O dono do restaurante encontrou por acaso uma foto desgastada na carteira da lavadora de pratos… e de repente ficou pálido.

Lida, desde a infância, sentia que sua vida seria diferente — não como a dos outros.

O que aconteceu no passado distante deixou uma marca profunda nela — literalmente e metaforicamente.

Ainda criança, ela passou por um terrível acidente que mudou tudo: seu rosto ficou coberto por cicatrizes de queimaduras, e a vida da mãe virou uma constante luta pela sobrevivência.

O destino foi cruel, mas, apesar de tudo, Lida tentava manter a força de espírito, embora muitas vezes estivesse dividida entre a dor, a solidão e o medo de ser rejeitada.

Sua aparência tornou-se uma maldição e, ao mesmo tempo, um escudo.

Ela sabia que os homens raramente olhavam além do primeiro olhar, e entendia que suas chances de felicidade pessoal eram quase nulas.

Mas, ao mesmo tempo, seu corpo manteve a capacidade de ser mãe — um paradoxo do destino que às vezes parecia uma zombaria.

Lida pensava frequentemente que, se pudesse escolher, preferiria permanecer ilesa, mesmo sem a possibilidade de ter filhos.

Afinal, a mãe fez tudo por isso.

— Não se preocupe, Lidochka, tudo vai melhorar, — dizia a mãe, acariciando o cabelo da filha.

— Algum dia juntaremos dinheiro para um bom especialista, e você ficará bonita.

— Acredite em mim, isso é possível.

Essas palavras não eram apenas um consolo.

A mãe realmente acreditava no milagre.

E por ele trabalhava dia e noite, pegando qualquer bico que pudesse, economizando no essencial.

Ela não reclamava, não chorava no ombro de ninguém, apenas fazia o que achava necessário.

Médica de profissão, continuava a trabalhar mesmo quando sua saúde exigia repouso absoluto há muito tempo.

Mas por Lida, ela fazia tudo.

— Mãe, pare já! Você está se privando de tudo, — Lida insistia frequentemente.

— Tenho medo por você.

— Eu vou conseguir sozinha.

— Talvez seja até melhor assim — nunca vou encontrar alguém como meu pai.

Aquele que desapareceu quando passávamos pelo pior momento.

Mas a mãe não queria ouvir essas palavras.

Ela se lembrava de outro homem — aquele que esteve ao seu lado na juventude, que segurava sua mão, que sonhava com uma família.

Ele era bom, atencioso, cuidadoso.

E depois do infortúnio… simplesmente desapareceu.

Sem explicação, sem deixar rastros.

Nenhuma carta, nenhuma ligação.

Como se nunca tivesse existido.

— Não diga isso, Lida.

— Nós não sabemos toda a verdade.

— Talvez algo terrível tenha acontecido com ele.

— Ele era uma boa pessoa.

— Eu ainda o amo.

— E nunca me arrependi de ter te dado à luz, — repetia a mãe várias vezes, seus olhos brilhando com lembranças a cada vez.

Ela guardava uma velha fotografia feita na época da juventude deles.

Nela havia uma jovem com uma trança grossa, olhos cinzentos, protegendo-se do sol, e ao lado — um rapaz magro de cabelos escuros.

O pai.

Um homem que Lida chamava mentalmente de traidor, embora nunca tenha dito isso em voz alta.

— Mãe, pare, por favor.

— Não comece de novo.

— Eu sei o que você vai dizer, que eu também estou naquela foto, só que ainda não apareço porque eu estava sob seu coração naquela época.

— E que ele me esperava tanto…

Doía.

Não pelas queimaduras, nem pela aparência, mas pela ideia de que o pai não conseguiu enfrentar a vida.

Que ele as abandonou no momento mais difícil.

Que não teve força para ficar ao lado delas, apoiar, proteger.

Que simplesmente desapareceu.

A mãe continuava a acreditar.

Acreditava que um dia ele voltaria, que eles seriam uma família novamente.

Essa fé lhe dava força para viver.

Mas os anos cobravam seu preço.

Apesar de todos os esforços, a saúde da mulher piorava rapidamente.

A queimadura nos pulmões era uma morte lenta que ela escondia de todos.

Até da filha.

Quando a mãe morreu, Lida descobriu a verdade em seu diário.

No caderno fino e gasto estava escrito tudo: dores, preocupações, esperanças.

E uma frase ficou especialmente marcada:

«Lida pensa que Vitya nos abandonou.

Esse pensamento me atravessa como uma faca.

Mas talvez ele tivesse outra razão.

Ele tinha um filho, Artyomka, na vila vizinha.

Talvez ele apenas tenha começado uma nova vida sem nós.

Mas não posso contar isso para minha filha.

Cada criança precisa acreditar que é amada pelos pais.

E um dia ele nos amou muito.»

O diário se tornou o último presente da mãe.

Através dele, Lida entendeu quão forte era sua mãe.

Como ela acordava todas as manhãs sem saber se viveria até a noite.

Como suportava a dor para não assustar a filha.

Como resistia por um único pensamento — viver até a maioridade de Lida.