No meu aniversário, o meu marido nem sequer me deu os parabéns, quanto mais um presente.
Os colegas do trabalho fizeram-me uma verdadeira festa, mas no fundo sentia algo desagradável — o meu marido nem sequer ligou.

Ao anoitecer, a ansiedade aumentava.
— Vi o teu marido num café — disse uma colega, baixando a voz.
— Estava com um ramo de flores, à espera de alguém…
Sem pensar, agarrei o casaco e corri para o café.
Corria mecanicamente, com o coração a bater loucamente.
Se ele está a trair-me… Se, logo no dia do meu aniversário, está com outra mulher…
Entrei de rompante e olhei em volta.
O meu marido estava sentado, e ao lado dele…
Esse aniversário eu nunca vou esquecer.
Eis o que aconteceu 👇👇
Eu e o Yura estamos casados há 25 anos e durante esse tempo habituei-me à sua forma peculiar de oferecer presentes.
Sempre foram… práticos.
Chaleira, conjunto de pratos, torradeira — o Yura parecia acreditar que o melhor presente para a esposa era algo útil para a casa.
Ficava magoada, zangada, depois conformava-me.
Não valia a pena pedir algo específico — ele fazia sempre à sua maneira.
Com o tempo, aprendi a não esperar nada de especial.
E este ano não foi exceção.
Fazia 48 anos.
Uma manhã como todas as outras: limpeza, pequeno-almoço, trabalho.
O Yura ainda dormia quando saí, por isso fechei a porta em silêncio.
O dia passou depressa.
Os colegas deram-me os parabéns, ofereceram flores, fizemos uma pequena festa com bolo.
Mas algo cá dentro me incomodava — o Yura não telefonou.
Nem mensagem, nem o habitual “Parabéns, Leska”.
À noite, a inquietação cresceu.
Algo estava errado.
— Vi o Yura num café — sussurrou-me a colega com ar conspirador.
— Estava com flores, à espera de alguém…
Café? Flores? Ele nunca compra flores só porque sim.
E ultimamente as suas frequentes “reuniões de trabalho” tornaram-se suspeitas.
Uma vez nem sequer voltou a casa à noite, disse que estava com um amigo…
Meus pensamentos correram em uma única direção.
Fiquei tonta, minhas palmas começaram a suar.
Sem pensar, peguei o casaco e corri para o café.
Corri sem pensar, meu coração batia loucamente.
Se ele realmente está me traindo… Se ele está com outra justo no meu aniversário…
Entrei correndo, olhei ao redor.
Yura.
Está sentado perto da janela, segurando um buquê.
Sozinho.
Quando me viu, levantou-se imediatamente e sorriu.
— Vem aqui.
A raiva ainda me dominava.
— Então é isso, você está aqui, sentado calmamente enquanto eu estou no trabalho, e nem me deu os parabéns?!
— Espera, espera… — ele pegou minha mão com calma.
— Queria te surpreender.
Estava esperando você sair do trabalho.
Pisquei.
Não podia acreditar.
— O quê?
Ele me entregou uma caixinha.
Pequena, bonita, com um laço.
Abri.
Brincos de ouro.
Exatamente aqueles com que eu sonhava, mas nunca disse a ele de verdade.
As lágrimas caíram sozinhas.
Eu esperava o pior, e ele… ele só estava me esperando para tornar esse dia especial.
Essa noite ficamos muito tempo no café.
Conversamos, rimos.
Pela primeira vez em muito tempo, conversamos não sobre obrigações e rotina, mas apenas um com o outro.
Esse aniversário, eu vou lembrar para sempre.







