A mãe não acreditou no comissário militar e desenterrou a cova recém-aberta do filho-soldado. Quando abriram o caixão, ficaram sem palavras.

Nem o som dos raros trens passando pela ferrovia, nem o latido ocasional de cães vadios, nem a enorme lua cheia, que naquela noite brilhava especialmente forte.

Ninguém ouviu o rangido e o som surdo que vinham do cemitério na periferia de uma pequena cidade ucraniana.

E se alguém tivesse visto, poderia até perder a razão.

Dois homens escavavam junto a uma das covas recentes.

Metodicamente e com segurança, removiam a terra do túmulo.

Ninguém os via, apenas a enorme lua os observava com certa curiosidade.

Mas não estavam totalmente sozinhos.

Perto daquela cova, sentada num banquinho, havia uma mulher observando atentamente o trabalho dos dois homens.

— Ei, senhora, ainda não desistiu? Talvez seja melhor não perturbar o falecido? — perguntou um dos coveiros, enxugando o suor da testa.

— Não desisti — respondeu a mulher com firmeza.

— Cave logo, eu já paguei a vocês.

— Não entendo — comentou o segundo homem.

— Vamos desenterrar o caixão, e depois?

— Não preciso de mais nada — respondeu a mulher, agora mais calma.

— Só quero olhar para ele, só isso.

Depois podem enterrar de novo.

— A senhora é estranha — riu o segundo coveiro.

— O que quer ver? O falecido já está há um mês no túmulo, segundo a placa.

— Não é um ano, ainda posso reconhecê-lo.

— Reconhecer quem?

— Meu filho.

Os coveiros se entreolharam, achando que a mãe tinha enlouquecido de tristeza.

Mas, afinal, qual a diferença para eles? Cavam, depois enterram de novo.

Ela pagou bem.

Continuaram cavando em silêncio, sem mais perguntas.

A mulher esperava sentada, mergulhada em lembranças.

Oksana teve seu filho depois dos 40 anos.

 

Ela e o marido tentaram por anos, sem sucesso.

Depois ele foi embora com uma mulher mais jovem e saudável.

Essa nova logo lhe deu duas filhas, e Oksana ficou sozinha.

Um dia, chegou à cidade um jovem agrônomo, recém-formado.

Oksana trabalhava na contabilidade e o via com frequência quando ele ia ao chefe tratar de assuntos diversos.

Logo percebeu que o rapaz olhava para ela com interesse cada vez maior.

Certa vez, ele a levou para casa no jipe da repartição e pediu para entrar para um chá.

Oksana o convidou.

E passaram uma noite juntos.

Nem ela entendeu como perdeu a cabeça.

Na manhã seguinte, caiu em si.

Tinha feito uma loucura.

Taras tinha só 24 anos, ela já 40.

Poderia ser mãe dele.

Embora Oksana ainda estivesse muito bem para sua idade, sabia que aquilo era errado.

E o povo da cidade ia descobrir e zombar dela.

Disse isso a Taras.

Ele apenas deu de ombros.

— Se não quiser, tudo bem.

Depois de conseguir o que queria, ele perdeu o interesse.

Oksana sofreu uma semana por sua estupidez.

Sufocou no peito aquele amor que começava a nascer.

E fingiu que Taras não significava nada para ela.

Taras também se comportava como se nada tivesse acontecido.

E nunca espalhou o que houve.

Um homem decente, ao menos nesse ponto.

Depois Oksana descobriu que estava grávida.

Quase enlouqueceu.

Ficou feliz e apavorada ao mesmo tempo.

E envergonhada.

— Que idiota — pensou.

— Grávida de um moleque.

Viveu 15 anos com o marido.

Todos os médicos diziam que ela era estéril.

E agora isso.

— Não recomendo que continue — disse o médico na clínica.

— Sua idade é crítica.

Ninguém sabe como isso pode afetar o bebê.

— Eu vou continuar — respondeu Oksana com desafio.

— Vocês me disseram por anos que eu nunca engravidaria.

 

E agora estou grávida.

Não acredito mais em vocês.

Vai dar tudo certo.

— Muito bem, vamos continuar — disse o médico friamente, e deu a ela uma pilha de encaminhamentos e receitas.

