— Eu te amo, mas o apartamento ficará comigo, ninguém ficará com ele. E vamos colocar um ponto final nisso — disse Larisa ao marido surpreso…

Parte 1.

Ativo e passivo

Larisa não apenas amava números — ela respirava por eles.

Para a diretora financeira de uma grande holding, a vida parecia uma planilha infinita de Excel, onde cada acontecimento recebia seu próprio coeficiente de eficiência.

Ela via as emoções como desvios inevitáveis nos relatórios, que, no entanto, podiam ser facilmente neutralizados com um planejamento competente.

Eduard, marido de Larisa, existia em outro sistema de coordenadas.

O mundo dele era feito de memórias fiscais, bobinas de papel térmico e da eletrônica caprichosa das caixas registradoras.

Ele era um virtuose em seu ofício: conseguia fazer funcionar um terminal que outros técnicos aconselhavam mandar para o ferro-velho.

Os cinco anos de casamento deles pareciam um mecanismo bem ajustado, no qual as engrenagens giravam sem rangidos, lubrificadas pelo respeito mútuo e por uma renda decente.

— Seu irmão ligou de novo? — perguntou Larisa, sem tirar os olhos da tela do notebook.

Ela conferia os depósitos do aluguel.

— Sim, Igor está com problemas com os fornecedores outra vez.

Você sabe, negócios são risco — Eduard tentou falar com descuido, mas em sua voz deslizou uma nota quase imperceptível de irritação.

Larisa sabia: o “negócio” de Igor consistia em revender peças chinesas de automóveis de qualidade duvidosa, e ele chamava a própria preguiça e incapacidade de negociar de “risco”.

A base material da família deles era sólida, mas a arquitetura dessa solidez tinha um desequilíbrio.

O apartamento onde moravam havia três anos — um espaçoso dois-quartos com vista para o parque — tinha sido comprado por Larisa.

O dinheiro veio de uma tia, uma solteirona de temperamento severo e uma conta bancária robusta.

Tia Tamara não amava ninguém em vida, mas distribuiu a herança com precisão pedante.

Para Larisa, bastou para ampliar seu espaço de moradia, e ela manteve seu antigo apartamento de um quarto como fonte de renda passiva.

Havia ainda uma casa velha no vilarejo, onde morava Pavel, sobrinho de Larisa, com sua esposa Marina.

Os dois viviam tranquilamente, cultivavam hortelã, tomilho e orégano, secavam as ervas e as vendiam pela internet como “misturas ecológicas”.

Ali não havia muito dinheiro, mas reinavam a paz, o cheiro de ervas secas e de pão fresco.

Eduard, por sua vez, chegou até Larisa com uma única mala de ferramentas e ambições.

No início, isso não o incomodava.

Ele ganhava bem, contribuía de igual para igual com a casa e as férias.

Mas o surgimento de imóveis “extras” em nome da esposa, que, na visão dele, tinham caído do céu, desencadeou em sua alma um processo químico complicado.

Não era apenas inveja, mas uma sensação corrosiva de inferioridade.

Ele se sentia como um funcionário contratado em uma corporação chamada “Família”, onde o pacote de controle das ações não pertencia a ele.

Seu irmão Igor, um homem amargo e eternamente ofendido pelo destino, alimentava habilmente esse sentimento.

— Entenda, Ed — resmungava ele nos encontros — isso é antinatural.

A mulher, sua esposa, sentada em sacos de dinheiro, enquanto você trabalha dia e noite, consertando essas suas tralhas de ferro.

Isso é injusto.

A família deveria ser comum, mas com ela tudo é só dela.

Isso não é esposa, é uma sociedade anônima onde te passaram para trás nos dividendos.

Eduard ouvia.

E, a cada palavra do irmão, seu ego ferido inchava como uma lata de conserva vencida.

Parte 2.

A corrosão do metal

As mudanças aconteciam devagar, como ferrugem corroendo os contatos de uma placa-mãe.

