A mãe dele gargalhava.
Doze minutos depois, três pessoas tocaram a campainha.

As fibras do tapete — barato, sintético, com cheiro de poeira e de limpeza recente — ficaram marcadas na bochecha direita.
Alla não entendeu de imediato que estava caída no chão.
Primeiro veio um puxão pelo ombro, o rasgo da seda da blusa, e depois o mundo simplesmente virou e bateu o rosto dela contra o piso.
Ilya estava de pé acima dela.
Seu rosto, normalmente bem cuidado, agora estava distorcido numa espécie de caricatura de superioridade.
Nove pessoas — sua “equipe”, gerentes do departamento de vendas que ele havia arrastado para ali para “comemorar” mais um bônus — ficaram paralisadas.
Na mão de alguém, um copo de uísque ficou suspenso no ar; outra pessoa parou de mastigar uma tortinha com caviar.
— Saiba o seu lugar, cozinheira! — a voz de Ilya trovejou, ecoando no teto rebaixado.
— Nesta casa, você só vai abrir a boca quando eu permitir.
Entendeu?
Alla ouvia a chaleira apitando na cozinha.
Aquele assobio fino e cortante atravessava o silêncio da sala.
Então veio a risada.
Raisa Stepanovna, a sogra, sentada numa poltrona funda com uma taça de vinho na mão, jogou a cabeça para trás.
Sua risada era seca, como o estalo de galhos se partindo.
— Ah, Ilyusha, igualzinho ao pai! — conseguiu dizer entre gargalhadas, enxugando uma lágrima no canto do olho maquiado.
— Ela também vivia querendo bancar a sabida quando os homens resolviam assuntos importantes.
Fique aí deitada, Allochka, fique.
Pelo menos passa a blusa no chão, porque está meio empoeirado aqui.
Os colegas de Ilya ficaram em silêncio.
Alguém desviou o olhar para a janela, onde o crepúsculo de Biysk se adensava do lado de fora.
Outra pessoa, de repente, passou a estudar os próprios sapatos com extrema atenção.
Ninguém saiu do lugar.
Naquele escritório, Ilya era rei, e a raiva dele era perigosa para os bônus.
Alla virou-se lentamente de barriga para cima.
Sua cabeça zumbia, e na boca surgiu um gosto metálico — provavelmente tinha mordido o lábio.
Ela olhou para Ilya.
Ele parecia um homem que acabara de realizar um grande feito.
Transbordava da própria importância.
Ele não a via.
Via apenas o “lugar” que acabara de mostrar a ela.
— 19:12 — disse Alla em voz baixa.
— O que você está resmungando aí? — Ilya chutou a borda do tapete a um centímetro da mão dela.
— Levante e vá para a cozinha.
Desligue essa chaleira, meus ouvidos já estão estourando.
E traga mais gelo.
Agora!
Alla se levantou.
Devagar, apoiando-se na beirada do móvel sob a televisão.
A blusa, comprada com o último salário, de fato havia rasgado de vez na costura.
Ela nem tentou tirar a poeira.
Foi até a cozinha e tirou a chaleira do fogo.
O assobio cessou, e no silêncio que veio em seguida começaram a se ouvir vozes da sala — os colegas de Ilya tinham começado a conversar com cautela, tentando transformar tudo em piada.
— Nossa, Ilya… você pegou pesado com ela.
— E como deveria ser diferente? — Ilya ria, dando tapinhas no ombro de alguém.
— Mulher tem que entender quem manda na casa.
Senão, sobe no pescoço.
Mãe, confirma aí!
— É isso mesmo, filho, é isso mesmo — veio a voz de Raisa Stepanovna.
Alla ficou parada junto à janela da cozinha, olhando para as próprias mãos.
Os dedos estavam cobertos de farinha — ela estava justamente prestes a terminar a segunda leva de pelmeni para aqueles “convidados”, quando Ilya explodiu por causa de alguma bobagem.
Ao que parecia, ela apenas perguntou quando ele devolveria o dinheiro do aquecimento, que ele mais uma vez tinha “investido nos negócios”.
Ela pegou o telefone.
Uma ligação recebida do advogado.
Onze minutos antes, ela havia lhe enviado a última mensagem.
— Alô — sussurrou.
— Sim.
Eles estão aqui.
Está acontecendo exatamente assim.
Sim, eu estou pronta.
Ela desligou e olhou para o relógio da cozinha.
19:18.
Daqui a seis minutos, sua vida deveria mudar para sempre.
Ilya apareceu na cozinha.
— E o gelo, onde está?
Você dormiu aí dentro?
