EU CHEGUEI EM CASA E ENCONTREI UM ESTRANHO DORMINDO NO MEU SOFÁ

Tinha sido um dia exaustivo.

Entre reuniões seguidas, e-mails intermináveis e um engarrafamento inesperado no caminho para casa, tudo o que eu queria era tirar os sapatos, servir-me um copo de vinho e desabar no sofá.

Mas no momento em que atravessei a porta, congelei.

Porque alguém já estava no meu sofá.

Um homem.

Dormindo.

A princípio, pensei que estava imaginando coisas.

Talvez o estresse finalmente tivesse me quebrado, e eu estivesse tendo alucinações.

Mas não—ele estava ali, esparramado no meu sofá bege, um braço cobrindo o rosto, os sapatos jogados de lado como se aquele fosse o lugar dele.

Meu coração disparou.

Mil pensamentos passaram pela minha cabeça.

Eu esqueci de trancar a porta? Alguém arrombou a casa?

Peguei meu telefone, pronta para chamar a polícia, mas então o homem gemeu e se espreguiçou, piscando para mim como se eu fosse a intrusa.

— Ah — murmurou ele, esfregando os olhos. — Você chegou cedo.

Cedo? CEDO?

Dei um passo para trás, apertando o telefone com mais força.

— Quem diabos é você?

Ele se sentou lentamente, ainda sonolento.

— Como assim? Esta é a casa do Liam.

Liam.

Meu irmão.

Soltei um suspiro profundo, meu medo se transformando em algo completamente diferente.

Claro, Liam.

— Deixa eu adivinhar — disse eu, cruzando os braços. — Você é mais uma das brilhantes ideias dele?

O homem fez uma careta.

— Não exatamente.

Suspirei e larguei minha bolsa no chão.

— Qual é o seu nome?

— Ethan.

— Certo, Ethan.

Quer me explicar por que você está no meu apartamento?

Ele passou a mão pelos cabelos escuros e bagunçados e soltou um sorriso sem jeito.

— Eu… acho que entendi errado alguma coisa.

Olhei para ele, cética.

— Ah, é? Você acha?

Ethan suspirou.

— O Liam disse que eu poderia ficar aqui por alguns dias.

Ele me deu a chave e disse que eu teria o lugar só para mim.

Soltei um gemido frustrado.

— Claro que disse.

Meu maravilhoso irmão mais velho vinha deixando seus amigos “dormirem” no apartamento por anos.

O problema? Liam não morava mais aqui.

Ele tinha se mudado para a casa da namorada meses atrás e, como ainda éramos coproprietários do apartamento, agora era só eu aqui.

Peguei o telefone e liguei para ele.

Ele atendeu no segundo toque.

— E aí, mana! O que foi?

— Você sabe muito bem o que foi — rebati.

— Tem um homem dormindo no meu sofá, Liam.

Houve uma pausa.

Então:

— Ah.

— Isso.

— Isso.

Fechei os olhos e respirei fundo.

— Não me diga que você esqueceu de avisá-lo que não mora mais aqui.

— Bem… eu ia avisar.

Olhei para Ethan, que agora estava sentado direito, me observando como se isso fosse a coisa mais divertida que já tinha visto.

— Você ia avisar? — repeti entre dentes.

Liam suspirou.

— Olha, o Ethan é um cara legal.

Ele só precisava de um lugar por alguns dias.

Você pode dar um desconto pra ele?

Pressionei a ponte do nariz, irritada.

— Você me deve uma, Liam.

— Eu sei.

O próximo jantar é por minha conta, ok?

— Três jantares — retruquei.

Liam riu.

— Fechado.

Desliguei e me virei para Ethan.

— Então, imagino que você não seja um criminoso.

Ethan sorriu de lado.

— A não ser que ficar mais do que o combinado seja crime.

Revirei os olhos e fui até a cozinha pegar uma garrafa de água.

— Bom, você não pode ficar aqui.

Não gosto de dividir o apartamento com estranhos.

Ethan levantou as mãos em rendição.

— Justo.

Vou pegar minhas coisas e ir embora.

Assenti, observando enquanto ele pegava a mochila e calçava os sapatos.

Ele já estava na metade do caminho até a porta quando suspirei.

— Espera.

Ele se virou, erguendo uma sobrancelha.

Hesitei.

Ele não parecia uma ameaça.

Parecia… cansado.

E talvez um pouco perdido.

— Quanto tempo você realmente precisa de um lugar? — perguntei.

Ethan hesitou.

— Só mais alguns dias.

Estou esperando meu novo apartamento ficar pronto.

O contrato começa na segunda-feira.

Suspirei.

— Certo.

Dois dias.

E só.

Um sorriso lento se espalhou pelo rosto dele.

— Sério?

— Sim, sim — murmurei.

— Mas você dorme no sofá.

Ethan abriu um sorriso.

— Combinado.

Balancei a cabeça, já me arrependendo.

Mas quando peguei um cobertor no armário do corredor e joguei para ele, não pude deixar de sorrir um pouco.

Talvez essa não fosse a pior coisa que o Liam já tinha feito.