Os feriados estavam irremediavelmente arruinados.
Isso já era óbvio. Por que eles são tão sem cerimônia?!

Como dizem: “A franqueza às vezes é pior que roubo!”
O casal Vlad e Zoya já era proprietário do terreno do avô há muito tempo.
Mas só depois que Vlad foi promovido no trabalho surgiu a verdadeira oportunidade de construir ali a casa com que sempre sonharam.
Antigamente, nesse local, havia uma antiga casa de madeira com fogão, onde a avó fazia geleias perfumadas e o avô contava histórias intermináveis sobre sua juventude.
Agora, esse lugar se tornaria o novo ninho da família.
Todo o verão anterior foi dedicado à construção.
Escolheram o projeto, acompanharam o processo de edificação e acabamento.
Todas as noites, voltando do trabalho, Vlad conferia a documentação, negociava com os empreiteiros, enquanto Zoya analisava amostras de papel de parede e azulejos.
Eles se imaginavam naquela casa: café da manhã na varanda, jantares sob o céu estrelado, longas noites de inverno junto à lareira.
E agora tudo estava quase pronto. Faltava apenas desmontar a antiga casa do avô e instalar a cerca.
A velha casinha ainda estava no canto do terreno, como um símbolo dos tempos passados, esperando sua vez.
Vlad e Zoya estavam ansiosos para passar o feriado de maio em sua nova casa.
Esse fim de semana seria uma mini-férias para eles. Todo o dinheiro havia sido gasto na construção, e fazia quase dois anos que não descansavam em lugar nenhum, a não ser entre o trabalho e a obra.
Os feriados de maio seriam como uma segunda lua de mel.
Só os dois, no silêncio, longe da correria da cidade. Sem colegas insistentes, sem vizinhos atrás da parede.
Apenas paz, natureza, e os dois juntos.
Sonhavam com esse momento há tanto tempo que até os menores detalhes da futura viagem já estavam cuidadosamente planejados.
Vlad comprou com antecedência uma nova grelha para o churrasco, e Zoya separou os livros que queria ler há tempos.
“Finalmente vamos poder descansar,” — disse ela, colocando os livros na bolsa.
“Sem ligações, sem problemas alheios.”
Na véspera da viagem, estavam sentados na cozinha, observando o pôr do sol pela janela.
O crepúsculo urbano descia lentamente sobre as casas, pintando tudo em tons suaves e pastéis.
No ar já se sentia o sopro da primavera — aquele especial que a cada ano faz o coração bater mais forte.
“Sabe de uma coisa?” — rompeu o silêncio Vlad. “Estou tão feliz que vamos finalmente viajar.
Imagina, só nós dois.”
“Sim,” — sorriu Zoya. “Vai ser a nossa pequena celebração. Nosso lar.”
Eles conversaram por muito tempo sobre os planos para o futuro.
Como arrumariam o jardim, que flores plantariam, como assistiriam o nascer do sol na varanda.
Parecia que todos os seus sonhos estavam prestes a se tornar realidade.
— Imagina que delícia vai ser tomar café de manhã admirando o orvalho na grama, — disse Zoya sonhadora.
— E à noite acender a churrasqueira e observar as estrelas, — completou Vlad.
A conversa fluía suavemente de uma ideia para outra, aumentando ainda mais a alegria pela chegada dos feriados.
Eles realmente esperavam com entusiasmo esse fim de semana de maio. Mal podiam esperar para chegar ao lugar onde ficava a nova casa.
Na véspera, Vlad precisou ficar até mais tarde no trabalho, e não conseguiram se preparar com antecedência.
Pela manhã, ele saiu enquanto Zoya ainda dormia e voltou tarde da noite, cansado e com dor de cabeça.
— Desculpa, — disse ele mal cruzou a porta.
— Amanhã vai dar tudo certo. A gente se arruma e parte.
Zoya apenas suspirou. Já estava acostumada com esse tipo de situação nos últimos meses.
Mas nem isso conseguiu estragar seu bom humor.
Na manhã seguinte, começaram a se preparar mais tarde do que o planejado.
As coisas estavam espalhadas pelo apartamento: sacolas com mantimentos, roupas, cobertores.
Zoya corria entre a sala e a cozinha, conferindo a lista.
— Você pegou mesmo o carvão? — perguntou ela, olhando no porta-malas do carro.
— Peguei, tá tudo aí, — respondeu Vlad, fechando o porta-malas.
— Fica tranquila, não esquecemos nada.
E então, finalmente, partiram.
A estrada não era tão longa, mas era cansativa: primeiro pelo trânsito da cidade, depois passando por inúmeros terrenos de veraneio onde as pessoas já se preparavam para o feriado.