Eduard parou de pedir opinião sobre pequenas coisas.

Frases espinhosas surgiram em seu vocabulário.

— Claro, nós nem precisamos economizar, temos a “reserva” do seu apartamentinho — dizia ele, quando Larisa sugeria trocar os móveis.

Larisa registrava as mudanças em silêncio.

Ela via como o marido se tornava um estranho, como uma frieza calculista se instalava em seu olhar.

O verdadeiro abscesso se abriu quando Igor fracassou mais uma vez.

Ele precisava de uma grande quantia para cobrir dívidas com fornecedores.

— Lara, precisamos conversar — começou Eduard certa noite.

Ele estava no meio da sala, mexendo nervosamente no controle remoto da televisão.

— Igor precisa de ajuda.

Ajuda séria.

— Posso analisar o plano de negócios dele, se ele tiver um — respondeu Larisa com calma.

— Mas o que o plano tem a ver com isso! — Eduard elevou a voz, algo que antes nunca se permitia fazer.

— Ele precisa de dinheiro.

Agora mesmo.

Você tem na conta aquele dinheiro que pinga do aluguel.

Vamos vender o apartamento de um quarto.

Investimos no negócio do Igor, ele se reergue e devolve tudo com juros.

Ou pelo menos damos essa quantia a ele.

Larisa tirou os óculos lentamente.

Seu rosto ficou impenetrável.

— NÃO.

A palavra caiu no espaço da sala como uma guilhotina.

— Como assim “não”? — Eduard ficou pasmo.

— Você tem um ativo parado ali, basicamente.

Traz uma ninharia.

E meu irmão realmente precisa de ajuda.

Nós somos família!

— Justamente porque somos família, não vou permitir que nossos ativos sejam jogados no vaso sanitário — disse Larisa com clareza.

— Igor não sabe administrar negócios.

Vender um apartamento para tapar os buracos dele?

Isso não é investimento, é caridade em favor de um buraco negro.

Eduard empalideceu.

Seus lábios se apertaram em uma linha fina.

— Então seus imóveis são mais importantes para você do que os laços familiares?

Mais importantes do que eu?

— Não distorça os conceitos, Eduard.

Meus imóveis são meu seguro.

E o seu também, aliás.

Já a ganância do seu irmão é problema dele.

Naquela noite, eles não conversaram mais.

Eduard foi dormir no sofá, batendo a porta de propósito com força.

Ele se sentia humilhado.

Seu pedido tinha sido rejeitado, sua autoridade pisoteada.

As palavras de Igor, dizendo que ele era “ninguém” em sua própria casa, soavam em seus ouvidos como um alarme.

Parte 3.

Jubileu em tons escarlates

Decidiram comemorar com grandeza os sessenta anos de Zinaida Petrovna, mãe de Eduard e Igor — em casa.

A mesa estava abarrotada de saladas, a gordura escorria do pato assado, e o ar estava pesado com cheiros de comida e do perfume barato da aniversariante.

Toda a família se reuniu.

Igor veio com a esposa Galina — uma mulher quieta, oprimida, que trabalhava como enfermeira e carregava a casa nas costas enquanto o marido “construía um império”.

Galina parecia cansada, havia sombras sob seus olhos, mas ela tentava sorrir e ajudar a sogra.

Larisa se sentia desconfortável.

Os olhares dos parentes a espetavam como agulhas invisíveis.

Igor já tinha virado algumas doses e agora estava sentado, esparramado na cadeira, perfurando Larisa com o olhar.

— E aqui está a nossa rainha do capital! — proclamou ele em voz alta, quando Larisa estendeu a mão para a jarra de suco de frutas.

— Uma nora rica é uma desgraça na família, não é, mamãe?

Zinaida Petrovna deu uma risadinha, cobrindo a boca com a mão.

— Ora, Igorek, por que você fala assim…

Embora, é claro, fosse bom ajudar a família.

