A sogra foi internada no hospital, e Katia, sem pensar duas vezes, foi para a casa de campo — era preciso cuidar da horta. Quando ela se aproximou do poço, sentiu tontura quase até perder a consciência, e o coração disparou…

— Alô, — disse ela com dificuldade, a voz tremendo.

As chamadas noturnas de números desconhecidos sempre a assustavam — no passado, elas já haviam trazido dois momentos ruins: uma vez, quando sua mãe faleceu, e outra, após a trágica morte do marido, Nikita.

— É a Ekaterina? — soou uma voz masculina.

Um frio percorreu seu corpo, como uma corrente gelada por dentro.

Pensamentos de pânico passaram pela sua cabeça: “Que seja um engano.

Esconda o telefone debaixo do travesseiro.

Isso não é para você…”

— Sim, estou aqui, — respondeu ela, reunindo forças com dificuldade, embora as mãos tremessem e as costas estivessem cobertas de suor frio.

— Desculpe, Ekaterina, não sei seu sobrenome.

Recebemos uma mulher, Klavdia Mikhailovna Vasilyeva.

Ela pediu para ligar para você.

Katia ficou paralisada.

Era sua sogra — a última alma querida depois de todas as perdas.

— O que aconteceu com ela? Onde ela está? O que houve? Vou chegar aí agora!

— Não entre em pânico, — apressou-se a voz para acalmá-la.

— Ela teve um ataque cardíaco.

Agora está na UTI do setor de cardiologia.

O estado dela foi estabilizado, não há risco de vida.

Infelizmente, as visitas estão proibidas no momento.

Melhor você vir daqui a dois dias.

Tudo está sob controle, não se preocupe.

A ligação caiu, mas Katia ficou sentada por muito tempo, incapaz de se mexer.

Ela não podia acreditar que isso estava acontecendo com Klavdia Mikhailovna — enérgica, resistente, forte.

Foi ela quem ajudou Katia no período mais sombrio — após a morte de Nikita, quando parecia que a vida havia desmoronado.

Se alguém poderia ter desmoronado — era ela, e não a sogra.

Como isso poderia ser? Uma mulher que foi saudável e ativa a vida toda de repente teve problemas no coração?

Katia enxugou as lágrimas, levantou-se da cama — o sono havia desaparecido.

No hospital, vão contar tudo para ela.

Talvez Klavdia Mikhailovna precise que levem algo para ela: água, roupas, talvez apenas uma camisola de troca.

Ela começou a se arrumar.

Mesmo entendendo — a sogra passou todo o verão na casa de campo.

Lá — uma casa tranquila, flores, verde, canteiros bem cuidados.

Katia sempre gostou de ir lá: colhia legumes direto do canteiro — o sabor era como se comesse algo mágico.

Quando Katia entrou no hospital, a enfermeira de plantão lançou-lhe um olhar frio.

— Eu já disse que, por enquanto, não pode visitá-la.

Ela está na UTI, a entrada está fechada.

— Posso ver o médico? Ele trabalha neste andar, não?

— Só pode falar com o médico durante o dia, — cortou a enfermeira.

Katia sentou-se teimosamente em uma cadeira.

— Não vou sair daqui até saber os detalhes.

Ela certamente precisa de algo.

A enfermeira balançou a cabeça, cansada.

— Por enquanto, não.

Quando a trouxeram, ela só murmurava algo sobre tomates.

Que não teve tempo para regar — que todos iam murchar.

Espere aqui, vou chamar o médico.

Depois de um tempo, o doutor chegou.

Confirmou as palavras da enfermeira: nos próximos dois a três dias, Klavdia Mikhailovna não precisará de nada.

Mais tarde, será possível ligar para o setor e saber como ela está.

— Não se preocupe, — acrescentou o médico calmamente.

— Ela tem um organismo forte.

Aparentemente, um forte choque emocional.

Isso acontece — o coração não aguenta.

Ao sair do hospital, Katia lembrou das palavras da enfermeira sobre os tomates.

Então, precisa ir para a casa de campo, verificar tudo, arrumar o lugar.

Vai tirar uns dias de folga sem pagamento — e partir.

Por que não fez isso antes? Não era tão difícil — só vir e ajudar.

Para ela, Klavdia Mikhailovna sempre foi mais que uma sogra.

Após a morte de Nikita, tornou-se um apoio, uma pessoa próxima.

Katia lembrava com carinho das conversas com o marido e sua mãe.

Eles tinham confiança, boas conversas, brincadeiras leves.

Quando Klavdia foi hospitalizada com pneumonia, Nikita cancelou todos os compromissos, ficou ao lado dela até ter certeza de que estava tudo bem.

