— Roxana — respondeu Adrian com um leve orgulho na voz.
Ela é enfermeira no hospital onde eu trabalho.

Estamos juntos há seis meses.
As palavras dele me atingiram como pedras.
Seis meses.
Meio ano em que ele voltava para casa — não para mim, mas para o apartamento dele — depois de passar o tempo com ela.
Minha sogra — não, ela nunca foi realmente minha sogra — pigarreou.
— Você precisa entender, Laura.
Roxana combina com Adrian.
Ela é jovem, instruída e… de uma boa família.
— De uma boa família — repeti mecanicamente.
De repente, tudo me pareceu cristalino.
Dez anos se passaram, mas ainda me lembrava perfeitamente de como Maria me olhou da primeira vez que Adrian me levou para casa.
“Vendedora? Interessante…”, ela disse, me examinando de cima a baixo.
— Quanto tempo você me dá para ir embora? — perguntei, tomada por uma estranha calma.
Adrian pareceu levemente surpreso com a mudança no meu tom.
— Uma semana deve bastar.
— Uma semana — repeti.
Por dez anos de vida.
Maria se meteu de novo:
— Você é jovem, Laura, pouco mais de trinta.
Pode recomeçar.
Você tem algumas economias, não tem?
Fiquei em silêncio e pensei na minha conta bancária.
Não, eu não tinha economias significativas.
Como poderia? Tudo o que eu ganhei, investi naquele apartamento — na reforma, nos móveis, nas nossas viagens.
— Vou levar todas as minhas coisas — disse em voz baixa.
— Claro — assentiu Adrian, como se estivesse me fazendo um favor.
Mas os móveis ficam.
Você os escolheu, mas eu os paguei.
Abri a boca para dizer que aquilo era uma mentira descarada, que eu havia pago metade.
Mas então percebi que não tinha provas.
Todas as contas estavam no nome dele.
Naquela noite, fiquei acordada no quarto onde dormi com Adrian por uma década.
Ele decidiu dormir no quarto de hóspedes, provavelmente para evitar uma confrontação.
Ouvi ele falando ao telefone, rindo baixinho — provavelmente com Roxana.
Na manhã seguinte, liguei para o trabalho e pedi uma semana de folga, com a desculpa de uma emergência familiar.
Irônico, pensei, já que a única emergência era o fato de eu não ter família alguma.
Em vez de começar a empacotar, fiz algo que já deveria ter feito anos atrás: comecei a investigar.
Peguei nosso “certificado de casamento” e examinei cuidadosamente.
Não era um certificado de casamento comum.
Era um contrato de parceria, uma medida administrativa que Adrian, um advogado astuto, me havia vendido como algo diferente.
Testemunhas? Sim, havia testemunhas — amigos dele, que provavelmente sabiam de tudo desde o início.
Quis gritar de raiva e frustração.
Como pude ser tão ingênua? Por que não verifiquei nada?
Mas enquanto estava sentada na cozinha, que decorei com tanto carinho, uma ideia começou a tomar forma.
Talvez não estivéssemos oficialmente casados, mas existiam outras leis.
Leis que protegiam pessoas em relacionamentos de longa data mesmo sem certidão de casamento.
Peguei o telefone e liguei para uma velha amiga da escola, hoje advogada com seu próprio escritório.
— Diana? Aqui é a Laura.
Preciso da sua ajuda.
Três dias depois, a porta do apartamento se abriu.
Adrian entrou e parou abruptamente ao me ver sentada calmamente na sala, com uma xícara de chá nas mãos.
— Achei que você já tivesse começado a empacotar — disse ele, olhando ao redor.
— Ah, eu fiz muito mais do que isso — respondi com um sorriso.
Entreguei a ele uma pilha de documentos.
Ele pegou e franziu a testa enquanto lia.
— O que é isso?
— Isso, meu caro não-marido, é um processo de reconhecimento dos meus direitos como companheira de longa data.
Dez anos, para ser exata.
Adrian bufou:
— Você não tem chance.
— Não? Eu tenho todas as provas de que contribuí significativamente para o lar.
Extratos bancários, depoimentos de amigos, fotos, mensagens.
Minha advogada disse que tenho boas chances de conseguir metade do valor deste apartamento.
O rosto de Adrian mudou, sua confiança se desfez.
— E se eu me recusar?
— Então nos veremos no tribunal.
Onde apresentarei outras provas bem interessantes.
— Que provas? — perguntou ele, nervoso.
— Provas de que o escritório do qual você é sócio está envolvido em alguns casos de evasão fiscal.
Casos nos quais esbarrei enquanto examinava seus documentos.
Era um blefe, mas um blefe convincente.
Durante os anos, vi documentos suspeitos suficientes no escritório de Adrian para tornar essa ameaça crível.
Adrian empalideceu.
— Você não pode provar nada.
— Quer apostar? Não se trata apenas da sua carreira, mas também da reputação do escritório.
Tenho certeza de que seus sócios adorariam saber disso.
Algumas horas depois, estávamos diante de um tabelião assinando um acordo de separação, no qual Adrian se comprometia a me pagar uma
quantia considerável — equivalente à metade do valor do apartamento — além de uma parte das economias conjuntas.
Maria estava presente, com os lábios cerrados e o rosto pálido.
— Nunca vou te perdoar por isso — sussurrou ela, enquanto Adrian saía para atender uma ligação.
Olhei diretamente em seus olhos:
— Eu não preciso do seu perdão, Maria.
Eu nem te conheço de verdade.
Uma semana depois, aluguei um apartamento pequeno, mas iluminado, do outro lado da cidade.
Comprei móveis novos, pintei as paredes com cores vivas, daquelas que eu sabia que Adrian odiava.
Numa noite, enquanto organizava meus livros na nova estante, o telefone tocou.
Número desconhecido.
— Alô?
— Laura? É o Adrian.
Senti meu coração apertar, mas minha voz saiu calma:
— O que você quer?
Houve uma longa pausa.
— Quero te pedir desculpas.
Soltei uma risada curta:
— Um pouco tarde, não acha?
— A Roxana me deixou — disse ele por fim.
Ela descobriu… tudo.
— Sinto muito — respondi, surpresa por realmente estar sendo sincera.
— Posso te ver? Conversar?
Olhei ao redor do meu novo apartamento, da nova vida que construí só para mim.
— Não, Adrian.
Você não pode.
Desliguei e coloquei o telefone sobre a mesa.
Pela primeira vez em dez anos, não era responsável pela felicidade de ninguém além da minha.
E era uma sensação maravilhosa.







