A nora ouviu a conversa telefônica da sogra.

A nora ouviu a conversa telefônica da sogra — e agora tudo fez sentido.

Olya lavava a louça e pensava no dia anterior.

De novo aquela frieza no olhar de Tamara Petrovna.

De novo algumas indiretas incompreensíveis.

— Sacha, e a sua mãe… ela gosta de mim? — perguntou ela ao marido no café da manhã.

— Ah, deixa disso, Olya.

A mamãe é assim mesmo.

Assim mesmo.

Claro.

Já faz dois anos que ela é “assim”.

E antes era o quê, diferente?

Olya enxugou as mãos e foi para a sala.

Tamara Petrovna estava sentada perto da janela com o celular.

Falava baixo, mas dava para ouvir:

— Não, Vera, você não entende.

Ela é uma boa menina, mas…

Como é que eu te explico?

Ela está, aos poucos, afastando o Sacha de mim.

Olya ficou paralisada atrás da porta.

O coração batia tão forte que parecia que ia saltar do peito.

— Não, não é de propósito.

É só… a natureza feminina, eu acho.

Ela quer ser a principal.

E eu sou o quê, um móvel?

Criei meu filho sozinha por trinta anos, e agora vou ficar em segundo plano?

As mãos tremeram.

Olya se encostou na parede.

— “Aguenta por causa do seu filho”, você diz?

Vera, eu já aguento há dois anos.

Mas dói, entende?

Antes ele ligava todos os dias, e agora…

Ela está ali do lado, para que ele precisa de uma mãe velha?

Um nó se formou na garganta.

Então era isso.

Então a culpa era toda dela.

Ela estava afastando o Sacha da mãe.

Mas quando?

Como?

Ela, pelo contrário, sempre tentou não separá-los!

— Não vou ser grossa.

Mas também não vou ficar calada.

Que ela saiba o lugar dela.

Tamara Petrovna ficou em silêncio, ouvindo alguma coisa.

Olya espiou com cuidado.

A sogra estava sentada, com os lábios apertados, assentindo ao telefone.

— Você tem razão.

Preciso agir com mais cuidado.

Mas não vou deixar que ela leve o meu menino de vez.

Chega.

Olya voltou em silêncio para a cozinha e se sentou no banco.

As mãos tremiam, os olhos estavam cheios de lágrimas.

“Levar o meu menino”.

Ela acha que a Olya é algum inimigo?

Ela é a esposa dele.

A esposa legítima.

Cinco anos de casada!

— Olya, por que você está tão pálida? — Sacha apareceu na cozinha.

— Nada.

Dor de cabeça.

— Quer tomar um comprimido?

— Não adianta.

Ele deu de ombros e saiu.

E Olya ficou sentada pensando.

Então é guerra.

Então a sogra a considera uma inimiga.

Durante dois anos ela sofreu, sem entender de onde vinha aquela frieza.

E afinal era simples.

Tamara Petrovna decidiu lutar pelo filho.

Mas isso é injusto.

Olya não “roubou” ninguém.

Ela tentou ser uma boa nora.

Cozinhava, limpava, ajudava.

E agora tudo parecia ter sido em vão.

A porta bateu.

Tamara Petrovna entrou na cozinha.

— Olyenka, você vai fazer a salada?

Ou eu faço?

A voz doce, o sorriso forçado.

Olya olhou para ela e pensou: uma atriz.

Agora finge cuidado, e um minuto atrás planejava como “agir com mais cuidado”.

— Eu faço, — respondeu Olya.

— Está bem, querida.

Querida.

Agora soava tão falso.

Olya tirou os legumes da geladeira.

Tamara Petrovna sentou à mesa e pegou uma revista.

Fingia que lia, mas Olya sentia o olhar sobre si.

— O Sacha vai se atrasar hoje, — disse a sogra.

— Disse que no trabalho está uma correria.

— Entendi.

— Não fica triste.

Homens são assim.

O trabalho é o mais importante para eles.

Olya cortava o pepino e pensava: começou de novo.

Agora virá a palestra de como se comportar com o marido.

— No meu tempo, as esposas entendiam: o marido trabalha — a família come.

E hoje a juventude exige atenção constante.

A faca parou na mão dela.

“A juventude exige”.

Ou seja, ela exige?

— Tamara Petrovna, mas eu exijo alguma coisa?

— Não, claro.

Não estou falando de você.

Mentira.

Era exatamente dela que estava falando.

Agora Olya sabia disso com certeza.

— Só estou dizendo: é preciso cuidar dos homens.

