Margarida não podia acreditar no que via quando encontrou o marido no aeroporto com uma jovem loira desconhecida…

— Liocha, tenho ótimas notícias! Leste a minha mensagem? — exclamou ela alegremente, entrando no apartamento.

— Liocha, onde estás?! — chamou ela de novo, preocupada.

Em resposta, ouviu-se uma tosse forte e forçada vinda da casa de banho.

— Liocha, o que se passa contigo? — Margarida abriu a porta bruscamente.

— Sim, recebi… Estou mesmo a desfalecer, — murmurou Alexei, limpando o suor da testa e segurando o estômago.

— Que pena, consegui pacotes de viagem para a Tailândia para o fim de semana… — disse ela com frustração.

— Vamos ver como me sinto, — resmungou o marido e estendeu-se no sofá.

Durante toda a noite Margarida não saiu do lado dele: trazia chá, verificava a testa, cobria-o com a manta — por vezes, isso começava a irritar Alexei.

— Ainda bem que estás de férias, — sussurrou ela, tocando-lhe na testa com os lábios.

— Vais descansar, recuperar forças…

Dois dias depois, Alexei disse que, embora estivesse um pouco melhor, ainda se sentia mal.

— Ainda não estás melhor? — perguntou ela, sentando-se ao seu lado no sofá.

— Nem por isso, — gemeu ele, suspirando pesadamente.

— Traz-me água, as perguntas só pioram.

Enquanto Margarida ia à cozinha, ele rapidamente pegou no telefone, enviou uma mensagem e escondeu o aparelho antes que ela voltasse.

— Mediste a temperatura? — perguntou ela, entregando-lhe uma caneca.

— Estava a 37,5, — respondeu ele com ar sombrio.

— Vais ter de ir sozinha…

— Sozinha? Não posso deixar-te, — surpreendeu-se a esposa.

— Os pacotes vão-se perder, — murmurou ele.

— Vai, aproveita por nós os dois.

Vou pedir à minha mãe para cuidar de mim.

— Não me sinto bem a viajar sozinha.

E se piorares? — Margarida ajeitou o cobertor com cuidado.

— Chama uma amiga ou a tua irmã.

Não deixes os bilhetes perderem-se.

Mereces descansar, eu… não consegui.

Cortaram-me o salário, nem esperava.

Não demorou muito até que ela aceitasse e começasse a fazer as malas.

— Vou com a Alina, ela está entusiasmada, — disse ela ao marido antes de partir.

— Boas férias para vocês, — respondeu ele, visivelmente contente.

Margarida estava ocupada com os preparativos e não reparou na alegria do “doente”.

No dia seguinte, a irmã foi buscá-la e elas foram para o aeroporto.

Assim que a porta se fechou, Alexei saltou e agarrou o telefone.

— Não grites! Eu disse que não podia falar! Mandei a minha mulher para a Tailândia, — sussurrou ele.

— Nós vamos para a Turquia.

O voo é daqui a cinco horas.

Encontramo-nos à entrada do aeroporto.

Desligou e começou freneticamente a fazer a mala.

— Onde é que a Margo escondeu os meus calções?! — resmungou ele, revirando o armário.

Uma hora depois, já estava pronto e sem nenhum sintoma.

Três horas depois, já ia de táxi com a mala a caminho do aeroporto.

À entrada esperava-o uma loira elegante.

Ao ver Alexei, ela largou a mala e correu para ele.

— Estou à tua espera há meia hora! — disse ela com reprovação, ajeitando o cabelo.

— Porque demoraste tanto? Não vamos perder o voo?

— Não, — resmungou Alexei.

Ele não gostava quando Milana começava a reclamar.

Conheciam-se há apenas dois meses — Milana estava a estagiar no departamento dele e logo notou o homem casado e bem-apessoado.

O facto de ele usar aliança não a incomodou: insistiu, e um dia ele cedeu.

Começaram a sair em segredo.

Milana era cinco anos mais nova e envolvia-o com a sua energia.

No mesmo dia em que Margarida comprou os pacotes de viagem, Milana contou-lhe da sua “grande compra” — só que algumas horas antes.

Ela convenceu-o a pagar a viagem, e Alexei ficou a pensar em como se livrar da esposa.

De repente, teve uma ideia genial — ou assim lhe pareceu: fingir-se doente.

Teve sorte — Margarida concordou em viajar com a irmã.

Alexei tinha a certeza de que tinha tudo sob controlo.

Pegou na mala de Milana e entraram juntos no aeroporto, subiram ao segundo andar, despacharam as malas.

— Estou bonita? — sussurrou Milana com voz sedutora.

— Estás normal, — resmungou ele, adivinhando que ela estava insegura.

— Tens a certeza? Aquelas duas vassouras estão a olhar para mim, — apontou ela.

Alexei virou-se automaticamente — e deixou cair a mala.

A dez metros estavam Margarida e Alisa.

Os seus olhos estavam fixos em Alexei e na loira.

— Então é assim que estás doente, hein? — disse Margarida friamente, dirigindo-se a ele.

— Porque não foste embora? — soltou Alexei, dizendo a primeira coisa que lhe veio à cabeça.

— O voo atrasou.

E ainda bem! Senão teria perdido este espetáculo, — disse Margarida, cravando nele um olhar gelado.

— E quem é esta?

— Só uma conhecida, — murmurou Alexei, empalidecendo.

— Querido, o que se passa? — interveio Milana, fazendo beicinho e ajeitando o cabelo.

— Mais uma com viagens quentes?

— Esta é a esposa, — cortou Margarida.

— Ou melhor, ex-esposa.

Alina, o nosso voo foi anunciado, vamos! — disse ela, agarrando a irmã pela mão e afastando-se decididamente.

Alexei, percebendo imediatamente o tamanho do desastre e que mentir já não servia de nada, suspirou fundo, pegou na mala e sussurrou ao ouvido de Milana:

— Acabou, vou para casa.

Diverte-te sozinha.

Ele esperava que, depois das férias, Margarida se acalmasse e talvez o perdoasse.

Mas aconteceu o contrário.

Assim que ela entrou no apartamento, disse:

— Faz as malas e sai.

Imediatamente.

— Espera, posso explicar! — tentou ele ganhar tempo.

— Não preciso da tua explicação, — interrompeu Margarida com voz fria.

— Sabes, uma vez ouvi uma frase: “Não deixes os ouvidos acreditarem no que os olhos não viram.”

E eu vi tudo.

Portanto, não há nada para explicar.

Pelo tom dela, Alexei percebeu — era o fim.

Algumas horas depois, já estava a sair com a mala.

Um mês depois, o casamento terminou oficialmente com o divórcio…