Logo depois, Taras deixou a cidade.

Oksana até ficou aliviada.

Ele não precisava saber de nada.

A criança era só dela.

Na cidade, claro, todos especularam sobre quem era o pai daquela gravidez tardia.

Mas nunca descobriram.

Ela vivia sozinha desde que o marido se fora.

Mas isso não era da conta deles.

As mulheres fofocaram um pouco nos bancos da praça e logo se calaram.

Não seriam elas que criariam a criança.

Bogdan nasceu no tempo certo e completamente saudável.

Quando Oksana segurou o filho no colo pela primeira vez, soube que era a mulher mais feliz do mundo.

Ela não estava mais sozinha.

Bogdan crescia um menino maravilhoso.

Ia bem na escola, participava de olimpíadas, e se destacava no atletismo.

Oksana pensava que, depois da escola, ele iria para a universidade.

Poderia ser físico, poeta, atleta — em tudo ele se saía bem.

Ela aceitava qualquer escolha do filho.

Mas ele a surpreendeu.

— Vou para o exército — disse no último ano da escola.

— Depois, entro numa faculdade técnica.

— Filho, por que perder um ano? — Oksana não compreendia.

— Você pode entrar agora e conseguir adiamento.

— Sim, e todo ano me chamarão para as comissões.

Não, mãe, vou servir logo.

Depois estudo.

E ainda vou ter benefícios para entrar na faculdade depois do serviço.

Sem escolha, Oksana concordou.

Sabia que era inútil discutir com o filho.

Teimoso ele.

A despedida foi bonita.

Todos os colegas estavam lá.

E também Alina.

O primeiro amor de Bogdan.

Boa menina.

Oksana gostava dela.

Chegou a imaginá-la como sua nora.

Nada mal, combinavam.

Ficaram muito tempo no cais da estação abraçados e chorando, vendo o trem partir.

— Vamos, Alina, — suspirou Oksana.

— Agora só nos resta esperar pelo nosso Bogdan.

A moça apenas assentiu com a cabeça.

Ela era mesmo boa.

Mesmo quando foi estudar na cidade, não esquecia Oksana.

Ligava para ela…

Certo dia, Oksana ouviu a voz aflita de Alina no telefone:

— Tia Oksana, a senhora não viu as notícias hoje?

— Não, Alina.

Resolvi trocar o papel de parede da cozinha.

Estou mexendo nisso desde cedo.

Já me arrependi mil vezes de ter começado.

Passei o dia inteiro só com um copo de chá.

Nem fui à sala ligar a televisão.

— Tia Oksana, começou uma guerra — disse a moça com voz trêmula.

— Que guerra? — A visão de Oksana escureceu.

Ela mal conseguia respirar.

A cabeça girava.

— Onde está essa guerra?

— Na fronteira, onde o Bogdan está servindo.

— Bom, não é bem uma guerra, mas estão atirando por lá.

A mulher ficou muito mal.

Desligou o telefone e caiu sem forças na poltrona do corredor.

Depois, se recompôs e ligou a TV.

As notícias até a acalmaram um pouco.

Sim, estavam atirando, mas os recrutas não estavam envolvidos, e isso já era um alívio.

E cerca de uma hora depois, Bogdan ligou.

Eles às vezes podiam telefonar.

— Filho, como você está?

— Tudo bem, mãe — respondeu ela, ouvindo a voz alegre de Bogdan.

E isso a tranquilizou por completo.

— Estou servindo.

— Mas nas notícias mostram cada coisa terrível…

— Ah, mãe, não acredite em tudo.

Os vizinhos se exaltaram um pouco, mas os nossos já os acalmaram.

— Você também foi consolar?— Tá brincando.

A gente nem chega perto de lá, só os contratados trabalham lá, nós só saímos pra exercícios.

— Exercícios? Filho, se cuida.

— Claro, mamãe.

Eles conversaram ainda um pouco sobre tudo e nada.

Depois, Oksana voltou a sentir um aperto no coração.

Que exercícios eram esses, se estavam atirando na fronteira?

Será que o filho só queria acalmá-la ou realmente não havia nada de grave? Passou uma semana.

