— Então, então, a partir deste ponto, por favor, conte com mais detalhes! — sussurrou Lina com entusiasmo, tirando do rosto a poeira e a teia de aranha grudada.
No canto escondido onde a mulher se instalara, não estava exatamente limpo.

Ficar sentada ali era desconfortável.
Lina mal conseguia se conter para não espirrar por causa da poeira que voava ao redor, e suas pernas já estavam bastante dormentes.
Mas a mulher suportaria até coisas piores para descobrir o que seu querido marido estava tramando.
O esposo falava alto com alguém ao telefone, certo de que estava sozinho no apartamento.
Não se sabia por que ele estava em casa naquele momento, embora devesse estar no trabalho.
Lina também tinha acabado ficando em casa por acaso naquele dia, foi assim que aconteceu.
E, do seu esconderijo, ela ouvia perfeitamente o que o marido dizia.
Matvei nem suspeitava que a esposa estava bem perto, no closet.
Ao voltar para casa no meio do expediente, ela finalmente havia deslocado aquele maldito armário para o lado.
Era necessário pegar uma pasta com documentos que a filha de sete anos havia jogado lá em cima uma semana antes.
Ela fizera isso como brincadeira.
Estava brincando, como depois explicou à mãe sobre o desaparecimento dos papéis necessários para o trabalho.
Pelo visto, a menina sentia falta de atenção dos pais e, dessa forma, queria chamar a atenção para si — procurar junto o objeto perdido e depois encontrá-lo sozinha, para que os pais a elogiassem.
A pasta escorregou entre a parede e o armário.
E, para tirá-la dali, era preciso empurrar para o lado toda aquela estrutura enorme.
Lina já havia pedido isso várias vezes ao marido, mas tudo tinha sido inútil.
Matvei sempre encontrava alguma desculpa, adiando a tarefa para o dia seguinte.
— Você está sugerindo que eu largue tudo e comece a mover esse armário impossível de levantar?
No fim de semana eu chamo meu irmão e fazemos tudo.
O infantilismo e a preguiça do marido simplesmente a deixavam impressionada.
Lina era completamente diferente — enérgica e ativa, por isso, quando hoje o chefe exigiu dela os contratos dos últimos negócios, decidiu ir para casa e pegar sozinha a maldita pasta de plástico.
— Vou levar agora! — prometeu ela ao chefe.
— Já passou da hora!
Há uma semana vocês só me alimentam com promessas! — reclamou o chefe, insatisfeito.
Surpreendentemente, ela conseguiu mesmo deslocar o armário.
A raiva do marido preguiçoso lhe deu forças.
Além da pasta, Lina encontrou ali mais algumas coisinhas desaparecidas e um monte de poeira.
— Agora vou limpar tudo aqui rapidinho e volto para o trabalho — decidiu a mulher incansável.
— Cinco ou dez minutos não vão fazer diferença.
E depois, à noite, que Matvei coloque tudo de volta no lugar.
Mas então ela ouviu, surpresa, alguém entrando no apartamento.
Era o marido, que falava ao telefone e estava muito envolvido na conversa.
— Ora, ora!
E o que ele está fazendo aqui? — sussurrou Lina, escutando com interesse o que o esposo dizia.
Ela já estava quase saindo do esconderijo e queria fazer ao marido uma pergunta totalmente razoável.
Mas de repente ficou paralisada, segurando nas mãos a fatídica pasta verde.
Ela entendeu apenas alguns minutos depois que aquele objeto havia se tornado decisivo em seu destino.
Pois, se não fosse por aquela pasta, Lina nunca teria descoberto tudo o que vinha acontecendo ao seu redor nos últimos tempos.
— Pronto, já estou em casa.
Pedi para sair do trabalho por algumas horas.
E como você queria?
Não quero que ninguém atrapalhe uma conversa tão delicada.
Os homens vão começar a fazer perguntas e rir de mim.
Eu conheço bem eles.
— O quê?
Que conversa é essa? — surpreendeu-se Lina, continuando a escutar.
Agora já não valia a pena sair.
Era preciso descobrir com quem e sobre o que seu querido marido conduzia conversas tão delicadas.
— Está bem, dite o número, estou anotando — continuou Matvei.
— Claro que vou ligar depois, ora essa!
Como eu poderia não ligar para VOCÊ?
A julgar pelo silêncio que se seguiu, Matvei desligou, e, um minuto depois, a mulher voltou a ouvir sua voz alta e confiante.
— Olá!
Diga-me, posso fazer um teste de paternidade com vocês? — perguntou o marido, de forma oficial e séria.
— O quê?! — Lina engasgou.