— Ilya — Alla se virou.
Sua voz estava estranhamente calma.
— Você se lembra de que este apartamento pertencia à minha avó?
— Lá vem isso de novo… — ele fez uma careta.
— Já discutimos isso cem vezes.
Seu, meu — que diferença faz?
Somos uma família.
Eu investi na reforma daqui!
Esses azulejos aí, por exemplo, no banheiro, trinta mil…
— Você comprou os azulejos com o meu bônus dos plantões da Covid — lembrou Alla.
— E minha avó deixou testamento só para mim.
E há seis meses, quando você levantou a mão contra mim pela primeira vez, eu fiz uma coisa.
Uma coisa que eu “esqueci” de te contar.
— Não estou nem aí para o que você fez! — Ilya deu um passo em direção a ela, erguendo a mão para bater.
— Agora você vai levar o gelo e vai sorrir para os meus caras, senão…
Nesse momento, a campainha tocou.
Três toques curtos e firmes.
— Ah — Ilya parou, e sua mão baixou.
— Deve ser o Pashka atrasado.
Ou a pizza chegou, eu pedi mais.
Vai abrir, por que está parada?
Alla passou por ele em direção ao corredor.
Sentia as pernas vacilarem, mas mantinha as costas eretas.
Na sala, a sogra já entretinha os colegas com histórias de como Ilyusha era “o dono da situação” desde o jardim de infância.
Alla abriu a porta.
No limiar estavam três pessoas.
Um homem de terno cinza rigoroso com uma pasta de couro debaixo do braço, um policial baixo de uniforme e outro homem — alto, usando um macacão com o logotipo de uma empresa de segurança.
— Volkova Alla Sergeevna? — perguntou o homem de terno.
— Sim — ela soltou o ar.
— Estamos aqui por causa da sua solicitação.
A decisão judicial de despejo forçado e as medidas cautelares entraram em vigor hoje às 17h.
Estamos prontos para iniciar os procedimentos de execução.
Ilya, que tinha saído para o corredor com um copo na mão, se engasgou com o uísque.
— Que despejo?
Quem são vocês afinal?
Erraram o endereço, rapazes!
Temos uma festa particular aqui, saiam daqui!
O policial deu um passo à frente, com um olhar frio e entediado.
Via cenas como essa toda semana.
— Capitão Sazonov.
Apresente seus documentos de identidade.
O senhor é Ilya Viktorovich Volkov?
— Sou eu — Ilya começou a empalidecer.
— E daí?
Esta é a minha casa!
Meu apartamento!
— De acordo com a certidão do registro imobiliário — começou o homem de terno, que era o advogado de Alla, Mark Borisovich — a proprietária deste imóvel residencial é Alla Sergeevna.
O senhor não está registrado como morador aqui e não possui nenhuma parte do imóvel.
O contrato de uso gratuito, firmado no ano passado por Alla Sergeevna com o senhor, foi rescindido unilateralmente há um mês.
A notificação foi enviada por carta registrada para o endereço da sua mãe.
O senhor a recebeu e assinou o recebimento.
Raisa Stepanovna surgiu da sala, e sua risada secou de vez.
— Que carta?
Ilyushenka, o que eles estão dizendo?
Allochka, diga a eles que isso é uma brincadeira!
Os rapazes estão olhando, que vergonha!
Os nove colegas de Ilya já se aglomeravam na entrada da sala.
O silêncio era tão denso que se ouvia o elevador funcionando no corredor do prédio.
— Isso não é brincadeira, Raisa Stepanovna — Alla finalmente olhou para a sogra.
— Há um mês eu entrei com a ação.
E hoje de manhã recebi o mandado de execução.
Ilya Viktorovich deve deixar o imóvel.
Agora mesmo.
— Você enlouqueceu?! — Ilya de repente começou a gritar, avançando na direção de Alla.
— Está me humilhando na frente dos meus homens?!
Eu vou te…
O segurança de macacão se colocou imediatamente entre os dois.
Apenas pousou a mão no ombro de Ilya — sem brutalidade, mas de um jeito que o fez ceder na mesma hora.
— Calma, cidadão.
Não piore a situação.
Artigo 19.3 do código de infrações administrativas, desobediência a ordem legal.
O senhor quer isso para si?
Mark Borisovich abriu a pasta.
— Ilya Viktorovich, o senhor tem quinze minutos para recolher seus pertences pessoais.
Os móveis, aparelhos e os demais bens permanecem aqui até a realização do inventário, já que o senhor não pode apresentar recibos que comprovem que foram adquiridos com recursos pessoais seus e não com o dinheiro da sua esposa.
