«Marido-parasita comeu um ano inteiro às minhas custas, enquanto juntava dinheiro para a casa da mamã dele — no restaurante enfiei-lhe as malas e despejei-lhe a sopa na cara.»
O pedido dela… Isso é o cúmulo da cara de pau.

— Encolha esse beiço e saia já da minha casa! — Larissa abriu bruscamente a porta da entrada.
— O seu filho já está há um ano pendurado no meu pescoço.
E agora a senhora quer colocar a família inteira sobre os meus ombros frágeis?
O traseiro dele não vai rachar, por acaso? — A nora atirou o casaco para cima da sogra espantada.
— Perdeu totalmente a noção dos limites, ou quando Deus distribuía consciência, a senhora entrou na fila da ousadia? — A nora olhou para Elena Igorevna com desprezo.
— Larissa, mas como é que fala assim? — resmungou a sogra, que nem pensava em ir embora.
— Custa assim tanto ajudar o irmão do meu marido? Dinheiro é o que não lhe falta. — Elena Igorevna lançou um olhar ao luxuoso interior da sala moderna.
— Sim, eu tenho dinheiro, mas a senhora tem a ver com eles tanto quanto a neve tem a ver com o deserto do Saara. — Disparou Larissa. — Por que raio eu deveria pagar a reforma do irmão do meu marido? Ele é inválido, por acaso?
— Larissa, ele está em dificuldades agora. Há três meses que não consegue encontrar trabalho…
A reforma da casa ficou pela metade. Vivem com uma criança pequena no meio da obra. — A sogra suspirou pesadamente, como de costume.
Quando Elena Igorevna pedia dinheiro à nora, suspirava sempre de forma dramática e queixava-se amargamente da vida.
Normalmente, Larissa não recusava. Discutia, resmungava, mas no fim transferia a quantia pedida.
Mas desta vez algo correu mal. A esposa do filho recusou-se terminantemente a ajudar.
Naquele dia, pela primeira vez, a sogra ouviu um “não”.
— Não é problema meu se o seu outro filho é preguiçoso e vadio. Diz que não consegue arranjar trabalho… — Larissa continuava parada à porta.
— Como se para mim o dinheiro caísse do céu. — Larissa apertou os lábios.
— Alguma vez pensou que cada vez que me pede para comprar alguma coisa, eu tenho de trabalhar mais? Já pensou nisso?
— Larissa, eu nunca te pedi nada. Só coisinhas pequenas… — Elena Igorevna pousou o casaco no móvel do corredor. — Uma vez na vida pedi algo realmente importante.
E… veja só… recusa. — Quis acrescentar mais, mas a nora interrompeu.
— Uma vez na vida? — Larissa arregalou os olhos. — No mês passado comprei-lhe a máquina de lavar.
Dois meses atrás dei-lhe cinquenta mil para as férias. Para o seu marido comprei pneus de inverno em outubro. Isso é “uma vez na vida”?
A sogra hesitou, e a nora continuou.
— Ou será que para si ajuda só começa quando eu tiver de lhe dar mais de um milhão? — acrescentou, sem esconder a irritação.
— Já chega! Quanto mais tempo fica aqui, mais me irrita. — Larissa aproximou-se rapidamente de Elena Igorevna, agarrou no casaco, enfiou-o nas mãos da sogra e praticamente a empurrou para fora de casa.
— Vou contar tudo ao teu marido. Olha só como tratas a mãe dele. Negaste dinheiro a um parente de sangue! — sibilou a sogra e desapareceu no elevador.
— A senhora não é meu parente de sangue! — gritou Larissa atrás dela. — E a este ritmo o seu filho também vai deixar de ser. — E bateu a porta.
— Incrível… Perdeu mesmo a noção. — Eu não vou sustentar a família dela. Julgam que encontraram uma idiota. — Larissa abriu a janela para arejar o cheiro forte do perfume da sogra.
A mulher pegou num livro, começou a ler distraidamente e nem percebeu como as horas passaram. E depois começou a parte mais interessante.
Às oito, voltou do trabalho Nikita, o marido de Larissa. Ao contrário do irmão, Nikita trabalhava. Mas o salário mal chegava para as compras de supermercado.