— Pois então, a partir deste ponto, explique melhor, meu querido!
Os pensamentos começaram a girar como um redemoinho em sua cabeça.
Que tipo de exames eram esses?
Que paternidade?
Matvei não acreditava que Arisha era sua filha?
Ou o marido tinha outros filhos?
— Muito bem — continuou Matvei.
— Diga-me, quanto isso vai custar?
Tão caro assim?
Isso é simplesmente um roubo!
E em quanto tempo poderei receber o resultado?
Entendi.
E o que é necessário para isso?
Um segundo, vou anotar.
Sim, pode falar, já estou anotando.
Enquanto o marido repetia e escrevia no caderno tudo o que precisava fazer para entregar o material para o exame de DNA, Lina decidia como deveria agir.
Sair agora e, depois de sacudir bem o marido, perguntar com toda a emoção o que ele estava planejando.
Ou ainda ficar sentada e ouvir tudo até o fim?
Em princípio, as intenções de Matvei já estavam claras.
Mas ainda não estava claro de qual criança ele estava falando.
E se ele tivesse outros filhos além de Arina?
Como prometera cinco minutos antes, o marido ligou de volta para a mãe.
Lina entendeu imediatamente que a primeira conversa havia sido justamente com a sogra.
Com a mãe, Matvei sempre falava com um tom meio culpado.
Como se sentisse uma culpa eterna.
Provavelmente isso vinha da infância, quando a mãe severa mantinha os filhos sob rédeas curtas.
O marido tinha medo da mãe até hoje e, ao que parecia, estava cumprindo exatamente uma ordem dela.
— Alô, mãe, eu descobri tudo.
Sim, acabei de ligar.
Eles me explicaram o que e como deve ser feito.
Mas, sabe, que preço eles cobraram!
Inacreditável!
Nós só queremos saber a verdade.
Temos direito a isso — dizia Matvei com voz culpada.
Depois de ouvir a resposta da mãe, ele continuou.
— Obrigado, mãe!
Eu não duvidava que você me daria esse dinheiro.
Caso contrário, minha esposa me descobriria imediatamente.
Perguntaria onde gastei uma fortuna dessas.
E você sabe que eu não sei mentir.
“Não sabe!
Sabe muito bem!
Vamos, diga de quem você desconfia, seu canalha!” — sussurrou a esposa, atordoada com o que estava acontecendo.
“Revele suas intenções secretas!”
Lina conheceu o futuro marido por acaso.
Matvei se aproximou dela em um bar, onde ela e as amigas comemoravam a formatura.
Elas se divertiam e dançavam tanto que todos ao redor aplaudiam.
E então o jovem modesto, que observava a alegria delas de lado, convidou-a para dançar.
E logo confessou que nunca havia conhecido uma garota tão bonita.
Eles começaram a se encontrar.
Matvei a cortejava lindamente e repetia que já não conseguia imaginar a vida sem ela.
Lina não tinha pressa para se casar, por isso aceitou o casamento apenas dois anos depois de se conhecerem.
Ela não planejava se dedicar imediatamente à família, mergulhar na rotina doméstica e nos filhos.
Era ambiciosa, como todos os jovens.
E sonhava com uma carreira.
Mas um ano depois do casamento soube que estava esperando um filho.
Nasceu Arina, por quem ela e o marido eram completamente apaixonados.
Lina sempre achou que Matvei amava a filha até mais do que ela mesma.
O pai a mimava, permitia coisas demais e perdoava tudo.
Arina era uma cópia do pai.
E todos os conhecidos e parentes, quando os viam juntos, repetiam que ali certamente nenhum teste de DNA era necessário.
Então por que Matvei agora duvidava de sua paternidade?
Ou isso sempre existira, desde o nascimento de Arishka?
Ou a questão não era a filha deles?
Por causa da tensão e da posição desconfortável, Lina ficou com dor de cabeça.
E também por causa do pensamento de que ela não conhecia absolutamente a pessoa com quem vivera tantos anos.
— Mãe, você teve uma ótima ideia com esse teste — continuou Matvei, finalmente revelando suas intenções.
— Ainda assim, é um passo sério, e, para decidir dar esse passo, preciso saber cem por cento que o filho da Veronika é meu.
Nunca duvidei da Arishka, nós dois somos como duas gotas de água.
Mas Makar não se parece nada comigo, e isso me preocupa.
— Meu Deus!
Que canalha!
E quando ele teve tempo para isso? — indignou-se Lina.
“Então existe mesmo uma criança fora do casamento.
Existe.
Veronika, Makar — que vida agitada meu marido tem, afinal!
E eu, ingênua, pensava que ele amava a mim e à nossa filha.”
