— Natasha, precisamos ir embora. Não podemos ficar. Não há nada a fazer. Ele viveu conosco por pouco tempo. Não fique triste, eu vou te comprar outro cachorro, muito melhor que este. Prometo! — disse Oleg, olhando para o chão.

Natasha havia ficado no trabalho mais tempo que o habitual. Quando finalmente chegou em casa, lá fora já era noite de inverno.

A neve rodopiava lentamente à luz dos postes, caindo em flocos fofos no chão. O dia tinha sido pesado e exaustivo — estavam terminando um projeto importante.

Depois de resolver rapidamente as pequenas tarefas domésticas, ela se aproximou da janela de seu apartamento no segundo andar.

Ficou imóvel por alguns instantes, admirando como as árvores estavam cobertas de chapéus brancos, como em um conto de fadas.

Natasha sempre amou o inverno e aquelas noites silenciosas, quando o céu espalha sobre a terra flocos de neve macios, parecendo minúsculos paraquedas.

— Dezembro chegou… À frente temos festas, as tão esperadas férias, viagens… Que beleza, — pensou sonhadora, sorrindo para seus pensamentos.

O marido já estava dormindo há muito tempo. Oleg acordava muito cedo; suas manhãs começavam muito antes das de Natasha.

Apagando a luz, ela também se deitou, esperando dormir bem antes de mais um dia intenso.

Mas o sono durou pouco: de repente, do lado de fora, soou um forte alarme do carro.

Natasha, meio adormecida, pegou o controle e se aproximou da janela.

O carro estava no lugar, ninguém por perto, apenas neve e veículos estacionados.

Ela desligou o alarme e, depois de esperar um pouco, voltou para a cama.

Mas logo o alarme disparou novamente.

Desta vez, preocupada, a mulher vestiu rapidamente o roupão, a jaqueta, pegou o telefone e desceu para o quintal.

Não havia ninguém por perto, mas na neve havia pegadas estranhas, parecendo sulcos de patas. Elas levavam debaixo do carro.

Neste momento, Oleg a chamou pelo telefone, aparecendo na janela.

— Natasha, o que aconteceu? Pare, eu vou sair agora! — disse ele, se vestindo às pressas.

Em poucos minutos, o marido estava ao lado dela. Observando as pegadas e olhando debaixo do carro com uma lanterna, notou olhos brilhando no escuro.

— Há alguém aí. Parece um bichinho. O motor está quente — ele está se escondendo aí.

Espere, vou buscar as luvas. Precisamos tirá-lo, senão não vamos conseguir dormir — disse Oleg, correndo para casa.

No começo, ele tentou atrair o “convidado” com um pedaço de biscoito, mas ele apenas se mexia, permanecendo debaixo do carro.

Então Natasha, já bem agasalhada, decidiu ajudar.

Ela se agachou na neve, estendeu a mão com o petisco e sussurrou carinhosamente:
— Vai, vem, pequeno, não tenha medo…

Logo ficou claro que debaixo do carro se escondia um cachorro.

Geminando baixinho, ele se aproximava lentamente da mão da mulher.

E finalmente saiu para fora — todo molhado, desgrenhado, tremendo de frio.

O pequeno cão barbudo parecia um Bolognese, só que maior.

Ele tinha um aspecto lamentável: o pelo longo e sujo estava emaranhado em nós que cobriam olhos e patas.

Natasha, ignorando os protestos do marido, o pegou decisivamente nos braços.

Nos grandes olhos assustados, lia-se um pedido de ajuda. Era um verdadeiro vira-lata.

— Natasha, o que você está fazendo? Não temos tempo nem possibilidade.

Vamos para a Finlândia no Natal — tudo pago! — tentou dissuadi-la Oleg.

— Você sabe que sempre sonhei em ter um cachorro. E agora não vou abandoná-lo — respondeu ela firmemente.

Assim chegou Tosha — um cão jovem, alegre e cheio de vida.

Após um banho e um jantar saboroso, ele rapidamente se transformou de um cachorro de rua infeliz em um animal doméstico.

Natasha o passeava com orgulho em sua nova coleira vermelha.

O cachorro se mostrou inteligente e educado: conhecia comandos, sabia se levantar como um “coelhinho”, dava a pata e preferia passear sempre ao lado dos donos.

As férias se aproximavam. Não havia com quem deixar Tosha, então Natasha providenciou seu passaporte e comprou a sua nova coleira e acessórios.

Assim, o pequeno vira-lata se tornou um turista internacional.

O trem para Helsinque levava rapidamente a família em viagem. Na cabine, todos estavam felizes:

Oleg e Natasha — pelo início das férias; Tosha — por estar perto das pessoas que amava.

Quase toda a viagem dormiu na prateleira, com a cabeça encostada na dona.

Em Helsinque, eles se hospedaram em um hotel acolhedor, alimentaram o cão e saíram para passear.

