— O que foi que eu fiz a ela?!
Ela se afasta de mim como se eu fosse uma leprosa.
Logo o Dima foi se casar com uma mulher dessas… — Olga Sergueievna se calou e olhou para a filha, que estava sentada ao lado.
Ela não quis usar uma palavra ofensiva diante dela, por isso, em vez de insultar a nora, apenas bateu o punho na mesa com raiva.
— Esse é o direito dela — disse Marina em voz baixa, arrependendo-se imediatamente.
— Que direito é esse?!
Eu sou a avó da filha dela!
Eu tenho os meus direitos e vou defendê-los!
Ela é obrigada a me deixar ver a minha neta!
Se isso continuar assim, vou levá-la ao tribunal!
Ela vai saber que comigo não se brinca!
Marina ficou calada.
Ela sempre fazia isso quando a mãe começava mais um monólogo emocional sobre a nora ingrata.
A jovem estava sentada à mesa e fingia ouvir com atenção.
Mas em sua cabeça girava apenas um pensamento: “Lá vem tudo de novo.”
Cada palavra da mãe já lhe era conhecida havia muito tempo.
— Eu só quero ajudar!
Será que a Nádia não entende isso?
É normal não deixar uma avó se aproximar da neta? — insistia Olga Sergueievna.
Marina suspirou novamente e deu de ombros.
Ela sabia que a mãe podia reclamar da nora durante horas.
Mas, para sua sorte, o telefone de Olga Sergueievna tocou de repente.
Ela atendeu a chamada e imediatamente começou a desabafar com uma amiga, contando com fervor sobre a “esposa sem coração do filho”…
Marina tinha vinte anos.
Depois de terminar a escola, ela entrou em um instituto em uma cidade vizinha e se mudou com alegria para o alojamento estudantil.
Agora, nos fins de semana e nas férias, ela vinha para casa e, todas as vezes, caía no redemoinho das queixas da mãe.
E a questão era a seguinte.
Quatro anos antes, o irmão mais velho de Marina, Dima, se casou.
Quase imediatamente, a esposa dele engravidou.
Nádia deu à luz uma menina.
Nos primeiros dois anos, Olga Sergueievna raramente aparecia na casa do filho e da nora.
Às vezes, nos feriados, ela passava por lá por alguns minutos para ver a neta, e era só isso.
Mas depois algo mudou.
Quando a menina cresceu, ficou mais independente e curiosa, a avó de repente se encheu de entusiasmo.
— Sou obrigada a participar da educação dela! — declarou a sogra, mas a nora não pensava assim.
Nádia fazia de tudo para não deixar a mãe do marido se aproximar da filha.
Quando Olga Sergueievna queria levar a neta para passear, a nora encontrava desculpas: ora tinham outros planos, ora iam visitar alguém, ora a criança não estava se sentindo bem.
Com o tempo, Nadejda parou de mentir e passou a dizer diretamente:
— Não, eu não vou deixar minha filha com a senhora!
Se quiser vê-la, será apenas na minha presença!
Depois dessas declarações, Olga Sergueievna passou a odiar a nora e começou a reclamar dela para o filho, para as amigas e especialmente para a filha.
— Por que a Nádia se comporta assim?
Eu não fiz nada de ruim nem a ela, nem ao filho dela! — dizia a mulher, sem entender.
Marina apenas assentia.
Às vezes, ela dizia algo neutro: “Talvez a Nádia esteja apenas preocupada” ou “Hoje em dia as coisas são assim.”
Mas a filha escondia a verdade…
Na verdade, foi ela quem disse à esposa do irmão para não deixar a avó se aproximar da neta.
Antes disso, a cunhada havia compartilhado com Nádia sua própria experiência — aquilo que conhecia melhor do que ninguém.
Marina não gostava de se lembrar da infância.
A mãe a criou, junto com o irmão, com muita rigidez.
Mas, se Dima sabia defender seus direitos, ela não tinha coragem.
A primeira lembrança da traição de Olga Sergueievna vinha da época em que Marina tinha sete anos.
Foi então que ela entendeu pela primeira vez que era inútil esperar ajuda e proteção da mãe.
Certa vez, elas estavam em um ônibus lotado.
