A aliança voou no rosto dele.
— Mãe, faça as contas com mais atenção, aqui cada metro conta, — a voz de Artyom, normalmente tão suave e insinuante, agora escorria cálculo frio.

— O quartinho pequeno, onde a sogra está morando agora, nós vamos transformar no meu escritório. E por que ela ficaria ali sozinha em doze metros quadrados? Ela pode assistir televisão na sala também.
Fiquei paralisada no corredor, apertando contra o peito a pasta com os documentos.
Voltei para buscá-la porque a tinha esquecido sobre o aparador, e sem aqueles papéis não havia nada a fazer no centro de atendimento.
A porta da cozinha estava entreaberta, e dali vinha um som monótono, como se alguém estivesse arranhando plástico com as unhas.
Era a minha futura sogra, Antonina Stepanovna, teclando com entusiasmo os botões de uma velha calculadora.
— Isso está claro, meu filho, — respondeu ela com voz áspera.
— Você precisa de um escritório, você é um homem sério. Mas eu estou pensando o seguinte: para que vamos manter Maria Ivanovna tão perto da gente? Na sala ela vai ficar o tempo todo olhando para nós. Vocês herdaram da avó uma casinha no interior, não foi? Então vamos colocá-la lá. Ar fresco, horta, nenhum barulho. E este apartamento precisa ser passado para o seu nome. Nunca se sabe o que pode acontecer na vida, hoje existe amor, amanhã ela começa a mostrar o gênio. Assim, você é o dono, e é você quem dita as regras.
Eu fiquei ali, ouvindo.
Um minuto, dois, cinco.
No meu peito não se espalhava frio, mas uma espécie de chumbo espesso e ardente.
Artyom, com quem eu tinha escolhido alianças e discutido o cardápio do banquete, agora concordava em silêncio com o plano de “expulsar” a minha mãe.
A minha mãe, que tinha deixado este apartamento para nós, mudando-se para o menor quarto para que pudéssemos construir o nosso ninho.
— E se a Sveta fizer birra? — Artyom finalmente falou, e na voz dele não havia uma gota de dúvida, apenas interesse técnico.
— Ela é uma mulher emocional.
— Mas você é homem, — resmungou Antonina Stepanovna.
— Use carinho, prometa alguma coisa. Diga que a casinha no interior é temporária, só para o verão. Depois, quem sabe, ela se acostuma. O principal é conseguir que ela assine os documentos enquanto ainda estiver na euforia do casamento.
Empurrei a porta.
Ela se abriu com um estrondo pesado, batendo na parede.
Artyom pulou da cadeira, quase derrubando a calculadora.
A mãe dele ficou imóvel, cobrindo com a mão uma folha cheia de cálculos, na qual eu ainda consegui ver o esquema dos meus cômodos, rabiscado com lápis grosso.
— Dividam, dividam! Não tenham vergonha! — as palavras saíam da minha boca com facilidade, como se eu tivesse treinado a vida inteira para pronunciá-las.
— Pelo que vejo, vocês já colocaram os móveis no lugar e já encaixotaram a minha mãe.
O rosto de Artyom ficou da cor de queijo estragado.
Ele tentou se levantar, estendeu os braços como se quisesse me segurar ou esconder com o corpo aquela folha vergonhosa sobre a mesa.
— Svetik, você entendeu tudo errado… Nós estávamos só… discutindo opções de como seria melhor nos acomodarmos depois do casamento…
— “Usar carinho” para que eu assinasse a doação? — dei um passo à frente.
— Isso também faz parte das opções de acomodação?
Antonina Stepanovna, recuperando-se depressa, apertou os lábios e olhou para mim de cima para baixo, embora estivesse sentada num banco.
— Por que você está tão exaltada, querida? Nós estamos pensando na família. No futuro. Artyom precisa de espaço para se desenvolver, ele é a cabeça da casa. E a sua mãe realmente ficaria melhor no interior, pelo menos lá encontraria amigas.
Não comecei a discutir.
Para quê provar alguma coisa a pessoas que já tinham me riscado da lista dos seres vivos, transformando-me num recurso?
