“O RATO CINZA da MORGUE!” — riu o CHEFE.

Ele não suspeitava que A GAROTA O OUVIRIA e apareceria COMO UMA PRINCESA, tirando-lhe A CAPACIDADE DE FALAR.

“Você está toda vermelha, Katyusha! O que aconteceu?” — Larisa olhou para sua amiga preocupada, mas depois, ao seguir seu olhar, sorriu com superioridade.

“Não pode ser! Você realmente está apaixonada pelo nosso chefe? Pelo Viktor Pavlovich? Você está fora de si! Ele… ele é como um peru inchado!”

Katyusha mal conseguiu segurar as lágrimas.

“Eu nunca vi perus inchados!”

“Oh, vai! Você sabe o que quero dizer. É como se apaixonar por uma estrela de cinema. Olha para ele e olha para você!”

“Eu não estou apaixonada por ninguém!” — respondeu imediatamente Katyusha.

“Certo! Ai, meu Deus, você tem quase vinte e cinco anos e ainda sonha como uma garotinha!”

Katyusha se virou, ofendida.

Ela não pensava que Larisa pudesse descobrir os sentimentos que ela nutria ao ver Viktor Pavlovich.

Na realidade, a história era muito mais complicada…

Era uma vez, viviam próximos.

Quando Katyusha tinha treze anos, ela ouviu pela primeira vez que Vitya tinha se tornado o centro de seu mundo.

Mas para o atleta de vinte anos, ela era apenas “a pequena da casa ao lado.”

Depois que Vitya se mudou, a vida de Katyusha mudou radicalmente: seu pai morreu, sua mãe começou a beber, e eles tiveram que vender o apartamento.

Agora, sua mãe, doente, mal se levantava da cama, e Katyusha trabalhava como enfermeira na morgue, equilibrando um salário melhor e uma grande pressão psicológica.

Quando ela viu o novo chefe, reconheceu o velho conhecido.

Todos os sentimentos esquecidos reacenderam.

Larisa partiu para o trabalho, e Katyusha ficou sozinha com seus pensamentos pesados.

Ela sabia que a loquacidade de sua amiga a trairia, e agora temia os fofocas.

Antes do Ano Novo, havia um silêncio incomum na morgue.

Katyusha saiu para pegar um pouco de ar fresco e, acidentalmente, ouviu a conversa de Viktor Pavlovich ao telefone.

“O que significa ‘não posso’? Você não tinha insistido para que as pessoas fossem de casal à festa da empresa? … Ah, então você simplesmente ‘me abandonou’! … Você não verá um centavo a mais de mim!”

Um barulho forte de uma porta sendo fechada interrompeu a conversa.

Katyusha suspirou aliviada.

Durante seus encontros raros no hospital, ele não a reconheceu, e seu coração batia forte no peito.

Viktor estava furioso.

Kristina, sua amante influente, o havia deixado no dia anterior de um evento importante.

Após tentativas frustradas de encontrar uma substituta entre seus conhecidos, ele decidiu pedir ajuda à sua secretária Elena.

“Lenochka, venha ao meu escritório!” — disse com firmeza no interfone.

— Lena, por que você está aí parada como se estivesse em uma parada? Sente-se, precisamos falar de maneira informal.

Elena olhou para seu chefe surpresa, mas se sentou na beira da cadeira.

— Lenochka, estou com um problema… sério. Eu criei essa regra de que todos devem vir em casal à festa de aniversário da clínica, e agora estou sem ninguém para ir.

As mulheres que conheço não querem se juntar à nossa equipe.

Me ajude, por favor… Você poderia me acompanhar?

— Desculpe, Viktor Pavlovich, mas não posso, — respondeu timidamente Elena. — Daqui a duas semanas, vou me casar, e eu e meu noivo, que trabalha no departamento ao lado, vamos juntos.

Viktor suspirou desapontado.

A rápida solução para o problema foi adiada.

— Que pena… Convidar alguém de fora causaria fofocas…

Lena sorriu misteriosamente e se inclinou para ele.

— Sabe, Viktor Pavlovich, acho que posso te ajudar.

— Sério? Como? Você vai encontrar uma garota para a noite? Mas não preciso disso depois. Quem aceitaria um papel assim?

— Ela não precisará fingir, — Elena sorriu calmamente. — Ela acreditará sinceramente que essa é uma verdadeira aventura romântica.

— Lena, não me deixe em suspense!

Elena começou a explicar seu plano.

Enquanto ela falava, Viktor a escutava com crescente surpresa, para depois rir.

— Você está falando sério? A mesma garota modesta da morgue?! Bem, é uma ideia divertida… A equipe vai certamente apreciar.

Elena acenou com a cabeça, sem se sentir nem um pouco envergonhada.

