Um docinho para a Sanka. (conto)

— Mãe, não seja chata! O tio ofereceu carona, e você inventa alguma coisa estranha!

“Não ande onde trabalha e não trabalhe onde anda!” — assim, numa versão mais educada, soava o ditado do meu pai, ou melhor, a verdade que ele queria me ensinar.

Papai era um homem sábio, que já tinha visto a vida de vários ângulos, nós sempre nos dávamos bem, por isso eu tentava escutar seus conselhos.

Claro, na juventude, especialmente na universidade, eu não me preocupava muito em calcular as consequências várias jogadas à frente, e flertava com meninas bonitas sem grandes planos para o futuro, apenas pelo prazer mútuo.

Em resumo, levava uma vida leve e despreocupada, mas deixava todos meus romances e aventuras, como se diz, fora do escritório.

Mas a vida gosta de pregar peças às vezes, nem sempre de forma fácil ou amigável.

No novo trabalho, o grupo era em sua maioria jovem, e predominantemente feminino.

Eu, embora trabalhasse bastante com as garotas, não era chefe direto delas, o que tornava nossa comunicação muito mais fácil e leve.

Eu preferia conversar informalmente mais com as mulheres casadas — nosso flerte no escritório se limitava a brincadeiras amigáveis, piadas ambíguas e elogios: todos entendiam que era só um jogo para manter o charme delas, e claro, para alimentar meu ego masculino, nada mais.

Preciso admitir que, na mente, eu já estava pronto para conhecer minha outra metade, e testava secretamente as garotas que conhecia: será que ela serve para futura esposa?

Até agora, todos os testes davam negativo.

Eu ingenuamente me achava um grande psicólogo e conhecedor do caráter feminino, capaz de enxergar fundo e longe, mas na verdade era mais simples: eu simplesmente ainda não tinha amado ninguém, e nem imaginava que amor e cálculo racional são coisas diferentes.

A rotatividade na equipe era alta: as garotas casavam, saíam de licença maternidade, ou pediam demissão por capricho.

E, para ser sincero, nossa empresa não era das melhores em salário e prestígio, embora meu cargo fosse bem pago, as garotas tinham salários muito baixos.

Por isso, as novas funcionárias que chegavam para substituir as antigas não surpreendiam ninguém.

Fui apresentar-me e explicar os pontos de interação: as meninas daquele departamento recebiam dados estatísticos das subdivisões, processavam e me passavam, e eu preparava um relatório geral para a chefia.

Parecia simples — passar a estatística diretamente das subdivisões — mas era só aparência.

As senhoras no local entendiam bem os relatórios em papel, mas se perdiam completamente ao tentar converter para computador; os programas travavam, elas ligavam para nosso técnico de informática, faziam as mesmas perguntas, que ele tinha que explicar várias vezes por telefone para senhoras que não entendiam nada de computador e tinham medo deles.

O técnico enlouquecia com as perguntas que achava estúpidas e ameaçava pedir demissão.

Então a chefia mostrou criatividade: retiraram os computadores das senhoras nas subdivisões, e em nosso escritório contrataram garotas jovens, expertas em transmissão de dados pela internet, e tudo se resolveu: as meninas recebiam os relatórios por telefone, os convertiam em computador e passavam adiante.

Cada um fazia o que sabia, e o processo andou.

Soube que a nova se chamava Katia, tinha 23 anos, era divorciada, tinha uma filha de 5 anos que criava sozinha.

(RSP, como desprezivamente chamam essas no mercado de noivas.)

Fiz uma careta: começariam as licenças médicas para cuidar da filha e outras alegrias.

Conversei sobre isso com Tatiana, chefe do departamento feminino, e fui conhecer essa tal Katia.

Parecia não ter mais que 19-20 anos, e tinha um ar meio perdido.

Mostrei a ela alguns pontos do trabalho, pedi para me procurar em caso de dúvidas, para prestar atenção nas responsabilidades e não errar, recebendo em resposta um olhar tímido, mas agradecido, com olhos azuis surpreendentemente brilhantes.

Os dias de trabalho correram normalmente.

A nova dava conta do serviço, não cometia erros evidentes.

Também não havia problemas com a filha: descobri que a avó (mãe da Katia) morava perto e podia ajudar em caso de doença da criança ou fechamento do jardim de infância.

Por algum motivo, nossas garotas não gostaram da nova.

Não é que a odiavam, mas não a reconheceram como uma das suas.

Objetivamente, não podiam reclamar dela: trabalhava direito, não deixava ninguém na mão, era modesta.

O status de RSP também não era motivo de antipatia: pelo menos duas das nossas funcionárias tinham esse status e não tinham problemas por isso.

Eu não me envolvia muito nas voltas da psicologia feminina, para mim o principal era o trabalho bem feito, e quem gostava ou não de quem não era problema meu.