Lentamente tirei a aliança.
Ela saiu com dificuldade, cravando-se na pele, como se não quisesse se separar do meu dedo, mas eu a arranquei e a atirei com força direto naquele rosto polido e dolorosamente familiar.
O aro dourado atingiu Artyom na testa, ricocheteou e saiu tilintando para debaixo do armário da cozinha.
— Fora do meu apartamento, — eu disse em voz baixa.
— Agora mesmo. Vocês vão pegar as suas coisas na entrada do prédio; eu as jogo da varanda se em dez minutos vocês ainda estiverem aqui.
— Como você se atreve! — explodiu a futura sogra.
— Nós investimos tanto nisso, já mandamos os convites aos convidados!
— Corram e cancelem. E não se esqueçam da calculadora, ela ainda vai ser útil — vocês vão usá-la para contar as dívidas quando entenderem que a moradia gratuita acabou.
Eles saíram depressa, lançando maldições pelas costas e prometendo que eu ainda iria “me arrastar de joelhos”.
Quando a porta bateu atrás deles, eu não chorei.
Fui até a sala, sentei no sofá e fiquei muito tempo olhando pela janela.
Dentro de mim havia uma sensação estranha — nenhuma dor, apenas um sentimento infinito de limpeza, como se eu tivesse varrido para fora de casa uma sujeira antiga.
Uma hora depois, mamãe voltou.
Ela entrou na cozinha, viu os pedaços de papel espalhados pelo chão e o meu rosto imóvel.
— Eles foram embora? — perguntou baixinho, sentando-se na minha frente.
— Foram, mãe. Para sempre. Você acredita? Eles queriam te mandar para o interior e me enrolar com carinho para que eu abrisse mão da minha parte no apartamento.
Mamãe suspirou, ajeitou o avental e de repente sorriu de um jeito estranho.
— Ainda bem que isso apareceu agora, filha. Só que haveria um probleminha para eles…
— Como assim? — perguntei, olhando para ela surpresa.
Mamãe tirou do bolso uma folha dobrada em quatro e a colocou sobre a mesa.
Era um extrato, mas não aquele que eu costumava ver.
— Veja bem, Sveta… Há um mês, assim que o seu Artyom começou a falar de reforma e de mudar a planta do apartamento, senti que havia algo errado. E este apartamento eu não passei para o seu nome, como tinha prometido; fiz uma doação para o seu irmão mais velho, o Misha. Ele mora em outra cidade, não precisa desses metros aqui, mas é um homem firme como uma rocha. Ele me disse na época: “Mãe, vamos fazer de um jeito que nenhum genro fique de olho na sua casa”. Então o seu Artyom estalava a calculadora à toa. Eles estavam dividindo algo que, legalmente, nunca lhes pertenceria. Eu não queria te contar, tinha medo de que você ficasse magoada, achando que eu não confiava na sua escolha…
Eu olhava para a minha mãe e sentia tudo dentro de mim começar a tremer com um riso nervoso.
Artyom e a mãe dele passaram um mês inteiro construindo castelos no ar sobre um alicerce alheio que nem em teoria poderia ser deles.
— Então nós duas estamos aqui de favor? — perguntei, rindo.
— Mas claro que não, — mamãe piscou para mim.
— Misha disse: morem aqui o quanto quiserem, até os cem anos. Mas se aparecer algum “trabalhador de escritório”, é para pôr para correr. Eu sabia, filha. Eu sabia.
Abracei mamãe, e ficamos sentadas por muito tempo no crepúsculo, ouvindo como, em algum lugar atrás da parede, os vizinhos batiam calmamente a louça.
Não vai haver casamento, não vai haver vestido, nem Artyom também.
Mas nos restaram a verdade e esta casa antiga e sólida que, ao que parece, sabe proteger os seus donos ainda melhor do que eles próprios.
Prestem atenção àqueles que pegam na calculadora antes mesmo da aliança.
Às vezes, a pessoa “a mais” dentro de casa não é quem mora ali, mas quem tenta tomá-la para si.