Não sobrecarregá-los com problemas desnecessários.

— E que problemas eu tenho?

Tamara Petrovna levantou os olhos da revista.

Olhou atentamente.

— Nenhum problema, Olyenka.

Por que você reage assim?

Era isso que irritava mais.

Primeiro a alfinetada, depois a surpresa: “mas o que eu disse?”.

— Eu estou reagindo normalmente.

— Claro.

Eu vejo como você fica quando o Sacha se atrasa.

O rosto fica logo azedo.

“Rosto azedo”.

Ótimo.

Olya jogou a faca na pia.

— Talvez eu só esteja cansada.

— Cansada de quê, querida?

Você nem trabalha.

Aí está.

O argumento principal.

Se não trabalha, não tem direito de se cansar.

— Tamara Petrovna, e as tarefas de casa não são trabalho?

— São, claro.

Mas é um trabalho leve.

Não como o do Sacha.

Olya sentou de frente para ela.

Debaixo da mesa, fechou as mãos em punho.

— E o que é tão pesado no escritório?

Ele fica sentado no computador.

— Olyenka! — a sogra até largou a revista.

— Como você pode falar isso?

O Sacha sustenta todos nós.

A responsabilidade dele é enorme.

“Todos nós”.

Incluindo você, Olya pensou.

Mas ficou calada.

— Eu não estou diminuindo o trabalho dele.

Só acho que em casa também há coisas para fazer.

— Há.

Mas não tão estressantes.

Olya se levantou, foi até a pia, pegou a faca e voltou a cortar os legumes.

As mãos tremiam de raiva.

— Sabe de uma coisa, — disse Tamara Petrovna com doçura.

— Vou te ajudar.

Juntas a gente termina mais rápido.

Ela se levantou, chegou perto, pegou um tomate e começou a cortar.

— O Sacha gosta de tomate em rodelas, não em gomos.

— Eu sei.

— Claro que sabe.

Você é uma boa esposa.

De novo aquele tom.

Doce por fora, venenoso por dentro.

— E você sabe que, quando era criança, ele não suportava tomate? — continuou a sogra.

— Eu ralava no sopa para ele não ver.

E agora ele come com gosto.

Uma história da infância.

A indireta era clara: eu o criei, eu sei melhor.

— Interessante, — resmungou Olya.

— E ele só dormia ouvindo histórias.

Eu lia para ele todas as noites.

Ficava horas ao lado da cama.

— Tamara Petrovna, por que você está me contando isso?

A sogra olhou surpresa.

— Eu lembrei.

Não posso?

— Pode.

Só que…

— Só que o quê?

Olya queria dizer: só que não precisa me lembrar todo dia que você é a mãe e eu sou “temporária”.

Mas se conteve.

— Nada.

Tamara Petrovna sorriu, vitoriosa.

Sabia que Olya não teria resposta.

— Olyenka, eu não faço por maldade.

Eu só amo meu filho.

Isso é normal, não é?

— É normal.

— Que bom.

Porque às vezes eu sinto uma certa tensão entre nós.

Tensão.

E ela ainda se espanta.

— Talvez você esteja entendendo tudo errado? — continuou a sogra.

— Eu não sou sua inimiga.

Inimiga.

Exatamente a palavra que Olya tinha pensado uma hora antes.

Coincidência?

— Eu não entendo nada errado.

— Claro.

Só que, às vezes, os jovens acham que os mais velhos se intrometem.

E nós só nos preocupamos.

À noite, Olya estava deitada e não conseguia dormir.

Sacha roncava ao lado: tinha chegado tarde e apagado na hora.

Ela se virava, pensando na conversa.

“Nos preocupamos”.

Que preocupação nada — é controle puro.

— Sacha, — sussurrou ela.

— Sacha, você está dormindo?

— M-m-m.

O quê?

— Precisamos conversar.

— Amanhã, Olya.

Eu estou cansado.

Claro.

Cansado.

E ela, por acaso, descansou o dia inteiro?

De manhã, no café, Olya decidiu:

— Sacha, eu acho que a sua mãe não gosta muito de mim.

— Lá vem de novo, — ele não tirou os olhos do jornal.

— Como assim “de novo”?

— Você vive reclamando da minha mãe.

— Quando eu reclamei?

— O tempo todo.

Ou ela falou algo “errado”, ou olhou “errado”.

Olya sentou na frente dele e abaixou o jornal.

— Sacha, eu estou falando sério.

— E eu também.

A mamãe gosta de você.

Ela só é assim.

