigo ajudou:

— Tem uma, acabou de sair. Doze anos de prisão. Ah, e é muda. — Sério?

Por quê? — Matou o marido. Com particular crueldade. — Uau…

Por que muda? — Parou de falar depois do julgamento. Provavelmente sufocou a vida.

A comunicação com ela era feita pelo vigia. Ela escrevia as respostas em papeizinhos.

Quando soube que ofereciam um trabalho, sorriu e escreveu: “Obrigada”.

Volodia não conseguia entender quantos anos ela tinha — talvez trinta, talvez setenta. Envolta num lenço, não levantava o olhar.

— Atenção todos! — anunciou entrando no escritório.

— Esta é sua nova faxineira, chama-se Nina, acabou de sair.

Lembrem-se — ela me contará tudo.

As garotas em suas mesas trocaram um olhar, hesitantes em se aproximar. Nina estava com a cabeça baixa.

Volodia não conseguiu se conter — Lena esperava no carro, o voo era em uma hora.

— Enfim, mostrem tudo a ela, acomodem-na, preciso ir.

Ele estava certo: ter uma faxineira assim motivaria bem o grupo.

Se uma pessoa tem medo — trabalha melhor. E se trabalha melhor — significa que ganhará mais.

Ele tinha lido isso em algum livro, enquanto tentava ser um bom chefe.

— Como foi? — perguntou Lena assim que sentou ao lado dele.

— Ótimo! Você devia ter visto as caras deles!

Riram. Na frente deles havia mar, sol e descanso.

Trabalhar não estava mais em suas mentes.

Nina foi acompanhada pelo escritório, explicaram onde ficava tudo.

Pegou logo o esfregão. As colegas olhavam com cautela, mas Nina não tentava socializar.

Limpava, brilhava, e em apenas dois dias o escritório começou a brilhar.

Exceto o escritório do chefe — aquele estava trancado.

Nina se movia silenciosamente nos cantos, sem falar com ninguém.

Uma vez a contadora se aproximou dela:

— Nina, me diga, o que acha das plantas internas?

Nina sorriu, assentiu e olhou interrogativamente para a contadora.

— O escritório vizinho vai se mudar.

Eles têm muitas plantas internas e não podem levar todas.

Aceitamos pegar algumas plantas.

Você poderia cuidar delas?

Nina assentiu novamente. Depois tirou seu bloquinho e escreveu:

“Adoro cuidar de plantas.”

— Perfeito! — se alegrou a contadora. — Então vou fazer com que as tragam para cá.

E depois, como você achar melhor — organize, replante, faça como seu coração mandar.

Nina assentiu outra vez.

Após três dias o escritório parecia completamente diferente. As plantas, que chegaram em condições bem ruins, pareciam revigoradas.

As folhas estavam mais brilhantes, os caules mais fortes.

E Nina parecia estar um pouco “florescida” ela mesma — mais confiante, olhava nos olhos com mais frequência.

Às vezes as garotas notavam que ela mexia os lábios como se falasse com as plantas.

Obviamente não podia falar — era muda.

Mas havia algo tocante em tudo isso.

Durante o almoço, as garotas, sem combinar, a convidaram para ficar com elas.

Nina ficou tímida, mas aceitou. Não sentia há muito tempo um calor humano tão simples.

Ninguém lhe falava assim há muito tempo — sem medo, sem julgamento, sem pena.

As garotas conversavam sem parar, contando sobre trabalho, maridos, filhos, lojas e séries de TV.

A cabeça de Nina girava levemente com o fluxo de informações.

Mas ela não sentia irritação ou cansaço — pelo contrário, sentia-se quente e tranquila.

Antes de se despedirem, Marina Olegovna, a contadora, disse baixinho:

— Nina, você é uma verdadeira mestre. Com essas flores… Simplesmente incrível.

Parece que elas sempre estiveram aqui. Você organizou tudo com muita precisão.

As meninas começaram a conversar, felizes pela colega mais velha, e pouco antes de ir embora, Anya se aproximou de Nina:

— Nin, posso fazer uma pergunta pessoal? Por que você se veste assim?

É seu estilo ou há outros motivos? Porque você é claramente uma mulher bonita, mas esconde isso.

Nina suspirou e tirou seu caderno:

«Não me resta nada. Depois de tudo — só o que os vizinhos bondosos me deram.»

Anya assentiu:

— Eu imaginava. Não se preocupe, tudo vai mudar.

