O último raio do sol poente jazia como pó dourado no peitoril da janela da sala de procedimentos vazia.
Margarida já estava pronta para ir para casa, o seu longo e intenso plantão chegava ao fim, e os pensamentos iam devagar na direção do aconchego, do jantar quente e das conversas tranquilas à noite com o marido.

Ela tirou o jaleco, estendeu a mão para pegar a bolsa, quando de repente a porta se escancarou e, ofegante, surgiu Angelina no batente.
— Margo, me salva, como amiga! O Denis me chamou para um encontro, tudo aconteceu tão de repente, você entende, a vida amorosa está desmoronando diante dos meus olhos, me ajuda! — as palavras saíam como uma metralhadora, e nos olhos brilhava um pedido de socorro em pânico.
— Angel, mas como assim, eu já estou livre, já cumpri meu horário, — tentou contestar suavemente Margarida, sabendo de antemão que resistir seria inútil.
— Margôzinha, por favor, eu te imploro! Na sua vida tudo é perfeito: o marido — a própria confiabilidade, os filhos — uma maravilha, uma verdadeira harmonia familiar. E eu? Eu nunca fui casada, nunca senti essa felicidade quente, de mulher, não sei como é ser realmente amada! Ah, Margôôôzinha!
Era sempre assim.
A pessoas estranhas e pouco conhecidas ela tinha aprendido a dizer um “não” firme, a dura escola da vida colocou prioridades bem claras.
Mas para os seus, para aqueles com quem o coração estava aberto, recusar era praticamente impossível.
— Está bem, está bem, vai, eu cuido de tudo. O que tem nos setores? — suspirou Margarida de leve, quase como uma mãe.
— Do nove todo mundo já teve alta, isso é bom. No sete precisa passar soro em um senhor idoso, ele é tranquilo, de boa. Mas no dois… Lá ficou só uma vovozinha, a vizinha de quarto dela foi levada pra casa hoje. Tenho tanta pena dela, ninguém vem visitá-la, absolutamente ninguém. Às vezes eu dou comida na boca, com colher, sopinha ou mingau, e ela me olha com aqueles olhos culpados e sorri, como se pedisse desculpas por existir…
— Entendi, vai lá, que o encontro seja mágico, — sorriu Margarida, e Angelina, num impulso de gratidão sem limites, a abraçou forte.
— Você é a minha salvadora! Fala a verdade, eu estou pelo menos apresentável? — perguntou nervosa, girando diante da amiga.
— Você está linda, parece que acabou de fazer vinte e cinco anos, não mais que isso, — respondeu sinceramente Margarida.
— Ah, para com isso, — corou timidamente Angelina, trocou de roupa num instante, passou um rímel rápido, jogou a bolsa no ombro e saiu do setor quase voando, deixando atrás de si um rastro de perfume suave.
Margarida a acompanhou com um olhar carinhoso.
Angelina era uma ótima amiga, já tinha ajudado Margarida em momentos difíceis mais de uma vez, quando os filhos adoeciam ou surgiam imprevistos na família.
Ela era sete anos mais nova, mas isso não atrapalhava o vínculo caloroso, quase de irmãs, entre as duas.
Denis, pelos relatos, parecia um homem sério e responsável.
Talvez dessa vez a vida da amiga realmente engrenasse, e ela conhecesse a alegria da maternidade.
Margarida queria muito acreditar nisso.
Seus pensamentos foram interrompidos por um toque suave do telefone.
Na tela apareceu o nome amado.
— E então, nossa enfermeira-heroína, você já está a caminho? Estou em casa, está tudo pronto. As almôndegas bem douradas, a batatinha com cebola, mal posso esperar.
— Misha, me desculpa, me convenceram de novo a ficar de plantão à noite, — sussurrou Margarida, culpada, embora soubesse muito bem que não ouviria reprovações, e sim apoio.
