— Que férias são essas?!

Você não vê que a cerca da mamãe na casa de campo entortou?!

Eu contratei uma equipe, comprei um portão de ferro forjado e piso intertravado com todo o dinheiro das nossas férias.

— Andriúcha, o que você está fazendo?

Temos que sair em quatro horas, o táxi já está marcado para amanhã de manhã! — Olga ficou paralisada na porta do quarto, apertando na mão a nécessaire com os cosméticos.

A cena diante dela não fazia sentido.

No chão, bem sobre o laminado claro, jazia um monte disforme de seus vestidos de verão, shorts e túnicas.

Andrei, calmo e concentrado, estava em pé sobre a mala aberta — justamente aquela enorme, de plástico, cor de fúcsia, que eles tinham comprado especialmente para essa viagem.

Metodicamente, movimento após movimento, ele tirava de dentro da mala os rolinhos de roupas cuidadosamente dobrados e os jogava no chão.

Sem raiva, sem histeria, simplesmente como uma pessoa separando lixo.

— Cancelei o táxi, — informou ele em tom corriqueiro, sem se virar.

Sua mão mergulhou no bolso lateral da mala, tirou de lá um maiô novo ainda com etiqueta e o lançou aos pés da esposa.

— E devolvi as passagens.

O reembolso foi uma mixaria, claro, as multas foram absurdas, mas pelo menos alguma coisa voltou para o cartão.

Olga piscou.

Uma vez, outra vez.

O sentido das palavras chegava a ela lentamente, como se tivesse de atravessar uma camada grossa de água.

— Como assim devolveu? — sua voz falhou, transformando-se num sussurro rouco.

— Andrei, faz três anos que não vamos a lugar nenhum.

Nós guardamos dinheiro de cada salário.

Eu coloquei ali todo o meu bônus trimestral…

Você está brincando?

É alguma pegadinha idiota antes do voo?

O marido finalmente se endireitou e olhou para ela.

Não havia culpa em seu olhar.

Ali havia apenas a cansada condescendência de um adulto obrigado a explicar coisas elementares a uma criança irracional.

Ele bateu as mãos uma na outra, como se tivesse se sujado com as roupas de praia dela, e deu um passo em sua direção, pisando com o sapato bem em cima da canga branca.

— Que férias são essas?!

Você não vê que a cerca da mamãe na casa de campo entortou?!

Eu contratei uma equipe, comprei um portão de ferro forjado e piso intertravado com todo o dinheiro das nossas férias!

Você vai passar o verão nos canteiros, ajudando a mamãe, respirando ar puro!

Isso é mais saudável do que esse seu mar!

E nem se atreva a ficar fazendo cara feia para mim! — ordenou o marido, desfazendo as malas da esposa e jogando os maiôs no chão, porque tinha decidido que o conforto da mãe dele era mais importante do que o descanso da mulher.

Olga sentiu o sangue fugir de seu rosto.

A nécessaire caiu dos dedos enfraquecidos e bateu surdamente no chão.

Os frascos lá dentro tilintaram de forma lastimável.

— Você… gastou duzentos mil numa cerca? — perguntou ela, olhando fixamente para um ponto na camisa dele.

— Na casa de campo onde vamos duas vezes por ano?

Andrei, aquele era dinheiro dos dois.

Ali estava a minha metade também.

Você nem me perguntou!

Andrei sorriu com escárnio, empurrando com a ponta do sapato o chapéu jogado no chão.

— Perguntar?

Olia, eu sou o chefe da família.

Sou eu quem toma as decisões estratégicas.

E você pensa como a cigarra da fábula.

Esse seu mar não vai fugir, ele é salgado e sujo.

Mas no terreno da mamãe a argila cedeu, os postes entortaram.

Os vizinhos já estão olhando torto, é uma vergonha.

Eu, como um filho normal, não posso permitir que a propriedade da minha mãe esteja desmoronando enquanto a gente fica torrando a barriga.

Ele passou por ela em direção à cozinha e atirou por cima do ombro:

— Junta esses trapos.

Pega roupa normal.

Agasalhos, camisetas velhas, aquelas que não dá pena estragar.

Amanhã às sete da manhã uma Gazelle vai passar para nos buscar com o cimento, vamos junto com os carregadores para supervisionar a descarga.

Olga ficou parada, sem se mover.

Por dentro, uma onda quente e sufocante crescia.

Não era só decepção.

Era traição, cínica e calculada.

Ele não tinha decidido aquilo ontem.

Encomendar portão de ferro forjado, piso, equipe — isso não se faz em cinco minutos.

Ele vinha planejando aquilo havia semanas.

Ele a observava escolhendo hotel, lendo avaliações, experimentando maiôs diante do espelho e perguntando: “Ficou bom em mim?”.

Ele concordava, sorria e sabia que eles não iriam para lugar nenhum.

Ela se virou e foi atrás dele até a cozinha.

Andrei já tinha aberto a geladeira e estava tirando uma lata de cerveja, mostrando com toda a atitude que o assunto estava encerrado e não seria discutido.

— Eu não vou a lugar nenhum, — disse Olga com firmeza.

