— Que a tua esposa vá para a casa da mãe dela! Que em meia hora ela já não esteja mais aqui! E tu vais ficar. — Nina ouviu, sem querer, as palavras da sogra…

Parte 1.

O elemento desnecessário.

O povoado de casas de campo flutuava na névoa abafada do fim de julho.

O ar estava imóvel, saturado pelo cheiro de maçãs maduras demais e de poeira seca.

A velha casa, revestida com tábuas escurecidas pelo tempo, parecia respirar de forma pesada e difícil, rangendo as tábuas do chão mesmo quando ninguém andava por ela.

Nina saiu da sauna, sentindo a pele quente arrefecer com o vento da noite.

Ela gostava daquela sensação de limpeza, como se a água pudesse lavar não apenas o cansaço da viagem, mas também aquela tensão pegajosa que surgia inevitavelmente na presença da sogra.

Galina Stepanovna, uma mulher corpulenta, de voz alta e autoritária, sempre sabia ocupar todo o espaço com a sua presença.

Nina colocou uma toalha felpuda sobre os ombros e seguiu para a varanda, com a intenção de beber chá.

Ela caminhava em silêncio, e os chinelos macios quase não faziam ruído na terra batida.

Antes mesmo de chegar aos degraus, ouviu a voz do marido.

Artur falava baixo, como se estivesse se justificando, mas a resposta da mãe cortou o silêncio da noite.

— Que a tua mulherzinha vá para a casa da mãe dela!

Nina ouviu, sem querer, as palavras da sogra e congelou atrás de um arbusto de lilases crescido demais.

— Mãe, isso é meio constrangedor — objetou Artur, sem muita firmeza.

— Acabamos de chegar, planejamos passar o fim de semana aqui, fazer churrasco amanhã…

Ela ia cortar a salada.

— A salada eu mesma corto!

interrompeu Galina Stepanovna.

O som da cadeira sendo afastada arranhou os nervos.

— Tu estás me ouvindo ou não?

Larisa chega daqui a uma hora.

Tu conheces o temperamento da tua irmã.

Ela não suporta ver a tua esposa depois daquele caso.

Nina lembrava-se daquele “caso”.

Dois anos antes, Larisa, irmã de Artur, decidiu que Nina era obrigada a passar as férias cuidando dos três filhos dela, enquanto Larisa voaria para a Turquia com o novo homem.

Naquela ocasião, Nina disse firmemente que não.

E depois, quando Larisa pediu uma grande quantia emprestada “por tempo indeterminado” para comprar um casaco de pele, Nina recusou novamente.

Desde então, a cunhada passou a considerá-la sua inimiga número um.

— Larisa ligou e disse que vai passar a noite aqui — continuou a sogra, pressionando.

— Se ela vir aqui a tua…

essa…

vai haver escândalo.

Ela tem pressão alta!

Eu tenho problema no coração!

De quem tu tens mais pena?

Da tua esposa, que vai sobreviver, ou da tua mãe e da tua irmã?

— Mãe, por favor, não começa…

— Eu não estou começando, estou terminando!

sentenciou Galina Stepanovna.

— Vai e diz a ela para arrumar as coisas.

Inventa qualquer coisa.

Que a mãe dela ficou doente, que os canos estouraram.

Não me importa.

Que em meia hora ela já não esteja mais aqui!

E tu vais ficar.

Preciso de ajuda para carregar lenha, e também vais conversar com a tua irmã, vocês não se veem há séculos.

Nina sentiu o rosto arder, mas não de vergonha, e sim de uma raiva fria e decidida.

Ela não invadiu a varanda, não fez uma cena nem exigiu explicações.

Simplesmente se virou e voltou, igualmente em silêncio, para a sauna, para se vestir.

Dez minutos depois, ela estava sentada no alpendre, olhando o sol se pôr.

Artur saiu da casa, com um ar inquieto e culpado, mas os olhos escondiam-se atrás de uma preocupação fingida.

— Nina, escuta, aconteceu uma coisa…

começou ele, esfregando o pescoço.

— Acabaram de me ligar do trabalho.

Uma chamada urgente, alguma falha no sistema.

Ela olhou diretamente para ele, sem piscar.

— E daí?

— Bem…

eu preciso ficar aqui.

A internet pega melhor aqui, e no escritório da minha mãe há um computador fixo, potente.

E tu…

Para ti, talvez seja melhor ir para casa.

