A noiva fugiu diretamente da cerimônia, deixando para trás apenas uma sombra. Para evitar um escândalo, os pais do noivo imediatamente encontraram uma substituta — a primeira que apareceu pela frente.

O coração de Vika batia como um metrônomo, marcando os segundos até a decolagem para um futuro deslumbrante, cheio de luxo, vestidos da moda e intermináveis encantos.

A cada pulsar, ela ouvia o som dos sinos de casamento — a cerimônia que deveria virar sua vida de cabeça para baixo.

A união com Timur prometia não apenas status — mas um universo inteiro de boutiques de grife, viagens exclusivas e coquetéis em iates, onde os olhares deslizariam sobre sua silhueta perfeita.

Ela se aproximou lentamente do espelho, espreguiçando-se como uma gata predadora, saboreando seu reflexo.

O vestido, bordado com inúmeras pedras cintilantes, realçava sua figura como se tivesse sido feito para o triunfo.

Ao passar a mão pelo tecido, sentiu o frio dos cristais queimando sua pele.

Com um sorriso vitorioso, Vika sussurrou:

— Quando eu entrar na igreja, todos vão silenciar.

Vão sussurrar: “Quem é essa deusa?” E depois… depois eu desaparecerei.

Vou voar para uma nova realidade, deixando esta cidade, estas ruas, estas pessoas.

E então… então meu marido abrirá para mim um baú de presentes.

O que haverá lá dentro? Um colar de diamantes? Um iate? Ou talvez as chaves de uma vila na Riviera Francesa?

Empolgada, ela escancarou o armário e começou a vasculhar as gavetas em busca de uma pista do presente.

Mas — nada. Nenhuma embalagem, nenhuma carta, nem sequer uma dica.

O rosto de Vika se contorceu num sorriso sarcástico.

— Escondidinho… — murmurou, como se desmascarasse um criminoso.

— Decidiu esconder tudo? Vamos ver se consegue manter isso longe de mim.

Esperando que a casa mergulhasse no silêncio, ela se esgueirou até o quarto de Timur — espaçoso, elegante, impregnado de um perfume caro.

Tudo ali refletia seu passado “dourado”: um diploma empoeirado na estante, uma foto do antigo trabalho como entregador, que ele abandonara após poucos meses.

Com a chegada dela, ele começara a falar sobre negócios, objetivos, futuro.

Ou tudo não passava de uma encenação?

Ao abrir o guarda-roupa, Vika ficou imóvel: diante dela, um smoking perfeitamente passado.

Estendeu a mão, como se tocasse um troféu, e começou a vasculhar os bolsos.

— Vamos lá, Timur, mostra o teu segredo — sussurrou com um sorriso.

Mas, em vez de joias ou chaves, ela encontrou algo fino.

Desdobrou um folheto colorido e congelou, os olhos arregalados de horror.

— Isso… é uma piada?! — gritou ela, lendo o título: “Turismo na Yakútia. Aventuras de inverno. Banho de vapor na neve. Encontro com criadores de renas.” — Você tá maluco? Em vez da Europa — a taiga?! Isso é um insulto?

Timur entrou no quarto, vestindo uma regata e com uma toalha nos ombros.

Viu o folheto nas mãos dela e entendeu: era o fim. As máscaras haviam caído.

— O que está fazendo com as minhas coisas? — perguntou ele com voz gelada.

— Você não sabe que não se mexe no que é dos outros?

— Eu só queria saber qual seria o presente! — rebateu ela, a voz trêmula. — Tenho o direito de saber!

Ele a olhou friamente.

— Você parece uma estátua — fria, furiosa.

— E você — um farsante! — gritou Vika.

— Queria me mandar pro fim do mundo, como se eu fosse um objeto! Eu não vou me casar com você! Case-se com a primeira que passar, se tanto faz pra você!

Ela atirou o folheto no chão, virou-se e saiu correndo.

A porta se fechou com um estrondo tão forte que as janelas tremeram.

Seus saltos ecoaram pelo mármore, levando embora sonhos despedaçados.

Segundos depois, os pais de Timur entraram.

Ignat Vladimirovitch, um empresário severo, percebeu de imediato — algo estava muito errado.

— Onde ela está?! — rugiu ele.

— Foi embora. Não vai ter casamento — respondeu Timur calmamente.

— Como assim?! — explodiu o pai.

— Você entende que colocou em risco não só uma festa — mas um acordo internacional?!

— Que vá embora — deu de ombros Timur. — Não vou prender ninguém à força.

— Podemos esperar — tentou Natalia Sergeevna. — E se ela voltar?

— E se não voltar?! — rosnou Ignat. — Você tem que se casar! Com quem for! Até com uma desconhecida!

Timur ficou pensativo. Uma ideia ousada passou por sua mente. Ele sorriu.

— E por que não?

No parque, sentada perto da fonte, estava Polina. Quietinha, modesta, com olhos inteligentes.

Terminava de comer um sorvete que derretia entre seus dedos.

— Por que eu comprei isso? — murmurou. — Não consegui comer e tenho pena de jogar fora.

— Porque o importante não é o sorvete, mas o momento — ouviu uma voz ao lado.

Diante dela estava um desconhecido com um sorriso de comercial.

— Desculpe… está falando comigo?

— Sim. Quero te pedir em casamento.

Ela congelou, depois começou a rir.

— É uma piada? Câmera escondida?

— Não — respondeu ele sério. — O casamento é só uma formalidade. Depois, o divórcio. Em troca — um apartamento. Seu. Sem aluguel, sem dívidas.

— Isso… é estranho. Por que eu?

— Porque você estava aqui. E eu não posso cancelar o casamento. Meus pais não perdoariam.

— Não gosto de você — confessou ela honestamente. — Você… é um exibido.

— Mas o apartamento não é exibido — rebateu ele. — Pense a respeito.

Polina pensou. Talvez fosse uma chance?

— Aceito. Mas só com contrato. Nada de truques.

— Nem um.

O casamento foi luxuoso. Os convidados se divertiram, aplaudiram.

Mas Polina se sentia uma figurante em um conto de fadas alheio.

Tudo era encenado — por causa do acordo.

À noite, Timur lhe propôs que ficasse.

— Só para passar a noite. Para manter as aparências.

— Como a Cinderela depois do baile… — sorriu ela. — Só que você não me prometeu a carruagem.

— Você… não está feliz?

— Um pouco. Tudo isso parece uma peça de teatro.

Eu — não uma pessoa, mas uma decoração.

Ele a olhou — e, de repente, percebeu: não queria que ela fosse embora.

— Vamos sair amanhã?

Só isso. Um encontro de verdade.

— Por que agora?

— Porque você… é de verdade.

Polina sorriu pela primeira vez naquele dia.

— Acho que entrei num conto de fadas… E não quero acordar.

Ela deu um passo à frente e o abraçou.

Uma semana depois, os dois apaixonados deixavam a cidade.

Ignat Vladimirovitch, observando-os à distância, comentou:

— Quem diria que essa mocinha calada derreteria o coração do meu filho de gelo?

— Ela não é apenas uma garota — respondeu suavemente Natalia Sergeevna.

— Ela é o destino.

E, pelo visto, a melhor coisa que poderia ter acontecido a ele.

Às vezes, o mais valioso não vem em diamantes — mas em gotas de sorvete derretido.