Enquanto isso, depois de ouvir a resposta da mãe, Matvei continuou.
— Sim, tudo precisa ser verificado, você tem toda razão, mãe.
Especialmente antes de tomar uma decisão tão importante — ir embora para viver com Veronika e o filho.
Lina já desconfiava há muito tempo de que a sogra colocava o filho contra ela.
E, por algum motivo, ela não amava Arina como amava os netos do filho mais velho.
Mas o fato de o marido ser infiel, e não apenas ter um caso, mas já ter gerado uma criança lá fora, foi uma revelação completa para a mulher.
E os planos de abandoná-la com a filha por causa de um novo relacionamento eram simplesmente um absurdo.
Ela ficou tão abalada com o que ouviu que tinha medo até de se mexer.
Mas entendia que precisava se acalmar e pensar em tudo.
E depois tomar uma decisão sobre como se vingar do marido infiel.
— Depois daquele caso em que, durante o divórcio, a esposa do Viktor, do departamento vizinho, declarou que o filho não era dele, agora penso nisso com receio, mãe.
Mas, se acontecer de estar tudo bem, uma nova vida me espera.
Com uma nova esposa e o filho com quem sonhei por tanto tempo.
O marido pronunciou a última frase já saindo do apartamento.
Finalmente, a mulher conseguiu sair de trás do armário e esticar as pernas dormentes.
Nas mãos, ela ainda segurava a pasta que precisava levar ao escritório.
Lina dirigia no automático.
Pensava em como deveria agir agora.
Pois tudo o que acabara de descobrir não prometia nada de bom nem para ela nem para a filha.
Divórcio e divisão de bens, Arina crescendo sem o pai que amava tanto.
Tudo isso precisava ser compreendido e pensado.
Nos momentos mais decisivos da vida, o cérebro de Lina começava a funcionar de outro modo.
O pensamento racional vinha para o primeiro plano, e mais de uma vez já a salvara em situações difíceis da vida.
Agora Lina de repente se lembrou de como havia brigado com a futura sogra pouco antes do casamento.
O motivo tinha sido algo ridículo, mas a mãe de Matvei então mostrou sua verdadeira face e sua atitude inequívoca em relação à futura nora.
— De onde você apareceu?
Faz tudo ao contrário e tudo para me contrariar, eu sei!
E ainda coloca meu filho contra mim! — gritava a sogra com ela, irritada porque o filho não fizera o que a mãe havia pedido naquele dia.
Afinal, Matvei estava ocupado com a futura esposa, pois havia muitas coisas a resolver antes do casamento.
Lina, naquela ocasião, ficou calada, incapaz de dizer uma palavra.
— Agora, a Nika é uma garota tão boa.
Ama o Matyusha e me respeita.
Mas você…
Onde meu filho foi desenterrar alguém como você?
Antes de você, estava tudo bem entre nós!
“Nika!
Claro!
Nika, Veronika!
É aquela mesma, a que tem o filhinho Makarushka!
Então é isso!
Quer dizer que a sogra nunca desistiu de seus planos.
Dorme e sonha em ver ao lado do filho aquela boa moça que, provavelmente, sabe dançar perfeitamente conforme a música dela”, pensou Lina, até balançando a cabeça diante da descoberta surpreendente.
— Então tudo está certo!
E não foi à toa que eu me protegi naquela época exatamente para um caso como este.
Então, afinal, é guerra! — disse ela em voz alta, com firmeza.
— Não fui eu que a declarei, mas eu me preparei para ela!
Depois daquele escândalo feio que a sogra fez uma semana antes do casamento, a jovem até se recusou a ir ao cartório.
E o rapaz precisou fazer um enorme esforço para convencê-la naquela época.
— Está bem — concordou Lina.
— Mas tenho uma condição.
E esse fato será uma garantia de que um dia você, assim como sua mãezinha, não vai me trair.
— Eu aceito tudo, meu amor!
E não pretendo trair você — declarou Matvei apaixonado.
— Então hoje mesmo vamos formalizar a compra do apartamento que já escolhemos.
Temos o dinheiro.
Então por que esperar?
A condição é esta: vamos registrá-lo em meu nome.
Antes do casamento.
Você confia em mim, não confia?
E, se não confia, assinemos um contrato no cartório.
Ali será indicado todo o valor que você investirá na compra.
Eu nunca vou enganar você, então você não tem nada a temer.
E, se acontecer alguma coisa, você terá o contrato.
Concorda?
— Sim!
Concordo.
A jovem rapidamente redigiu um contrato em forma livre e disse que no dia seguinte mesmo, no trabalho, o assinaria perante um tabelião.
