A criança precisa da mãe…

Masha embalava nos braços o pequeno Artiom de três meses, cantarolando baixinho uma canção de ninar.

A jovem mãe gostava de estar de licença-maternidade.

Ela conseguia fazer tudo em casa e, pode-se dizer, aproveitava a sua maternidade.

Tudo estaria bem, se não fosse por uma coisa: à família faltava dinheiro de forma catastrófica.

— Mashunha, eu não sei o que fazer — disse Anton desanimado, olhando o contracheque — este mês cortaram bastante o meu prêmio.

— De novo? — exclamou Masha, arregalando os olhos assustada.

Com o salário cheio do marido eles mal conseguiam sobreviver.

O auxílio-maternidade não era suficiente para viver.

Antes da gravidez, Masha recebia um bom salário.

Além do pagamento “oficial”, ela sempre ganhava bons prêmios em envelope.

A renda mensal média da esposa então superava em duas vezes o salário do marido.

Agora, porém, a empresa em que Anton trabalhava passava por tempos difíceis.

Ele recebia praticamente migalhas, enquanto as despesas da família só aumentavam.

Além disso, o casal ainda não tinha terminado de pagar o financiamento da casa.

Ainda precisavam fazer pagamentos consideráveis ao banco por mais dois anos.

Parecia a Masha que a situação financeira logo iria se ajeitar.

Anton era mesmo muito capaz, com certeza ia pensar em alguma coisa.

E foi assim mesmo.

O marido realmente encontrou um jeito de melhorar a situação financeira da família.

A mãe de Masha estava visitando o casal.

Nadejda Filippovna tinha vindo ver o neto, trouxe presentes para o pequeno e até deu um dinheirinho à filha.

A mulher trabalhava e morava bem longe da jovem família, por isso não podia vir com mais frequência.

— O Anton ligou hoje, disse que encontrou uma saída — disse Masha com um sorriso — então, mãe, não se preocupe, logo tudo vai dar certo para nós.

— Ah, que bom ouvir isso — respondeu a mãe — já fazia tempo que seu marido devia ter encontrado um bico ou até mudado de área.

— Dá para sustentar uma família trabalhando nessa empresa esquisita?

Sem dinheiro, sem estabilidade.

— Sim, mãe — assentiu Masha — mas agora acho que todos os nossos problemas ficaram para trás.

O Anton vai chegar à noite e contar que bico ele arrumou.

Ou então vai mesmo para outra empresa.

— Que Deus queira — concordou Nadejda Filippovna, beijou o neto de despedida, abraçou a filha e foi embora.

Masha esperava o marido em casa com impaciência.

Ela preparou a comida preferida de Anton: sopa de ervilha e salada de carne.

“Logo tudo vai melhorar, talvez a gente até possa se mimar um pouquinho”, — pensou a esposa e pediu uma pizza.

Aquela mesma, bem cheia de queijo, que Anton simplesmente adorava.

O marido chegou em casa de ótimo humor.

Abraçou carinhosamente a esposa e sorriu para o filhinho que dormia no berço.

— Hoje temos alguma coisa gostosa? — sorriu Anton e mexeu o nariz de um jeito engraçado, sentindo os cheiros vindos da cozinha.

— Tudo do jeitinho que você gosta — respondeu Masha — e ainda pedi pizza.

— Não é cedo demais para festejar? — estranhou o marido, sabendo que comida por delivery não era exatamente um luxo acessível para a família.

— Mas você logo vai ganhar mais — exclamou feliz a esposa, encostando-se em Anton.

O marido pareceu ficar imóvel por um instante.

Ele se soltou do abraço da esposa e a olhou pensativo.

— Eu não achei que você fosse entender as minhas palavras desse jeito — confessou — na verdade eu queria que você voltasse a trabalhar.

Eles vão te receber de braços abertos no escritório.

— De braços bem abertos — riu amargamente Masha — só que você esqueceu que eu tenho um filho de três meses.

— Não se preocupe com o Artiom — assentiu Anton — a minha mãe vai ficar com ele.

Ela não trabalha e está pronta para nos ajudar.

Masha encarou o marido com os olhos bem abertos.

Será que ele estava com a cabeça no lugar?

Mas Artiom ainda era um recém-nascido!

— O bebê está em amamentação mista, você também o alimenta com fórmula — argumentava Anton — a minha mãe vai dar conta facilmente.

Em compensação, vamos organizar a nossa situação financeira.

Você entende que não dá para viver assim.

