Vera já havia dito essas palavras para si mesma muitas vezes nos últimos meses.
Mas essa história começou muito antes.
— Você está nas Maldivas agora?
E, enquanto isso, estão me ligando do serviço de segurança do banco por causa do seu pagamento atrasado? — perguntou ela baixinho ao telefone, tão baixo que até a funcionária na sala ao lado parou de digitar no teclado.
Na tela do computador de trabalho dela, estava aberta uma página de rede social.
Uma praia branquíssima, um oceano turquesa, um homem bronzeado abraçando sua melhor amiga, e abaixo da foto aparecia a legenda: “Finalmente estou vivendo por mim mesma.
Obrigada, meu amor, por este paraíso.”
E tudo isso aconteceu apenas uma semana depois de essa mesma mulher estar sentada na cozinha de Vera, chorando desesperadamente, espalhando sobre a mesa laudos médicos e resultados de exames.
Vera havia completado recentemente quarenta e nove anos.
Ela administrava uma farmácia em um dos bairros de Kharkiv, pagava a hipoteca, ajudava o filho a pagar os estudos de mestrado e há muito tempo estava acostumada a contar apenas com as próprias forças.
Ela e a amiga eram amigas havia doze anos.
Juntas, haviam passado por divórcios dolorosos, apoiado uma à outra em tempos difíceis, passado noites nos corredores de hospitais e confiavam tanto uma na outra que até sabiam as senhas dos aplicativos bancários uma da outra.
Por isso, quando uma semana antes a amiga entrou correndo em sua casa com o rosto banhado em lágrimas e uma pasta de documentos, Vera não fez perguntas desnecessárias.
Ela começou imediatamente a pensar em como ajudar.
— Se eu não fizer o primeiro pagamento até sexta-feira, vão tirar minha mãe da lista de espera do centro cardiológico — explicava a mulher de forma confusa, mexendo nervosamente nos dedos.
— Não estou te pedindo dinheiro.
Apenas seja minha fiadora.
Sem fiadora, o banco não vai me conceder uma quantia dessas.
Eu mesma vou pagar tudo.
Vou vender a dacha da minha mãe perto de Chuhuiv, você conhece aquele terreno.
No máximo em alguns meses, a dívida estará quitada.
Vera entendia perfeitamente que ser fiadora poderia se transformar em problemas sérios.
Mas, alguns anos antes, quando o ex-marido tentou tirar judicialmente uma parte do apartamento dela, foi justamente essa amiga que a ajudou a lidar com o desespero, pagou a primeira consulta com um advogado e literalmente não saiu do lado dela durante o período mais difícil.
No dia seguinte, elas já estavam sentadas na agência bancária.
A amiga assinava rapidamente os papéis, e Vera, ao colocar sua assinatura no contrato, suspirou profundamente:
— Só sem surpresas.
Se você parar de pagar, o banco virá atrás de mim.
— Se eu te decepcionar, pode esquecer que eu existo — respondeu a amiga com segurança.
Agora, olhando as fotos do resort tropical, Vera entendia que aquelas palavras tinham sido vazias.
Ela discou o número conhecido.
Os longos toques foram substituídos por uma resposta.
Ao fundo, ouvia-se o barulho do mar e a voz alegre de algum homem.
— O que aconteceu? — perguntou a amiga, irritada.
— O que aconteceu?
Você fez um empréstimo enorme supostamente para salvar sua mãe, e está descansando em ilhas?
Em resposta, não houve nem arrependimento nem preocupação.
— Vera, não começa.
Os médicos dizem mesmo que já é quase impossível ajudar minha mãe.
E eu preciso me recuperar de tudo o que passei.
Quando eu voltar, resolvo tudo.
— Você ao menos entende que o banco já está exigindo o dinheiro de mim?
— Não dramatize.
Às vezes é preciso viver para si mesma.
É isso, desculpa, preciso ir.
A ligação foi encerrada.
Vera salvou as fotos, tirou capturas de tela das publicações e foi ao banco.
Lá, o golpe final a esperava.
O funcionário informou que o empréstimo havia sido registrado como um empréstimo comum ao consumidor.
O banco não tinha visto nenhum documento médico.
Todos os atestados haviam sido usados apenas para despertar compaixão e convencer a fiadora a assinar.
A tomadora do empréstimo sacou toda a quantia em dinheiro vivo imediatamente após recebê-la e, desde então, praticamente deixou de entrar em contato.
De acordo com os termos do contrato, a responsabilidade agora recaía sobre Vera.