Eduard, sentado ao lado de Larisa, endireitou-se de repente.

O álcool soltou sua língua e deixou sair a mágoa escura e pegajosa acumulada durante meses.

— Ela não se importa com a família — disse Eduard em voz alta.

— Afinal, ela é nossa diretora financeira.

Em vez de coração, tem uma calculadora.

O marido pede para ajudar o irmão, e a resposta é silêncio.

Aluga aquele casebre dela, guarda o dinheiro no cofrinho, enquanto nós aqui nos viramos como podemos.

Uma pausa doentia tomou conta da mesa.

Galina, sentada em frente, levantou a cabeça de repente.

— Edik, você está errado — disse ela em voz baixa, mas firme.

— Igor é o culpado pelas próprias dívidas.

O que Larisa tem a ver com isso?

Ela conquistou tudo com a própria inteligência, enquanto Igor só vive fazendo planos impossíveis.

Igor ficou vermelho como sangue.

Seu rosto se contorceu de raiva.

— Cala a boca, sua galinha! — berrou ele para a esposa.

— Quem te deu o direito de falar?

Agora apareceu uma defensora!

Ele se virou bruscamente e empurrou Galina com força.

Ela não conseguiu se manter na cadeira, cambaleou e bateu o ombro no batente da porta.

Os convidados congelaram.

Ninguém se moveu do lugar — nem Zinaida Petrovna, nem Eduard.

Todos olhavam para os pratos, como se esperassem o próximo prato ser servido.

Só Larisa reagiu imediatamente.

Não havia medo nela, apenas uma determinação fria e sonora.

Ela se levantou, contornou a mesa e, aproximando-se de Igor, empurrou-o com força no peito usando as duas mãos.

O empurrão foi tão inesperado e poderoso que o cunhado corpulento perdeu o equilíbrio e caiu com estrondo no chão, derrubando a cadeira.

— Não ouse tocar em uma mulher, seu animal! — a voz de Larisa era calma, mas terrível.

No mesmo instante, Eduard se levantou de um salto.

— O que você está fazendo?! — rugiu ele.

— Ele é meu irmão!

Ele avançou até Larisa e, sem pensar, bateu no rosto dela.

O som do tapa chicoteou os nervos dos presentes.

A cabeça de Larisa virou para o lado, e uma marca vermelha começou imediatamente a se formar em sua bochecha.

Ela ficou imóvel apenas por um instante.

Eduard esperava lágrimas, medo, submissão.

Mas ele se enganou.

Nesse momento, Galina voltou à vida.

Como uma mola comprimida por anos de humilhação, ela se soltou.

Com um grito selvagem, atirou-se contra Eduard, cravando as unhas no rosto dele.

— Não toque nela!

Monstro! — gritava Galina, desferindo golpes caóticos.

O sangue espirrou da bochecha arranhada de Eduard, e um hematoma começou a inchar sob seu olho no mesmo instante.

Igor, gemendo, levantava-se do chão, decidido a defender o irmão e dar uma lição nas “mulheres enlouquecidas”.

Mas Larisa já tinha se recomposto.

Seu olhar caiu sobre a mesa.

A pesada tábua de corte de madeira, sobre a qual a carne tinha sido servida, estava ao alcance da mão.

Larisa agarrou a tábua.

Aquilo não era uma arma de defesa, era um instrumento de vingança.

Quando Igor avançou em sua direção, ela a ergueu com força e, colocando no golpe toda a sua raiva e humilhação, desceu a madeira pesada sobre a cabeça dele.

Ouviu-se um som surdo, ósseo.

Igor uivou, agarrou a testa cortada, e o sangue jorrou entre seus dedos.

— SAIAM DAQUI! — Larisa não gritou, rosnou.

O caos começou na sala.

Zinaida Petrovna gritava em algum canto.

Eduard, ao encontrar resistência da inesperadamente forte Galina e ao ver o irmão ensanguentado, acovardou-se.