— E se eu te disser que ouvi a conversa dela?

Sacha franziu a testa.

— Que conversa?

— Ela falou com uma amiga.

Sobre mim.

Disse que eu estou te afastando dela.

— Que bobagem.

— Não é bobagem.

Eu ouvi!

— Olya, você estava escutando escondida?

Que reviravolta.

Ela era a vítima e acabou virando a culpada.

— Eu ouvi por acaso.

— Não importa como.

Escutar escondida é feio.

— Sacha, você entende do que eu estou falando?

— Entendo.

A mamãe se preocupa porque passamos pouco tempo com ela.

Ela é sozinha, quer atenção.

— Mas ela me acusa!

— Ela não te acusa de nada.

Ela só expressa os sentimentos dela.

Olya olhava para o marido sem acreditar.

Como alguém podia ser tão cego?

— Sacha, ela disse que eu tenho que saber o meu lugar.

— Ela não disse isso.

— Disse!

Eu ouvi!

— Olya, chega.

Minha cabeça já dói desde cedo.

Não me traga mais problemas.

Ele se levantou e pegou a jaqueta.

— Aonde você vai?

— Para o trabalho.

Aonde mais?

— Mas a gente não terminou!

— Não tem o que terminar.

A mamãe é boa, você é boa.

Vivam em paz.

E saiu.

Bateu a porta.

Olya ficou sozinha.

Meia hora depois, Tamara Petrovna saiu do quarto.

— O Sacha já foi?

— Já.

— E por que ele estava tão irritado?

Eu ouvi vocês brigando.

Claro que ouviu.

Provavelmente ficou na porta.

— A gente só conversou.

— Sobre o quê, se não é segredo?

Olya olhou para a sogra.

Decidiu ser direta:

— Sobre a senhora.

— Sobre mim? — Tamara Petrovna sentou à mesa.

— E o que tem para falar de mim?

— Tamara Petrovna, a senhora não gosta de mim.

— Que bobagem!

— Não é bobagem.

Ontem eu ouvi sua conversa no telefone.

O rosto da sogra mudou.

Empalideceu.

— Que conversa?

— Com a Vera.

Sobre eu estar “te afastando” do Sacha.

Silêncio.

Tamara Petrovna olhava pela janela.

— Olyenka…

— Não minta!

Eu ouvi tudo.

E também “aguenta por causa do seu filho”.

E também que eu tenho que saber o meu lugar.

— Você não entendeu.

— O que eu não entendi?

— Isso… é difícil de explicar.

De novo.

“Difícil de explicar.”

— Então explique.

Eu tenho tempo.

Tamara Petrovna se levantou e foi até a janela.

— Olya, você é jovem.

Você não vai entender.

— Entender o quê?

— Como é ficar sozinha.

O marido morre, o filho se casa.

E você se sente… sobrando.

— Mas eu não estou expulsando a senhora!

— Não, não está.

Mas o Sacha mudou.

— Mudou como?

— Antes ele me contava tudo.

Agora ele fala com você.

Antes ele pedia conselho a mim, agora pergunta a você.

— E é assim que tem que ser.

Eu sou a esposa dele.

— Eu sei.

Mas dói.

Tamara Petrovna se virou.

Havia lágrimas nos olhos dela.

— Você entende?

Por trinta anos eu fui a pessoa mais importante na vida dele.

E agora é você.

— Tamara Petrovna…

— Eu não sou má.

Eu só tenho medo.

Medo de, em breve, não servir para mais nada.

Olya sentou de frente para a sogra.

As lágrimas de Tamara Petrovna a surpreenderam.

Ela não esperava ver aquela mulher orgulhosa chorando.

— Tamara Petrovna, eu nunca quis substituir a senhora.

— Eu sei.

Mas acaba acontecendo.

— E se não estiver acontecendo?

E se for a senhora que se coloca de lado sozinha?

A sogra enxugou os olhos com um lenço.

— O que você quer dizer?

— Agora mesmo.

O Sacha está no trabalho até a noite.

E nós duas estamos em casa, com medo uma da outra.

— Eu não tenho medo de você.

— Tem sim.

E eu tenho medo da senhora.

Há dois anos a gente anda na ponta dos pés.

Tamara Petrovna ficou em silêncio.

Depois disse baixinho:

— E o que a gente faz?

Como seria diferente?

— Eu não sei.

Mas com certeza não assim.

Olya se levantou e colocou a chaleira no fogo.

— Quer chá?

— Quero.

Elas ficaram em silêncio.

Tomavam chá, evitando olhar uma para a outra.