Tirando um dia de folga, ela foi até a casa da mãe da amiga em Merefa.
A porta foi aberta por uma mulher idosa, dolorosamente magra, com uma bengala.
Não havia nenhum sinal de tratamento pesado.
Na cozinha, depois de ouvir o relato de Vera, ela apenas balançou a cabeça com tristeza.
— Então ela encontrou mais uma pessoa em quem jogar seus problemas — disse ela baixinho.
— A operação realmente é necessária.
Mas pelo programa estatal.
A quantia necessária era dezenas de vezes menor.
Aos poucos, toda a verdade veio à tona.
Alguns meses antes, um novo homem havia aparecido na vida da filha dela.
Ele era quase dez anos mais jovem que ela, atraente, confiante e acostumado a falar bonito.
Foi ele quem a convenceu a abandonar a vida anterior e começar a viver exclusivamente para os próprios prazeres.
— Ela começou a pedir dinheiro emprestado a todo mundo — contou a mãe.
— E, quando eu tentava impedi-la, ela respondia que estava cansada de viver modestamente e queria se sentir como uma rainha.
À noite, Vera voltou a entrar na página da amiga.
Sob mais uma foto de um iate, ela viu o comentário de uma mulher desconhecida exigindo a devolução de uma dívida.
Vera escreveu para ela em particular.
Pela manhã, ela já tinha um grupo de conversa com várias mulheres prejudicadas.
Entre elas estavam a dona de uma pequena loja, uma manicure e uma professora escolar.
O esquema acabou se revelando simples.
O novo amado encontrava pessoas com bom histórico de crédito ou economias, e a amiga conquistava a confiança delas contando histórias comoventes sobre a doença grave da mãe, a necessidade urgente de salvar um negócio ou outros infortúnios.
Duas semanas depois, a própria amiga apareceu diante da casa de Vera.
Do bronzeado quase não restava nada.
Em vez de acessórios caros, havia uma bolsa de viagem surrada.
— Posso entrar? — perguntou ela.
— Não.
Fale aqui.
— Ele me abandonou.
Levou o dinheiro, os cartões, o telefone e desapareceu.
Vera, eu imploro, não vá à polícia.
Vou arrumar um emprego e devolver tudo.
— Quando?
Depois de eu passar vários anos pagando pelas suas diversões?
O rosto da mulher mudou instantaneamente.
— Você não entende nada!
Eu trabalhei a vida inteira por migalhas!
Ao lado dele, pela primeira vez me senti feliz.
Sim, eu errei.
Mas você não vai ficar sem recursos!
Você tem apartamento, um filho adulto.
Poderia mostrar um pouco de compreensão!
Vera não respondeu nada e simplesmente voltou para casa.
No dia seguinte, junto com as outras prejudicadas, ela apresentou uma denúncia coletiva por fraude.
Além disso, entrou com uma ação civil, anexando a correspondência e as gravações das conversas.
A investigação durou muito tempo.
O amante foi detido ao tentar atravessar a fronteira.
Descobriu-se que ele já se envolvia em esquemas semelhantes havia vários anos.
A amiga figurava no caso como cúmplice.
Graças à colaboração com a investigação, conseguiu evitar uma pena real de prisão, porém todas as obrigações financeiras permaneceram sobre ela.
Em uma das últimas audiências judiciais, a mãe dela estava presente.
Quando se falou em compensação pelos danos, a mulher idosa levantou-se de seu lugar e declarou com firmeza:
— Que ela venda o carro e sua parte do terreno da dacha.
E que devolva às pessoas tudo até o último centavo.
— Mãe, você quer me deixar sem nada? — indignou-se a filha.
— Não.
Foi você mesma que se privou de tudo quando decidiu construir seu bem-estar às custas dos outros — respondeu a mãe calmamente.
Alguns meses depois, os bens realmente foram vendidos, e o dinheiro arrecadado foi usado para quitar as dívidas.
Quando os últimos documentos foram assinados no cartório, a ex-amiga parou Vera na saída.
— Satisfeita?
Você me deixou sem nada.
Por causa de pessoas como você, as pessoas deixam de acreditar umas nas outras.
Vera olhou calmamente nos olhos dela e respondeu:
— Não.
Graças a pessoas como eu, pessoas como você finalmente começam a responder por seus atos.
Depois disso, ela saiu para a rua, respirou fundo o ar fresco e seguiu em direção ao metrô.
Pela primeira vez em muitos longos meses, seus ombros estavam relaxados, e em sua alma surgiu uma calma surpreendente.