Bogdan não ligou nem uma vez esse tempo todo.

E as notícias de lá ficavam cada vez mais inquietantes.

— Oksana, como está o Bogdan? — perguntavam as mulheres na padaria quando Oksana ia comprar pão.

— Está servindo — respondia ela brevemente.

Ai, que desgraça.

E justo agora ele resolveu servir, quando tudo isso começou.

O coração de mãe sofria com os comentários bem-intencionados.

— Força, você emagreceu tanto, tá até com o rosto diferente.

— Tá tudo bem — dizia Oksana, afastando o assunto.

Mas só pensava no filho.

Passou um mês.

E Bogdan continuava sem dar notícias.

 

Oksana foi ao escritório militar distrital.

— Está tudo certo — garantiu a funcionária.

— Se algo tivesse acontecido, teríamos sido informados.

Não se torture.

— Mas por que ele não liga? E o celular dele tá desligado — perguntou Oksana, tentando conter as lágrimas.

— Agora não é permitido eles ligarem.

— E não vai acontecer nada com seu filho.

Só os contratados participam do conflito.

Seu Bogdan é conscrito.

— Quanto tempo ele já serviu? Oito meses? Meu Deus, já falta tão pouco.

Logo ele vai voltar pra casa, mamãe — disse a funcionária, tentando confortá-la.

— Ele vai voltar.

Só que agora os tempos estão difíceis.

Mais um mês se passou, e então Oksana recebeu uma ligação do escritório militar.

Pediram que ela fosse imediatamente.

Ela saiu correndo com uma carona.

Não dava tempo de esperar ônibus.

Era bem na hora do almoço.

Todos os escritórios estavam fechados, só uma moça jovem na recepção.

— Espere — disse ela.

— O chefe já vem do almoço, ele vai te explicar tudo.

— O que aconteceu? — perguntou Oksana, nervosa.

— Eu não sei.

A moça abaixou os olhos.

Às duas da tarde, o comissário militar chegou.

Olhou cansado para a mãe que tremia de ansiedade.

Oksana tinha saído para respirar um pouco e acalmar os pensamentos.

— Venha — disse ele secamente, abrindo a porta.

E já no escritório, Oksana ouviu a terrível notícia.

— Oksana Ivanovna, seu filho faleceu — disse o comissário.

— Ligaram hoje da unidade.

Disseram que foi um ataque cardíaco.

Não conseguiram fazer nada.

— Que ataque cardíaco? — sussurrou Oksana horrorizada.

— Meu filho era completamente saudável, senão nem teria sido aceito no exército!
— Sim, mas o corpo humano é complexo.

Algo deve ter falhado.

— Falhado? Que falha? — gritou Oksana.

— Eu entreguei um filho saudável, vivo, e vocês vêm me falar de falha?

— Oksana Ivanovna, por favor, não grite, eu não sei mais do que você — suspirou o comissário.

— E meus pêsames.

Oksana chorava.

As funcionárias do escritório trouxeram calmante, água, mas o que isso podia ajudar?
Bogdan, seu filho querido, morreu? Não, devia ser um engano.

— Quando poderei receber o corpo? — perguntou Oksana, um pouco mais calma.

— Acontece que Bogdan já foi enterrado.

 

lá mesmo, no cemitério da cidade onde ele servia — respondeu o comissário, desviando o olhar.

Ele mesmo não entendia por que foi feito assim, mas lhe deram ordens.

— Isso não tá certo — disse Oksana sem acreditar.

— Eles tinham que me devolver meu filho.

— Em certas circunstâncias, isso acontece.

Você sabe que a situação por lá está instável.

Provavelmente foi difícil organizar o envio do corpo.

Por isso enterraram lá mesmo — explicou o comissário.

— Os documentos serão entregues nos próximos dias.

Oksana saiu do escritório cambaleando.

Não ouviria mais nada de novo ali.

E seu filho não estava mais vivo.

Nem deixaram ela se despedir do corpo.

Documentos? Pra que servem?
A cidade inteira ficou em choque com a tragédia.

Bogdan, aquele rapaz alegre e bondoso, morreu.

É terrível.

Terrível para uma mãe passar por isso.

Todos lamentavam por Oksana.