No dia seguinte, ela trouxe uma grande sacola:

— Olha, minha mãe e eu limpamos os armários. Se algo não servir — você pode dar para alguém.

Nina escreveu novamente:

«Não posso aceitar isso. É caro e bonito demais para mim.»

— Bobagem! — respondeu Anya. — Você vai usar isso. Vai ficar bonita. Vai parar de se esconder.

Em casa, Nina organizou cuidadosamente as roupas — vestidos, suéteres, jeans — e as olhou demoradamente como se fossem algo nunca visto. Depois sentou e chorou. A vida era tão injusta.

Ela se casou jovem e logo teve uma filha. Tudo parecia normal, até que o marido começou a mudar.

Ele começou a conviver com pessoas estranhas, usava roupas longas em casa, murmurava palavras parecidas com orações.

De dia era um homem comum, mas à noite se tornava outra pessoa.

Nina tinha medo de deixá-lo com a filha. Algo estava errado.

Um dia, ela teve um pressentimento forte — nem conseguia explicar por que correu para casa.

Chegou exatamente quando o marido levantava uma faca sobre a filha pequena.

A menina estava amarrada e não gritava — paralisada de medo.

— Pare! — gritou Nina. — O que você está fazendo?!

— Não chegue perto! — ele gritou. — Eu tenho que fazer isso! Senão todos vão morrer!

Ela pegou a primeira coisa que encontrou — uma pá de ferro fundido que tinha comprado numa loja de antiguidades.

Correu e bateu. Depois outra vez. E outra. Não pensou nas consequências — estava protegendo a filha.

O legista depois comentou: os golpes foram violentos, mas compreensíveis.

Ela recebeu a pena máxima. Os pais do marido fizeram de tudo para que ela fosse presa.

A mãe dela morreu de ataque cardíaco enquanto Nina cumpria a pena.

Ela não podia ver a filha — a menina morava com os avós paternos.

Nina não insistiu: «Que tipo de mãe é essa para uma criança? Que cresça sem esse estigma.»

Às vezes, ela observava a filha de longe. Bonita, inteligente, alegre… Mas nunca se mostrava para ela.

No dia seguinte, Nina chegou ao escritório com um visual novo — jeans justos, blusa branca e sapatos de salto baixo. Anya exclamou:

— Eu sabia! Você é uma beleza!

As meninas a rodearam, elogiaram, admiraram, dizendo que ela era uma estrela, não uma faxineira.

Marina Olegovna acrescentou suavemente:

— Pena que você não fala. Se tivéssemos ouvido sua história, teríamos entendido que você não é perigosa.

Que você não é a pessoa que acham que você é.

Então Nina falou pela primeira vez em muito tempo:

— Eu posso falar.

O silêncio caiu na sala.

— Eu simplesmente não falo. Para que ninguém comece a perguntar sobre o passado.

Mas vocês… vocês me trataram assim. Como ninguém há muito tempo. Então vou contar tudo para vocês.

Naquele momento, Vladimir decidiu checar como estava o trabalho no escritório.

— Será que esses preguiçosos estão sentados quietos, sem fazer barulho?

Ele abriu a câmera de vigilância e parou.

Esse é realmente o escritório dele? Onde está toda essa confusão verde? De onde vêm tantas plantas?

Ele mudou de câmera, tentando entender onde estavam todos os funcionários.

Finalmente os encontrou — todos reunidos na sala principal.

No centro estava sentada uma mulher — alta, magra, bem cuidada, com um olhar vivo.

Vladimir ampliou a imagem e ficou chocado.

Era Nina. A faxineira dele. A ex-presidiária. Aquela que supostamente matou o marido.

Mas agora ela não só parecia diferente — ela estava falando.

Falava, e todos ouviam atentamente, depois alguém a abraçava, outro chorava.

— Droga! — murmurou ele. — Como pode ser? Ela deveria ser muda!

Ele até largou o telefone. Precisava ir lá pessoalmente imediatamente.

Não podia deixar tudo sem controle.

Mas já era tarde demais.

Nina trabalhou como faxineira por pouco tempo — até Vladimir voltar.

As meninas a ajudaram a encontrar um trabalho mais adequado e se responsabilizaram por ela.

Um ano depois ela foi promovida. Um homem bom começou a cortejá-la, alguém que não se importava com seu passado.

Além disso, Anya conversou com a filha dela e contou a verdade — não a que os avós disseram.

E um dia Nina viu a filha na sua porta.

Desde então, elas não passaram um dia sem se falar — como se tentassem recuperar o tempo perdido.