Eu estava no meio da limpeza após o jantar quando a campainha tocou.
Max estava na sala, folheando preguiçosamente uma revista em quadrinhos, e presumi que fosse uma entrega de pacote.

Enxuguei as mãos em um pano, caminhei até a porta e a abri sem pensar.
E então, congelei.
Parado ali estava Eric, meu ex-marido.
Eu não o via há mais de três anos.
Não desde que nosso divórcio foi finalizado.
Não desde que ele arrumou as malas, disse que precisava “se encontrar” e me deixou sozinha para criar nosso filho.
Mas isso não foi o que mais me chocou.
Foi o garotinho ao lado dele.
Ele tinha cerca de quatro anos—jovem demais para ser nosso.
Mas tinha os mesmos olhos azuis brilhantes, o mesmo cabelo castanho ondulado, a mesma covinha na bochecha esquerda.
Ele era idêntico a Max quando era pequeno.
Eric se mexeu desconfortavelmente.
— Oi, Claire.
Eu não respondi.
Meu coração estava acelerado.
— Podemos entrar? — ele perguntou.
Hesitei.
Cada instinto me dizia para bater a porta na cara dele, mas Max já tinha percebido e estava correndo até nós.
— Pai? — a voz de Max estava cheia de confusão.
— O que você está fazendo aqui?
Eric sorriu para ele—como se nada tivesse acontecido, como se não tivesse estado ausente por anos.
— Oi, campeão.
— Senti sua falta.
Eu me afastei relutantemente, deixando-os entrar.
Meus olhos continuavam voltando para o garotinho, que se agarrava à mão de Eric, olhando ao redor com olhos curiosos e arregalados.
Eric pigarreou.
— Claire, este é o Liam.
Liam.
Meu estômago revirou.
Esse era um dos nomes que Eric e eu consideramos quando eu estava grávida de Max.
Cerrei os punhos.
— Quem é ele?
Eric soltou um longo suspiro.
— Ele é… meu filho.
A sala girou.
— O quê? — Minha voz saiu afiada, mas eu não me importei.
— Seu filho?
Max ficou tenso ao meu lado.
— Eu tenho um irmão?
Eric engoliu seco.
— Sim.
— E eu sei que isso é muita coisa, mas preciso conversar com você sobre algo.
— Podemos sentar?
Fiquei olhando para ele, sentindo meu coração pulsar nos ouvidos.
Eu queria gritar com ele, expulsá-lo da minha casa.
Mas Liam me olhava com aqueles grandes olhos azuis, e eu não podia—não iria—descontar nele.
Então, assenti rigidamente e os levei para a sala de estar.
Sentei-me de frente para Eric, os braços cruzados, a mandíbula travada.
Max se sentou ao meu lado, olhando entre nós com nervosismo.
Liam subiu no sofá ao lado de Eric, balançando as pernas.
Eric passou a mão pelo cabelo.
— Eu não sabia sobre ele — disse em voz baixa.
— A mãe dele… ela nunca me contou.
— Só descobri há alguns meses.
Pisquei.
— O quê?
Eric suspirou.
— Depois que nos separamos, conheci alguém.
— Não era algo sério, e perdemos o contato.
— Ela nunca me disse que tinha um filho meu.
— Quando ela faleceu, os serviços sociais me encontraram.
Ele olhou para Liam, sua expressão suavizando.
— No começo, eu não acreditei.
— Mas então eu vi ele.
Soltei um longo suspiro.
A semelhança era inegável.
— E o que isso tem a ver comigo? — perguntei friamente.
Eric hesitou.
— Claire… eu não sei como fazer isso.
— Criar uma criança sozinho.
— E eu pensei…
— Não — cortei.
— De jeito nenhum.
— Por favor — ele disse, inclinando-se para frente.
— Sei que não mereço pedir nada a você, mas preciso de ajuda.
— Você é a melhor mãe que conheço.
— E Liam… ele não tem mais ninguém.
Olhei para Liam, que agora mexia na barra da camisa.
Suas pequenas mãos tremiam.
De repente, Max falou.
— Por que você simplesmente não cria ele, como a mamãe me criou?
Eric estremeceu, a culpa passando por seu rosto.
— Porque eu não estive lá para você.
— E me arrependo disso todos os dias.
O silêncio se estendeu entre nós.
Eu não confiava em Eric.
Eu não devia nada a ele.
Mas Liam… ele era inocente.
E Max—o mundo dele tinha acabado de virar de cabeça para baixo.
Suspirei, esfregando as têmporas.
— Eu não vou criar seu filho para você, Eric.
— Mas também não vou virar as costas para ele.
Eric assentiu, parecendo aliviado.
— Isso é tudo que estou pedindo.
Eu não sabia o que isso significava para o futuro, mas uma coisa era certa—nada mais seria como antes.