— De novo a Angelina? Bem, fazer o quê. Vou ter pena de você, vou comer tudo sozinho. As batatas ficaram um espetáculo, com crostinha crocante. E as almôndegas… uma delícia! Vou comer tudo, não vou deixar nada pra você, — brincou ele, e na sua voz se ouvia um sorriso quente e compreensivo.
— Michal, eu sinto muito mesmo.
— Está tudo bem, eu até queria colocar o sono em dia. Mas se acontecer qualquer coisa, me liga a qualquer hora. Um beijo bem forte!
— Também te amo, — respondeu baixinho Margarida, e um sorriso feliz e sereno surgiu em seus lábios.
Ela realmente tinha tido uma sorte enorme com o marido.
E com o trabalho também.
Desde muito jovem sonhava em ser justamente enfermeira, e não médica.
O pai dela trabalhava na aldeia como tratador de gado, e o tio — como veterinário.
E ele sempre dizia que qualquer ser vivo, fosse vaca ou cavalo, precisava primeiro de carinho, atenção e uma boa palavra.
E só depois — de injeções e comprimidos.
Assim também é com as pessoas.
Uma boa enfermeira, sensível, não só entrega o remédio, como também cura a alma, devolve a esperança, torna-se aquele farol silencioso na noite que ajuda a encontrar o caminho da recuperação.
Passando de quarto em quarto, Margarida chegou ao último, onde estava deitada justamente aquela mulher sozinha de quem Angelina havia falado com tanta tristeza.
Aquela a quem ninguém vinha visitar.
O ambiente estava mergulhado na penumbra, só a luz suave do abajur projetava sombras leves nas paredes.
A idosa jazia imóvel, com o olhar cravado no teto.
Na mesinha de cabeceira, o jantar estava intacto: uma almôndega fria e um purê de batata.
A xícara de chá também estava cheia, e na superfície já havia se formado uma película fina.
— Que tal eu esquentar o seu jantar? A senhora precisa se alimentar, ganhar forças para melhorar, — sugeriu Margarida em voz baixa, quase sussurrando.
— E pra quê? — respondeu a mulher, do mesmo jeito baixo e indiferente, sem virar a cabeça.
— Sem comer, a senhora não vai ter forças, o organismo não consegue lutar contra a doença.
— Mas eu não estou lutando. Os médicos disseram que já é tarde demais para mudar alguma coisa. E eu nem quero. Só lamento que não vou mais ver o meu filho, — a voz dela era uniforme e vazia, e os olhos, que por um instante encontraram os de Margarida, pareciam poços sem fundo de solidão.
— Mesmo assim vou esquentar. Vai que aparece um pouco de apetite, — insistiu a enfermeira.
Ela pegou o prato e saiu para o corredor.
Em pensamento, voltou para casa, para o marido, para o cuidado dele, para a luz quentinha da cozinha, e em seu rosto surgiu de novo um sorriso leve, quase imperceptível.
Na sala dos médicos esquentou no micro-ondas o purê e a almôndega, jogou fora o chá frio e preparou outro, bem forte, de cor âmbar intensa, colocando duas colherzinhas de açúcar para dar energia.
Achou também um pequeno pão doce, esquentou-o igualmente, e logo o corredor se encheu com o cheiro acolhedor de pãozinho recém-assado.
Quando Margarida voltou ao quarto, a mulher abriu um pouco os olhos, e neles brilhou uma surpresa verdadeira.
A enfermeira, sem dizer uma palavra, ajudou-a com gestos rápidos e delicados a se erguer um pouco, ajeitou os travesseiros.
Depois lhe deu a xícara de chá, ajudando-a a dar alguns goles.
Em seguida começou a alimentá-la devagar, com o purê de batata quente, falando de coisas simples e do dia a dia.
— Dizem que na semana que vem vai fazer calor de verdade. As tardes já estão claras, quase de primavera. Quer dizer que passamos pelo inverno, sobrevivemos. Minha avó sempre dizia que depois da noite mais escura o amanhecer é garantido.
