Eu estava na empresa havia apenas três dias quando fui chamada ao escritório do diretor.
Ele — meu novo chefe — era alto, com olhos sérios e uma voz baixa e fria, que transmitia respeito e nervosismo ao mesmo tempo.

“Tenho uma viagem de negócios ao exterior esta semana”, disse ele calmamente.
“Venha comigo. Preciso de uma secretária.”
O tempo pareceu parar.
Eu era novata, não estava acostumada com as pessoas do escritório — e, de repente, teria que viajar para o exterior por uma semana? Só nós dois?
Centenas de perguntas passaram pela minha mente:
E se eu não fosse? Perderia o emprego imediatamente?
Mas se eu fosse… e se algo acontecesse? Quem acreditaria em mim?
Naquela noite, não consegui dormir. Fiquei pensando nas duas opções — trabalho ou medo.
No fim, escolhi ir. Pela minha carreira. E talvez, porque não queria julgar alguém apenas com base no medo.
No dia seguinte, antes do voo, o chefe mandou uma mensagem:
“Passarei para te pegar amanhã. Vamos sair cedo. É difícil encontrar um táxi de manhã.”
Respondi apenas: “Ok.”
Quando ele chegou, estava exatamente no horário. O carro brilhava, e havia um leve perfume caro no ar.
No avião, ele se sentou ao meu lado. De vez em quando, perguntava:
“Está passando mal com a viagem?”
“Não, de jeito nenhum.”
Ele apenas sorriu e ficou em silêncio.
Quando chegamos, fizemos o check-in no hotel. Quando a recepcionista entregou os cartões de acesso, percebi que só havia um.
Franzi a testa, mas não disse nada. Achei que viriam mais depois.
Mas, quando estávamos no elevador, ele falou baixinho:
“O hotel disse que os quartos estão lotados. Talvez tenham que limpá-los amanhã. Por enquanto, ficaremos juntos aqui.”
Senti meu coração bater rápido. Esforcei-me para manter a calma, apenas assenti e entrei no quarto.
Ele colocou as malas de lado e disse:
“Tome um banho e descanse. Vou trabalhar na varanda primeiro.”
Não consegui dizer nada. Fui direto para o banheiro, trancando a porta. Enquanto a água caía, minha mente estava um turbilhão.
Ele fez isso de propósito?
Estou segura?
Uma hora se passou. Estava tudo silencioso lá fora.
De repente, ouvi batidas — toc toc toc.
“Já terminou?”, perguntou sua voz.
Fiquei nervosa. Abri a porta devagar, preparada para qualquer coisa.
Mas…
O quarto estava escuro, e no meio da escuridão — havia velas acesas.
Sobre a mesa, havia um pequeno bolo com as palavras: “Feliz Aniversário.”
Fiquei parada.
Ele sorriu, com um tom gentil:
“Vi no seu arquivo que hoje é seu aniversário. Pensei que você pudesse estar triste — longe de casa, dos amigos. Então quis te dar uma pequena surpresa.”
Não consegui falar. Apenas senti um calor estranho no peito.
Todos os meus medos anteriores desapareceram aos poucos.
Ele empurrou a cadeira silenciosamente e disse:
“Sente-se. Somos só nós dois, mas não se preocupe — é só bolo e velas.”
Sorri.
Do lado de fora da janela, as luzes de uma cidade que eu não conhecia brilhavam.
A viagem que eu temia — tornou-se uma lembrança que eu jamais esquecerei…







