A princesa casou-se com o filho de um pastor da Trácia.
Ela tinha mais de cinquenta anos e nunca havia estado sozinha com um homem.

Pulquéria, filha do imperador de Bizâncio, sabia surpreender! E, é preciso dizer, este não foi nem de longe o único ato incomum de sua vida.
…A filha do general era como uma estrela brilhante.
Assim que a viu, o imperador não resistiu.
Sim, lhe ofereceram outras noivas, de linhagem mais nobre, mas Arcádio preferiu justamente Eudócia… Assim, em 27 de abril de 395, a cabeça da bela loira foi coroada com um diadema resplandecente.
Logo, Eudócia cumpriu seu principal papel como imperatriz – deu herdeiros a Bizâncio.
O casal governante teve quatro filhas e um filho.
O imperador, de baixa estatura e doente, adorava sua esposa deslumbrante.
Visitava seus aposentos com uma frequência invejável, por isso Eudócia engravidou novamente.
“Vós vedes pouco, ouvis pouco…” – censurava-o com raiva Sinesio.
“Vós alegrais-vos apenas com os prazeres carnais… A vossa existência é semelhante à de um pólipo.”
Tudo terminou rápida e vergonhosamente.
Em 404, mais um parto custou a vida da bela Eudócia.
Seu inconsolável marido morreu quatro anos depois.
Pequenas crianças e um império inteiro – foi o que restou dele.
E o que fazer nesse caso?
— Eles são jovens demais, — balançou a cabeça o prefeito Antêmio, — mas reuniremos um conselho de regência, que governará em nome do jovem imperador Teodósio e de suas irmãs.
Adultos às vezes são demasiadamente arrogantes.
Acham que, ao seu lado, há apenas criaturas insignificantes, só porque são jovens… Antêmio e seus semelhantes não levavam a sério os filhos do falecido imperador.
Tomavam decisões em nome deles, mas Teodósio e as princesas não eram convidados para nenhuma cerimônia importante.
Os nobres achavam que tinham muitos anos de governo autônomo pela frente… Mas em 414, a jovem princesa Élia Pulquéria Augusta de repente declarou alto suas pretensões ao trono.
Ela completava quinze anos e era extremamente ambiciosa!
Imaginem uma moça nascida na mais inacreditável opulência.
Desde o nascimento, era cercada por hordas de servos obedientes.
Além disso, era uma princesa “porfirogênita”! Se os filhos do governante nascessem após sua ascensão ao trono, eram considerados especiais.
Mais importantes que os demais.
Pulquéria – diziam – era muito bela.
Não tanto quanto sua mãe, mas ainda assim muito atraente e graciosa.
E além disso, era inteligente, astuta, extremamente confiante e notavelmente instruída.
Sabia de cor inúmeras obras de autores antigos.
Entendia de história e política, por isso declarou sem hesitar:
— Eu serei regente do meu irmãozinho.
Tenho mais direito a isso.
Decidiu-se então recorrer ao… Senado.
E ele confirmou os direitos de Pulquéria! Em 4 de julho de 414, inesperadamente para todos, a jovem de quinze anos foi proclamada Augusta.
Desde então, tornou-se governante do império e concentrou um enorme poder em suas delicadas mãos enfeitadas com anéis.
Nesse mesmo ano, foram cunhadas moedas com sua imagem, e todos deveriam honrar Pulquéria tanto quanto a própria imperatriz…
— Ela trará um homem para seus aposentos, — ouviam-se vozes indignadas, — depois terá um filho e se livrará do irmão, o legítimo soberano!
Mas Pulquéria respondeu até a isso, sem pestanejar.
Naquele mesmo dia, a princesa anunciou publicamente: ela permaneceria virgem para sempre! Com alegria fazia o voto de castidade e se comprometia a servir à império e a Deus! Suas palavras pomposas foram recebidas com aclamação entusiástica.
Oh, essa moça sabia dar passos certeiros!
Assim, Pulquéria jurou permanecer virgem.
Todas as manhãs começava com orações e encerrava seu dia da mesma forma.
Era extremamente rigorosa com os servos e com seus familiares.
Cuidava para que as irmãs mais novas e o irmão-imperador recebessem uma boa educação e fossem bem formados.
E, naturalmente, a maior parte de seu tempo era dedicada aos assuntos de Estado.
“Tendo assumido as responsabilidades do governo, — escreveu sobre ela o advogado e historiador bizantino Sozómeno, — Pulquéria administrava o mundo romano com excelência e muita sensatez, fazia boas decisões, resolvia com presteza, esforçava-se para falar e escrever corretamente em latim e grego, e atribuía toda glória ao seu irmão.”
Mas os anos passaram rapidamente.
O jovem Teodósio cresceu e se tornou homem.
Chegara a hora de lhe arranjar uma noiva, e Pulquéria decidiu cuidar disso pessoalmente.
