“Vovô, você acha que vão atendê-lo antes dos outros só porque trouxe flores?”, protestou a mulher, e os outros pacientes também começaram a rir do idoso…

“Vovô, você acha que vão atendê-lo antes dos outros só porque trouxe flores?”, protestou a mulher, e os outros pacientes também começaram a rir do idoso. Mas, quando a médica saiu do consultório e o viu, aconteceu algo que deixou todos paralisados de espanto… 😢

Naquele frio dia de outubro, uma longa fila se formou no hospital. As pessoas estavam nervosas, reclamavam da demora dos médicos e olhavam para o relógio sem parar.

No fim do corredor, estava sentado um homem de cerca de oitenta anos. Seu nome era Thomas. Ele vestia um casaco velho, mas limpo, e segurava com cuidado um buquê de crisântemos.

Ele viera do vilarejo no primeiro ônibus da manhã e já esperava pacientemente diante do consultório havia mais de uma hora.

— Vovô, para que essas flores? — perguntou em voz alta uma mulher de cerca de cinquenta anos.

— Quero dá-las à médica, minha filha — respondeu o idoso baixinho.

— Que atrevimento! Nós estamos aqui doentes, e ele aparece com flores! Acha que, se der um buquê, vão atendê-lo primeiro?

— Não, de jeito nenhum… Não quero atrasar ninguém.

— Sei! — intrometeu-se um homem da fila. — Aposto que também preparou um presente na bolsa!

Algumas pessoas riram.

Thomas abaixou a cabeça e apertou as flores contra o peito.

— Eu só queria entrar por um minutinho… Hoje é um dia especial.

— Todo mundo tem um dia especial! Sente-se e espere a sua vez! — cortou a mulher.

O idoso não disse mais nada. Apenas ajeitou com cuidado o papel amassado que envolvia o buquê.

Alguns minutos depois, uma enfermeira saiu do consultório.

— Quem é o próximo?

A mulher que mais havia repreendido o idoso apressou-se em direção à porta.

Thomas dirigiu-se timidamente à enfermeira:

— Minha filha, a doutora Emily está atendendo hoje? Eu só queria vê-la por um minutinho…

— Sim, ela já vai sair. E quem é o senhor dela?

— Diga, por favor, que Thomas veio. Mas só se ela não estiver ocupada. Eu espero.

A enfermeira olhou para ele, surpresa, e voltou ao consultório.

Um minuto depois, a porta se abriu, e uma médica de jaleco branco saiu para o corredor.

Ao ver o idoso com as flores, ela parou de repente e levou a mão à boca.

Mas, quando as pessoas descobriram quem aquele idoso malvestido realmente era, todos ficaram imóveis de espanto e se arrependeram das zombarias… 😢

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— Pai?! — exclamou Emily, aproximando-se depressa do idoso. — Papai, o que você está fazendo aqui?!

Thomas levantou-se da cadeira com dificuldade e lhe estendeu o buquê.

— Feliz aniversário, minha filha! Desculpe por vir sem avisar. Queria fazer uma surpresa.

Emily abraçou o pai com tanta força que as flores quase caíram das mãos dele.

— Pai, por que você não me ligou? E por que está sentado aqui na fila?

— Eu não queria atrapalhar, minha filha. Você tem tantos pacientes… Pensei em esperar até você ficar livre, entregar as flores e depois voltar para casa.

O corredor ficou em silêncio. A mulher que pouco antes havia gritado com o idoso olhava para eles, sem saber o que dizer.

— Esse é o seu pai? — perguntou ela por fim.

— Sim — respondeu Emily, sem soltar a mão dele. — Este é o meu pai. Foi graças a ele que me tornei médica.

Ela se virou para o pai.

— Você se lembra de quando vendeu nosso carro velho para pagar o meu primeiro ano de estudos?

Thomas sorriu, sem jeito.

— Ora, minha filha, para que falar disso…

— E, quando faltou dinheiro de novo, você arranjou um segundo emprego. À noite, descarregava caminhões, e de manhã, ia trabalhar na fazenda. Só fiquei sabendo disso muito tempo depois.