Nikita preferia usar o dinheiro da esposa. Fazia isso de bom grado e sem o menor remorso.
A vontade de viver às custas dos outros, provavelmente, herdara da família.
— Larissa, por que não ajudaste a minha mãe? — Assim que entrou, Nikita atacou a esposa.
— Como assim? — Larissa levantou os olhos do livro e olhou interrogativa para o marido.
— Assim mesmo… A minha mamã pediu-te dinheiro para a reforma do apartamento do meu irmão, e tu a expulsaste.
E ainda disseste horrores. — O homem entrou na sala com ar de desagrado. — Perdestes o juízo?
— Espera aí… Estás a defendê-la? Tu achas mesmo que eu devo financiar a reforma do teu irmãozinho? — Larissa fechou o livro com força.
— Todos estamos a contribuir para ajudá-lo. São valores familiares. Somos família e devemos ajudar-nos. — O marido sentou-se no sofá entrelaçando as mãos.
— Os meus pais deram dinheiro, os pais da mulher dele também, eu dei dinheiro… agora é a tua vez.
— Que interessante… — Larissa sorriu ironicamente. — Então, para a máquina de lavar, os pneus de inverno e as férias, os teus pais não tinham dinheiro. Mas quando foi para a reforma do teu irmão, logo apareceu.
— E mais interessante ainda: onde encontraste tu o dinheiro?
Porque quando eu te peço para comprar alguma coisa ou pagar algo, fora as compras, tu recusas sempre. — Depois de uma pausa, acrescentou.
— Larissa, tu sabes que sou corretor… Às vezes ganho, às vezes não.
Ontem aluguei o apartamento e a primeira coisa que fiz foi mandar o dinheiro à minha mãe. — Nikita tirou o relógio, pousou-o na mesa e esticou a mão.
— Nikita, para ti é sempre “nada”. Em um ano nunca te vi trazer mais de quarenta mil por mês.
E eu ganho meio milhão todos os meses. — Larissa cruzou as pernas e recostou-se. — Entre nós há um abismo financeiro do tamanho da região de Moscovo.
— Há um ano que te sustento… Roupa compro eu, a tua dívida antes do casamento fui eu que paguei…
As férias no mar também foram com o meu dinheiro. Quem é o homem da casa? Tu és um gigolô? — Larissa fixou o marido com um olhar penetrante.
— Não sou gigolô nenhum, só que agora não tenho dinheiro. Mas depois vou ganhar milhões.
E o fato de não me teres apoiado hoje… não me vou esquecer. Quando o meu projeto estourar… — Nikita foi para o quarto.
Sem ter como responder, encerrou a conversa, deixando a última palavra consigo.
— Primeiro inventa o que é que vai estourar… Nem sequer consegues estourar ao ponto de me engravidar… — gritou Larissa amargamente. Já tinha trinta e cinco anos e sonhava com filhos. Mas Nikita, cinco anos mais novo, há um ano não conseguia ajudá-la nisso.
Nessa noite, a esposa decidiu deixar claro ao marido que a família dele não viveria mais às suas custas.
A mulher tirou do armário um conjunto de roupa de cama, abriu o sofá da sala e decidiu adormecer mais cedo.
E depois veio o verdadeiro choque.
Perto da meia-noite, Larissa acordou e foi à casa de banho.
No caminho percebeu que a luz da cozinha estava acesa… De relance viu o marido a sussurrar ao telefone com alguém.
— Não, ela não desconfia de nada. Estamos quase lá. Depois de amanhã já consigo entregar o dinheiro. Já quase juntei a quantia necessária.
A esposa ficou imóvel, ouvindo cada palavra. Quanto mais escutava, mais os olhos se arregalavam.
— Não te preocupes, tu és a pessoa mais importante da minha vida. Eu disse que ia resolver. Vai ficar tudo bem. — Murmurava baixinho o homem.
— Como assim? Eu não sou a mulher mais importante da vida dele? Ele tem outra? — Larissa, horrorizada, tapou a boca com a mão, enquanto Nikita continuava.
— Sim, juntei bastante este ano. Tens razão… Ir morar no apartamento da Larissa para acumular mais dinheiro… Foi uma ótima ideia. Obrigado mais uma vez pelo conselho. — O homem levantou-se e serviu-se de vinho.