A filha estava sentada perto da janela, apertando contra o peito seu livro favorito, enquanto a mãe estava de pé ao lado, segurando-se no corrimão.
Em uma das paradas, um homem entrou no ônibus.
O cheiro de álcool vinha dele antes mesmo de ele se aproximar de Marina.
O desconhecido se inclinou sobre a menina e, cambaleando, puxou-a bruscamente pela gola.
— Levante-se, agora!
Dê o lugar, pirralha!
Por que se espalhou aí sentada?!
Marina começou a tremer de medo.
Nunca antes ela havia enfrentado a grosseria de um estranho.
A menina levantou os olhos para a mãe, implorando proteção, mas Olga Sergueievna apenas franziu a testa, apertou os lábios e virou o rosto, como se diante dela estivesse não sua própria filha, mas uma criança estranha.
Naquele momento, Marina descobriu o que era decepção.
Ela se levantou de qualquer jeito, cedendo o lugar ao passageiro desagradável, e seguiu a viagem em pé, balançando de um lado para o outro a cada curva.
Ela quis pegar a mão da mãe em busca de apoio, mas a mulher puxou a palma bruscamente, como se tivesse ficado ofendida.
A menina não entendia qual era a sua culpa.
Elas ficaram caladas durante todo o resto do caminho, e, quando chegaram em casa, a mãe começou a fazer acusações.
— Você me envergonhou diante de todo o ônibus! — gritava Olga Sergueievna.
— Por que não se levantou imediatamente quando ele entrou?
Você viu o olhar ameaçador dele!
Não conseguiu perceber que ele ia te expulsar dali?
— Mas… mas eu estava sentada em um lugar para crianças… — tentou se justificar a filha, quase chorando.
— E isso não importa para ninguém! — interrompeu a mãe.
— Da próxima vez, use a cabeça e não me envergonhe!
Essa cena ficou gravada tão profundamente na memória de Marina que, mesmo anos depois, ela ainda se lembrava daquele olhar frio da mãe no ônibus.
Desde então, ela entendeu que não devia contar com a proteção nem com a compaixão dela.
Depois desse caso, houve muitas outras histórias parecidas.
Todas as vezes se repetia a mesma coisa: Marina era ofendida, e, em vez de apoiar a filha, a mãe apenas a repreendia, gritava e dizia que ela mesma era culpada.
Mas a jovem se lembrava especialmente de um episódio que aconteceu quando ela completou dezesseis anos.
Na entrada vizinha do prédio onde moravam, apareceu um homem de uns cinquenta anos.
Ele já havia morado ali antes, até ir para a prisão, e agora tinha voltado.
Os vizinhos cochichavam, lançavam olhares de lado para ele, mas Marina não dava importância a isso — até aquele homem notá-la…
Certo dia, ela voltava da escola para casa quando de repente ouviu alguém chamá-la:
— Oi, vizinha!
Por que seu cabelo é tão azul?
Caiu de cabeça na tinta, foi? — o homem estava junto à entrada do prédio e sorria com ironia.
O olhar dele era insistente.
Ele claramente avaliava a adolescente.
Marina baixou a cabeça involuntariamente.
— Desculpe, mas eu não posso conversar com desconhecidos — respondeu ela em voz baixa, querendo passar rapidamente para dentro do prédio, mas o homem bloqueou seu caminho.
— Mas eu não sou desconhecido!
Nós somos vizinhos!
Meu nome é Bória, e o seu?
O coração de Marina começou a bater mais rápido.
Ela recuou um pouco e começou a olhar ao redor, aflita, em busca de ajuda.
Nesse momento, outro homem passou por ali.
— Ah, Boris, é você?
Quanto tempo! — exclamou ele em voz alta, dando um tapa no ombro do ex-presidiário.
— Quando saiu?
O que há de novo?
Assim que o ex-detento se distraiu, Marina, sem perder um segundo, correu para a porta do prédio e entrou.
Naquele dia ela teve sorte, mas, a partir daquele momento, Bória não a deixou mais em paz.
No começo, ele apenas observava a adolescente de longe e sorria de modo desagradável.
Depois começou a piscar para ela, e então vieram os convites para “entrar para tomar chá”.
— Comprei um bolo, é muito para mim sozinho, quer que eu te ofereça um pedaço? — dizia ele a Marina.
A jovem não respondia.
