— Quanto você quer? Não tenha vergonha.
Estou pronta para oferecer uma boa quantia, só para você deixar o meu filho em paz.

Você não precisa de muito, certo?
Vocês pegam qualquer dinheiro do lixo — o suficiente para alimentar os amigos com um jantar gostoso, alugar uma casa barata por alguns meses e começar uma nova vida, se esse for o seu objetivo.
Uma esposa do lixo não é o que meu filho precisa.
Deixe ele em paz e eu te pago. Vamos chegar a um acordo.
Além disso… já escolhi uma candidata melhor para ele.
Uma moça de família decente, e não do monte de lixo.
Não acredito!.. Nunca pensei que a paixão de Sasha por pegar gatinhos e cachorrinhos abandonados terminaria assim!
Yulia Borisovna disse isso sem desviar os olhos de suas unhas cobertas com esmalte perolado gelado.
Seus dedos, adornados com anéis de diamante, batiam nervosamente na mesa, como se contassem os segundos para a minha resposta.
Ela estava confortavelmente sentada em uma poltrona forrada com veludo na cor de vinho envelhecido, e cada expressão dela — das sobrancelhas perfeitas aos lábios apertados — mostrava que eu era uma estranha ali.
Sua voz, doce como xarope, com um amargor de veneno, me envolvia como uma teia de aranha.
Eu estava de pé, sentindo o chão fugir debaixo dos pés, a garganta seca, e as mãos, escondidas nos bolsos do casaco surrado, tremiam. “Lixo” — essa palavra cravou-se na minha memória como uma faca.
Queria gritar que não pedi para Sasha me salvar, que naquela noite, perto da lixeira, eu só estava procurando restos de comida para alimentar uma velhinha que não tinha mais ninguém além de mim.
Mas a voz me traiu, e eu apenas apertei os lábios em silêncio, observando a futura sogra agitar um maço de notas como se fosse uma aposta de pôquer com a minha vida em jogo.
— Você quer dinheiro para deixar o Sasha em paz? — finalmente perguntei, e minha voz saiu mais fina do que queria.
— Amor! Pff… — Yulia Borisovna bufou, como se espantasse uma mosca irritante.
— Você pode contar quantas histórias quiser para ele, mas eu não vou acreditar que você o ama.
Você se agarrou a um homem rico e está sugando tudo dele.
Você está aqui há apenas três meses? Amor, vá!
Nesse tempo todo, Sasha não me enviou um centavo, tudo vai para você!
Meu rosto corou. “Três meses”. Lembrei quando entrei naquele apartamento pela primeira vez — enorme, com lustres de cristal e cheiro de flores caras.
Naquele momento, eu não podia imaginar o quanto minha vida mudaria.
— Eu não pedi isso para ele. Sasha tomou essa decisão — sussurrei, mas Yulia Borisovna já não me ouvia.
— Eu conheço a natureza feminina. Você não pediu, mas insinuou.
Acha que na sua idade eu não fazia o mesmo? Só que você escolheu o homem errado, rainha do lixão.
Eu criei meu filho para casar com uma mulher digna, não com uma como você.
Você já se olhou no espelho? Você não é par para ele.
Por enquanto, quero resolver tudo com calma para que meu filho não cometa o maior erro da vida e depois se arrependa de ter se envolvido com uma assim…
— Eu te fiz algum mal? — tomei coragem, mas a voz tremia.
— Fez! Você me envergonha diante de todos. Meu filho decidiu casar com uma mulher do lixo. Que vergonha.
Fechei os olhos. “Lixo” — aquele dia ficou gravado na memória como uma cicatriz.
Eu estava perto da lixeira numa fria noite de novembro, tremendo de frio e cansaço.
O vento arrancou meu manto, e os dedos, enrolados em trapos no lugar de luvas, mal obedeciam.
Eu procurava restos — não para mim, mas para Anna Petrovna, uma velhinha do prédio ao lado que não levantava da cama há duas semanas.
“Se eu não levar comida, ela vai morrer”, pensava, vasculhando os sacos de lixo.
Meus cabelos estavam bagunçados, o rosto sujo de terra, e eu tinha olheiras escuras por causa da insônia.