 

Que desgraça caiu sobre essa mulher.

Ela viveu a vida inteira por causa do filho.

E agora? Pra que viver? Os vizinhos tentavam confortá-la como podiam.

Mas só deixavam o coração dela mais ferido.

Aline também veio, assim que soube da tragédia.

— Mas Aline, minha querida, você precisa estudar.

A época das provas tá chegando — dizia Oksana.

— E eu podia deixar vocês assim? — respondeu Aline.

— Estou com vocês.

E com Aline, Oksana se sentia um pouco melhor.

Juntas, relembravam Bogdan, olhavam fotos.

Doía, mas também trazia algum alívio.

Um dia, enquanto Aline estava com Oksana, bateram à porta.

Era o entregador com os documentos de Bogdan.

Oksana só olhou os papéis e deixou em cima da mesa da sala.

Sem forças pra ler.

Foi deitar-se um pouco.

Sentia-se mal.

Mas Aline pegou os documentos.

— Tia Oksana! — gritou, nervosa.

— Do que disseram que o Bogdan morreu mesmo?
— De ataque cardíaco — respondeu Oksana, quase num sussurro.

— Era melhor que meu coração tivesse parado.

 

Tia Oksana! Nos papéis está escrito que foi pneumonia! — disse Aline, chocada.

Ela foi até a cama e olhou para a mulher com estranheza.

A mãe se levantou bruscamente, pegou os papéis e leu com atenção.

— Foi erro do escritório militar — murmurou.

— Como assim?
— Estranho — concordou Aline.

Ficou em silêncio e depois acrescentou:
— Tia Oksana, você já pensou em ir até lá? Até o lugar onde enterraram o Bogdan? Pra tentar entender tudo.

— Já pensei — confessou Oksana.

— Mas me disseram que agora não é recomendado.

Só quando tudo acalmar.

Quero trazer meu filho pra casa.

Você sabe se exumação é muito complicada?
— Acho que sim — respondeu Aline, mas logo exclamou:
— Mas que diferença faz se é complicado? A gente tem que ir, descobrir por que o Bogdan morreu.

E temos que fazer isso logo.

Que exumem o corpo e expliquem por que dizem uma coisa e escrevem outra nos documentos.

Logo depois, Oksana e Aline foram até o local onde Bogdan foi enterrado.

— Nenhuma exumação será realizada — responderam na unidade.

— Seu filho morreu de uma infecção.

Neste momento, abrir a cova seria perigoso e até criminoso.

— Mas no escritório militar me disseram que ele morreu de ataque cardíaco — retrucou Oksana.

— Não sei o que te disseram lá — respondeu o chefe da unidade.

— Mas os documentos dizem claramente que foi ataque cardíaco.

— Sim, o coração não aguentou por causa da pneumonia.

— Senhora, acalme-se.

Aceite como é.

Não tem como mudar nada.

— Pelo menos mostrem o túmulo do meu filho — pediu a mãe entre lágrimas.

— Sim, é no cemitério da cidade, vão levá-las até lá.

Logo, Oksana e Aline estavam no cemitério.

 

Era um canto afastado.

Ali enterravam os sem-teto e aqueles cujos parentes não podiam enterrar.

E foi ali que Bogdan encontrou seu último descanso.

Aline e Oksana ficaram em silêncio diante da cruz de madeira com a placa metálica.

Shevchenko Bogdan.

Viveu apenas 19 anos neste mundo.

De repente, Aline sentiu uma inquietação.

Pediu a Oksana os documentos de morte de Bogdan e conferiu tudo de novo.

— Não entendo nada — disse, confusa.

— O Bogdan nasceu no dia 25, mas na placa está 26, e nos documentos também.

— Mais um erro — respondeu Oksana, exausta.

Sentou-se sobre o túmulo e chorou.

— Meu filho, como isso pôde acontecer? Nem me deixaram me despedir de você.

Mas Aline insistiu que era preciso agir, que tinham que exigir a exumação.

E depois do cemitério, voltaram à unidade.

— Por que vocês estão insistindo tanto? — gritou o chefe da unidade.

— Lá falaram uma coisa, aqui escreveram outra, erraram um pouco.