Katia também sempre se preocupava com ele.

Se ele demorava para atender o telefone, seu coração se apertava.

Mas nunca pressionava ou ligava repetidamente — apenas se preocupava de verdade.

A manhã chegou, a cidade começou a despertar.

Katia finalmente se preparou, respirou fundo, pegou o telefone para avisar o chefe — precisava de dois dias de folga.

A casa de campo ficava a no máximo meia hora de carro.

O carro que Nikita dera a ela antes de morrer estava na garagem.

Desde então, Katia não pegou no volante — uma angústia silenciosa vivia dentro dela.

Mas agora não havia escolha.

A casa de campo a recebeu com o silêncio habitual e uma atmosfera especial de paz.

Katia olhou com ternura para a casa familiar: “Tudo vai ficar bem, aguente firme”.

Ao redor — limpeza, ordem, como sempre na casa de Klavdia Mikhailovna.

Ela deu a volta no quintal: o gramado estava bem cuidado, os canteiros bem tratados, sem uma folha fora do lugar.

As flores exalavam perfume.

Katia sabia como regar: os vasos duas vezes ao dia, os outros canteiros à noite, quando o sol começa a se pôr.

Foi assim que a sogra lhe ensinou quando Katia vinha visitar.

— Katia, é você? — ouviu uma voz da rua.

Katia se virou: a vizinha de Klavdia Mikhailovna se aproximava dela.

— Sim, olá, — ela acenou com a cabeça.

— Querida, oi.

Como está a Klava? Aquele dia, eu saí para fazer compras, voltei — e ela já tinha sido levada.

— O coração falhou.

Agora ela está na UTI.

Os médicos dizem que o estado é grave, mas estável.

Acham que ela ficou muito abalada.

— Estresse? Mas aqui está tudo calmo.

Quem chamou a ambulância?

— Não sei.

Achei que você já sabia.

Afinal, todo mundo foi à cidade esses dias — para pegar a aposentadoria.

Katia suspirou profundamente.

Parece que a verdade ainda está oculta.

Ela desempacotou as coisas — planejava ficar uma semana — e saiu para o quintal.

Precisava regar as flores, arrumar o terreno.

Klavdia Mikhailovna deveria voltar e ver tudo em perfeito estado.

A casa tinha história: foi ali que a sogra nasceu.

Depois ela se mudou, e a casa dos pais ficou vazia por muito tempo, até que Nikita resolveu reformar.

Com os pais, eles renovaram cada detalhe, e agora havia uma casa aconchegante e bem cuidada.

Katia pegou um balde, lembrando que era melhor regar com água morna.

Terminando de regar, ela foi até o poço para buscar água.

Estendeu a mão para a corrente para prender o balde…

Perto dali, ouviu uma voz masculina:

— Posso ajudar?

Katia estremeceu de surpresa, quase deixando o balde cair.

Virou-se abruptamente — e o mundo ao seu redor pareceu girar.

Diante dela estava… Nikita.

— Ei! Está bem? Recupere-se! Não acredito — desmaiar assim do nada… Quer que eu chame uma ambulância?

Quando Katia abriu os olhos, um homem desconhecido se inclinava sobre ela, com uma expressão sincera de preocupação.

— Nós já nos conhecemos? Você parece muito com Nikita…

— Nikita? — ele hesitou por um momento.

— Interessante.

Deixe-me ajudar você a levantar.

Katia se levantou, sacudindo mecanicamente as migalhas da roupa.

— Quem é você? Nunca te vi aqui antes.

Você não é a razão pela qual Klavdia Mikhailovna passou mal?

— A razão? — surpreendeu-se ele.

— Eu nem conhecia essa mulher.

Só queria fazer uma pergunta.

Agora vejo que estava exatamente onde devia estar.

Katia acenou em direção à casa:

— Vamos.

Antes que alguém veja e pense que estamos encenando um drama.

— Eu pareço mesmo tanto assim? — perguntou ele, seguindo atrás dela.

— Provavelmente pareço com quem estou procurando.

Mas a reação de todos é tão… estranha.

— Você… você é quase a cópia do meu marido.

O filho de Klavdia Mikhailovna.

Ele morreu há dois anos.

O homem ficou imóvel, como se tivesse levado um soco.

— Morreu? Isso não pode ser… Eu esperava finalmente encontrá-lo…

Katia preparou o chá em silêncio, colocou as xícaras na mesa.

Sentaram-se.

— Se você não me explicar agora quem é e o que está acontecendo, eu vou enlouquecer de verdade.

Ele respirou fundo:

— Só descobri tudo recentemente.

Comecei a vasculhar registros antigos.

Queria vir aqui para entender.

