Margarida andava agitada pelo apartamento, como um passarinho pequeno tentando encontrar a saída de uma gaiola grande demais.
As mãos dela ajeitavam toda hora as almofadas, que já estavam perfeitamente colocadas no encosto do sofá, depois ela deslizava até a sala de jantar para conferir mais uma vez o brilho das taças de cristal, que já cintilavam sob a luz do lustre.

Voltava para o hall de entrada, ajeitava o ramo de eucalipto no grande vaso, depois corria de novo para a sala para se certificar de que cada livro na estante estava reto e que nada quebrava a harmonia impecável da decoração da noite.
— Rita, por que você está se mexendo assim sem parar? — Viktor apareceu à porta do escritório, com o jornal na mão.
— Os convidados importantes só vão chegar amanhã, de tarde.
— Estou nervosa, — confessou ela, passando a mão pela superfície aveludada da manta nova.
— E se algo der errado em relação aos nossos planos?
— E se alguma coisa tiver escapado, se tivermos esquecido de algo, se não tivermos conferido direito?
Ele sorriu docemente, aproximou-se e a abraçou pelos ombros, o toque dele era quente e familiar.
— Vai dar tudo simplesmente ótimo.
— Você está sempre em busca da perfeição, encara tudo com enorme seriedade e atenção.
Margarida queria perguntar: e você vai me ajudar amanhã a arrumar a mesa, preparar os aperitivos, receber as pessoas?
Mas Viktor já a tinha soltado e voltado para o escritório.
Pouco depois, ouviu-se dali o som baixo da televisão que transmitia um programa esportivo.
Na manhã seguinte, ela se levantou com os primeiros raios de sol.
Precisava dar conta de tanta coisa: terminar de preparar o bolo da festa, cortar os ingredientes das saladas, colocar com cuidado nos vasos as flores magníficas trazidas no dia anterior.
— Viktor, sua jaqueta ficou no hall, no cabideiro.
— Por favor, guarda ela no armário, — pediu ela, passando ao lado dele como uma borboleta leve e rápida.
— Claro, já vou, — respondeu ele, sem desviar os olhos da tela do tablet.
Passou uma hora, depois outra, e a peça de roupa ainda estava no mesmo lugar.
Margarida suspirou baixinho e decidiu tomar a situação nas próprias mãos.
Pegou a jaqueta e, justamente nesse momento, no telefone esquecido pelo marido, que estava em cima do móvel do hall, acendeu-se silenciosamente uma notificação.
A curiosidade, tão pouco típica nela normalmente, de repente despertou por dentro, fazendo seu coração bater mais rápido.
Ela leu a mensagem.
«Meu mais querido, espero o nosso encontro amanhã às sete em ponto.
Tenta não se atrasar.
Te abraço forte».
O olhar dela desceu até o nome da remetente — Svetlana.
O tempo ao redor parou, perdendo todo o sentido e velocidade.
O coração começou a bater com tanta força que um eco surdo ressoou nas têmporas.
Ela releu as palavras de novo, na esperança de que os olhos a estivessem enganando.
Mas não, estava tudo extremamente claro e compreensível.
— Viktor! — escapou dela, e a própria voz lhe pareceu estranha, trêmula.
— O que aconteceu? — ele apareceu no vão da porta, o olhar dele caiu sobre o celular na mão dela.
Os traços do rosto perderam a cor no mesmo instante, tornaram-se transparentes e sem vida.
— Margo, querida, posso te explicar tudo, mas você precisa só me escutar.
— Não! — ela atirou o telefone para o lado.
— É você que tem que me escutar!
— Há duas décadas caminhamos pela vida lado a lado!
— E você… e você assim, desse jeito.
As palavras acabaram, se esgotaram, como uma fonte em tempo de seca.
Restou apenas o silêncio, denso e pesado, e a umidade traiçoeira nos olhos.
Viktor deu um passo à frente, as mãos dele tentaram abraçá-la, encontrar ao menos algum apoio.
— Margarida, meu sol, deixa eu te contar como as coisas aconteceram de verdade.
— Não chega perto de mim! — ela recuou como se afastasse de um fogo.
— E o que você poderia contar?
— Que é uma brincadeira idiota?
— Que a Svetlana é uma velha conhecida do trabalho?