Vocês estão vendo como estão os tempos…

Tudo foi feito às pressas.

Seu soldado está enterrado lá, e ponto final.

O que vocês querem ver lá? Um corpo em decomposição?

“Você tem certeza de que vai aguentar essa visão?”
“Eu vou aguentar”, respondeu Oksana em voz baixa.

Mas ninguém quis mais ouvi-la.

Vocês foram escoltadas para fora da unidade.

Antes de partirem, disseram apenas para se acalmarem e aceitarem a situação.

Ninguém vai abrir o túmulo de Bohdan, não é permitido.

No hotel, Alina e Oksana faziam as malas em silêncio.

O trem partiria em breve.

Foi então que Oksana largou a mala e começou a chorar.

“Eu não vou a lugar nenhum”, disse ela de repente com firmeza.

“Eu mesma vou abrir aquele túmulo.

Só irei embora quando tiver certeza de que é o meu filho que está lá.

“Como assim, você mesma?”, perguntou Alina, surpresa.

“Quem vai deixar você fazer isso?”
“Eu já pensei em tudo.

“E se realmente houver uma infecção ali?” — perguntou Alina, apreensiva.

“Vão nos arrastar pelos tribunais.

“Que arrastem.

Alina, você não precisa participar disso.

Eu entendo, você ainda tem toda a vida pela frente.

Eu faço isso sozinha.

“Como vou deixá-la ir sozinha?” — suspirou Alina.

“Conte o que você planejou.

O plano era o seguinte:

Encontrar dois moradores de rua e, em troca de uma boa recompensa, abrir o túmulo durante a noite.

Abrir o caixão e ver se era Bohdan mesmo.

Não havia passado tanto tempo assim.

Ainda dava para reconhecer.

“Mas quanto você acha que vai ter que pagar para que moradores de rua aceitem fazer isso?” — perguntou Alina, desconcertada.

“Tenho cerca de duzentos mil hryvnias no cartão.

Economizei da aposentadoria.

“Consegui isso.

Ainda trabalho, mesmo sendo aposentada.

Pensava em guardar para os estudos do filho.

“Mas veja só no que deu.

Vou entregar tudo a eles”, disse Oksana com firmeza.

“E que infecção? Alina, essa praga já vive entre nós faz tempo.

Não tem mais no caixão do que aqui fora.

“Talvez você tenha razão.

Mas há um vigia no cemitério.

Ele vai perceber se alguém começar a cavar o túmulo.

“Aí que você me ajuda.

“Vamos comprar vodca para ele.

Você o entretém.

Distrai ele bem.

“Você pensou em tudo”, disse Alina com um sorriso triste.

“Só falta encontrar quem vá cavar.

Para surpresa delas, encontraram rapidamente.

Na estação, notaram dois homens fortes, claramente moradores de rua, e explicaram o que queriam.

Eles nem pensaram muito.

Aceitaram.

Não se incomodavam em violar a lei.

Afinal, a recompensa era grande.

Eles pensaram assim:

Se algo desse errado, fugiriam.

E ninguém os pegaria.

E assim, sob o manto da noite, foram ao cemitério.

Alina estava na casinha do vigia, oferecendo vodca ao velho.

Ele ficou tão feliz com a visita da moça…

Afinal, era só cruzes o tempo todo, que tédio.

Oksana estava sentada perto do túmulo, esperando tensa.

Os sem-teto cavavam com as pás.

“Achei!” — gritou um, atingindo a tampa do caixão.

Os dois se apressaram e logo tiraram o caixão da cova.

“Está leve”, notou um deles.

“Seu filho era pequeno?”

“Um metro e oitenta.

Noventa quilos quando se alistou”, respondeu Oksana com dificuldade, sem conseguir tirar os olhos do caixão.

“Abre logo!”
Os homens forçaram a tampa, e o caixão se abriu com um estrondo.

Os três olharam dentro ao mesmo tempo e engasgaram.

A lua brilhava intensamente, iluminando tudo claramente.

O caixão estava vazio.

“O cadáver, cadê?” — disse finalmente um dos sem-teto.

“Fugiu!” — zombou o outro, olhando para Oksana, chocada.

“E aí, mãe, enterramos de novo?”

