Uma semana de solidão a tornará dócil, como seda. Mas ao ver o que aconteceu durante esse tempo, ele parou, mal cruzando o limiar.

Ultimamente, Nika não parecia mais ela mesma.

Na relação com o marido, surgiram rachaduras sérias, e a mulher não sabia como agir nessa situação dolorosa.

Tudo começou com pequenos detalhes — como geralmente acontece.

Depois do trabalho, Tolya começou a notar seus comentários venenosos.

Suas piadas estavam cheias de raiva, cada palavra feria mais do que um golpe.

Dia após dia, o comportamento do homem piorava.

Mesmo nas férias, ele não lhe dava descanso.

— Você parece uma velha! — dizia ele, sem tirar os olhos do telefone.

— As esposas dos outros caras parecem esposas, e a minha é uma espécie de damasco seco e enrugado!

De fato, Nika parecia mais velha do que sua idade.

O trabalho dela era duro e difícil — deixava marcas no rosto.

Mas era especialmente doloroso ouvir tais palavras do próprio marido.

Ela trabalhava pela família, ganhando o dobro dele, então ele não tinha motivos para reclamar.

Tolya gastava seu dinheiro como queria, sem consultar ninguém: — Gasto onde quiser! Não temos filhos para economizar!

Nika suportava isso também. No geral, a vida dava para viver.

Eles não eram oficialmente casados, mas viviam como marido e mulher e nem tinham pressa para se casar.

No entanto, a mãe de Tolya já chamava Nika de nora há muito tempo, e ela considerava essa mulher como sua sogra.

A sogra era inconveniente e insatisfeita com a vida.

Ela sempre se metia nos assuntos dos jovens, e a maioria das críticas era direcionada a Nika.

O casal morava numa casa particular.

Embora estivessem na cidade, a casa precisava de cuidados constantes.

Nika frequentemente pedia ajuda ao marido:

— Eu simplesmente não consigo dar conta — trabalho da manhã à noite!

— E o que isso importa para mim? — respondia Tolya. — Essa é sua casa, você é a dona, e eu com isso?

E de fato: no inverno, a casa ficava coberta de neve até Nika pegar a pá.

No verão, a grama crescia quase até as janelas.

Eles tinham que contratar pessoas para arrumar tudo, e depois Nika terminava o trabalho sozinha depois do expediente.

Enquanto isso, Tolya ficava jogado no sofá e só de vez em quando levantava para ver como ia o trabalho.

A mulher perdoava muita coisa, mas a gota d’água foi o que viu quando chegou em casa depois de um dia difícil.

Estava tão cansada que mal arrastava os pés, e ainda parou na loja no caminho.

Agora a palma da mão doía por causa da bolsa pesada.

Ela esperava que Tolya a recebesse — até ligou para ele, mas ele não atendeu.

Suspirando e enxugando o suor, Nika ouviu música vindo do quintal.

Deixando a sacola na cerca, apressou-se para dentro da casa, onde rolava uma festa animada.

Dentro cresciam mágoa e raiva — naquele dia ela decidiu dizer tudo o que estava acumulado.

E na casa havia uma verdadeira festa!

Música alta espalhava-se pelo cômodo, os vidros tremiam.

Na mesa, petiscos e comida pronta que Nika tinha preparado com antecedência para não precisar se preocupar à noite.

E Tolya, ignorando a esposa, dançava com uma mulher claramente bêbada e vestida de forma bastante provocante.

Sem dizer uma palavra, Nika atravessou a sala e desligou a música.

Tolya lentamente desviou o olhar turvo: — O que você está fazendo? — perguntou, enrolando a língua, cambaleando.

— Eu que devia te perguntar! O que está acontecendo? Quem é essa mulher?

A parceira dele continuava dançando no ritmo dela, como se nada estivesse acontecendo.

— E daí? — deu de ombros Tolya. — Encontrei uma velha colega de escola, comemoramos.

Ou não posso relaxar em minha própria casa?

— Se você lembra, foi você quem disse que essa é minha casa e que você não tem nada a ver com ela.

Então saia agora, leve sua convidada embora e depois conversamos!

— Não vou! — tentou se endireitar Tolya, mas balançou.

Nika já sentia nojo dele.

Ele não era mais um homem para ela há muito tempo.

E nenhuma ajuda dele — só um fardo.

Viver com ele por medo da solidão? Nem pensar!

Pegando firmemente a mulher pelo cotovelo, Nika a conduziu para fora do portão: — Está na hora de ir!

Depois voltou para dentro: — Você quer que eu te leve ou vai sair sozinha?

O homem deu de ombros, pegou a salada e a garrafa da mesa e, cambaleando, foi para a saída.

— Vai viver sem mim, me liga, histérica! — gritou, se despedindo.

— Ai, ai, ai! — lamentou a mãe de Tolya, segurando a cabeça. — Minha cabeça está explodindo!

— Mãe, não grite! Nika me expulsou. Ela não gostou que eu não a recebi — mentiu o filho, sabendo que a mãe ficaria do lado dele.

— E por que você deveria recebê-la? — perguntou a mulher, surpresa.

— Quem sabe! Está sempre me implicando: isso não está certo, aquilo não está certo! Já estou cansado!

Será que eu também me canso no trabalho? Você acha que é fácil para mim? E por que eu deveria ajudar numa casa que não é minha?