Sua brutalidade de fachada evaporou.

— Psicopatas! — gritou ele, recuando até a saída.

— Vocês são doentes!

Igor e Eduard, apoiando-se um no outro, retiraram-se vergonhosamente do apartamento.

Atrás deles, choramingando e olhando para trás, saiu correndo a sogra.

A porta do prédio bateu, cortando o barulho do escândalo.

Parte 4.

Saldo com resultado negativo

No apartamento ficaram duas mulheres.

A mesa destruída, manchas de vinho e sangue na toalha, uma cadeira virada.

Larisa foi até a pia, abriu a água gelada e encostou uma toalha molhada na bochecha ardente.

Galina estava sentada no sofá, tremia, mas não chorava.

Ela olhava para as próprias mãos como se as visse pela primeira vez.

— Obrigada — disse Galina, com voz abafada.

— Obrigada a você — respondeu Larisa.

Sua voz soava seca, profissional.

— Tem gelo no congelador.

Coloque.

Passou uma hora.

Larisa não ficou parada.

Ela juntava metodicamente as coisas de Eduard.

Malas, caixas de sapato, sacolas.

Tudo voava para um único monte.

Não havia histeria em seus movimentos, apenas uma precisão assustadora.

Ela agia como uma cirurgiã amputando um membro gangrenado.

Quando a fechadura da porta de entrada estalou — Eduard tinha as chaves — Larisa estava pronta.

Eduard entrou com cuidado.

Ele esperava ver a esposa chorando, pedindo perdão ou pelo menos exigindo explicações.

Tinha preparado um discurso: diria que “as duas também não eram santas”, que ele tinha se exaltado, mas que ela também “passou dos limites”.

Ele tinha certeza de que agora eles se sentariam, conversariam, e ele, perdoando generosamente o acesso dela, retomaria o controle da situação.

Ele congelou no corredor.

Suas malas estavam alinhadas junto à porta como uma parede.

Larisa saiu ao seu encontro.

Não havia uma única lágrima em seu rosto.

Ela estava vestida com um vestido caseiro austero, o cabelo preso em um coque apertado.

Ela não parecia uma vítima de violência doméstica, mas uma juíza lendo uma sentença de morte.

— Lara, para que tudo isso? — começou Eduard, tentando sorrir com os lábios machucados.

— Nós nos exaltamos.

Bebemos um pouco demais.

Mamãe está em choque…

Vamos conversar com calma.

Larisa se aproximou dele quase colada.

Dela emanava um frio tão intenso que Eduard recuou instintivamente.

Nos olhos dela não havia amor, mágoa ou piedade.

Havia apenas raiva pura e concentrada, fundida com lógica.

Ela começou a falar.

Não gritava, não caía em histeria.

Falava rápido, duramente, cortando o ar com as palavras.

— Você levantou a mão contra mim.

Uma vez.

Isso é suficiente para que nosso contrato seja rescindido sem direito a revisão.

Você queria justiça?

Vai tê-la.

Vou cancelar sua procuração para administrar minha conta de investimentos.

Agora mesmo bloqueei seu cartão adicional vinculado à minha conta.

Você gosta tanto de contar o dinheiro dos outros?

Agora vai contar o seu.

Eduard tentou dizer algo, mas Larisa não lhe deu chance.

— Você achou que eu suportaria seu irmão parasita e sua inveja?

Você decidiu que podia me bater e ditar condições na minha casa?

Você errou nos cálculos, técnico.

Seu sistema falhou.

Criticamente.

Eduard olhava para ela, atônito.

Nunca a tinha visto assim.

Não era a histeria de uma mulher que se pode acalmar com um abraço ou um presente.

Era a fúria de uma valquíria armada com conhecimento do Código Civil e acesso a contas bancárias.

— Lara, você está me expulsando?

Por causa de uma briga idiota? — balbuciou ele.

Foi então que soou a frase que colocou uma cruz sobre sua vida passada.