Larissa percebeu que a conversa estava a terminar e, esquecendo-se da ida ao banheiro, correu de volta para a sala.
— Ele combinou algo com alguém…
— E combinou antes de casar comigo…
— Usou-me…
Larissa deitou-se no sofá. O coração batia mais forte que rodas de locomotiva… Um turbilhão de pensamentos rodava na cabeça…
— Ele precisa do dinheiro para alguma coisa…
— E durante todo esse tempo ele morou na minha casa, me dizia que não tinha dinheiro, mas na verdade estava economizando… Vivia às minhas custas…
— E quem é então a mulher mais importante na vida dele?
Larisa, magoada, começou a chorar. Um tremor nervoso percorreu todo o corpo da mulher.
Ela se atormentou até às quatro da manhã. Adormeceu com dificuldade e só acordou perto do meio-dia.
— O fato de eu me divorciar dele não está em discussão. Mas preciso descobrir o que esse idiota está escondendo de mim.
Nikita disse que amanhã iria depositar o dinheiro. Então amanhã eu preciso descobrir para onde. — pensou Larisa, indo tomar banho.
Durante todo o dia, Larisa cuidou da casa e de afazeres femininos… E à noite, quando o marido voltou da mãe, ela decidiu não levantar suspeitas.
Determinada a se divorciar, Larisa agiu como se nada tivesse acontecido.
Na segunda-feira, cancelando todos os compromissos, quando Nikita saiu para o trabalho, Larisa o seguiu discretamente.
No dia anterior, a mulher havia comprado um chaveiro com rastreador de localização e o escondido na bolsa do marido.
Larisa chamou um táxi e seguiu o marido. Nikita primeiro foi ao banco e depois chegou a um prédio de escritórios.
Larisa ficou no carro observando. Qual não foi sua surpresa quando, cinco minutos depois, viu a sogra entrando no prédio.
— Então a mãe dele está envolvida. Cobre o caso extraconjugal dele.
Maldita família… Agora vocês vão se dar mal…
O que estarão fazendo lá dentro? — Larisa olhava para o prédio confusa.
Quando Nikita e Elena Igorevna saíram do escritório, Larisa esperou alguns minutos e se aproximou da entrada.
— Gráfica, escola de dança… — começou a ler as placas das empresas no prédio.
— Venda de janelas — não, organização de casamentos — não, agência de traduções — não… — Larisa lia em voz alta e imediatamente descartava as opções erradas.
— Agência de modelos — não, estúdio fotográfico — também não serve…
— Senhora, estava procurando algo? — perguntou um segurança.
— Meu marido esteve aqui há pouco com a mãe dele. Esqueceram um documento. Vim buscá-lo… — improvisou Larisa.
— Eles estavam na empresa de desenvolvimento imobiliário. Você precisa ir ao setor de vendas de apartamentos. Me dê seu passaporte que farei uma credencial. — disse o homem educadamente.
O sobrenome de Larisa coincidia com o do marido. O segurança, sem suspeitar de nada, deixou-a passar e explicou para onde ir.
— Olá, meu marido esteve aqui agora com a mãe dele. Ele me pediu para pegar uma cópia dos documentos. Poderia imprimir, por favor? — disse Larisa, entrando no escritório.
— Claro… — respondeu a recepcionista, entregando uma pasta bonita.
— Apartamento de três quartos em um novo condomínio em Moscou… Oitenta metros quadrados… Entrada paga… Entrega em seis meses… Registrado em nome de Elena Igorevna… — Larisa, esperando o táxi, folheava os documentos em choque.
— Então é aqui que eles colocavam o dinheiro, enquanto eu os ajudava… Para mim Nikita não tem dinheiro, mas para a mamãe dele, claro! — Larisa apertou a pasta com raiva.
O carro chegou e Larisa pediu para ser levada para fora da cidade, à casa do irmão de Nikita.
— Aposto que lá não há reforma… Queriam apenas dar um grande adiantamento pela casa… — pensava Larisa olhando as fotos do condomínio.
— Então eles pagaram quatro milhões. Pobres parentes… Eu dava dinheiro para melhorar a vida deles, e eles fazem isso… — sem palavras…
— Oh, Larisa! Que surpresa! — disse o irmão de Nikita, confuso.