Ou para a casa da tua mãe.

Aqui vai ser chato, eu vou ficar ocupado a noite toda.

— Ou seja, queres que eu vá embora?

perguntou ela com voz neutra.

— Por que falas assim?

Simplesmente vai ser mais conveniente para todos.

Tu não querias ver a tua mãe?

Então é uma ótima oportunidade.

Vai, descansa de mim.

Eu volto amanhã à noite.

A falsidade das palavras dele era tão densa que poderia ser cortada com uma faca.

Ele nem tentou inventar uma história convincente, apenas transmitiu a ordem da mãe, cobrindo-a levemente com um trapo podre de cuidado.

— Está bem — disse Nina, levantando-se.

— Eu entendi.

Artur claramente não esperava tamanha obediência.

Ele abriu um sorriso que parecia uma lamentável careta de alívio.

— Assim é que se fala!

Tu és a mais compreensiva que eu tenho.

Vai, arruma as coisas antes que escureça de vez.

Nina entrou em silêncio no quarto e juntou as suas coisas numa bolsa.

Galina Stepanovna observava-a da cozinha, limpando demonstrativamente um prato.

No olhar dela lia-se o triunfo de uma vencedora.

A nora era varrida para fora, o filho ficava agarrado à saia da mãe, Larisa ficaria satisfeita.

Um jogo perfeito.

— Adeus, Galina Stepanovna — disse Nina ao passar por ela.

— Vai, vai, querida.

Cuidado na estrada — cantou a sogra com uma voz melosa, sem sequer esconder o sorriso de deboche.

Nina entrou no carro, ligou o motor e saiu pelo portão sem olhar para trás.

Parte 2.

O vazio e o plano.

A estrada seguia como uma fita para dentro da escuridão, iluminada apenas pelas manchas dos faróis.

Nina dirigia depressa, apertando firmemente o volante.

Dentro dela não havia lágrimas.

A mágoa que normalmente sufoca e faz a pessoa sentir pena de si mesma queimou-se em um segundo ali, atrás do arbusto de lilases.

Restou apenas uma clareza cristalina.

Ela olhava para a paisagem familiar, as árvores passando rapidamente, os postes, os raros carros vindo em sentido contrário, e entendia que já não havia para onde voltar.

No sentido de que o “nós” já não existia.

Havia Artur, um covarde dependente da mamãe, e havia ela, uma mulher que acabara de ser jogada para fora como uma gata incômoda para agradar parentes caprichosos.

Ela não foi para a casa da mãe.

Em vez disso, dirigiu para o apartamento deles na cidade.

Ao entrar na casa vazia, Nina não acendeu a luz do teto.

Na penumbra do corredor, ficou parada por alguns minutos, ouvindo o silêncio.

Depois entrou no quarto.

O armário estava cheio das coisas de Artur.

Camisas, suéteres, jeans que ela havia escolhido, lavado e passado.

Agora aqueles trapos pareciam-lhe estranhos, contaminados.

Nina foi até a cozinha e tirou da gaveta inferior um rolo de grandes sacos pretos e resistentes para entulho.

— Chega — disse ela em voz alta.

— Basta.

Ela voltou ao quarto e começou a jogar metodicamente as coisas do marido nos sacos.

Ela não as dobrava com cuidado.

Enfiava tudo em montes, junto com os cabides, sem se importar se amassariam ou rasgariam.

Num saco foram parar as roupas, em outro os sapatos, em um terceiro os documentos dele, o notebook, carregadores e os apetrechos de pesca que viviam jogados na varanda.

Ela trabalhava rápido, com raiva e eficiência.

Não era histeria que a movia, mas uma raiva fria, justamente aquele sentimento que dá força para mover montanhas.

Em algumas horas, o apartamento ficou limpo dos vestígios da presença de Artur.

No corredor erguia-se uma montanha de plástico preto.

Ela olhou para o relógio.

Passara uma hora e meia desde a sua partida.

O telefone permanecia em silêncio.

Ao que parecia, lá na casa de campo, estavam comemorando a expulsão dela.

Nina preparou para si um café forte.

Ela ficou sentada na cozinha, batucando os dedos na bancada.

Ela precisava de apenas uma coisa: que Artur ligasse.

E, claro, ele ligaria.

Ele era previsível demais.

Parte 3.

A ligação.

Na casa de campo, a atmosfera festiva apagou-se rapidamente.

