A porteira estava cansada de sua filha ser intimidada na escola.

Ela apareceu na reunião e colocou todos no lugar de maneira elegante.

Como de costume, Olya estava colocando sua filha, Oksana, para dormir.

A menina se mexia de um lado para o outro e se recusava a ouvir uma história.

Em vez disso, ela pediu à mãe para contar algo sobre seu pai, que morrera há alguns anos.

— Seu pai era um homem muito corajoso, — começou Olya com uma voz suave.

— Ele trabalhava como alpinista em uma empresa de construção.

Ele era confiável para as alturas mais perigosas.

E sabe, ele te amava muito.

Sempre te chamava de sua princesa, — acrescentou ela com uma leve tristeza nos olhos.

Oksana finalmente se acalmou e, ao adormecer, não fez mais perguntas sobre como seu pai havia morrido.

Ela nem suspeitava que a causa de sua morte foi um trágico acidente no trabalho devido à falta de equipamentos adequados.

A administração economizava em medidas básicas de segurança, e agora Grisha não estava mais lá.

Ele mal havia completado trinta anos e ainda tinha toda a vida pela frente.

Olya colocou a filha para dormir e deitou-se também.

No entanto, o sono não chegava.

Pensamentos sobre o passado giravam inquietos em sua cabeça.

Em seu pequeno apartamento de um cômodo, onde tudo lembrava as perdas familiares, a mulher não conseguia se distrair das memórias de seus pais.

Ambos morreram devido ao alcoolismo, apesar de todas as suas tentativas de ajudá-los.

Eles haviam parado de prestar atenção nos sentimentos da filha, mas o copo sempre foi mais importante.

Eles nem se interessavam pela neta.

Após a morte deles, Olya herdou o apartamento, mas isso não lhe trouxe grande alegria.

Apenas amargura e dor pela perda.

Somente após uma hora, derramando muitas lágrimas, Olya conseguiu se acalmar e adormecer.

A manhã começou com uma correria.

Mãe e filha quase se atrasaram para a escola e para o trabalho.

Olya apressou-se em colocar Oksana em seu uniforme escolar não tão novo.

Ela comprava roupas para a menina de segunda mão, através de anúncios.

Felizmente, sempre havia a boa vizinha, Ekaterina Arkadyevna, que a ajudava.

Ela ajudava com Oksana: a levava para a escola, lia histórias e brincava com ela.

Sem esse apoio, Olya teria dificuldades.

Os colegas no trabalho, onde ela era faxineira, olhavam-na de cima para baixo.

Especialmente aqueles que viam as mães solteiras como pessoas de segunda classe.

“Mulheres fracassadas e burras,” — diziam pelas costas, embora Olya tentasse não ligar para suas provocações.

As coisas no trabalho também não iam bem.

Olya não gostava da relação entre os vendedores.

Por exemplo, Nadya, que havia chegado recentemente da província, fazia de tudo para se destacar.

Ela sorria para os clientes e os enganava nos cálculos.

Seu sonho era encontrar um marido rico e viver sem fazer nada.

O trabalho na loja era apenas uma medida temporária para ela.

Outra funcionária, Toma, estava constantemente com inveja de Olya.

Ela se irritava com a trança longa, a figura esguia e até o caráter suave da mulher.

A inveja corrompia sua alma e ela encontrava motivos para zombar de Olya.

O dia começou mal.

Um “cliente” habitual entrou na loja e frequentemente reclamava com Olya.

Desta vez, ele conseguiu pisar no chão recém-limpo e espalhar sujeira.

Depois exigiu o livro de reclamações para escrever uma queixa contra a faxineira.

— Aqui está, — sorriu Nadya, entregando-lhe o livro.

Toma também não escondia sua satisfação maliciosa.

Olya estava profundamente chateada.

Ela sabia que, se o chefe soubesse da queixa, poderia simplesmente demiti-la.

Então, teria que procurar outro trabalho, o que, nas condições atuais, parecia quase impossível.

Após o trabalho, Olya pegou a filha com Ekaterina Arkadyevna.

Oksana voltou para casa chorando.

— Todos na classe estão rindo de mim, — soluçava ela.

— Me chamam de mendiga por causa das roupas!

A vizinha, ouvindo essas palavras, defendeu Olya:

— O que você está dizendo?

Oksana está sempre bem vestida!

Não deixe ninguém humilhar vocês!

Olya se acalmou um pouco, mas decidiu que no dia seguinte iria falar com a professora.

A situação exigia ação.

Além disso, Ekaterina Arkadyevna percebeu que já tinha visto a menina triste várias vezes.

Na manhã seguinte, Olya foi à escola.

Infelizmente, a professora não foi eficaz.

Ela apenas reclamou do novo diretor, Vyacheslav Ivanovich, e sugeriu que Olya fosse diretamente a ele.

O diretor a recebeu em um terno caro, que imediatamente revelava sua atitude em relação ao dinheiro.

A conversa começou mal.

Ele nem sequer ouviu Olya, mas a repreendeu por não ter pago a contribuição para o reparo da escola a tempo.

— O que isso tem a ver com o meu problema? — indignou-se a mulher.

— Minha filha está sofrendo porque está sendo intimidada na classe, enquanto eu faço tudo o que posso para que ela tenha uma boa aparência!

— Se você quiser que sua filha seja respeitada, participe ativamente da vida escolar, — respondeu friamente o diretor.

Olya saiu da escola com o coração pesado.

De volta em casa, contou tudo para a vizinha.

Ela, ouvindo a história, ofereceu sua ajuda.

— Pegue isso, — disse Ekaterina Arkadyevna, tirando do armário sua caixinha de doações.

— Isso é para curar sua alma.

Quando puder, devolva.

— Não, eu não posso! — protestou Olya, mas a vizinha insistiu.

Enquanto isso, a situação na escola piorava.

Os professores começaram a diminuir as notas de Oksana.

Um dia, voltando para casa, Olya viu um filhote.

Ela decidiu levá-lo para casa, e Oksana ficou radiante de alegria.

Mas à noite, enquanto navegava nas redes sociais, Olya encontrou um anúncio sobre um cachorro perdido.

Ela decidiu ligar para o proprietário, embora soubesse que isso deixaria sua filha muito triste.

Pouco depois, um homem de cerca de sessenta anos apareceu na casa deles.

Sua aparência indicava que ele era rico.

Olya o convidou para um chá, e ele se apresentou como Eduard Borisovich.

— Obrigada por encontrar Mukhtar, — disse ele.

— Ele é a última lembrança de meu filho.

Vendo como a menina se apegou ao filhote, ele acrescentou:

— Deixe-o ficar com vocês por enquanto.

Por que vocês estão tão tristes?

Não conseguindo mais suportar, Olya lhe contou sobre os problemas com sua filha e a escola.

O empresário prometeu ajudar.

No dia seguinte, ele foi à reunião de pais na classe de Oksana.

Bem na frente do diretor, ele jogou uma pilha de dinheiro na mesa e disse:

— Isso é suficiente?

Agora deixem a criança em paz.

Os professores ficaram em silêncio, sem saber o que dizer.

O empresário tomou Olya pelo braço e os dois saíram da sala.

Esse incidente foi parar na internet e logo o diretor foi demitido com desonra.

Olya agradeceu sinceramente a Eduard Borisovich, que continuou a se comunicar com eles.

Ele confessou que sempre sonhou em ter uma neta como Oksana.

O filhote encontrado se tornou um símbolo de mudança para a família.

O empresário ajudou Olya a conseguir um bom emprego com um salário justo.

A vida começou a melhorar, e as dificuldades foram ficando para trás.