— Olya, — disse a sogra por fim.

— Você realmente não quer me expulsar de casa?

— Pelo amor de Deus, não.

De onde veio essa ideia?

— Bem… muitas noras querem.

— Eu não sou “muitas”.

Eu gosto da senhora.

Seria bom, se a senhora não me odiasse.

— Eu não te odeio!

— Então como se chama o que está acontecendo?

Tamara Petrovna suspirou.

— Besteira.

Besteira de velha.

— A senhora não é velha.

— Eu me sinto velha.

Principalmente perto de vocês, jovens.

Olya olhou para a sogra com atenção.

Ruguinhas, cabelo grisalho, olhos cansados.

E ela realmente estava sozinha.

O marido tinha morrido cinco anos antes, poucas amigas, sem trabalho.

— Tamara Petrovna, vamos tentar de um jeito novo?

— Como assim?

— Vamos parar de desconfiar uma da outra.

Vamos só viver.

— E se não der certo?

— E se der?

A sogra sorriu.

Pela primeira vez em dois anos, um sorriso sincero.

— Sabe, Olyenka, eu também cansei de guerrear.

— Eu também.

— Só que eu não sei fazer diferente.

Eu me acostumei a me defender.

— Se defender de quem?

Eu não sou inimiga.

— Não inimiga.

Concorrente.

— Concorrente em quê?

— No amor do Sacha.

Olya terminou o chá e colocou a xícara na mesa.

— Tamara Petrovna, amor não é sopa numa panela.

Não diminui quando a gente divide.

— Diminui.

O tempo diminui.

A atenção diminui.

— Então não é tirar, é acrescentar.

— Como?

— Ainda não sei.

Mas vamos tentar pensar.

Nesse momento, Sacha voltou.

Entrou na cozinha e viu as duas à mesa.

— Olha só.

E aí, como estão as coisas?

Não se mataram?

— Sacha, não é engraçado, — disse Olya.

— Estão tendo conversas sérias?

— Estamos, — respondeu Tamara Petrovna.

— Filho, sente-se com a gente.

— Para quê?

— Precisamos conversar.

Sacha se sentou, desconfiado.

— Estou ouvindo.

— Eu e a Olya decidimos viver de outra forma, — disse a mãe.

— Quer dizer?

— Sem confronto.

Sem suspeitas.

Sacha olhou para a esposa, depois para a mãe.

— E como isso vai ser?

— Ainda não sabemos, — admitiu Olya.

— Mas vamos tentar.

— E o que foi antes então?

— Besteira, — disse Tamara Petrovna.

— Uma velha boba teve medo de perder o filho e quase destruiu a família.

— Mãe, você não é boba.

— Sou, sim.

Mas dá para consertar.

Sacha sorriu.

— Ainda bem.

Porque eu já não sabia o que fazer.

No trabalho o chefe grita, em casa vocês brigam.

— Não vamos mais, — prometeu Olya.

— E se brigarem?

— A gente resolve na hora.

Sem guardar ressentimentos.

— Combinado.

Tamara Petrovna se levantou e abraçou a nora.

De repente, forte.

— Me perdoa, Olyenka.

— E a senhora me perdoe.

Sacha olhava para elas, balançando a cabeça.

— Mulheres são um mistério da natureza.

Dois anos de guerra e depois, de repente, paz.

— Não é paz, — corrigiu a mãe.

— A gente ficou mais sábia.

— Melhor assim.

À noite, quando cada um foi para o seu quarto, Olya estava deitada e pensando.

No fim, tudo era mais simples do que parecia.

Bastava conversar.

Com sinceridade, sem rodeios.

Claro, daqui para frente vai ser difícil.

Hábito não muda de um dia para o outro.

Mas o começo foi feito.

E o principal: agora ela sabia que Tamara Petrovna não era inimiga.

Era apenas uma mulher com medo da solidão.

E isso dá para entender.

— Está dormindo? — sussurrou Sacha.

— Não.

— E aí, como estão as coisas com a mamãe?

— Bem.

Nós nos acertamos.

— E por quanto tempo vai durar?

— Vamos tentar durar a vida toda.

Sacha a abraçou.

— Fico feliz.

Muito feliz.

— Eu também.

Do outro lado da parede, algo caiu.

Tamara Petrovna, provavelmente, derrubou um livro.

Antes, Olya teria pensado: ela está fazendo barulho de propósito, não deixa a gente em paz.

Agora ela apenas sorriu.

A pessoa vive, faz as coisas dela.

E está tudo bem.