Mas agora não sei mais.

E Klavdia Mikhailovna não pode ser interrogada no momento…

— Vamos interrogá-la.

Mas mais tarde.

— Tenho vinte e sete anos.

Há um ano, minha mãe ficou gravemente doente.

Antes de morrer, ela disse que eu não era seu filho de sangue.

Contou que há vinte e sete anos ela estava na maternidade com outras duas mulheres.

Uma jovem, esperando gêmeos.

Outra, do interior.

Todas tiveram partos prematuros e difíceis.

Minha mãe e aquela mulher tiveram filhos fracos.

Então, entrou uma moça que havia tido gêmeos.

Chorava, pedia ajuda — o pai rejeitou as crianças, não tinham parentes.

Como elas combinaram, não sei, mas minha mãe e aquela mulher foram para casa com os bebês, e a moça ficou com o atestado de óbito dos filhos.

Minha mãe só lembrava que aquela mulher morava na vila.

Há três na sua região.

A sua é a terceira.

Por isso vim.

Katia ficou pálida:

— Então, Klavdia Mikhailovna sabia disso tudo?

— Não sei.

Não falei com ela.

Queria primeiro conversar com os moradores locais.

— Agora tudo faz sentido… Mas como falar com ela sobre isso se ela está em crise?

— Vamos esperar.

Se ela me reconhecer, vamos pensar.

Se não, vou embora.

Só queria encontrar um irmão.

— E sua mãe biológica? Quer encontrá-la?

Ele balançou a cabeça:

— Não.

Não quero.

— Que pena.

Tenho certeza que ela teve seus motivos.

Ela fez questão de você estar em boas mãos.

Nesse momento, o telefone tocou.

Katia atendeu, o coração disparou.

— Alô, Katia?

— Klavdia Mikhailovna! Como está? Como se sente?

— Não posso falar muito, mas convenci minha irmã a passar o telefone para você.

Escute: vá urgentemente para a casa de campo.

Lá está o irmão do Nikita.

Não deixe ele ir embora.

Vou explicar tudo assim que nos encontrarmos.

— Já nos encontramos, ele está esperando por você.

A sogra se acalmou imediatamente.

— Que bom.

Preciso contar a ele sobre a mãe dele… Me perdoe, Katia, por ter ficado calada todo esse tempo.

Não tive coragem.

— E Nikita sabia?

— Não.

Ele nos considerava, a mim e ao pai, como família de sangue.

E para nós ele era o mais querido.

Duas semanas depois, Klavdia Mikhailovna recebeu alta do hospital.

Katia e Misha — o irmão de Nikita — foram buscá-la.

A sogra, ao vê-lo, o abraçou como se fosse da família.

— Vamos ao cemitério.

Eles se aproximaram da sepultura de Nikita.

— Pedi para que ele fosse enterrado aqui, — disse Klavdia Mikhailovna baixinho antes de se afastar.

— E aqui está enterrada sua mãe, Misha.

O homem entrou no recinto do cemitério.

— Eu a ajudei como pude.

Nina lutou por sete anos pela vida… Era uma mulher boa, mas o destino foi cruel com ela.

Durante esses sete anos, não houve um único dia feliz.

Não a julgue.

Ela não podia agir de outra forma.

Naquela época, todos poderiam ter morrido.

Ela vinha me visitar quando Nikita era pequeno.

Dizia que até te viu… Mas depois disse que não voltaria mais.

Tinha medo de causar mal.

A dor viveu nela a vida toda, assim como a culpa…

Eles ficaram no cemitério por muito tempo.

Klavdia falava, e Katia e Misha ouviam em silêncio.

Depois, todos foram juntos para a casa de campo.

A sogra os olhou com ternura:

— Misha, não desapareça de novo, por favor.

— Como eu poderia? — respondeu ele sorrindo.

— Na verdade, estou pensando em me mudar para cá…

Um ano se passou.

Um dia, Klavdia Mikhailovna chamou Katia para perto dela.

— Katia, você acha que eu não vejo nada? Eu entendo tudo.

Katia se encheu de lágrimas:

— Desculpe… Eu não esperava que isso acabasse assim…

— Pare.

Por que você está pedindo desculpas? — disse ela suavemente, mas com firmeza.

— Quero dizer outra coisa: parem de se esconder.

Formalizem o relacionamento de vocês.

Katia levantou os olhos desconfiada:

— Vocês… não se opõem?

— De jeito nenhum, querida! Estou feliz.

Gostaria muito que vocês ficassem perto da gente.

Embora, talvez, seja só minha velhice egoísta falando.

Um ano depois, Misha e Katia tiveram uma filha — Verotchka…