— Oi, estava passando por aqui. Meu telefone acabou a bateria… O motorista não tinha carregador e sua casa estava no caminho… Posso carregar aqui? — Larisa improvisou.
— Claro, entre… — disse o homem abrindo o portão.
— E aqui está a prova… — Larisa olhou para a casa reformada e aconchegante.
— Nikolai, sua mãe me falou da reforma… Mas vejo que você já terminou? — perguntou Larisa.
— Já no ano passado. Falta apenas o terceiro andar, mas não tem pressa… Chamarei um amigo e resolvemos rápido. Veja como ficou a sala de estar! — disse orgulhoso.
— Muito bem Nikita, agora acabou para você. — pensava furiosa Larisa, voltando para a cidade.
— Um ano inteiro me usando… Nunca vou te perdoar!
Entrando no apartamento, Larisa rapidamente colocou as coisas de Nikita em duas malas.
Em seguida, usando um aplicativo no celular, descobriu a localização do marido: um restaurante famoso em Moscou.
Colocou as malas no táxi e foi até o endereço. Não havia dúvidas: pela vitrine, viu o marido comemorando com a mãe.
Rangendo os dentes de raiva, Larisa entrou no restaurante, empurrando as malas até a mesa deles.
— Larisa? Você? O que está acontecendo? — perguntou Nikita, confuso.
Ela abriu a pasta e atirou os documentos sobre a mesa.
Caíram em um prato de sopa de frutos do mar: o caldo manchou a blusa branca da sogra e um camarão caiu na calça de Nikita.
— Vocês estão completamente loucos! — queria dizer Larisa, mas seu instinto a fez usar um termo muito mais ofensivo.
Uma grosseria ecoou pela sala. Os clientes ficaram paralisados, assistindo ao escândalo.
— Parasita, aproveitador, traidor… Você viveu um ano às minhas custas! Mentiu dizendo que não tinha dinheiro, enquanto comprava um apartamento para a sua mamãe! — disse, olhando Nikita com desprezo.
— E você? — disse para a sogra. — Uma verdadeira sanguessuga! Sugavam meu dinheiro quando podiam pegar um financiamento. Difícil que seu filho tenha ganhado quatro milhões sozinho em um ano.
— Eu comprei a máquina de lavar para ela, pneus de inverno para meu sogro, paguei as férias deles… — disse, dirigindo-se aos clientes. — Comprei celular, computador e roupas para esse idiota…
— E ele ficava mentindo que não conseguia trabalho, pedia dinheiro e escondia… Um ratinho nojento!
Nikita e a sogra tentaram responder, mas Larisa os calou.
— Silêncio! Ainda não terminei… — rugiu.
— Nikita, estamos nos divorciando! Vou contratar o melhor advogado e pegar tudo que você me tirou. Suas coisas estão nessas duas malas. — chutou uma das malas.
— Se tentar me ligar ou se aproximar de mim, eu te acerto… Não importa se você é homem e maior. Não se trata assim com mulheres. Nunca. Com nenhum homem. Muito menos com você! — Larisa expirou bruscamente.
— O almoço acabou! — disse, jogando a sopa na camisa de Nikita.
De cabeça erguida, saiu do restaurante, deixando um silêncio sinistro.
Larisa e Nikita se divorciaram. O advogado foi tão bom que o pai de Nikita teve que vender o carro para pagar a liquidação.
Nikita voltou a morar com os pais. Hoje passa o tempo em sites de namoro procurando uma nova mulher submissa e rica.
Que cuide dele. E da família dele.
O financiamento… Isso não se resolve rápido. Mas até agora Nikita não encontrou ninguém.
Seis meses depois, Larisa conheceu um homem bem-sucedido e independente, que cuidou dela como nunca imaginou. Tiveram uma filha. Dizem que Larisa está feliz no casamento.
Quando uma amiga perguntou recentemente sobre Nikita, ela respondeu:
— As pessoas entram na nossa vida por um motivo. Algumas trazem alegria, outras fortalecem o caráter.
E, após uma pausa, acrescentou:
Paciência… é boa, claro.
Mas a vida é curta demais para suportar por muito tempo aquilo que você não gosta.