Nem uma única vez até aquele dia Lina se lembrou daquele contrato ridículo, que, claro, ninguém assinou.
E ele não tinha nenhuma força jurídica.
O importante era outra coisa.
O apartamento, comprado por eles antes do casamento, segundo os documentos, era apenas propriedade dela.
Naquela época, ninguém pensava em divórcio.
Jovens e felizes, eles se amavam.
E planejavam viver a vida inteira juntos.
Depois de entregar a pasta com os documentos, Lina foi para seu posto de trabalho e começou a pensar em seu plano de ação.
Depois saiu para o pequeno hall e discou o número da sogra.
— Estou ouvindo — respondeu Naina Efimovna de forma grosseira.
— Escute!
E com muita atenção!
Ao contrário de Matvei, não vejo sentido em esperar os resultados do teste de DNA, pois agora, mesmo sem teste, sei que meu marido me trai.
— O que você está dizendo?
De onde tirou essas conclusões? — a sogra ficou confusa.
— Não importa de onde.
O importante é outra coisa.
Eu não sei onde vivem a sua Veronika e a cria dela, nem se há possibilidade de o meu ainda marido se mudar para lá.
Mas, a partir de hoje, ele não vai mais morar no meu apartamento! — continuou Lina calmamente.
— E ainda hoje vou pedir o divórcio.
— Em que seu apartamento?
Por que você chama o apartamento de vocês de seu?
Ficou louca?
Esse apartamento é comum!
E meu filho investiu nele tanto quanto você! — gritou Naina Efimovna.
— E, se você pretende se divorciar, prepare-se também para a divisão do apartamento!
— Não, eu lhe declaro com toda responsabilidade: este é SOMENTE O MEU apartamento.
E não vamos dividi-lo.
Provavelmente Matyusha nunca lhe contou sobre isso, tinha medo.
Bem, isso é problema de vocês!
— O que você está dizendo?
Uma mentira estúpida e ridícula!
Você não é uma criança para fazer uma declaração dessas por ressentimento — a sogra não queria acreditar nela.
— Não, não estou mentindo, não tenho esse hábito.
Sempre digo apenas a verdade.
E os fatos são os seguintes: compramos o apartamento antes do casamento e o registramos em meu nome.
E fizemos certo!
Com a família de vocês é preciso ficar de olhos bem abertos.
Por isso me protegi.
E, como vê, não foi à toa!
— Isso não pode ser!
Vou descobrir tudo agora!
Vou ligar para meu filho.
— Pois ligue!
E diga a ele, de uma vez, que todas as coisas dele poderão ser retiradas hoje à noite com nossos vizinhos.
E eu e Arina iremos para a casa dos meus pais, para não perturbar a criança com cenas desagradáveis.
Lina desligou e decidiu que era hora de ir para casa.
Jogar fora de seu apartamento tudo o que estivesse ligado ao traidor.
E também pedir o divórcio.
Mas isso podia ser feito depois — ainda bem que agora isso não era problema.
Bastava abrir a internet e pronto.
Quando Matvei chegou do trabalho à noite, ficou bastante surpreso.
Ele se preparava para uma conversa desagradável, sem acreditar na mãe de que a esposa se atreveria a fazer o que prometera.
Preparava um discurso com justificativas e procurava argumentos.
Na porta havia outra fechadura, e acima dela estava colado um bilhete dizendo que todas as suas coisas estavam no apartamento em frente.
Depois de pegar as malas, o abalado Matvei foi para a casa da mãe.
Nika e Makar, por enquanto, moravam com a mãe dela.
E morar com eles naquele momento seria estranho, ainda mais porque o homem ainda não havia feito o teste de paternidade.
E não tinha certeza absoluta de que Makar era seu filho.
— Como você pôde?
Você perdeu todo o seu dinheiro!
Deu tudo para aquela vigarista que enganou todos nós! — gritava a mãe com ele.
— Onde você vai morar agora?
Na minha casa?
E ainda vai trazer Nika com o filho para cá?
— Por enquanto, na sua casa.
Depois pensaremos em alguma coisa.
— Você já pensou em alguma coisa uma vez!
Agora aguente as consequências.
Ficou sem moradia e sem recursos.
Não foi à toa que não gostei dessa Lina desde o primeiro dia, ah, não foi mesmo!
Que mulher desonesta ela se revelou!
Até vil.
Não, eu não vou deixar isso assim!
— Sim, desonesta — concordou Matvei.
— E pensar que um dia ela me prometeu que não me trairia nem me enganaria.
Naquele momento, ele se esqueceu completamente de que ele próprio havia traído e enganado a esposa.