Durante toda a viagem, conversaram com alegria sobre como iriam passar aqueles dias.
Falaram sobre tudo: como acenderiam o fogo do churrasco, que filmes assistiriam à noite, como leriam confortavelmente sentados em suas poltronas.
Afinal, era o primeiro verdadeiro descanso deles em muito tempo.
— Todo o dinheiro foi para a construção, — comentou Zoya, recostando-se no banco.
— Faz quase dois anos que a gente não vai pra lugar nenhum.
— Pois é, — concordou Vlad. — Nem nos fins de semana dava tempo.
Aqueles feriados prolongados seriam para eles um merecido descanso.
Eles realmente o haviam conquistado.
O carro seguia suavemente pela estrada, cercado por uma paisagem primaveril pitoresca.
Do lado de fora, passavam campos, árvores e poucos veículos.
O sol brilhava forte, mas sem queimar, e o ar estava impregnado de frescor.
Quando já faltava pouco para chegar ao terreno, Vlad ligou as músicas preferidas deles.
A música encheu o interior do carro, e eles começaram a cantar juntos, rindo de como Vlad desafinava.
Mais uma hora de viagem — e lá estava ela, a casa deles. Vlad saiu da estrada principal e entrou numa estradinha de terra que levava ao terreno.
— E então, está pronta? — perguntou Vlad, sorrindo.
— Mais do que prontos, — respondeu ela, sentindo uma onda de alegria crescer dentro de si.
Chegando em frente à casa, Vlad e Zoya ouviram música e vozes altas.
Na clareira ao lado da casa havia carros estacionados, um churrasco, cadeiras dobráveis, uma mesa, e de uma das caixas de som dos veículos saía música em alto volume.
As pessoas se ocupavam: alguém virava os espetinhos, outro ria tão alto que dava para ouvir mesmo pelas janelas fechadas dos carros.
— O que está acontecendo agora? — perguntou Zoya, sem acreditar no que via.
Vlad ficou em silêncio. Seu rosto escureceu de raiva. Parou o carro e desceu, olhando ao redor lentamente.
— São nossos parentes, — sibilou entre os dentes.
E de fato, eram os parentes de Vlad e Zoya reunidos para celebrar o Primeiro de Maio.
Antes, o avô era o primeiro a convidar todos para o churrasco das festas de maio.
Houve tempos em que todo o pátio estava cheio de carros, a mesa transbordava de petiscos, e no ar sentia-se claramente o cheiro da carne na grelha.
Mas depois que o avô faleceu, a tradição foi se apagando aos poucos.
Às vezes eles se reuniam, mas depois pararam.
E agora, sabendo que Vlad e Zoya tinham construído a casa, decidiram reviver a tradição — sem pedir, sem convite.
Os parentes já tinham bebido bastante e estavam se comportando de maneira bastante desinibida.
Tia Lena, que sempre gostava de ser o centro das atenções, agitou os braços e correu até eles.
— Oh, jovens! — exclamou alegre. — Já estávamos esperando por vocês!
— Esperando? — repetiu Zoya, sentindo uma onda de raiva crescer dentro de si.
— Claro! Sabíamos que vocês viriam hoje.
Decidimos fazer uma surpresa! — continuou tia Lena, como se não percebesse seus rostos tensos.
Antes que Vlad e Zoya pudessem dizer algo, foram cercados pelos outros parentes. Alguém gritou:
— Ei, abram a casa! Está frio lá fora!
— É ótimo que vocês tenham construído uma casa tão espaçosa, agora tem lugar para todos, — disse tia Lena.
— A partir de agora vamos comemorar todas as festas aqui! — acrescentou tio Vitya.
Zoya sentiu as mãos tremerem de raiva.
Deu um passo à frente, bloqueando a entrada da casa.
— Esta é a nossa casa! — quase gritou.
— Não convidamos ninguém!
— Como assim não convidaram? — espantou-se uma das mulheres. — Somos família!
— Família? — repetiu Vlad com voz fria.
— Pelo menos perguntaram se queríamos vê-los aqui?
— Ah, vamos lá, — interveio um homem que Zoya mal lembrava. — Não sejam tão chatos!
— Não somos chatos, — respondeu Vlad calmamente.
— Somos apenas os donos desta casa. E se não convidamos vocês, significa que estão demais.
Tia Lena deu um passo à frente, com o rosto contraído em expressão de desaprovação.
— Mas o que te deu? — começou.
— Somos parentes! É normal nos reunirmos!
— Normal é quando se é convidado, — rebateu Zoya.
— Vocês são mal-educados! — explodiu tia Lena. — Não se faz isso com parentes!
— Isso é cara de pau, — respondeu Vlad friamente.