Emily olhou para as mãos calejadas dele.

— Mamãe sempre dizia que você nunca reclamou, embora às vezes ficasse sem um almoço decente para que eu tivesse dinheiro suficiente para comprar livros.

O idoso acariciou delicadamente o rosto da filha.

— O importante é que você conseguiu estudar. Veja quantas pessoas você trata agora! Sua mãe e eu sempre tivemos orgulho de você.

Ao ouvir a menção à mãe, Emily baixou os olhos. Ela havia morrido três anos antes e, desde então, o pai vivia sozinho na velha casa do vilarejo.

— Pai, como você chegou até aqui? — perguntou ela.

— De ônibus. Saí às seis da manhã. Tive que caminhar um pouco até o ponto, mas não foi nada. Ainda estou forte!

— Mas você disse que suas pernas doíam!

— Hoje quase não doeram — sorriu Thomas. — Afinal, eu estava indo ver você.

Emily não conseguiu conter as lágrimas.

A mulher da fila aproximou-se devagar.

— Me desculpe, por favor — disse ela ao idoso. — Pensei que o senhor queria passar na frente de todo mundo. Mas o senhor só veio dar os parabéns à sua filha…

— Não tem problema, minha filha — respondeu Thomas. — Você não sabia.

— Mas eu ri do senhor. E ainda virei os outros contra você…

Thomas balançou a cabeça.

— Esqueça. Vocês estão aqui por causa de alguma doença; todo mundo está nervoso. Eu entendo.

O homem que o acusara de tentar subornar a médica também se aproximou e pediu desculpas.

Emily olhou para os pacientes.

— Meu pai nunca pediu nada a ninguém. Nem mesmo quando ele próprio precisava de ajuda. Hoje ele não veio para uma consulta. Só queria me ver.

Depois, virou-se para Thomas:

— Pai, você não vai voltar para casa sozinho hoje. Depois do trabalho, vamos juntos para a sua casa. Vou ficar com você no fim de semana.

O idoso ergueu os olhos, surpreso.

— É verdade, minha filha? E os seus compromissos?

— Podem esperar. Já prometi tantas vezes que iria visitá-lo e sempre acabei adiando.

Thomas apertou a mão dela com força.

— Então, à noite, vou fritar batatas. Do jeito que você gostava quando era criança.

— Não, pai, hoje eu é que vou cozinhar — riu Emily entre lágrimas.

De repente, o idoso se lembrou da velha bolsa.

— Ah, quase me esqueci! Também trouxe outra coisa para você.

Ele tirou de dentro um potinho de geleia de morango e um embrulho cuidadosamente preparado.

— A geleia é feita com a receita da mamãe. Eu mesmo fiz. E aqui está o lencinho dela. Ela pediu para eu entregá-lo a você quando surgisse a ocasião certa. Guardei-o com todo cuidado…

Emily abriu o embrulho e reconheceu o lenço azul que a mãe usava nas festas.

Ela o apertou contra o rosto e depois abraçou o pai novamente.

— Obrigada, papai. Este é o presente mais precioso.

Naquela noite, eles realmente foram juntos para o vilarejo. Durante toda a viagem, Thomas falou dos vizinhos, do jardim e de como pretendia plantar novas macieiras na primavera.

Emily o escutava, segurando sua mão.

Pela primeira vez em muito tempo, ela não tinha pressa.

Na manhã seguinte, tomaram café da manhã à velha mesa da cozinha. Thomas colocou uma xícara de chá diante da filha e perguntou com cuidado:

— Emily, você ainda vai voltar, não vai?

Ela olhou para o pai e compreendeu quanta solidão se escondia por trás daquela pergunta simples.

— Claro, pai. E não vou mais esperar uma ocasião especial.

Thomas sorriu e virou-se para a janela, para que a filha não percebesse as lágrimas.

Ele tinha ido ao hospital com um buquê barato de flores, com medo de tomar da filha até mesmo alguns minutos.

Mas recebeu aquilo com que sonhava havia muito tempo: a chance de voltar a se sentar ao lado dela, conversar e sentir que ainda era importante para ela.