A idosa abria a boca obediente, e o olhar, antes vazio e distante, mudava aos poucos, enchendo-se de gratidão ingênua, quase infantil.
Ela mastigava devagar, ouvindo aquela voz baixa e tranquilizadora.
Logo se cansou, recostou-se nos travesseiros e, de repente, começou a falar; a voz ganhou uma vivacidade há muito esquecida.
— E o meu filhinho, sabia, também teve uma noiva que era enfermeira. Uma moça tão boa, carinhosa, de alma aberta. Como eu me arrependo agora de ele não ter se casado com ela. E foi tudo culpa minha, eu é que o desaconselhei. Ela era de família simples, da roça, e eu achei que não era do nosso nível, que não era par pro meu Jurochka. Eu ficava pingando na cabeça dele, insistindo que ele precisava de outra, mais estudada, de boa família. Aí ele largou a moça. E ela… ela era tão sincera, tão luminosa. Eu achava que ela era interesseira, que tinha colocado os olhos no nosso apartamento. E agora esse apartamento logo vai ficar pra ele, e onde está o meu filhinho? Não o vejo há uns dez anos. Não tem filhos, não tem família, vive pulando de uma namorada pra outra. Nem sei em que cidade ele está agora. E a mãe, pelo jeito, não importa pra ele…
Ela se calou e virou-se para a parede, como se voltasse a se recolher dentro de si.
— Me dê o número de telefone dele, eu posso ligar, dizer que a senhora está no hospital, que está mal. Talvez a senhora tenha o endereço também? — sugeriu Margarida, sentindo algo apertar em seu peito.
— Talvez você tenha razão, talvez seja bom tentar. Eu ligava pra ele antes, e ele dizia: “Mãe, não tenho tempo, estou cheio de coisas”. Ele não tem tempo de me ouvir, como se só eu ficasse o dia inteiro sem fazer nada, — na voz dela soou uma ironia amarga.
— Vamos, me passa, que eu anoto.
— Olha aqui, tenho até uma fotografia, antiga, é verdade. Só por precaução, vai que ele venha e não deixem entrar? Novas eu não tenho, — a mulher tirou do criado-mudo, com uma agitação repentina, uma fotografia gasta e ditou o número.
— E como ele se chama? — perguntou Margarida, pegando a foto nas mãos, e por um instante o mundo pareceu parar.
— Meu Jurochka, — sussurrou a mulher com ternura e dor infinitas. — Jurochka. O pai dele já nos deixou faz muitos anos, ele é o meu único. A vida nos separou assim, nos levou para lados diferentes.
— Me desculpe, eu não perguntei o nome da senhora, — disse Margarida, engolindo o nó repentino na garganta, embora já soubesse a resposta, sentindo-a em cada célula do corpo.
— Eu sou a Vera Fiodórovna. Obrigada, minha querida, você é muito bondosa, muito… — ela esboçou um sorriso fraco e, sem terminar a frase, mergulhou de repente num sono raso e doloroso.
Angelina tinha avisado que a paciente às vezes se perdia, esquecia nomes, às vezes nem lembrava se tinha filho.
Mas momentos antes ela havia falado de forma surpreendentemente clara e consciente.
Ainda assim, não era só isso.
No começo, Margarida realmente não tinha reconhecido aquela mulher.
Tinha passado tempo demais, e as vidas das duas haviam mudado demais.
Naquela época, muitos anos antes, Margarida tentava provar a Yuri que a mãe dele estava enganada, que ela não era uma caipira ignorante, que tinha objetivos e sonhos, que podia estudar para ser médica, se quisesse.
E ele, em resposta, só riu com desprezo, e na risada dele havia uma crueldade verdadeira.
— Você? Médica? Hm, que piada. Uma cuidadora de aldeia nunca vai ser ninguém! Lembra bem disso.
E ele foi embora, sem olhar para trás nem uma vez.
E ela ficou sozinha com seus sonhos despedaçados e suas esperanças frustradas.