— Mal-educado é quem entra na casa dos outros sem permissão.
— Vocês não entendem, — começou Varvara Stepanovna, esposa do tio Vitya, tentando falar num tom conciliador. — Só queríamos manter a tradição viva.
— Tradição? — repetiu Zoya. — A tradição de respeitar os limites dos outros vocês não queriam manter?
Ninguém respondeu. Os parentes trocaram olhares. Alguns pareciam desconfortáveis, mas a maioria estava convencida de que tinha razão.
— Escutem, — disse Vlad levantando a voz para ser ouvido por todos.
— Construímos esta casa para nós mesmos. Não tínhamos intenção de convidar ninguém para as festas. Muito menos sem convite.
— Mas é um terreno de família! — tentou argumentar tia Lena.
— O terreno é nosso há muito tempo, — respondeu Vlad firmemente.
— E somos nós que decidimos quem pode vir.
Zoya se aproximou do grupo de parentes.
— Vocês não têm ideia do quanto de esforço e dinheiro colocamos nesta casa, — disse.
— E vocês aparecem assim, sem pedir, como se fosse território de vocês.
— Fazíamos isso de forma familiar, não por maldade! — começou um homem.
— E como então? — perguntou Zoya. — Acham que podem simplesmente chegar e destruir tudo?
— Tudo bem, — disse tia Lena tentando salvar a situação.
— Se vocês estão tão orgulhosos, vamos embora. Mas saibam que não deixaremos assim!
— O que significa “não deixaremos assim”? — espantou-se Vlad.
— Significa exatamente isso! — declarou.
Vlad deu um passo à frente, apontando para o gramado pisoteado e marcado pelas rodas dos carros.
— Vocês têm noção do que fizeram? — exclamou.
— É um gramado novo! Acabamos de nivelar!
E agora vejam como está!
Os parentes trocaram olhares, mas ninguém pensou em se desculpar.
Ao contrário, alguém deu uma risadinha:
— Vai lá, Vlad! Vai se ajeitar! Qual é o problema?
— É o nosso gramado! — indignou-se Vlad. — E pagamos com nosso dinheiro!
Zoya ficou em silêncio ao lado dele, com os punhos cerrados. Sentia a raiva crescendo dentro de si.
— Sabe de uma coisa? — continuou Vlad levantando a voz.
— Acho que devíamos ter começado a construção pela cerca.
Assim esses “parentes” saberiam onde terminam os limites!
— De novo com essa história! — interrompeu tia Lena. — Somos família! O avô sempre nos convidava!
— O avô não está mais aqui há muito tempo! — respondeu Vlad secamente.
— E esta casa fomos nós que construímos! Com nossas próprias forças!
Se o avô estivesse vivo, ele também pediria permissão antes de vir!
— Como pode dizer uma coisa dessas?! — indignou-se uma mulher. — Quem te criou?!
Zoya deu um passo à frente, os olhos brilhando.
— Falta de educação é quem vai na casa dos outros sem convite! — cortou.
— Vocês nem pensaram que poderíamos ter outros planos!
— Mas é uma tradição de família! — tentou intervir um homem.
— Desliguem a música! — ordenou Vlad, apontando para os alto-falantes.
— E tirem os carros do gramado!
— O quê? — espantou-se alguém. — Acabamos de começar!
— Não, — disse Zoya friamente. — Vocês acabaram.
Saiam da nossa propriedade. Agora.
Por um momento caiu silêncio.
— Então vivam na casinha de vocês sozinhos, — disse tia Lena dirigindo-se ao seu carro.
Quando o último carro desapareceu atrás da curva, ambos inspiraram fundo.
O ar estava fresco da noite e ao longe ouvia-se o canto dos pássaros.
— Que dia, — murmurou Vlad, olhando para o gramado vazio.
— Pois é, — concordou Zoya.
— Sabe o que me surpreende? — perguntou ele.
— O quê?
— O quanto as pessoas podem ser descaradas.
A franqueza é realmente pior que o roubo.
— Sabe de uma coisa? — disse Zoya segurando a mão do marido.
— O quê?
— Quero mesmo assim fazer nossa festinha. Só você e eu.
Vlad sorriu.
— Ótima ideia.
Eles se dirigiram para a casa, finalmente prontos para aproveitar o merecido descanso.
Claro, os parentes falariam muito sobre eles depois daquele episódio.
Provavelmente alguém os chamaria de grosseiros ou mal-educados.
Mas para Vlad e Zoya não importava.
Lá fora, a noite caía lentamente. Dentro de casa estava quente e acolhedor.
Vlad e Zoya sentaram-se em silêncio, aproveitando o momento que tanto esperavam.
Sua pequena festa finalmente começava.







