Não, toda a caridade acabou! Não haverá mais comida nem água para vocês, — disse secamente o genro, apontando para a porta.

— Agora vamos ser vizinhas! — anunciou com entusiasmo a irmã mais velha para Inessa.

— Eu e o Mítia finalmente compramos aquele apartamento.

Vamos nos ver com muito mais frequência!

— Que bom, — respondeu Inessa com moderação, forçando um sorriso no rosto.

Na verdade, ela não sentia muita alegria com a ideia de Uliana morar tão perto.

Inessa lembrava-se muito bem do quão egoísta e sem cerimônia sua irmã podia ser.

Uliana não hesitava em usar os parentes para benefício próprio, e muitas vezes isso causava brigas entre as irmãs — especialmente quando a mais nova finalmente decidia impor limites.

Certa vez, houve um conflito porque Uliana achou que, por Inessa ter acabado de se formar como professora, deveria cuidar dos filhos dela de graça.

A princípio, Inessa concordou em ajudar, mas, percebendo que não sobraria dinheiro para suas próprias necessidades, pediu à irmã que encontrasse outra solução.

Uliana viu isso como traição e acusou a irmã de ser insensível e amar mais o dinheiro do que a família.

As irmãs não se falaram por seis meses, mas depois da morte da avó, a relação delas começou a melhorar pouco a pouco.

Aos poucos, voltaram a manter contato, e então Uliana de repente anunciou que em breve seriam praticamente vizinhas.

No início, Inessa achou que fosse uma piada, mas logo percebeu que a irmã falava sério.

— Você está mesmo feliz? — perguntou Uliana com um certo receio.

— Hoje vamos visitar vocês!

Inessa quis protestar, mas vendo a insistência da irmã, ficou calada.

Victor soube das difíceis relações entre as irmãs logo no início do relacionamento.

— Hoje a Uliana vem nos visitar, — disse a esposa assim que ele entrou em casa.

— O quê? Por quê? Achei que vocês não se falavam, — franziu a testa Victor.

— De onde vêm essas relações tão calorosas de repente?

— Ela e o marido compraram um apartamento aqui perto, — explicou Inessa.

— Que morem até no prédio ao lado.

Mas vocês mal se falavam antes! E agora — visita, amizade? Não dá pra acreditar, — disse o homem, olhando para ela com dúvida.

— O que eu ia fazer? Recusar? Como eu explicaria isso? — Inessa ficou confusa.

— Ia ficar estranho…

— E por que antes se magoava? Decidiu aceitar tudo de novo e deixá-la se comportar como quiser? — Victor estalou a língua com frustração.

— Vai ficar tudo bem, — tranquilizou Inessa.

— Desta vez eu não vou ceder.

Eles não conseguiram continuar a conversa — às oito em ponto soou a campainha.

Inessa correu para abrir a porta, e pelos cumprimentos calorosos ficou claro para Victor: era Uliana.

— Ai, que desgraça — o prédio inteiro está sem água quente.

Posso tomar banho aqui? — perguntou ela, já olhando para o banheiro.

— Inessa, prepara um banho pra mim, com bastante espuma, gosto quando é bem cheio.

E enquanto isso — chá.

O que vocês têm de gostoso aí?

A irmã mais nova ficou tão confusa com tamanha insistência que saiu em silêncio para cumprir os “pedidos” da irmã.

Victor observava com irritação a esposa mais uma vez se moldando ao comportamento de Uliana, como se esquecesse seus próprios limites.

Assim que o banho ficou pronto e Uliana foi se lavar, ele se aproximou de Inessa.

— Você entendeu o que acabou de acontecer? Obedeceu de novo, como se fosse por ordem? — perguntou ele com um sorriso irônico.

— Quando é que você vai perder a paciência?

— E daí? Tomou banho — pronto, — respondeu Inessa, fazendo um gesto de desprezo.

Enquanto Uliana secava o cabelo com a toalha da irmã, ela se sentou à mesa.

— O que tem de bom pra comer? — perguntou sem cerimônia, e começou a mexer nas panelas no fogão.

— Oh, almôndegas?! Isso é perfeito! — exclamou, pegando os bifes fritos com as mãos.

— Talvez devesse ter perguntado antes? — não aguentou Victor.