Ela apenas acelerava o passo, tentando não olhar na direção dele.
Marina nunca contou a ninguém sobre a atenção excessiva daquele homem adulto, especialmente à mãe.
Mas um dia aquilo foi longe demais…
Em um dos dias, o desempregado Boris encontrou a estudante na entrada do prédio e, inesperadamente, agarrou-a pelo braço.
A mão dele era incrivelmente forte.
Marina ficou muito assustada.
Ela se soltou e correu para longe de casa.
— Por que está fugindo?!
Eu estou falando numa boa! — gritou ele atrás dela.
Quando voltou para casa com o irmão, a jovem decidiu contar tudo à mãe, mas recebeu mais uma porção de censuras.
— E o que você quer de mim?
Que eu vá tirar satisfações com ele?
Ele é um ex-presidiário!
Quem sabe o que se passa na cabeça dele? — resmungou Olga Sergueievna ao ouvir a história da filha.
— Justamente, ninguém sabe o que se passa na cabeça dele!
Mãe, ele me espera todos os dias depois da escola.
Eu estou com medo!
— E você acha que eu não estou?
Ele também lança olhares estranhos para mim!
Mas esse Bória não se aproxima de mim.
Então tire suas conclusões!
— Que conclusões? — Marina não entendeu.
E então a mãe disse uma frase que tirou o fôlego da filha:
— Se ele está te importunando, significa que você dá motivo!
Pare de flertar com ele, e ele vai te deixar em paz!
Naquele momento, lágrimas jorraram dos olhos de Marina.
Aquelas palavras da mãe a feriram profundamente, e ela não aguentou.
Ela se aproximou de Dima e pediu:
— Vá comigo à polícia.
Precisamos fazer uma denúncia contra o vizinho.
Dmitri, embora tenha ficado surpreso, concordou.
Ele sabia que a irmã não pediria algo assim sem motivo.
Depois disso, Boris desapareceu por algum tempo.
Quando voltou a aparecer, manteve distância de Marina — não queria acabar preso de novo.
Naquela época, a mãe ficou muito tempo emburrada com a filha e o filho.
Ela deixou de falar com eles por um mês inteiro.
— Vocês me envergonharam diante de todos os vizinhos e ainda se tornaram motivo de riso!
Por que precisavam fazer uma denúncia contra o vizinho?
Ele fez alguma coisa com vocês? — gritava ela.
— E se tivesse feito, você iria à polícia?! — perguntou Marina de forma brusca.
Olga Sergueievna não respondeu à provocação da filha.
Mas Marina já sabia o que ela pensava.
No vocabulário da mãe, a palavra “vítima” não existia.
Só existia a expressão: “a culpa é dela”.
Anos depois, após o nascimento da sobrinha, Marina se aproximou da cunhada e aconselhou:
— Nádia, por favor, nunca deixe sua filha sozinha com a avó sem supervisão.
Dela você não pode esperar proteção.
Se alguém maltratar sua pequena no parquinho, na melhor das hipóteses ela não fará nada, e na pior dirá: “A culpa é sua!”
Nádia ouviu a cunhada e ficou tão chocada com sua história que concordou em manter distância da sogra.
— Obrigada por me avisar.
Sinto muito que você tenha passado por isso.
— Eu também sinto — suspirou Marina.
— E eu não quero que minha sobrinha deixe de confiar nas pessoas próximas.
Cuide dela!
Nadejda assentiu e abraçou Marina com gratidão.
Olga Sergueievna nunca soube dessa conversa.
Ela nunca entendeu por que a afastavam da educação da neta, por que o filho ficava do lado da nora e por que Nádia era tão fria.
A mulher procurava culpados ao redor, mas não em si mesma, acreditando sinceramente que “os filhos simplesmente haviam se tornado desrespeitosos”.
Às vezes, quando a mãe reclamava especialmente alto, Marina tinha vontade de jogar a verdade para fora, mas sabia como aquilo terminaria:
— Você inventa tudo!
— Isso nunca aconteceu!
— A culpa é sua!
— Você só me envergonha!
E então Marina continuava calada.
A mãe não podia ser mudada de qualquer forma, e Marina não tinha o direito de permitir que a mesma história acontecesse com sua querida sobrinha.