Ele abaixou a cabeça, os ombros se curvaram sob um peso invisível.
— Eu não queria que você descobrisse.
— Nunca.
— E muito menos hoje.
Especialmente hoje.
O dia em que ela comemorava o seu quinquagésimo aniversário.
Margarida sentou-se devagar na cadeira mais próxima.
As pernas, de repente, pararam de sustentá-la, ficaram moles e fracas.
— Aconteceu tudo meio que sozinho, eu nem percebi como.
— Sozinho?! — ela se levantou de um salto, cheia de amarga incredulidade.
— Os sentimentos acordaram sozinhos?
— Os pensamentos se voltaram sozinhos para outro lado?
— Por favor, não levanta a voz.
— E o que eu deveria fazer? Dançar de alegria?
— Viktor, eu acabei de descobrir que meu marido, a pessoa com quem vivi uma vida inteira, não é quem dizia ser!
Alguém tocou à campainha insistentemente.
Tinham chegado os primeiros convidados.
Margarida olhou para ele, depois para a porta de entrada.
E nesse instante uma clareza cristalina, quase dolorosa, se instalou em sua alma.
Ela não iria representar o papel mudo em uma cena de uma peça alheia.
Recusaria fingir que no seu mundo ainda estava tudo calmo e feliz.
Não conseguiria sorrir e receber os parabéns ao lado daquele cujas palavras e atitudes se tinham revelado falsas.
— Vai, abre a porta, — disse ela com uma calma surpreendente.
— E explica a todos os nossos amigos, aos parentes, que a festa, infelizmente, não vai acontecer.
— Margo! — ouviu-se, do outro lado da porta, a voz agitada da irmã.
— Viemos até você com um enorme buquê de flores e presentes!
Margarida olhou para o marido com um olhar direto e límpido: — Abre.
— E conta a verdade para eles.
— Toda a verdade.
Meia hora depois, na ampla sala de estar, estavam reunidos todos os convidados.
Os pais de Margarida, a irmã com o marido, as amigas mais próximas, os colegas de trabalho.
A mesa posta brilhava com louças elegantes, no centro reinava um bolo magnífico, por toda parte pairava o perfume das flores frescas.
E todo esse esplendor pendia em um silêncio fúnebre, insuportável.
— Meus queridos, convidados amados, — Margarida levantou-se do lugar, a voz dela era baixa, mas podia ser ouvida em cada canto da sala.
— Agradeço de todo coração por terem vindo para compartilhar conosco este dia.
— Mas hoje não haverá comemoração.
— Rita, o que aconteceu? — exclamou assustada a mãe dela.
— Viktor foi infiel a mim.
— Já faz alguns meses.
— Com outra mulher.
Caiu no ar uma pausa densa, pegajosa.
Alguém tossiu, sem graça, alguém deixou escapar um suspiro contido, alguém baixou os olhos, incapaz de sustentar aquele olhar.
O próprio Viktor ficou sentado com a cabeça baixa, o rosto ardendo de um vivo rubor de vergonha.
Ele encarava o desenho da toalha, como se esperasse encontrar ali as respostas para perguntas nunca feitas.
— Descobri isso hoje de manhã, — continuou Margarida.
— Eu me preparava para comemorar cinquenta anos da minha vida, e descobri que a minha realidade, o meu casamento, as minhas esperanças — tudo isso tinha se revelado uma bela, porém estourada ilusão.
— Maninha, talvez não seja o caso agora, diante de todo mundo… — começou a dizer a irmã.
— É sim! — a voz de Margarida ficou mais firme, nela soaram notas de aço.
— Que todos saibam que tipo de pessoa meu marido se revelou ser.
— Que todos vejam que é possível viver vinte anos lado a lado com alguém e, mesmo assim, não conseguir enxergar o verdadeiro rosto dessa pessoa!
Os convidados começaram, aos poucos e constrangidos, a ir embora.
Diziam palavras de apoio, prometiam ligar com certeza, ofereciam ajuda e companhia.
Viktor foi embora junto com eles, murmurando que ia ficar um tempo na casa de um amigo.
Margarida ficou no silêncio absoluto do apartamento vazio, sozinha com a mesa posta e o bolo da festa intacto.