Ela achava que a futura esposa do imperador não precisava ser nobre, mas deveria ser bonita e inteligente.
Exatamente como sua falecida mãe… E, após longos meses de busca, os olhos de Pulquéria repousaram sobre Athenais.
Era uma jovem encantadora, filha de um filósofo.
Nascida pagã, ela aceitou com alegria tornar-se cristã.
Sim, Athenais era seis ou sete anos mais velha que o noivo previsto.
Mas que raciocínio sensato ela tinha! Que prazer era ouvi-la! Pulquéria ficou cativada.
— Se eu fosse homem, — disse ela certa vez, — lutaria pelo coração da bela Athenais.
Com a bênção da princesa-governante, Athenais foi batizada com o nome de Eudócia e em 4 de junho de 421 casou-se com o imperador Teodósio.
No ano seguinte, ela teve uma filha, e depois outra… Sua posição se consolidava, ela se tornava uma mulher cada vez mais influente.
E Pulquéria começou a franzir a testa.
Antes dócil e obediente, a jovem passou a portar-se com altivez e até arrogância.
Chegou ao ponto de ambas serem igualadas em direitos.
Duas Augustas no mesmo palácio! O confronto era inevitável.
— Já é hora dela se retirar, — disse imprudentemente Eudócia, — ela já cumpriu seu dever, não? Agora o imperador Teodósio tem idade suficiente para reinar.
Então o que sua irmã ainda faz no palácio?
Claro que essas palavras chegaram aos ouvidos de Pulquéria.
E ela ficou furiosa! Eudócia insinuava diretamente que a princesa deveria ir para um convento.
Afinal, Pulquéria prometera a si mesma a Deus… Fizera o voto de castidade.
Então, que fazia ainda na residência de Constantinopla?
— Ela ainda vai pagar por isso, — rosnou Pulquéria.
Mas teve de deixar a capital do império – Teodósio era como cera nas mãos de Eudócia.
Temendo o pior, Pulquéria não esperou ser exilada ou presa…
…E alguns anos depois, Pulquéria estava de volta ao palácio.
A mesma Eudócia, que ela própria escolhera para seu irmão, foi acusada pelo marido de quebrar os votos matrimoniais.
Alguns acham que tudo foi orquestrado por Pulquéria, mas a história registrou a seguinte versão:
“Um pobre homem trouxe ao imperador uma maçã extraordinariamente grande e bela.
O soberano, impressionado, deu ao homem 150 nomismas e enviou a fruta à sua esposa, Eudócia.
E ela simplesmente entregou o fruto ao mestre Paulino, amigo do imperador.
Naquele momento, Paulino estava em casa, pois estava doente.
Vendo tal presente incomum, decidiu agradar o imperador e… devolveu a maçã maravilhosa a ele.
Claro que Teodósio reconheceu o presente!
A imperatriz foi imediatamente convocada, Paulino foi executado e Eudócia, exilada.”
Agora Pulquéria se tornava a principal conselheira de seu irmão.
Teodósio arrependeu-se de ter duvidado dela e escutado sua traiçoeira esposa.
Parecia que a harmonia havia voltado à família… Mas em julho de 450, durante um passeio a cavalo, o imperador caiu e morreu.
Não foi a primeira nem a última vez que isso aconteceu na história.
O império estava novamente sem governante.
Um mês e meio após a morte de Teodósio, as funções de governar Bizâncio foram oficialmente atribuídas novamente a Pulquéria.
Não havia mais ninguém próximo ao trono.
Desta vez, ela não era regente, mas imperatriz de verdade!
Ela tinha 51 anos.
Virgem por toda a vida, conhecedora das intrigas da corte, Pulquéria sabia que precisava de apoio.
Precisava de um homem ao seu lado para compartilhar o peso do governo.
— Mas ela fez votos! – cochichavam em Constantinopla.
— Como ela pode!
A escolha de Pulquéria recaiu sobre o general Marciano, cuja origem era extremamente humilde – filho de um simples pastor!
A nova imperatriz considerava Marciano um homem inteligente e digno de poder, mas impôs-lhe uma condição importante:
“Respeitarás minha virgindade, prometida a Deus, e eu te farei rei.”
Claro que Marciano aceitou.
Foi um casamento de conveniência, e os cônjuges não tinham grandes exigências entre si.
A imperatriz virgem governou o império por mais três anos, até chegar sua hora de encontrar a Eternidade.
Pulquéria partiu em paz: construiu três igrejas e legou imensas riquezas aos pobres.
Marciano governou sozinho por mais quatro anos, e quando também faleceu, o novo governante de Bizâncio foi escolhido entre os generais.
Eudócia, que preferia passar o tempo em Jerusalém, apenas sorriu ao saber dessa confusão.
Afinal, ela sobreviveu ao marido e à odiada Pulquéria.
A propósito, Pulquéria foi depois canonizada…