— E não pegar como se fosse casa alheia?

— Ficou com pena da almôndega? — Uliana jogou o pedaço mordido de volta na frigideira.

— Agora entendi por que não nos damos bem, Inessa.

É tudo culpa do seu marido! Ele vira você contra mim! — declarou, pegando a almôndega novamente e comendo até o fim.

— Pensa bem no que está acontecendo.

Com essas palavras, jogou a toalha molhada na cadeira e foi secar o cabelo no banheiro.

— Por que ficou calada? Concorda com ela? — perguntou Victor surpreso à esposa.

— O que eu deveria dizer? — deu de ombros Inessa.

Quando Uliana finalmente foi embora, o clima na casa ficou tenso.

Victor estava frustrado por a esposa não tê-lo defendido, permitindo que a irmã o insultasse dentro da própria casa.

No final da semana, a paz voltou à família.

Mas não durou muito — na sexta-feira, Uliana apareceu novamente à porta.

Dessa vez, não veio sozinha.

Trouxe o marido Leôncio e os dois filhos.

— Ainda estamos sem água quente, — anunciou ela ao entrar.

— Crianças, eu vou tomar banho primeiro!

— Estamos com fome! — gritaram os meninos e correram para a cozinha, ignorando os donos da casa.

— O que tem aí? — gritou Uliana para eles.

— Batata frita! — responderam as crianças e começaram a pegar a comida com as mãos, fazendo barulho com os pratos.

Inessa só recobrou os sentidos alguns minutos depois.

Ela tossiu alto e entrou na cozinha.

— Ninguém ensinou vocês a pedir permissão antes de pegar as coisas? — perguntou ela severamente, mas os sobrinhos apenas lhe mostraram a língua e continuaram comendo.

Enquanto isso, Leôncio tirou um cigarro, sentou-se num banquinho no corredor e acendeu.

— Aqui não se fuma! — Victor arrancou o cigarro da mão dele.

— É só um pouquinho… — murmurou Leôncio, fazendo careta.

— Vai fumar lá fora, — disse o dono da casa com firmeza.

— Recolhe as crianças e vão embora.

Chega de abusar da nossa bondade!

— O quê? — ficou confuso o genro, coçando a cabeça.

— Eu disse — pra casa! Vou contar até cinco.

Depois começo a carregar vocês um por um! — Victor o olhou com tanta determinação que ele logo entendeu que não era brincadeira.

Leôncio imediatamente gritou com as crianças, e elas, como se estivessem treinadas, já estavam ao lado dele.

Em poucos segundos, todos os três desceram correndo as escadas.

— Foram embora? — perguntou Inessa baixinho para Victor.

— Sim, — ele assentiu.

— Agora apresse sua irmã também.

Meia hora depois, Uliana saiu do banheiro satisfeita.

— Leôncio, vem aqui! — chamou, sacudindo a água do cabelo no chão.

— Ele foi embora! — Victor apareceu diante dela.

— E agora é sua vez.

— Como assim foi embora? E as crianças? — Uliana entrou em pânico, olhando ao redor.

— Foram embora.

Comeram e saíram! — Victor bloqueou a passagem.

— Agora é sua vez.

— Não, — fez beicinho ela.

— Vou tomar chá, comer, me secar e depois ir.

— Não, — disse Victor com firmeza.

— Nossos “serviços” acabaram.

Sem mais comida nem água pra vocês.

Sua irmã não consegue te parar, mas eu consigo.

Você não tem mais nada a fazer aqui.

Uliana ficou confusa no início, sem entender o que estava acontecendo.

Mas, ao perceber o que foi dito, começou a gritar, acusando Inessa e Victor de serem mesquinhos e insensíveis.

— Fica sabendo, Inessa, nunca teremos paz enquanto você estiver com ele! — gritou Uliana.

— Você devia se separar, ele te controla!

— Me separar para que você mande em tudo? Nem sonhe! — respondeu Victor friamente.

— Fora daqui!

A mulher lançou um olhar raivoso para ele, cuspiu para o lado e saiu batendo a porta.

Desde então, Uliana nunca mais apareceu.

Ela até evitava passar perto da casa da irmã, como se nunca tivesse tido a intenção de se tornar vizinha…