A mãe do meu marido ridicularizou a minha comida na frente dos convidados. Eu tirei o avental, coloquei-o sobre a mesa e disse apenas três palavras 🙄🙄🙄

— Então alimente você mesma o seu filho.

— Para que está picando tanta erva?

Sasha olhou por cima do ombro da esposa diretamente para a saladeira.

— Vai ficar preso nos dentes.

— Estou picando normalmente, — disse Liza, afastando-o decididamente da bancada com o cotovelo.

— A sua mãe gosta de endro.

— Ela gosta dele fresco.

Da horta.

E esse é de estufa, não passa de mato.

Sasha pescou um pedaço de pepino da salada e colocou na boca.

Mastigou com um estalo alto.

— E, afinal, para que comprar peixe vermelho?

Podia ter fritado escamudo em massa.

A minha mãe, de qualquer forma, vai encontrar algo para criticar.

Liza colocou a faca de lado.

Cinco anos de casamento.

Durante cinco anos, Rimma encontrava defeito em qualquer coisa que ela fizesse.

Dessa vez, Liza decidiu resolver a questão de uma vez por todas.

Gastou metade do bônus em uma boa truta de criação e em um caro filé de boi.

Levantou-se às seis da manhã.

Preparou tudo rigorosamente segundo as regras familiares da sogra, conferindo cada passo.

— Quero que pelo menos uma festa passe sem os suspiros dela sobre o seu estômago estragado.

— Pois sim.

Boa sorte.

Sasha coçou a barriga através do moletom macio de ficar em casa.

— Só que você… faça porções maiores.

— Como assim maiores?

Liza olhou para o marido sem entender.

— Somos três.

— Quatro.

Mamãe vem com a tia Klava.

Esqueci de dizer.

Liza fechou os olhos em silêncio por alguns segundos.

Klavdia, a irmã mais velha da sogra, era o ressonador perfeito para qualquer descontentamento de Rimma.

Se Rimma dizia que a sopa estava sem sal, Klavdia imediatamente encontrava nela sinais de repolho azedo.

— Sasha, você está brincando comigo?

— O que tem demais?

Ele sinceramente não entendia o problema, balançando de um pé para o outro na cozinha apertada.

— Minha tia está de passagem pela cidade.

Mamãe a chamou para vir junto.

O que eu deveria fazer, mandar minha própria tia embora por causa das suas saladas?

Dê um prato a ela e pronto.

Grande coisa.

— A minha truta é porcionada.

Três postas.

— Então divida a sua ao meio.

Sasha deu de ombros, como se estivesse resolvendo um exercício de escola primária.

— Ou eu divido a minha.

Que diferença faz?

Não faça tempestade em copo d’água, Liza.

Você sempre exagera antes da chegada da minha mãe.

No corredor, o interfone tocou de forma brusca e exigente.

Liza enxaguou os dedos, sacudiu a água e foi abrir.

Um minuto depois, a soleira apertada se encheu de vozes altas e do cheiro de um perfume doce e pesado.

Rimma chegou no seu melhor humor: o de combate.

No peito, brilhava um broche grande.

Klavdia apoiava-se pesadamente na bengala, olhando para o papel de parede com desagrado.

— Queridinha, nós não vamos tirar os sapatos.

Rimma tentou passar ao lado do tapete diretamente para o piso claro.

— Klavdia mal consegue andar.

É difícil para ela se abaixar.

E, além disso, não se pode dizer que aqui seja estéril.

Liza tirou de um armário um pacote de protetores azuis para sapatos.

— Então coloquem isto, por favor.

— Ai, para que essas regras de hospital?

A sogra examinava os saquinhos de plástico com repulsa.

— Não viemos para uma sala de cirurgia.

Lá fora está seco.

E, no geral, antigamente as pessoas viviam de forma mais simples, iam à casa dos outros sem esses plásticos de vocês.

— Para eu não ter que lavar o chão depois.

— Sashenka!

Rimma gritou para dentro do apartamento, ignorando completamente a nora.

— Filhinho, venha ajudar a sua mãe e a sua tia a colocar essa bobagem nos pés!

Na casa da sua esposa há um regime rigoroso!

Um passo para a direita, um passo para a esquerda — fuzilamento.

Sasha saiu do quarto de má vontade, pegou os protetores de sapatos e ajudou as mulheres em silêncio.

Ele não pretendia defender a limpeza do próprio chão.

Quando as convidadas finalmente se acomodaram na sala, começou o espetáculo habitual, cujo roteiro não mudava havia anos.

Rimma passou os olhos pelas louças com olhar crítico.

— E essa toalha de mesa… ainda não conseguiu tirar a mancha?

— É o desenho.

Liza arrumava os copos com paciência.

— A textura do linho.