Larisa olhou diretamente para suas pupilas, e seus lábios se curvaram num sorriso cruel.

— Eu te amo, mas o apartamento ficará comigo, ninguém ficará com ele.

E vamos colocar um ponto final nisso — disse Larisa ao marido surpreso, marcando cada palavra.

— Como assim, “ama”? — perguntou Eduard, estupidamente.

— No passado.

Como se amam sapatos velhos e confortáveis que, de repente, começam a machucar até abrir bolhas de sangue.

A gente joga fora, Edik.

Sem pena.

Ela abriu a porta e chutou a mala mais próxima para o patamar.

— SUMA.

E deixe as chaves no aparador.

Caso contrário, chamo a polícia e registro as agressões.

Sua carreira vai acabar antes mesmo de começar.

Você sabe que eu faço isso.

Eduard entendeu: ela não estava blefando.

Naquela fúria gelada havia um cálculo contra o qual ele não tinha argumentos.

Ele colocou as chaves em silêncio e, pegando as malas, arrastou-se até o elevador.

A porta se fechou atrás dele com um clique seco e metálico.

Parte 5.

Fechamento do período contábil

Três meses se passaram.

A vida de Eduard parecia uma caixa registradora quebrada, imprimindo apenas “erros” sem parar.

Ele morava com a mãe, dormia em um sofá estreito e afundado no mesmo quarto que Zinaida Petrovna, porque o segundo quarto era ocupado por Igor e sua família.

A rotina no apartamento da sogra mudou de forma irreconhecível.

Galina, antes quieta e invisível, passou por uma metamorfose depois daquele episódio.

Ao entender que era capaz de se defender fisicamente e defender os outros, ela deixou de ter medo.

Agora, se Igor tentava levantar a voz, Galina apenas se virava para ele e dizia em tom gelado:

— Mais uma palavra em voz alta, e eu peço o divórcio.

Você ficará sozinho, com dívidas e pensão alimentícia.

Você entendeu?

E Igor, aquele “tirano doméstico”, murchou.

Ele ficava sentado na cozinha, quieto como um rato debaixo da vassoura, e tinha medo até de pedir mais uma xícara de chá.

Ele via como a esposa olhava para a pesada frigideira de ferro fundido, e a lembrança da tábua de corte de Larisa lhe causava dores fantasmas na testa.

Eduard também se calou.

Ele perdeu tudo: conforto, status, a reserva financeira que, como se viu, era garantida justamente por Larisa com sua administração competente.

Seu salário bastava apenas para comida e para ajudar a mãe.

Ele tentou ligar para Larisa, mas seu número estava bloqueado em todos os lugares.

Larisa, por sua vez, desfrutava do silêncio.

Ela reformou aquele mesmo apartamento de um quarto, mas não para alugá-lo, e sim para montar ali um pequeno escritório pessoal, onde às vezes ia apenas para se sentar com um livro.

Certa noite, sentada na cozinha com Galina, que tinha passado para visitá-la, Larisa servia chá.

Agora elas se encontravam, unidas por aquela batalha no jubileu.

— Sabe — disse Galina, mexendo a colher na xícara — lá na casa da mãe dele eles ficaram completamente mansos.

Andam na ponta dos pés.

Edik pergunta o tempo todo sobre você, mas de um jeito…

Medroso.

Larisa sorriu de lado.

Ela sentia dentro de si uma leveza incrível.

A raiva que soltou naquele dia queimou todo o apego, toda a piedade e toda a esperança tola de que uma pessoa pode ser mudada pelo amor.

— Que tenha medo — respondeu Larisa com calma.

— O medo é o ativo mais confiável para homens assim.

Ele não se desvaloriza.

Ela olhou pela janela, onde brilhavam as luzes da grande cidade.

Seu balanço fechou.

Débito e crédito se igualaram.

E nessa nova prestação de contas não havia coluna para parentes deficitários.