— Que diferença faz o que ela pensa? O importante é que o problema será resolvido.

Viktor pensou, batendo pensativo os dedos na mesa.

“Não parece muito bonitinha, — passou por sua mente. — Mas pelo menos é divertido! Não tive uma tola assim há um tempo. Se ela se mostrar interessante — talvez a noite continue depois da festa.”

Elena, percebendo que seu chefe estava perdido em seus pensamentos, deixou o escritório silenciosamente.

Quanto mais Viktor refletia sobre a ideia, mais ele gostava.

Ele queria se divertir, vingar-se da humilhação — deixar que outra pessoa se sentisse humilhada.

Dois dias antes do evento corporativo, Katyusha estava sentada em seu quarto, com o rosto enterrado no travesseiro.

Hoje, ela tinha acidentalmente ouvido a conversa de Viktor Pavlovich atrás da porta de seu escritório.

Suas palavras sobre a “imbecil ingênua,” a “ratazana cinza,” e a “humilde enfermeira” ressoavam em sua cabeça.

Ela sentiu como ele planejava se “divertir” humilhando-a na frente de todos, e talvez até usasse a situação para fins íntimos.

Katyusha correu para fora da clínica, sufocando entre lágrimas e dor.

Quando ela se acalmou um pouco, o campainho tocou.

Na porta estava Viktor Pavlovich, com um rosto satisfeito e confiante.

— Katyusha, não terminamos de conversar. A que horas vou te buscar amanhã?

Ela levantou os olhos, ainda úmidos de lágrimas, para olhá-lo.

— Não se preocupe. Eu mesma vou.

— Bem, como quiser… Não é um problema para mim…

Katyusha enterrava novamente o rosto no travesseiro.

“Que coisa estúpida que eu sou! Tão ingênua e cega!”

Mais tarde, Larisa contou que toda a clínica estava em alvoroço aguardando o “espetáculo emocionante.”

— Katyusha, querida, por que você está sentada no escuro? — a voz de sua mãe chegou pela porta.

A luz se acendeu, e Katyusha percebeu que não podia esconder suas lágrimas.

— Você está chorando? O que aconteceu?

Sua mãe se aproximou lentamente da cama, apoiando-se pesadamente em uma bengala, e abraçou sua filha.

Katyusha não conseguiu mais se controlar e desabou em lágrimas, contando tudo.

— Então, é assim que as coisas estão… — disse sua mãe com uma voz calma quando Katyusha se acalmou um pouco.

Katyusha a olhou surpresa.

Ela não tinha ouvido tons tão firmes e decididos na voz de sua mãe em muito tempo — talvez desde que seu pai morreu.

— Então, aquele homem grosseiro decidiu zombar da minha filha… Minha única garota…

— Mãe, não é só um homem grosseiro. É o Vitya… aquele…

“Deixe ele para lá, seja ele o presidente! Você diz que todos esperam pela minha humilhação e querem rir? Bem… que riam. Agora vamos pensar em como transformar minha filha na verdadeira rainha da noite.”

Antes da entrada no restaurante, quase toda a clínica estava reunida, aguardando o evento principal da noite — a aparição do chefe com a misteriosa enfermeira.

Muitos nunca a tinham visto, mas os rumores já haviam feito seu trabalho.

“Como ela ousa aceitar? Ela não pertence a essa empresa,” — cochichavam os colegas.

“Provavelmente vai chegar com um vestido simples e sapatos gastos.”

“Ela não vai entender nada!” — disse um dos médicos em voz alta.

“Pensava que a nossa zombaria era admiração!”

Viktor Pavlovich, cercado pela multidão, sorria com um ar satisfeito, antecipando seu triunfo.

Essa noite deveria fortalecer sua autoridade.

Quando um SUV luxuoso parou em frente à entrada e uma desconhecida elegante desceu, Viktor não pôde deixar de admirar.

“Agora sim, estilo! Pena que eu tenha que perder tempo com ratos cinzentos…”

A multidão na porta se animou, mas logo ficou desapontada — não era o convidado que esperavam.

Embora os homens continuassem a olhar com interesse para a desconhecida elegante.

A mulher se aproximou do grupo de médicos e se dirigiu ao chefe médico:

“Eu não estou atrasada, certo? Espero que vocês estivessem me esperando?”

Viktor engoliu com dificuldade.

O silêncio caiu na porta.

“Katyusha?”

“Você não me reconhece?” — sua voz tinha um leve tom de zombaria.

“Você não tinha ideia… E agora vejo o verdadeiro você — mesquinho, vaidoso e vil. Eu sou livre. Obrigada por isso.”

Ela caminhou majestosamente para longe, e Viktor ficou congelado como uma estátua.

Nenhum colega se aproximou para apoiá-lo.