Agora está na moda.

— Não sei, não.

Rimma torceu os lábios.

— Parece desleixado.

Como se alguém tivesse derramado chá e esfregado às pressas.

Na casa de uma boa dona de casa, a mesa deve brilhar de brancura.

Klavdia imediatamente concordou da cadeira ao lado.

— Sim, a juventude de hoje não cuida mais do aconchego.

Estendem qualquer pano grosseiro e ficam felizes.

Nenhum respeito pela casa.

No nosso tempo, lavávamos à mão, fervíamos, engomávamos.

E agora todo mundo tem máquina automática, mas de pouco adianta.

Liza ficou em silêncio e foi à cozinha buscar o prato quente.

Sasha foi atrás dela para carregar a assadeira pesada.

Quando voltaram, Sasha colocou a assadeira fervendo diretamente sobre a mesa com força.

— Onde você está colocando isso quente?

Vai queimar a toalha!

Liza mal teve tempo de colocar um suporte largo de madeira sob a assadeira.

— E onde?

Sasha piscou, surpreso.

— Coloque aqui.

Com cuidado.

— Ora, é só uma toalha.

Rimma já estava se servindo de salada.

— Você mesma disse que ela tem manchas.

Sashenka, coloque para mim aquele peixinho ali.

Vamos ver com o que nos mimam hoje.

E escolha um pedaço mais carnudo para a tia Klava.

Liza sentou-se em seu lugar.

Ela deu sua posta a Klavdia e colocou apenas legumes para si.

Observava como a sogra cutucava demoradamente a truta assada com o garfo.

Rimma examinava o pedaço por todos os lados, como se procurasse sinais de falsificação.

— Meio seca.

Finalmente, a sogra anunciou em voz alta para toda a sala.

— Você a deixou passar do ponto, Liza.

Ela espetou o prato com o garfo.

— Está se desfazendo.

E a cor está meio pálida.

Comprou em promoção no mercado?

— O peixe está normal.

Sasha mastigava sem tirar os olhos do próprio prato.

— Está gostoso.

— Para você, Sasha, tudo está normal.

Você é pouco exigente.

Rimma olhou para o filho com compaixão.

— Quando era estudante, vivia de pelmeni, estragou o estômago.

Agora, qualquer coisa que te deem, você come.

Desde que esteja quente.

— Sim.

Klavdia confirmou alegremente, mastigando a truta.

— Hoje em dia as moças não sabem cozinhar.

Trazem tudo de aplicativos de entrega.

Compram essa truta artificial de vocês.

Só de pensar no que dão para esses peixes nessas fazendas, dá medo.

Nenhum respeito pelo produto.

— É truta de criação.

Liza pronunciou cada palavra com firmeza.

— Fui especialmente ao mercado para comprá-la.

Paguei mil por quilo.

E deixei no forno exatamente quarenta minutos, conforme o seu próprio conselho.

— Então o seu forno é ruim.

Rimma rebateu imperturbável.

— Ou então você pegou uma truta congelada e descongelada cem vezes.

Eu, no mercado, só compro de pessoas de confiança.

Mas a você, queridinha, empurraram mercadoria encalhada.

Eles veem que você é jovem e não entende nada.

Lá todos são espertalhões.

Ela empurrou demonstrativamente o prato com peixe para a beirada da mesa.

Estendeu a mão para o prato de carne.

Cortou um pedacinho.

Mastigou por muito tempo, pensativa.

Liza olhava para o marido.

Ela esperava.

Esperava que ele dissesse pelo menos uma palavra.

Que dissesse que a esposa havia se levantado às seis da manhã no dia de folga.

Que havia gasto o próprio dinheiro.

Mas Sasha simplesmente se servia de uma segunda porção de salada, limpando cuidadosamente o molho com um pedaço de pão.

— E a carne?

Rimma franziu o rosto com repulsa e cuspiu o pedaço em um guardanapo de papel.

— Dura.

Você mastiga como se fosse sola de sapato.

Eu mesma te ditei a receita no mês passado!

Era preciso bater bem.

E passar mostarda.

— Eu bati.

A voz de Liza ficou suspeitamente baixa.

— E deixei marinando desde a noite anterior.

E passei mostarda.

Exatamente conforme a sua receita.

— Então as suas mãos crescem do lugar errado.

Rimma limpou cuidadosamente os lábios com o guardanapo.

— O nosso Sashenka está acostumado com comida caseira e saborosa.

Na minha casa, a carne sempre derretia na boca.

Dava para comer com os lábios!

Mas aqui… bem, é comestível, claro.

De fome o meu filhinho não vai morrer.

Mas sem prazer.

— Mãe, chega.

Sasha afastou a conversa preguiçosamente com a mão.