“De jeito nenhum!” — exclamou Oksana, como se despertasse.

“Deixem tudo como está.

Vão embora, vão logo.

O resto eu resolvo.

Obrigada!”

Depois de pagar os coveiros, a mulher começou a fazer ligações.

Primeiro para Alina, depois chamou a polícia.

Quando a patrulha chegou ao cemitério, Oksana explicou o que havia feito.

Claro que os policiais não acreditaram que duas mulheres frágeis tinham desenterrado um caixão sozinhas, mas preferiram ignorar isso.

Todos estavam interessados em outra coisa:

Afinal, onde estava o corpo?

Pela manhã, o Ministério Público da cidade começou a trabalhar intensamente.

Representantes da promotoria militar também chegaram.

A princípio, quiseram culpar a mãe — por que mexeu no túmulo?

Mas a pergunta principal seguia sem resposta:

Onde estava o cadáver?

O comandante da unidade onde Bohdan servia foi interrogado.

E aí tudo veio à tona.

Descobriram que Bohdan, junto com outros recrutas, estava em um exercício.

De repente, começou um bombardeio.

Um ataque de verdade.

Os rapazes fugiram, assustados.

Era a primeira vez em um combate real.

Todos foram encontrados depois, menos Bohdan.

Parecia que ele havia sido morto.

E como o corpo não foi encontrado — o campo estava todo revirado pelas explosões — concluíram que ele havia ficado ali mesmo, sob a terra.

Então, para evitar ter que prestar contas às autoridades, decidiram registrá-lo como morto por doença.

Afinal, não trariam o garoto de volta.

Quem diria que a mãe seria tão determinada?

Passaram-se cerca de seis meses.

Oksana e Alina voltaram para suas terras.

Naquela unidade militar houve uma grande reorganização.

Muitos, incluindo o comandante, foram a julgamento.

Mas isso não trouxe alívio para Oksana.

Como assim? Seu filho agora nem túmulo tinha?

Onde ele estaria descansando?

De tanta dor, Oksana ficou completamente grisalha.

Alina chorava o tempo todo.

Até o fim, ela acreditou que Bohdan estivesse vivo…

Que o tinham confundido com outro soldado.

Mas agora sabiam com certeza — ele não estava mais entre os vivos.

Até que, certo dia, de manhã bem cedo, alguém bateu à janela de Oksana.

A mulher infeliz abriu a porta e congelou.

Estava sonhando?

Esfregou os olhos.

Na porta, estava Bohdan.

Vivo, mais magro, mas vivo.

“Mãe, voltei!” — exclamou o filho.

“Bohdanchik, estou sonhando?” — sussurrou a mulher.

“Mãe, não está! Eu estou vivo!” — riu Bohdan e correu até ela, vendo que ela estava prestes a desmaiar.

Quando Oksana acordou, estava em casa, na cama, coberta com um cobertor.

Ao lado, sentado, estava seu filho — vivo.

“Filho, como pode ser? Me disseram que você estava morto!” — sussurrou Oksana.

“Foi um engano, mãe!” — suspirou Bohdan e contou tudo.

Quando começou o bombardeio durante o exercício, ele foi atingido.

Ficou inconsciente e foi feito prisioneiro.

Durante todos aqueles meses, ele ficou com outros rapazes em um porão.

Os militares tentavam negociar a libertação, mas sempre dava errado.

Até que, recentemente, conseguiram.

Todos foram levados ao hospital.

E foi lá que descobriram que ninguém sequer o procurava.

Achavam que ele estava morto — mas estava vivo.

Depois do tratamento necessário, foi desmobilizado e voltou para casa.

“Mas por que ninguém me avisou?” — chorava Oksana.

“Já acendi velas pela sua alma!”
“Mãe, eu não podia! Nos proibiram de entrar em contato com as famílias até que todas as verificações fossem concluídas.

Mas assim que pude, corri para você.

Agora estou em casa!”

“Filhinho, nunca mais vou deixar você ir!”
Mas acabou deixando.

Algum tempo depois, Bohdan, como sempre sonhou, entrou em uma universidade técnica e agora estuda com sucesso.

E o casamento com Alina está marcado para breve.