A sogra, satisfeita consigo mesma, pôs a mesa e tirou os seus famosos picles.

Artur, sentindo-se um herói que cumprira uma missão difícil, servia chá.

— Vês como ficou tudo bem — cantarolava Galina Stepanovna.

— Agora a Larochka chega, vamos ficar em família, sem olhares estranhos.

A tua mulher está sempre sentada com aquela cara, como se tivesse chupado um limão.

Nesse momento, o telefone da mulher tocou.

Ela pegou o aparelho, abrindo um sorriso.

— Sim, minha filha!

Estamos esperando, estamos esperando, o samovar já está fervendo…

O quê?

Como assim não vens?

O rosto de Galina Stepanovna alongou-se, e os cantos da boca desceram.

— Decidiste ficar na casa de uma amiga?

E nós?

Eu cozinhei aqui…

Está bem, está bem.

Descansa.

Ela colocou o telefone no sofá.

— Ela não vem — resmungou.

— É aniversário de uma amiga, ela esqueceu, vejam só.

Artur parou de mastigar o pastelzinho.

— E agora?

— Agora o quê?

Agora está chato!

irritou-se a mãe.

— E não há ninguém para lavar a louça.

Estou cansada, minhas costas doem depois da horta.

E tu certamente não vais ficar na pia.

Ela olhou para o filho com irritação.

Sem Larisa, a presença dele tornou-se um peso para ela.

Ela precisava de pessoal de serviço e de ouvintes agradecidos, enquanto o filho estava sentado com uma cara azeda.

— Liga para a tua esposa — ordenou Galina Stepanovna.

— Para quê?

surpreendeu-se Artur.

— Eu acabei de expuls…

mandar ela embora.

— E daí?

Diz que o trabalho foi cancelado, que a falha foi resolvida.

Que ela volte.

Diz que eu a perdoei…

isto é, que estou com saudades dela.

Que traga algum bolo.

De qualquer forma, a noite está se perdendo.

Artur, acostumado a obedecer ao menor capricho da mãe, pegou obedientemente o telefone.

Nina viu a chamada recebida e sorriu com ironia.

O roteiro se desenrolava como uma partitura.

— Alô?

A voz dela soava calma, quase sonolenta.

— Nin, onde estás?

A voz de Artur estava animada e falsamente carinhosa.

— Quase em casa.

O que foi?

— Escuta, tudo se resolveu mais rápido do que eu pensava.

O sistema voltou a funcionar.

Mamãe ficou chateada porque tu foste embora, disse que ficou tudo meio estranho.

Talvez voltes?

Vamos sentar juntos, afinal ainda podemos fazer churrasco.

— E Larisa?

perguntou Nina.

— Larisa…

ela não vem.

Tem coisas para resolver.

Então estamos sozinhos.

Vem, amor.

Sem ti está chato.

Nina olhou para a montanha de sacos no corredor.

— Está bem — disse ela.

— Eu vou.

Preciso de algumas horas, vou juntar umas coisas e volto.

— Ótimo!

Estamos esperando!

Compra alguma coisa para o chá!

alegrou-se Artur.

— Com certeza.

Vou levar uma surpresa para ti — respondeu Nina e desligou.

A agitação para carregar os sacos levou uns vinte minutos.

Nina encheu o porta-malas até o limite, e parte teve de jogar no banco de trás.

O carro baixou sob o peso da tralha.

A estrada de volta passou como em uma névoa.

A raiva transformou-se em energia gelada.

Nina sabia o que faria agora, e esse pensamento dava-lhe um prazer sombrio.

Ela não pretendia fazer uma cena histérica no estilo de “vítima chorosa”.

Ah, não.

Aquilo seria uma execução.

Parte 4.

O retorno do filho pródigo.

Quando os faróis do seu crossover iluminaram o portão da casa de campo, já estava completamente escuro.

Artur saiu correndo para recebê-la, acenando como se nada tivesse acontecido.

Galina Stepanovna estava no alpendre, de braços cruzados sobre o peito, representando uma anfitriã hospitaleira que gentilmente permitia que a criada voltasse.

Nina saiu do carro.

Ela não sorria.

— Oi, meu amor!

Artur tentou beijá-la, mas Nina desviou, fingindo ajustar o espelho.

— Artur, ajuda-me — disse ela com firmeza.

— Trouxe muitas coisas.

É preciso levar tudo para dentro da casa.