Naquele dia, saí do escritório um pouco mais cedo para visitar uma subdivisão e esclarecer umas dúvidas.

Começou uma chuva chata de outono, às vezes fraca, às vezes forte.

Num intervalo, passando perto do ponto de ônibus, vi uma figura conhecida correndo para lá: era Katia com a filha.

Não vi guarda-chuva nas mãos delas, e a chuva parecia pronta para cair forte sobre os pedestres desprotegidos.

Me aproximei da calçada, abaixei o vidro e chamei baixinho: “Katia!”.

A jovem mulher primeiro deu um pulo instintivo para o lado da rua, depois reconheceu meu rosto e relaxou um pouco.

— Entrem, meninas, — sorri, abrindo a porta traseira, — eu dou uma carona, porque daqui a pouco a chuva vai cair forte…

— Ai, para quê? A gente vai de ônibus! — Katia ficou sem jeito.

— Mãe, não seja chata! O tio ofereceu carona, e você inventa uma coisa estranha!

Katia sorriu meio sem jeito, mas não contestou a filha.

Entraram no carro, e a chuva começou a cair forte.

— Para onde vamos? — perguntei.

— Para que lado você vai? A gente mora na Gimnazicheskaya, mas se não for para lá…

— Gimnazicheskaya, então! Para lá vou! — menti um pouco.

— Uhul, estamos indo para o mesmo lado! — a menina gritou feliz, passando seu rostinho cheio de sardas entre os bancos da frente.

— Qual seu nome?

— Filhinha, você sabe que tem que falar “senhora” para os mais velhos?

— Mas você fala “você” para o tio? Por que eu não posso?

— Porque ele é mais velho que você.

E a gente se trata de “você” porque nos conhecemos e trabalhamos juntos.

— Ele é seu chefe?
— Não, só um colega, — Katia ficou envergonhada por algum motivo.

— Eu me chamo tio Sasha, — sorri, e, como estávamos parados no semáforo, estendi a mão para um cumprimento, esquecendo totalmente que era uma menina pequena, não uma adulta.

— Uau, tio Sasha! — a pequena gritou feliz e bateu na minha mão.
— Eu também me chamo Sasha, mas não sou tio! Mãe, você ouviu? O tio e eu temos o mesmo nome!

— Então, qual o número na Gimnazicheskaya, qual esquina? — sorri.

— Número 8, esquina da Trofimov.

— Ei, espera! E a loja? Você queria me comprar um docinho! — protestou Sasha.

— Na verdade, quem queria comprar o docinho era você, estava me chantageando, — sorriu Katia, — eu queria comprar algo mais saudável para o jantar.

Sasha, muito obrigado por nos dar carona, estamos indo para casa, eu depois vou comprar o que for preciso.

— Se quiser, não tenho pressa, posso esperar vocês na loja e depois levar para casa!
— Não, Sasha, obrigado, não precisa! Já te sobrecarregamos o bastante.

— Vai, minha filha, desce logo, enquanto a chuva dá uma trégua, por hoje as voltas acabam aqui!

Havia algo no tom dela… meio categórico, sabe?
Quis oferecer comprar um docinho para Sanka por minha conta, mas senti que seria demais.

A menina também não insistiu, ficou um pouco triste, mas saiu do carro sem escândalo.

Esse episódio não teve continuação direta: levei as meninas no carro mais algumas vezes — uma vez por acaso na cidade, outra vez combinando o encontro.

Tudo era muito gentil, eu e Sasha conversávamos animadamente, Katia fingia acreditar na coincidência dos encontros, mas não fomos adiante.

Sugeri encontros a sós, mas ela evitava o assunto delicadamente, e eu não insisti: sim, gostava dela, gostava muito da filha, mas não havia sentimento profundo entre nós.

Não queria um caso simples, lembrando da verdade que meu pai me ensinou, e para um romance sério era preciso superar fortes obstáculos: eu era livre, solteiro, tinha emprego e moradia, em suma, um partido desejado.

Mas Katia, apesar de tudo — mãe solteira, RSP, em apartamento alugado, sem educação superior e trabalho sério.

Minha família e círculo certamente rejeitariam essa união, e fariam de tudo para destruí-la.

Com força de vontade e sentimento forte de ambos os lados, talvez tivéssemos superado a rejeição geral, mas infelizmente faltava sentimento e vontade…

Katia e eu continuamos amigos, e um ano e meio depois me casei com a modesta estudante Olya, formamos uma família forte, tivemos um filho e somos felizes.

Pelo que ouvi, Katia e Sanka também encontraram um homem adequado, divorciado e que bebe pouco, eles teriam ido embora, e eu não sei mais nada deles.

Ainda me arrependo de nunca ter comprado um docinho para Sanka, nem naquela vez, nem depois…