— Não dá mesmo — respondeu a esposa em voz baixa — mas o Artiom ainda é muito pequeno, entende?

Ele precisa da mãe.

— Ou da avó — declarou Anton com segurança — enfim, Mashunha, você está se preocupando à toa.

Sabe como são as avós hoje em dia?

Não querem saber de ficar com os netos.

E nós demos sorte, a nossa vovó é pra lá de ativa!

Qualquer mãe jovem ia ter inveja.

— A mãe de uma criança de um ano talvez até tivesse inveja — disse Masha — mas no nosso caso isso é uma loucura.

Anton, você realmente não consegue arrumar um bico?

— Se eu pudesse, já teria arrumado — deu de ombros o marido — por enquanto nós não temos outra saída.

Para Masha foi muito difícil tomar essa decisão, mas mesmo assim ela concordou.

Ela amava o seu trabalho, o ambiente lá era ótimo.

E, mesmo assim, tinha mergulhado com tanta alegria na maternidade que não tinha nenhuma vontade de voltar ao trabalho.

E como é que uma mãe jovem pode trabalhar se não consegue checar a cada minuto a respiração do seu pequeno?

Artiom, de fato, aceitava bem a fórmula.

O leite de Masha não era suficiente, por isso precisavam complementar a alimentação do bebê.

No entanto, o pequeno adorava mamar no peito: eram momentos importantes para os dois.

— Você vai amamentar o Artiom à noite — garantia Anton à esposa — à noite você vai estar em casa.

Mas, infelizmente, o leite da jovem mãe desapareceu completamente.

E o pequeno passou totalmente para a fórmula artificial.

— Não se preocupe, Mashunha — animava Anton a esposa — a gente compra fórmulas caríssimas.

São de ótima qualidade e, portanto, até mais úteis para o bebê do que o seu leite.

— Você não entende nada! — explodiu Masha. — Se não sabe, é melhor ficar quieto.

Anton olhou para a esposa, magoado, mas não continuou a conversa.

Masha nunca tinha falado assim com o marido antes.

Agora, porém, sentia irritação com frequência.

Antes do nascimento do bebê isso nunca tinha acontecido.

E nos três meses em que a jovem mãe ficou em casa com o filho ela também tinha permanecido absolutamente calma.

Agora Masha se sentia toda como um novelo de nervos.

Anton a irritava terrivelmente, sobretudo naqueles momentos com os seus comentários.

Parecia que ele tentava embelezar o fato de que a esposa tinha sido obrigada a voltar ao trabalho.

— Você até ficou mais bonita desde que voltou para o escritório — disse o marido sorrindo — olha lá, eu vou ficar com ciúmes.

E se antes essa frase teria parecido até agradável para Masha, agora as palavras do marido só a irritaram.

Uma mãe jovem deve estar ao lado do filho e ponto final!

Principalmente nos primeiros meses de vida do bebê.

— O Artiom está ganhando peso muito bem! — exclamou Anton um dia, feliz. — A minha mãe está fazendo muito bem para a saúde do nosso pequenino.

— E ficar comigo, então, não faz tão bem para ele? — ironizou Masha, zangando-se por algum motivo com o marido.

— Não foi isso que eu quis dizer — respondeu Anton de forma conciliadora — é só que o pequeno realmente está ganhando peso rápido.

— Bebês alimentados com fórmula sempre ganham peso mais rápido — disse a jovem mãe — e, infelizmente, isso nem sempre é bom.

E não é sinal de saúde, com certeza.

Anton se calou.

Ultimamente ele tinha percebido que era melhor ficar quieto.

Masha estava muito nervosa.

E ele próprio tinha um monte de problemas no trabalho.

Como gostaria que em casa alguém o afagasse, dissesse algumas palavras de apoio.

Mas não, a esposa tinha se tornado irritadiça, já não era tão doce e alegre como antes.

É estranho, e tinham dito a Anton que as mães jovens sentem muita falta do trabalho quando estão de licença.

Não dá mesmo para entender essas mulheres!

Masha se preocupava o tempo todo com o filho.

E não se tratava apenas da separação deles.

O coração de mãe sentia uma inquietação estranha, para a qual ela não encontrava explicação.

Sempre que voltava para casa, a sogra saía logo em seguida.

Já o Artiom parecia como se algo o tivesse perturbado.

— Tamara Ivanovna, ele chorou? — perguntou Masha, pegando o pequeno nos braços.

— Claro que chorou — disse a mulher, ríspida — todas as crianças choram.

E você está errada em pegá-lo no colo agora.