Ela discou o número da irmã.
— Alena, posso ir para a sua casa?
— Não quero, não posso ficar aqui sozinha hoje.
— Claro que sim, querida!
— Arruma suas coisas, já estou indo te buscar.
— E o bolo? Ele está tão bonito, tenho pena dele.
— Vamos levar o bolo com a gente.
— As minhas crianças vão dar conta dele rapidinho, não se preocupa.
Os dias seguintes passaram como em uma névoa densa, através da qual mal conseguiam atravessar alguns raios de realidade.
Margarida morava na casa acolhedora da irmã, e Viktor, vez após vez, tentava ligar para ela, mas ela invariavelmente mandava as chamadas para o silêncio.
— Talvez ainda valha a pena conversar com ele? — perguntava cautelosa Alena.
— Os homens às vezes cometem erros insensatos, mas nem todos se tornam perdidos para sempre.
— E para que isso me serviria? — Margarida estava sentada na cozinha aconchegante, aquecendo as mãos em uma xícara de chá perfumado.
— Para ouvi-lo contar como novos sentimentos despertaram no coração dele?
— Como ele passou a se sentir apertado e entediado na nossa casa em comum?
— Talvez ele tenha entendido o erro, esteja arrependido.
— Eu não quero o arrependimento dele.
— Sabe, pensei muito sobre isso, noite após noite.
— Não quero e não vou perdoar.
— Me recuso a continuar representando o papel de esposa sábia e compreensiva, que fecha os olhos para a dor e para o ressentimento.
Depois de uma semana, Margarida voltou, enfim, ao próprio apartamento.
O espaço estava cheio de um eco mudo — Viktor tinha levado as coisas pessoais dele.
Em cima da mesa, ele havia deixado um bilhete curto: «Me perdoa.
Se você tiver vontade de conversar — estou sempre disponível.»
Ela amassou o papel lentamente, quase como em um gesto ritual, até formar uma bolinha apertada.
Na cozinha ainda estavam as flores murchas — justamente aquelas que deveriam ter enfeitado o seu jubileu que não aconteceu.
Margarida as jogou fora, sem nenhum arrependimento, no lixo, e escancarou a janela.
Na casa onde, por tanto tempo, reinara a mentira, entrou uma corrente de ar fresco de primavera, trazendo consigo a promessa de renovação.
À noite, a mãe ligou.
— Como você está, minha querida menina?
— Muito melhor do que eu poderia imaginar.
— Sabe, mãe, sinto a alma tão leve e ampla.
— É como se um enorme, pesado rochedo tivesse caído dos meus ombros, aquele que eu vinha carregando há muitos anos.
— Mas você o amava tanto.
— Eu amava a pessoa que ele fingia ser.
— Aquela que ele me mostrava.
— E o verdadeiro rosto dele, pelo visto, ficou escondido de mim por todo esse tempo.
Um mês depois, Margarida soube, por conhecidos em comum, que Viktor tinha se mudado justamente para a casa daquela Svetlana.
Sem muita emoção, ela entrou com o pedido de divórcio.
Eles tinham muito pouco a dividir — o apartamento estava em nome dela desde o início, e as economias em comum se mostraram bem pequenas.
A liberdade, que a princípio assustava pelo espaço vasto, revelou-se surpreendentemente doce e desejada.
Ela trazia a possibilidade de respirar profundamente.
Uma noite, o telefone tocou.
Número desconhecido.
— Alô?
— Margarida Viktorovna?
— Aqui é a Anastásia, sua consultora da agência de viagens.
— Nós nos encontramos uma vez por causa de um pacote turístico para os Cárpatos.
— Sim, claro, lembro.
— Aconteceu alguma coisa?
— Nada de ruim!
— É que temos uma oferta especial muito vantajosa — um tour para um cantinho maravilhoso da Carélia.
— Pensei em você na mesma hora.
— Você comentou certa vez que sonhava em ir para lá.
Margarida sorriu.
Sim, por muitos anos ela realmente sonhara com a beleza severa da natureza da Carélia, com as superfícies espelhadas dos lagos e o sussurro dos pinheiros centenários.
Mas naquela época, Viktor sempre arrumava uma razão para recusar: «Por que a gente deveria viajar para algum lugar?