Durante muito tempo alimentou no coração um ressentimento contra aquela mulher, Vera Fiodórovna, que tinha tirado dela o amor.
Chegou até a imaginar que um dia, quando tivesse sucesso, iria procurá-la e provar que tinha sido digna do filho dela.
Mas a vida, felizmente, escolheu outro caminho.
A dor foi diminuindo aos poucos, o ressentimento ficou opaco e distante.
Ela conheceu Mikhail e construiu com ele sua própria e verdadeira história de felicidade.
De manhã, depois da longa noite, Margarida voltava para casa, cansada, mas tranquila.
Angelina, radiante de felicidade, ligou para contar que Denis a havia pedido em casamento e que era infinitamente grata à amiga por ter assumido aquele plantão.
Em casa, o marido meio acordado a esperava e, bocejando, sugeriu:
— Vamos dormir mais um pouco juntos, senão, sem você, é como se me faltasse metade do cobertor, eu não descanso direito mesmo.
Mais tarde, à tarde, tomando coragem, Margarida resolveu ligar para aquele número.
E, para sua surpresa, alguém atendeu.
— Estou ligando do hospital. A sua mãe, Vera Fiodórovna, está em estado muito grave. Venha, se quiser encontrá-la consciente, — disse ela com voz firme e profissional, sem deixar escapar nenhuma emoção.
— A senhora acha que o estado dela é sem esperança? Entendi. Eu vou. Me passe o endereço do hospital, — a voz dele era seca e profissional, como se estivessem falando da assinatura de mais um contrato.
Talvez ele estivesse mesmo contente por logo poder ficar com o cobiçado apartamento.
Margarida desligou com uma sensação estranha de alívio.
Aquele velho ressentimento, que estava cravado no coração como um espinho, de repente desapareceu, dissolveu-se como se nunca tivesse existido.
Sim, um dia ela havia culpado Vera Fiodórovna por todas as suas desgraças.
E depois agradeceu ao destino por aquela ruptura, porque foi ela que a levou até Mikhail.
Mas um pedacinho escuro dentro dela ainda doía, lembrando-lhe do passado.
Agora, porém, ela conseguiu perdoar aquela mulher velha, doente e sozinha.
E ficou imensamente feliz por ela não a ter reconhecido.
Dois dias depois, chegando para mais um plantão, Margarida deu de cara com uma Angelina radiante.
— Margo, você é uma fada! Você vai ser a madrinha do nosso bebê? Estamos esperando um filho! Denis disse que quer uma família grande! — de tanta felicidade a amiga parecia prestes a explodir, e Margarida, de coração, compartilhava a alegria dela.
— Escuta, e aquela vovozinha sozinha do quarto dois… ela faleceu ontem. O filho conseguiu chegar, ela o viu, tentou dizer alguma coisa, mas não conseguiu. Ainda bem que pelo menos nos últimos minutos não ficou sozinha, — por um instante a tristeza apareceu no rosto de Angelina, mas logo deu lugar aos preparativos felizes para o casamento.
E isso era absolutamente natural.
A vida, como um rio caudaloso, continuava o seu curso tranquilo.
E Margarida sentia na alma uma tristeza estranha, porém suave e luminosa, e… uma paz purificadora.
Aquela última, silenciosa reunião com Vera Fiodórovna colocou tudo em seu devido lugar, fechou a última ferida antiga e lhe deu a cura tão esperada.
Sim, o filho veio se despedir dela, e não importava com que intenções — importava que ele veio.
Tudo isso ficara no passado, que já não tinha mais poder sobre ela.
E no presente a esperavam o marido amado, Mikhail, e os filhos deles — os arteiros e adorados Vânia e Kostia.
As risadas deles, os abraços, o futuro — isso é que era o seu presente, o tesouro mais importante e precioso.
E nessa riqueza estava toda a plenitude e o sentido da sua vida bonita e realizada.