Agora mesmo.

— Uau!

Compraste metade da loja?

riu ele.

— Está bem, vamos levar tudo.

Ele abriu o porta-malas e ficou imóvel.

Em vez de sacolas de supermercado, havia sacos de lixo pretos, bem cheios.

— O que é isto?

perguntou ele, olhando confuso para a esposa.

— São presentes.

Pega.

Leva para a sala.

Lá vamos separar tudo.

Artur, sem entender nada, pegou dois sacos pesados.

Nina pegou mais um do banco de trás.

Eles entraram na casa.

Galina Stepanovna já estava sentada à mesa, sob o abajur.

— Finalmente.

O chá esfriou completamente.

O que vocês estavam fazendo lá fora?

resmungou ela.

Ao ver os sacos pretos, franziu o nariz com repulsa.

— Nina, que lixo é esse?

Decidiste trazer o lixão para cá?

Artur largou os sacos no meio da sala, sobre o tapete gasto.

— Nin, sério, o que tem neles?

Estão pesados.

Nina entrou atrás dele e jogou o seu saco junto aos outros.

Endireitou-se, ajeitou a camiseta e olhou diretamente nos olhos da sogra.

Uma quietude densa e vibrante pairou no ambiente.

— Galina Stepanovna, a senhora perguntou o que há nos sacos?

disse Nina em voz alta e clara.

A sogra assentiu com cautela, sentindo que algo estava errado.

Seus olhinhos começaram a correr de um lado para o outro.

— Estou devolvendo o seu filho à senhora — disse Nina.

— Por inteiro e completamente.

Junto com as cuecas, as meias e toda a podridão com que a senhora o encheu.

Como hoje ele me traiu por ordem da senhora, decidi que a mercadoria está defeituosa.

Leve-o de volta.

Artur ficou de boca aberta, olhando da esposa para a mãe.

— Tu…

o que estás dizendo?

murmurou ele.

— ELA OUVIU TUDO!

gritou a sogra, ficando imediatamente vermelha.

Ela levantou-se da cadeira de um salto, derrubando uma xícara.

O chá espalhou-se pela toalha numa mancha escura.

— Tu estavas escutando!

Sem-vergonha!

Como uma ladra, ficaste parada esquentando as orelhas!

Parte 5.

O acerto de contas e as flores.

Artur tentou dizer alguma coisa, dar um passo em direção à esposa, com o rosto expressando uma mistura de pânico e estupidez.

— Nina, espera, tu entendeste tudo errado, nós só…

Nina não esperou.

Toda a contenção, toda a educação que cultivara em si durante anos, desapareceu.

Ela pegou da mesa um vaso pesado com biscoitos e o arremessou com força no chão.

O som de vidro e porcelana quebrando fez os dois estremecerem.

Os biscoitos espalharam-se em leque por todos os cantos.

— EU ENTENDI ERRADO?!

gritou Nina.

A raiva dela era terrível, parecida com uma catástrofe natural.

— Eu ouvi cada palavra, Artur!

“Que a tua mulherzinha vá para a casa da mãe”?

“Inventa qualquer coisa”?

Seu covarde miserável!

Tu me expulsaste de casa como uma vira-lata porque a mamãe mandou?!

— Como ousas gritar na minha casa!

rugiu Galina Stepanovna, avançando contra ela.

— Para fora daqui!

Psicopata!

Eu sempre soube que tu não eras normal!

Some daqui!

— CALADA!

rugiu Nina, dando um passo brusco na direção da sogra.

Galina Stepanovna recuou de surpresa e sentou-se fora da cadeira, caindo pesadamente no sofá.

— Eu mesma vou embora!

Mas primeiro vocês vão me ouvir!

A senhora, Galina Stepanovna, é uma egoísta má e gananciosa, que devorou o próprio marido e agora está terminando de devorar o filho!

A senhora odeia todos ao redor porque, no fundo, é profundamente infeliz!

E tu…

Ela virou-se para Artur.

Ele estava parado, com a cabeça encolhida entre os ombros, pálido, com o lábio tremendo.

— Tu me traíste, Artur.

Não com outra mulher, não, isso ao menos teria sido honesto.

Tu me traíste ao permitir que limpassem os pés em mim.

Escolheste o “conforto da mamãe” em vez da tua esposa.

Pensaste que eu engoliria isso?

Que eu voltaria e sorriria?