De acordo com os extratos bancários de Alla Sergeevna, nos últimos dois anos foi ela quem pagou por todas as compras de maior valor.
— Isso é roubo! — guinchou Raisa Stepanovna.
— Foi meu filho que comprou tudo!
Ele é diretor!
— Diretor de uma empresa com saldo zerado e cheia de dívidas fiscais? — Mark Borisovich ergueu uma sobrancelha com ironia.
— Nós também verificamos os relatórios financeiros do seu filho antes de irmos ao tribunal.
Ilya olhou para os colegas.
Nove pares de olhos estavam fixos nele.
Mas agora não havia medo neles.
Havia curiosidade, desprezo e aquele “ora, veja só” que destrói uma reputação mais rápido do que qualquer denúncia.
— Ilya Viktorovich — disse Alla em voz baixa.
— 19:24.
Seu tempo começou.
Seu “lugar” agora é ali, do lado de fora da porta.
As arrumações foram rápidas e feias.
Ilya enfiava freneticamente na bolsa esportiva seus ternos, que Alla passava cuidadosamente a vapor todos os domingos.
Praguejava entre dentes, jogava as coisas sem mirar, e Raisa Stepanovna tentou levar escondido do banheiro um conjunto caro de cosméticos de Alla, mas foi detida pelo olhar atento do segurança.
Os colegas de Ilya começaram a ir embora.
Saíam em silêncio, tentando não olhar para o ídolo do dia anterior.
Alguém murmurou “desculpe”, alguém simplesmente bateu a porta.
O último a sair foi Pashka, aquele que mais riu da piada sobre a “cozinheira”.
Ele parou por um segundo junto à porta, olhou para Alla e fez um breve aceno com a cabeça.
Naquele aceno havia tudo: o reconhecimento da força dela e a compreensão de que Ilya não trabalharia mais naquele departamento.
Quando no corredor restaram apenas Ilya com a enorme bolsa e a abatida Raisa Stepanovna, Alla se aproximou da cômoda.
Tirou dela um pequeno envelope.
— Aqui estão cinco mil rublos, Ilya — ela colocou o dinheiro na borda da bolsa.
— Para o táxi até a casa da sua mãe e para o começo.
Seu salário do último mês, que você transferiu para sua conta escondida, eu já bloqueei na Justiça como parte da futura pensão para nossa manutenção conjugal e como compensação pelos bens danificados.
Ilya olhou para ela.
Em seus olhos já não havia fogo.
Havia o vazio de alguém que se acostumou a se apoiar nas paredes dos outros e de repente descobriu que essas paredes são de papelão.
— Você ainda vai se arrepender, Alka — ele disse com a voz rouca.
— Vai morrer sozinha.
Quem precisa de você, enfermeirazinha mixuruca?
— Eu preciso de mim mesma — respondeu Alla.
— Descobri que isso é muito mais importante.
Quando a porta se fechou atrás deles, Mark Borisovich e o segurança se despediram educadamente.
O policial ficou mais um pouco para assinar o protocolo de cumprimento da medida.
— Como a senhora está, Alla Sergeevna? — perguntou ele, guardando a caneta no bolso.
— Quer um pouco de água?
— Não, obrigada — ela sorriu.
— Minha chaleira já ferveu faz tempo.
Ela ficou sozinha.
No apartamento, havia um silêncio surpreendente.
No chão da sala ainda estava o tapete com a marca da sua bochecha.
Alla foi até a cozinha e serviu para si um chá.
Sentou-se à mesa, onde ainda estavam os pelmeni inacabados.
Lembrou-se de como, doze minutos antes, estava caída naquele chão ouvindo a risada da sogra.
Naquele momento, parecia que o mundo tinha desabado.
Mas agora ela entendia: o mundo não desabou.
Ele apenas se limpou.
Alla pegou um pedaço de massa e o abriu.
Aquele gesto mecânico a acalmava.
Ela não comeria hoje o que tinha sobrado da “festa”.
Jogaria tudo fora.
Amanhã compraria cortinas novas.
E uma blusa nova.
E, na segunda-feira, iria para seu plantão na sua “sala de procedimentos”, onde a esperavam pessoas que realmente valorizavam suas mãos e sua calma.
Ela olhou para o relógio da chaleira.
20:05.
Sua primeira noite em sua própria casa.
Sem gritos, sem medo, sem risadas alheias sobre a sua cabeça.
Ela mordeu um pedaço de pão.
Estava gostoso.
Só pão, só silêncio.
E aquilo era o começo.