— Certo! — apoiou a mãe. — Que ela arrume a casa, consiga uma parte, e aí sim peça!

Olha como ela se acha! Que eu vá recebê-la! Ela está saudável, deve se virar sozinha!

— Eu falei isso para ela! E ela ficou ofendida!

— Que fique ofendida! Você não deve ceder! Não ceda a nada! Quer casar — tem que aguentar!

Não é mais uma menina para bancar a esquentadinha!

— E agora o que eu faço? — perguntou Tolya, cabisbaixo.

— Aguenta firme, filho! — aconselhou a mãe. — Ela vai voltar rastejando, toda bonitinha, vai te implorar para voltar!

Vai passar uma semana sozinha — vai entender o que fez!

E você não ceda — assim que ela voltar, peça o registro de residência. Senão ela vai ficar sem você!

Assim a mulher dava conselhos ao filho sobre como controlar Nika.

Ele escutava atentamente, assentindo em sintonia com as palavras.

— Você está certo, mãe! Não vou mais aguentar as birras dela! Quem ela pensa que é para me mandar?

Eu não sou escravo, sou um homem adulto! Dono de mim mesmo!

Seguindo as instruções da mãe, Tolya realmente decidiu agir.

Ele não apareceu em casa, não ligou para Nika, esperou exatamente uma semana.

A mãe dele também não estava vivendo bem. Ela também implicava com ele: faça isso, faça aquilo.

Quando ele tentou protestar, a mulher lhe lembrou os velhos métodos de educação — deu-lhe uma boa surra com um galho nas costas:

— Você não está na casa da sua esposa, está na casa da sua mãe! Se não trabalhar, vai ficar sem almoço!

Claro e sem palavras desnecessárias. Nem tente discutir com ela.

Finalmente, mal aguentando esses sete dias, Tolya se preparou para ir para casa: — Vou, mãe!

Quero ver como ela está sem mim. Deve estar já rastejando de joelhos e implorando para eu voltar!

— Vai, vai! Mas não desista! Fale firme — vai voltar só nas suas condições!

Saiu de casa com ar de vencedor.

Agora ele mostraria quem mandava!

Queixo empinado, costas retas, passo firme — até com um pouco de arrogância.

Chegou ao portão, entrou no quintal… e parou.

Algo estava errado.

Olhou ao redor: o quintal estava arrumado, a grama aparada com precisão como se fosse com régua, as janelas brilhando, os canteiros bem cuidados, os caminhos limpos, sem sinais de mato.

E não era só isso — tudo ao redor parecia vivo, colorido, bem cuidado.

Até o portão era novo — não aquele velho que rangia, mas um forte e confiável.

Tolya tirou a chave, mas percebeu que não encaixava mais.

Ficou parado por um momento, depois foi decidido até a porta e bateu.

Os passos pararam lá dentro, então a porta se abriu.

Mas não era a Nika que andava triste, com olheiras.

Na frente dele estava uma mulher fresca, sorridente, com um brilho nos olhos.

— Eu pensei que você estivesse sofrendo sozinha aqui… Mas você… pelo menos poderia ter me ligado!

— Pra quê? — sorriu Nika suavemente, inclinando a cabeça de forma brincalhona.

— Como assim “pra quê”? Seu marido não aparece há uma semana e você nem liga?

— Eu não tenho marido — respondeu calmamente.

— De onde ele apareceria? — riu Nika. — Teve um, mas não deu certo.

Nem vale a pena lembrar!

Tolya ficou vermelho: — Você está falando de mim?! Vai levar um tapa na cara e vai falar de outro jeito!

Eu devia ter te educado antes! Fui muito mole antes!

Deu um passo à frente, mas Nika nem se mexeu.

De trás da porta saiu um homem alto, colocou a mão no ombro dela e disse firmemente: — Ei, cara, vai embora.

E melhor que vá pacificamente.

— Quem é esse? Já arrumou amante? Bom — se você mandar ele embora, eu perdoo e volto!

Prometo até não bater! — disse Tolya generosamente.

A seguir aconteceu algo estranho.

Ou a gravidade falhou ou o tempo deu uma pane — um momento ele estava parado, no outro já corria.

Corria como se os diabos estivessem atrás dele! E alguém atrás ajudava a acelerar.

Nika estava na soleira rindo até chorar, vendo como seu irmão mais velho expulsava o ex-companheiro do quintal.

Ele praticamente voava para o portão, e o irmão o empurrava com alguns chutes certeiros.

Assim que Tolya saiu do portão, o irmão bateu o portão e voltou para a irmã:

— Nikulechka, não pense nem em aceitar esse idiota de volta!

Sério, não entendo como você aguentou ele!

Nika suspirou profundamente: — Sou idiota, por isso aguentei. Pensava — talvez ele mude.

— Eles não mudam, você manda eles embora! Se precisar de ajuda com a casa — me liga, eu venho ajudar.

E esse tem que entender que não deve mais se meter aqui.

— E se ele não entender?

— Aí eu explico de novo — o irmão piscou e entrou com a irmã na casa.

E lá dentro, os convidados já se divertiam, observando toda a cena pela janela.

— Então, aniversariante, um brinde a você!

— À aniversariante! — respondeu alguém, e as taças tilintaram.

Nika sorriu.

Como é bom ter um irmão mais velho assim — cuidadoso, forte e sempre por perto!