A cidade brilhava com luzes, as ruas estavam cheias de cheiros e sons.

Para Tosha, tudo era novidade: ele ficava feliz e, ao mesmo tempo, assustado.

As férias passaram alegres e rapidamente. Passeios, feiras, longas caminhadas, jantares em restaurantes — as lembranças eram vívidas e calorosas. Mas na última noite, aconteceu um desastre.

Voltando ao parque, encontraram policiais a cavalo.

Um dos cavalos relinchou bruscamente.

Tosha, que nunca tinha visto animais tão grandes, disparou em pânico.

Na mão de Natasha, restou apenas a coleira com a plaquinha de identificação.

Eles o procuraram até tarde da noite, percorrendo todas as ruas próximas.

— É culpa minha… Não o peguei no colo… Não coloquei a peitoral… — chorava Natasha.

Oleg tentou convencê-la a voltar: passagens, trabalho, dinheiro, vistos.

— Entenda, Natasha, precisamos ir embora. Não podemos ficar. Eu vou te comprar outro cachorro — insistiu ele.

— Não! — disse teimosa. — Eu vou ficar e encontrar o Tosha. Não quero “outro”.

E vestindo a jaqueta, Natasha saiu novamente na noite fria para procurar seu cachorro, sem querer desistir.

Ela seguiu decidida para a saída, e Oleg, confuso, suspirando profundamente, a seguiu.

Na recepção, já estava uma outra funcionária — uma jovem chamada Lyudmila, também russa.

Ao ver Natasha com o rosto molhado de lágrimas, ela se preocupou imediatamente e perguntou suavemente o que havia acontecido.

Natasha não conseguia pronunciar uma palavra — estava sufocada pelas lágrimas e pelo cansaço. Oleg explicava tudo por ela.

Lyudmila ouviu atentamente, às vezes pedindo esclarecimentos, acenando e folheando um grande catálogo telefônico.

— Precisamos ligar urgentemente para os abrigos — disse confiante.

— Na Finlândia, não há cães de rua; todos são levados para centros de acolhimento.

Ela começou a ligar de um abrigo para outro, alternando rapidamente entre os números.

Natasha, com o coração na mão, observava Lyudmila, tentando captar cada palavra e esperando uma boa notícia.

De repente, a voz da atendente mudou, tornando-se animada:

— Parece que há uma correspondência! Recebemos um cachorro que se parece muito com a descrição.

Ele foi trazido ontem por volta das onze da noite.

Mas o abrigo fica a cerca de setenta quilômetros daqui.

E seu trem parte em quatro horas. Talvez vocês não consigam…

A decisão foi imediata. Natasha vai para o abrigo, e Oleg pega as bagagens e a espera na estação.

Abraçando-se uma última vez, correram para o táxi. Natasha fez rapidamente o sinal da cruz e entrou no carro.

O carro corria pela estrada quase deserta, e ela repetia para si mesma, como um mantra:

— Espero que seja ele… Mesmo que eu perca o trem… O importante é encontrá-lo…

Uma hora depois, Natasha já estava entrando no prédio do abrigo. Na entrada, pagou 10 euros e pediu para ver o cachorro imediatamente.

A funcionária a conduziu a uma sala, onde, em uma pequena gaiola com a porta entreaberta, estava um cachorro desgrenhado.

O coração de Natasha disparou.

— Tosha!!! — gritou ela.

E naquele instante, o cachorro se lançou para frente e, gritando agudamente, pulou em seus braços.

Ele tremia, beijava a dona com o focinho molhado e não parava de choramingar, como se tivesse medo de perdê-la novamente.

O restante Natasha lembrava vagamente. Deram-lhe documentos para assinar, explicaram algo, pediram para mostrar a coleira com a plaquinha.

Ela fez tudo mecanicamente, sem nunca soltar seu pequeno milagre.

Na saída, uma funcionária mais velha do abrigo, sorrindo pela primeira vez, se aproximou.

Brincando, apontou o dedo para o cachorro e, tentando falar em russo, disse:
— Não faça travessuras, Tosha!

A partir daquele momento, Tosha não se afastou mais de Natasha.

No táxi, no trem, novamente no táxi — ele estava sempre em seus braços, confiante e carinhoso.

— Nunca mais vou te deixar, ouviu? — sussurrava Natasha, enterrando o rosto em seu pelo, que agora cheirava a limpeza e aos desinfetantes do abrigo finlandês.

Só ao voltar para casa, ele finalmente pulou sozinho de suas pernas, correu para a cozinha e bebeu avidamente de sua tigela de água.

O tempo passou. Natasha e Oleg construíram uma casa espaçosa nos arredores. Agora, lá reina conforto e alegria.

Sasha, os cães e sua dona vivem felizes, e Tosha, que um dia foi encontrado debaixo de um carro e perdido em outro país, tornou-se um membro pleno da família, sem o qual a vida deles é impensável.