Nem percebi quando um homem se aproximou.
— Moça, precisa de ajuda? Quer comer algo?
Está com frio? Quer minha jaqueta?
A voz era macia como seda, mas eu estremeci, como se tivesse levado um choque. “Ajuda?”
Ninguém me oferecia ajuda desde que minha mãe morreu.
Eu estava acostumada a ou pedir ou ser roubada.
Mas aquele homem — alto, com um casaco caro e olhos da cor da floresta na primavera — não me olhava com pena, mas com um cuidado sincero.
— Você é muito bonita — disse sem ironia.
— Se não tiver medo, venha comigo, lave-se, te dou roupas quentinhas.
Mesmo que não sejam do seu tamanho, você vai sentir menos frio.
Quis recusar.
“Armadilha”, sussurrava a voz interior.
Mas meu corpo não obedecia mais.
As pernas tremiam, os dedos não conseguiam abrir o zíper do casaco.
Quando ele colocou o casaco em mim, senti cheiro de baunilha e canela — um calor que eu já tinha esquecido.
— Juro que não vou te fazer mal.
Só quero ajudar — sussurrou, e eu assenti, sem saber por quê.
No apartamento dele, cheirava a canela e pão fresco.
Ele me sentou no sofá, me cobriu com um cobertor e foi para a cozinha.
Tinha medo de me mexer para não sujar as almofadas brancas.
“Isso é um sonho. Vou acordar no porão e tudo vai voltar ao normal”, pensei.
Mas quando ele voltou com um prato de sopa quente, entendi que era realidade.
— Fique comigo — disse olhando nos meus olhos — o quarto está livre.
Vou ajudar você a encontrar um emprego, depois vai se levantar, alugar um lugar…
— Não, eu não posso — balancei a cabeça — vão me procurar.
Todos estamos ocupados ao mesmo tempo. Eu ajudo uma velhinha… tenho que levar comida para ela.
— Talvez a gente vá junto?
— Não, obrigado — balancei a cabeça — não pode ser assim.
Quem sabe como vai acabar? Nem todo mundo é amigável conosco.
— Então vamos combinar de nos encontrar amanhã.
Às seis da tarde no ponto de ônibus? Tem um relógio lá.
Eu estava hesitante. “Ele não vai entender. Você está enganando ele”, dizia a mente.
Mas quando vi como ele me olhava sem desprezo, meu coração vacilou. “Talvez tudo seja diferente?”
No dia seguinte, fui com as roupas limpas e cheirosas de lavanda.
Sasha sorriu como se eu tivesse descido do céu, não da rua.
Ele me levou a uma pizzaria onde os garçons se curvavam e havia flores na mesa.
— Não sei como isso aconteceu — disse olhando para mim — eu preciso ajudar você.
Se eu não fizer isso, vou me culpar a vida toda.
Lina, aceite a minha proposta.
Vejo que você merece mais e vou ajudar você a se ajeitar.
— E se não der certo? Você vai me abandonar como um filhote inútil, e eu vou voltar para a rua? — perguntei com voz rouca.
Sasha pegou minha mão, seus dedos eram quentes e firmes.
— Não, eu não farei isso. Prometo ajudar pelo tempo que precisar.
E eu acreditei.
Agora Yulia Borisovna me olhava como se eu fosse sujeira debaixo das unhas.
— Por que está calada? Quanto quer?
Para nunca mais aparecer diante do meu filho?
Não seja mesquinha, vou encontrar um jeito de me livrar de você. Acredite, não é difícil.
— Não peço nada — me endireitei, a raiva corria dentro de mim.
— Alexander é adulto.
Amor não se vende nem se compra.
Eu o amo com todo meu coração.
Se ele decidir partir, então é o destino.
— Que conversa é essa? — ouvi uma voz na porta.
Sasha entrou e ficou ao meu lado.
— Mãe, chega. Lina é minha esposa.
Eu a escolhi.
Yulia Borisovna ficou pálida.
Eu sorri entre as lágrimas.
O amor é mais forte que o preconceito.
E nenhum dinheiro substitui a sinceridade.