— Nin, por favor, vamos conversar com calma…

gemeu ele, estendendo a mão para ela.

— Perdoa-me, eu tropecei, sou um idiota…

— Não toca em mim!

Nina deu-lhe uma bofetada com toda a força.

O som do golpe foi seco e alto.

A cabeça de Artur virou para o lado, e uma marca vermelha apareceu imediatamente na sua bochecha.

Ele levou a mão ao rosto, olhando para a esposa com horror.

Nunca a vira assim.

Estava acostumado à paciência dela, à sua complacência.

Mas diante dele estava uma fúria.

— Isto é pelo “telefonema do trabalho” — sibilou ela.

— E essas são as tuas coisas.

Mora com a mamãe.

Dorme com a mamãe.

Come os picles dela.

O financiamento do teu carro vais pagar sozinho.

As chaves do meu apartamento, na mesa.

RÁPIDO!

Artur, com as mãos trêmulas, tirou o molho de chaves e colocou-o na borda da mesa.

— E que eu não sinta mais nem o teu cheiro perto de mim.

Se pedires o divórcio, ótimo.

Se não pedires, eu mesma farei tudo.

E nem esperes que eu mude de ideia.

Para mim, tu morreste esta noite, quando mentiste na minha cara naquele alpendre.

Nina virou-se, passou por cima dos cacos do vaso e dos biscoitos espalhados, e saiu da casa.

A sogra gritava alguma coisa atrás dela, lançava maldições, agarrava-se ao coração e exigia validol, mas Nina já não ouvia nada.

Ela entrou no carro vazio e leve, e pisou no acelerador.

Passaram-se duas semanas.

Nina estava sentada em um café durante o intervalo do almoço.

A vida aos poucos entrava em um novo rumo.

O divórcio estava em andamento.

Artur tentou ligar algumas vezes, mas foi bloqueado em todos os lugares possíveis.

Segundo boatos de conhecidos em comum, ele morava com a mãe, que agora o atormentava dia e noite por ter “perdido uma mulher com apartamento e bom salário” e agora estar pendurado no pescoço dela.

Galina Stepanovna, como se revelou, desprezava fracassados, mesmo quando ela própria os tornava assim.

Uma mulher alta aproximou-se da mesa com um grande buquê de lírios brancos.

Era Larisa.

Nina ficou tensa.

A última coisa que queria naquele momento era mais uma rodada de acertos familiares.

— Posso?

perguntou Larisa, apontando para a cadeira.

— Se vieste contar como eu sou má, não vale a pena — respondeu Nina friamente.

Larisa balançou a cabeça e colocou o buquê sobre a mesa diante de Nina.

— Isto é para ti.

— Pelo quê?

surpreendeu-se Nina.

— Por teres feito aquilo que eu nunca tive coragem de fazer — disse Larisa com um sorriso torto, e esse sorriso era triste.

— Mamãe me contou a versão dela, é claro.

Que tu és histérica, que quase destruíste a casa.

Mas eu conheço a nossa mãe.

E conheço o meu irmão.

Larisa sentou-se e pediu café.

— Foi por isso que eu não fui naquele dia — continuou ela.

— Não por tua causa.

Eu simplesmente não queria ver a mamãe.

Mas ela, como sempre, virou tudo do avesso.

Artur…

ele é um trapo, Nina.

Eu sempre soube disso.

Ele mereceu o que recebeu.

E mamãe agora está em choque.

Ela está acostumada a que todos tenham medo dela.

Mas tu não tiveste medo.

Tu a humilhaste ao não jogar os jogos dela.

— Eu não queria humilhar ninguém — disse Nina.

— Eu só estava me defendendo.

— Exatamente.

E é por isso que eu te respeito.

Perdoa-me pelo passado.

Eu fui uma idiota naquela época, com aquelas crianças…

Eu simplesmente tinha inveja de tu seres livre e independente.

Larisa empurrou as flores para mais perto da ex-cunhada.

— Artur agora está uivando.

Mamãe o devora vivo.

Diz que ele não é homem, já que não conseguiu manter a esposa na linha.

Então eles se merecem.

Mas tu…

tu foste incrível.

Nina olhou para os lírios, depois para Larisa.

Pela primeira vez em todo o tempo em que se conheciam, ela viu nos olhos da cunhada não inveja, mas compreensão sincera.

— Obrigada — disse Nina.

Ela inspirou o aroma das flores.

Cheirava a liberdade.