É por isso que o menino grita, porque sabe como manipular a mãe.

— Então, quando ele chora, a senhora não o pega no colo? — exclamou Masha, apertando o filho contra si.

— Pego sim, pego — resmungou a sogra — ou então acalmo de outro jeito.

— Como, por exemplo? — perguntou desconfiada a jovem mãe.

No seu coração começaram a brotar maus pressentimentos.

— Eu converso com ele como se fosse adulto — respondeu a sogra — ele entende tudo.

Primeiro chora, depois começa a me escutar.

E aí as lágrimas passam.

— Mesmo assim, o Artiom ainda é pequeno demais — Masha balançou a cabeça — é preciso conversar com ele, cantar canções, mas também se pode pegá-lo no colo.

— Ah, pais jovens, vocês leem de tudo e depois vêm dar lição nos mais velhos — suspirou Tamara Ivanovna — eu criei quatro, e olha que homens eles se tornaram.

Naquele momento, por alguma razão, Masha se lembrou das histórias do marido sobre como sua mãe os tinha educado com severidade.

O pai não estava presente — por isso, em muitos aspectos, ele compreendia a dureza da mãe.

Já adulto, ele a tratava com carinho e amor.

Não guardava nenhum ressentimento dela.

E mesmo assim…

— O Anton contou que a senhora não era muito de fazer carinho com ele — disse de repente Masha, e seu coração começou a bater forte.

— Eu não tinha tempo para carinho — respondeu secamente a sogra — e nem é bom para a criança ficar rodando em volta dela.

Então não se deve mimar o Artiom também.

Masha se calou e não continuou a conversa com Tamara Ivanovna.

Mas a noite inteira pensou no fato de que o seu pequeno filhinho ficava o tempo todo com aquela mulher fria.

E alguns dias depois Masha presenciou uma cena desagradável, depois da qual decidiu firmemente recusar a ajuda da sogra.

O humor da jovem mãe era ótimo.

Ela tinha dado conta rapidamente de um grande volume de trabalho, e o chefe a liberou mais cedo.

Masha estava felicíssima por poder passar metade do dia com o seu bebê.

Ela ouviu o choro da criança ainda na entrada do prédio.

Em um instante, Masha estava diante da sua porta e a abriu com a chave.

Pelo visto, Tamara Ivanovna não tinha percebido que alguém tinha entrado em casa.

Artiom chorava aos berros no berço.

A mãe correu até ele, pegou-o no colo vermelho, todo choroso.

Parecia que o pequeno estava chorando há muito tempo, sua respiração estava descompassada, e ele puxava o ar pela boca avidamente entre um grito e outro.

O coração de Masha se contraiu de dor e compaixão pelo seu filho.

— Calma, meu amor, a mamãe está aqui — começou a sussurrar docemente no ouvido do menino — aqui, aqui.

Agora ela vai estar sempre aqui.

Incrível, mas durante todo esse tempo Tamara Ivanovna estava no outro cômodo e nem percebeu que havia alguém no apartamento.

Ela assistia televisão e bebia chá com geleia de cereja, satisfeita.

Só quando a criança se calou ela ficou atenta.

E só então ouviu a voz da nora.

— A senhora é uma mulher cruel e sem coração — sibilou Masha, olhando a sogra nos olhos.

Ela tinha medo de assustar ainda mais o filho, por isso não levantava a voz.

— Olha só para ela — balançou a cabeça Tamara Ivanovna — basta a criança gritar um pouco e ela já pega no colo.

Mães modernas, o que é que vocês vão criar, hein?

— Como a senhora pôde ficar em outro cômodo enquanto a criança chorava em prantos? — disse a jovem mãe, continuando a apertá-lo contra si.

— Sabe, minha querida, eu já suspeitava que não receberia nenhuma gratidão de você — zombou a sogra — ainda assim, poderia ao menos mudar o tom ao falar comigo.

— A senhora merece outro tom — respondeu Masha com desprezo — e outro tipo de palavras.

Só que seriam palavrões, e eu não quero dizê-los na minha casa.

E agora permita-me acompanhá-la até a porta.

A mulher resmungava indignada algo para si mesma.

Repetia sobre a ingratidão dos jovens e o excesso de delicadeza das crianças de hoje.

Baixo, mas sombriamente, repetia que a nora ainda choraria muito por causa de Artiom, já que o pegava no colo a cada mínimo chiado.

Sem esperar o marido voltar do trabalho, Masha ligou para sua mãe.