Temos tudo aqui.
E por que gastar tanto dinheiro?»
— E quando está marcado o voo? — perguntou ela, já mais interessada.
— Daqui a três dias.
— Eu entendo que o tempo para se preparar é bem curto, mas…
— É maravilhoso.
— Eu topo.
— Por favor, faça a reserva dessa viagem para mim.
De volta de sua primeira viagem sozinha, cheia de novas impressões e de uma sensação extraordinária de harmonia interior, Margarida tomou uma decisão crucial — mudar a própria vida de maneira radical.
Foi trabalhar justamente naquela agência de viagens — afinal, sempre sonhara com uma atividade ligada a conhecer o mundo e a ajudar outras pessoas em suas descobertas.
No começo, ela ajudava os clientes a escolher os roteiros e, pouco depois, passou a acompanhar ela mesma grupos em viagens pelos lugares mais pitorescos.
A casa dela também se transformou até ficar irreconhecível.
Ela guardou com cuidado tudo o que lhe lembrava a vida anterior: as fotos em conjunto, os presentes, até parte dos móveis foi substituída por outros novos.
Ela preencheu o espaço com detalhes vivos — almofadas coloridas, quadros de artistas contemporâneos, plantas naturais em belos vasos.
— O que você acha dos meus novos domínios? — perguntava, orgulhosa, à sobrinha, que se tornara uma visita frequente e bem-vinda em sua casa.
— Aqui é tão legal!
— Parece que você não só mudou os móveis de lugar, mas nasceu de novo, tia Rita!
— Eu sinto que é exatamente isso.
— Descobri uma pessoa nova dentro de mim.
Dois anos depois, durante mais uma viagem em grupo, desta vez para a ensolarada Grécia, Margarida conheceu Denis.
Ele era médico, tinha a mesma idade que ela, também vindo de um período difícil de separação do passado.
— Sua independência me encanta, — confessou ele durante o jantar em uma taverna pequena com vista para o golfo.
— Você não espera que alguém venha e resolva todos os seus problemas, você mesma é a criadora da sua felicidade.
— E eu gosto da sua sinceridade, — respondeu ela.
— Desde o início você foi honesto comigo sobre tudo: sobre a sua experiência passada, sobre os filhos, sobre o que teve que enfrentar.
A relação deles se desenvolvia devagar, com cuidado, como um broto frágil e precioso.
Denis nunca exigia decisões imediatas ou uma aproximação rápida.
Ele respeitava o espaço dela, o ritmo dela, a liberdade interior dela.
No dia do seu quinquagésimo terceiro aniversário, Margarida comemorava cercada das pessoas mais queridas.
Eram novos amigos — colegas de trabalho, companheiros de viagem que o destino colocara em seu caminho em diferentes cantos do planeta.
— Vamos erguer as taças à Margarida! — disse Denis, e em seus olhos brilhava um sentimento caloroso e sincero.
— A esta mulher extraordinária, que com o próprio exemplo mostrou a todos nós que a vida de verdade não começa na juventude, mas justamente no momento em que você decide ser honesto, antes de tudo, consigo mesmo e olhar para a frente com coragem, sem se voltar para as sombras do passado!
Viktor mandou os parabéns por uma rede social: «Feliz aniversário.
Desejo que você encontre a sua felicidade.»
Margarida leu a mensagem e simplesmente a apagou, sem sentir nem raiva nem mágoa, apenas uma leve tristeza pelo que um dia lhe parecera importante e que, afinal, se revelou um miragem.
A relação dele com Svetlana tinha acabado poucos meses depois do divórcio oficial — a mulher jovem encontrara outro companheiro, mais adequado às suas expectativas.
Agora Viktor vivia sozinho e, segundo conhecidos em comum, muitas vezes se arrependia do calor e do aconchego que havia desperdiçado com tanta leviandade.
Mas, para Margarida, isso já era indiferente.
Ela tinha aprendido a arte mais importante — ser realmente feliz e plena, sem olhar para trás nas curvas já percorridas e sem arrastar consigo o peso dos velhos ressentimentos.
E diante dela, tão brilhantes e promissoras, estendiam-se ainda tantas estradas inexploradas, cada uma delas levando a um novo nascer do sol.