— Está tudo gostoso.

Deixem-me comer em paz.

Por que vocês se exaltaram?

A carne está normal.

— Eu me preocupo com a sua saúde!

Surgiu uma pausa, depois da qual a sogra levantou a voz.

— A esposa deve alegrar o marido, não estragar o estômago dele com comida seca.

Ele trabalha feito um condenado o dia todo, fica cansado, e em casa nem recebe um pedaço decente.

Tudo às pressas, tudo de qualquer jeito.

— Eu também trabalho.

Liza disse de forma firme.

— Se a senhora esqueceu, Rimma Nikolaevna, eu trabalho em tempo integral.

E ganho não menos que o seu filho.

Klavdia riu de lado e balançou a cabeça.

— Ora, encontraram motivo para se orgulhar.

A mulher deve ser a guardiã do lar.

Mas vocês agora só pensam em carreira.

O homem fica em casa com fome, mas a esposa tem salário.

— A tia Klava tem razão.

Rimma levantou o dedo em tom professoral.

— Dinheiro é assunto de homem.

O nosso Sashenka é o provedor.

E você deve criar aconchego.

Mas com você, as toalhas estão manchadas e a carne parece sola.

E ainda estragou um peixe caro.

Só desperdiça comida.

Liza voltou o olhar para Sasha.

O marido espetou tranquilamente com o garfo exatamente o pedaço de carne que a mãe havia chamado de “sola” e o colocou na boca.

Ele mastigava com empenho, olhando para a televisão que murmurava ao fundo.

Ele não pretendia defendê-la.

Para ele era mais fácil suportar a resmungação da mãe, fingindo que nada estava acontecendo.

O principal era que não o tocassem pessoalmente, não o obrigassem a discutir e o alimentassem na hora certa.

Liza ficou sentada, olhando para eles.

Para Rimma, que bebia compota com prazer.

Para Klavdia, que terminava as saladas.

Para Sasha, que não se importava absolutamente com as mãos que haviam preparado tudo aquilo nem com os nervos gastos.

Ela entendeu uma coisa simples.

O problema não era o peixe.

Nem o endro.

Nem a carne.

O problema era que, para eles, ela sempre seria uma funcionária de serviço que fazia mal o seu trabalho.

E para Sasha, ela era um amortecedor conveniente entre ele e a mãe.

Liza levantou-se lentamente da mesa.

A cadeira comum da cozinha rangeu um pouco sobre o laminado.

Ela desamarrou em silêncio as fitas na cintura.

Lentamente, tirou pela cabeça o avental novo e elegante com rendas.

Aquele mesmo que havia comprado especialmente para esse dia, para parecer uma dona de casa perfeita e agradar à sogra.

Ela jogou o avental diretamente sobre a mesa.

Diretamente sobre a toalha de linho, ao lado do prato com o infeliz peixe caro.

— Então alimente você mesma o seu filho.

Rimma se calou no meio da palavra.

Klavdia arregalou os olhos.

— O que você está inventando agora?

A sogra projetou o queixo para a frente, indignada.

— Vai fazer teatro diante dos convidados?

Que mosca te mordeu?

Perdeu completamente a vergonha!

— Liza, sente-se.

Sasha resmungou descontente, sem nem levantar os olhos do prato.

— O que você está começando agora?

Estávamos sentados normalmente.

— Exatamente.

Vocês estavam sentados.

Liza virou-se e foi para o corredor.

Ela não começou a arrumar malas, nem a fazer escândalo, nem a dividir bens.

Ela simplesmente tirou a jaqueta do gancho, calçou as botas por cima das meias de casa e bateu a porta atrás de si.

Deixando os três terminarem a truta “sem gosto” e a carne “dura”.

Alguns meses depois, ela arrumava suas coisas em um pequeno apartamento alugado, mais perto do trabalho.

Sasha ligava quase todas as noites.

No começo exigia explicações, depois brigava e ameaçava com divórcio, e agora passara às queixas habituais.

Ele reclamava que a mãe agora ia todos os dias ao apartamento vazio dele.

Que o borscht dela era terrivelmente salgado demais.

Que as tortas já não eram as mesmas, eram pesadas demais, e lhe davam azia constante.

E, no geral, ela o esgotava com seus conselhos, controle e censuras.

Sasha insistia para que se encontrassem e conversassem, prometendo que “colocaria a mãe no lugar dela”.

Liza ouvia essas reclamações sentada no parapeito da janela, olhando para a cidade ao entardecer.

— Sasha.

Ela respondeu ao telefone com voz calma e uniforme.

— Que ela se esforce.

Ela sabe melhor como deve ser.

Coma e não se suje.

Ela desligou e foi preparar café para si.

Aquele mesmo café de que ela gostava, e não o marido dela.