Ela precisava muito desabafar, mas sabia que Anton não era o melhor interlocutor.

Nadejda Filippovna ouviu atentamente a filha e imediatamente a entendeu.

— Escuta, você precisa sair do trabalho imediatamente — declarou a mulher — eu, claro, não tenho condições de sustentar a família de vocês, mas posso ajudar em alguma coisa.

— Ah, mãe, eu nem pensei em te pedir isso — objetou Masha, sentindo que o apoio da mãe já a fazia se sentir melhor.

— Você tem que dizer claramente ao Anton que sustentar a esposa com um filho na licença-maternidade é obrigação dele, entendeu? — disse Nadejda Filippovna. — Você pode contar a ele como a mãe dele trata o bebê, mas duvido que ele a condene.

Acho que o Anton sabe muito bem quais são os métodos educativos dela.

— Mãe, eu posso dizer ao Anton tudo o que eu quiser, mas… — começou Masha, mas a mãe a interrompeu.

— Espera, me escuta — continuou Nadejda Filippovna — você vai ficar em casa com o Artiom e ponto final.

Você tem o auxílio-maternidade, mesmo que pequeno.

Eu tenho algumas economias, vou ficar feliz em gastá-las com o meu neto, mas o Anton não deve saber de nada.

Segundo o plano da mãe, Masha devia colocar o marido diante do fato consumado.

Ele que procurasse um jeito de ganhar dinheiro, e ponto.

Sim, a situação da família ficaria bem complicada se ele não encontrasse uma renda extra ou um novo trabalho, mas Masha e Artiom não iam passar necessidade.

Com lágrimas nos olhos, Masha agradeceu à mãe.

Aliviada, ela informou ao chefe que ficaria em casa com o filho.

O chefe não se opôs, mas disse que aguardaria com impaciência o retorno da sua funcionária mais valiosa quando o filho fosse para a creche.

Anton ficou apavorado quando soube que Masha tinha se recusado a voltar ao trabalho.

Ele tinha acabado de respirar aliviado, pois com o salário cheio da esposa conseguiam cobrir todas as necessidades.

A renda dele, porém, não tinha aumentado em nada durante todo esse tempo.

— Anton, isso não está em discussão — declarou Masha seriamente — o bebê precisa da mãe e ponto.

E você é homem, procure um jeito de aumentar a renda.

— Você acha que é tão fácil assim? — indignou-se o marido.

— Não, eu não acho — balançou a cabeça Masha — e não pretendo pensar nisso.

Esse é o seu trabalho, e eu fico em casa com o bebê.

Anton ficou ofendido com a esposa por ela ter tomado a decisão sem consultá-lo.

Mesmo assim, percebeu que era inútil discutir.

Para falar a verdade, ele também gostava quando Masha ficava em casa.

A comida era gostosa, mesmo com ingredientes simples, e o apartamento estava sempre arrumado.

Quanto aos métodos educativos da mãe dele… Anton suspirou.

Claro que ele sabia que a mãe era dura e fria, mas não ousava contrariá-la.

Como estava bom agora para Masha, com o seu bebê ao lado!

Ele começou a sorrir, estava cada vez mais de bom humor, dormia tranquilo.

Claro que para a jovem mãe seria mais difícil aproveitar a maternidade sem o apoio financeiro de Nadejda Filippovna.

Então até o último pacote de fraldas a deixaria em pânico, e a falta de xampu seria uma catástrofe.

Anton percebeu que a alimentação deles tinha mudado.

No cardápio quase não havia carne — nem bifes, nem almôndegas, nem costeletas empanadas.

A esposa fazia sopa com asinhas de frango, mingau na panela elétrica, e era isso que servia ao marido.

Anton ficava irritado, achava que desse jeito a esposa queria mostrar que estava na hora de ele trazer mais dinheiro para casa.

E ele arrumou um bico!

Sim, agora Anton se cansava mais, e a mãe o repreendia por isso.

Ainda falava mal de Masha, dizendo que por causa dela ele tinha que se matar de trabalhar.

Mas, com o tempo, Anton se acostumou, e ele mesmo passou a gostar de não precisar mais tremer por cada centavo.

Masha queria devolver o dinheiro que a mãe tinha guardado.

No entanto, Nadejda Filippovna recusou-se a aceitar o dinheiro e aconselhou a filha a poupá-lo.

Ela não quis colocar Masha contra o marido, mas, com a experiência que tinha, entendia que Anton não era lá um grande provedor.

E, com um marido assim, a esposa sempre precisa ter um colchão de segurança.