Suas mãos tremiam, mas ela as escondeu atrás das costas.

— Eu não vou para a casa de campo.

E não vou capinar os canteiros da sua mãe.

Devolva a minha parte do dinheiro.

Agora mesmo.

Eu compro um pacote de última hora, nem que seja para a Turquia ou para Sóchi, não estou nem aí, e viajo sozinha.

Andrei fechou lentamente a porta da geladeira.

O clique do fecho, no silêncio do apartamento, soou como um disparo.

Ele se virou para ela, e a expressão de superioridade entediada em seu rosto foi substituída por uma máscara dura e cruel.

— Não tem dinheiro, — disse, separando bem as palavras.

— Eu já falei claramente: foi tudo para algo útil.

Piso, portão, trabalho dos mestres.

Cem por cento adiantado.

E você não vai voar sozinha para lugar nenhum.

O que as pessoas vão dizer?

O marido se mata de trabalhar pela casa e a esposa fica rebolando em resort?

Isso não vai acontecer.

— Eu não ligo para o que as pessoas vão dizer! — Olga gritou.

— Você roubou o meu descanso!

Você roubou o meu dinheiro!

Você… você é simplesmente um ladrão, Andrei!

— Cala a boca, — disse ele, baixinho, mas de um jeito assustador.

— Não se atreva a levantar a voz.

Você mora no meu apartamento, come os produtos que eu compro.

Seu salário é assim, um dinheirinho para bugigangas.

Quem forma o orçamento principal sou eu, e sou eu quem decide onde gastar.

A cerca vai durar cinquenta anos.

O seu bronzeado vai sumir em uma semana.

Então pare de fazer escândalo.

Vai arrumar as coisas para o trabalho.

Uma pá na mão — e toda essa bobagem sai da sua cabeça.

Olga olhava para ele e via um estranho.

Um egoísta calculista e cruel, que se escondia atrás do dever de filho para alimentar o próprio ego.

— Eu vou arrumar minhas coisas agora, — disse ela, sentindo tudo congelar por dentro.

— Mas não para a casa de campo.

Eu vou embora.

Ela se virou bruscamente para correr até o corredor, pegar a bolsa e ir para a casa da irmã, de uma amiga, para um hotel — qualquer lugar, desde que não precisasse ver aquele sorriso satisfeito.

Mas Andrei foi mais rápido.

Ele não era atleta, mas a raiva lhe deu velocidade.

Correu atrás dela, ultrapassou-a no corredor estreito e, colocando-se diante da porta de entrada, abriu os braços, apoiando-se nos batentes.

— Você não vai a lugar nenhum, — sibilou entre os dentes.

Olga tentou se desviar, tentando passar por baixo do braço dele, mas Andrei reagiu imediatamente.

Ele não bateu nela, não.

Apenas segurou seus ombros com uma pegada rígida, quase de aço, e a empurrou com força para trás, para dentro do corredor.

Olga perdeu o equilíbrio no laminado escorregadio, agitou os braços e bateu as costas dolorosamente na parede ao lado do espelho.

— Não faz besteira, — a voz de Andrei soava assustadoramente calma, sem histeria nem fúria, apenas com a fria e autoritária segurança de um carcereiro dominando uma prisioneira rebelde.

— Você está falando bobagem por emoção.

Precisa esfriar a cabeça.

— Esfriar a cabeça?! — Olga mal conseguia respirar de humilhação e impotência.

— Você me empurrou!

Você enlouqueceu de vez por causa dessa cerca?

Me deixa sair!

Eu não quero te ver, não quero falar com você!

Me deixa passar!

Ela tentou de novo dar um passo em direção à porta, mas Andrei fez algo que ela jamais esperaria.

Com um movimento rápido, tirou do gancho do porta-chaves o molho de chaves — o dela, com o chaveiro em forma de pequena Torre Eiffel que haviam comprado em Paris cinco anos antes, quando ele ainda era diferente.

— As chaves, — disse secamente, enfiando o molho no bolso fundo da calça de moletom que usava em casa.

— Enquanto você não voltar ao normal e parar de agir como uma vadia egoísta, não sai de casa.

— Essas chaves são minhas!

Devolve agora mesmo! — Olga avançou contra ele, tentando meter a mão no bolso, arrancar de volta o que era seu, mas Andrei segurou seus pulsos.

Os dedos dele se fecharam sobre seus braços como algemas.

Ele se inclinou para o rosto dela, e Olga viu em seus olhos algo totalmente estranho, escuro e impenetrável.

Era o olhar de uma pessoa que acredita santamente estar certa, e nenhum argumento, nenhuma lágrima é capaz de abalar sua certeza.

— Você vai sentar e pensar, — disse ele lentamente, separando cada palavra.

— O dinheiro fui eu que ganhei, embora o orçamento fosse comum, então sou eu quem decide.

Nesta casa você só gasta.

Essas migalhas que você traz do trabalho vão para os seus próprios trapos e cosméticos.

As coisas sérias — obra, carro, casa de campo — tudo isso cai nas minhas costas.

Então enfia essa sua opinião bem longe.

Até você pedir desculpas à mamãe por esse seu desejo egoísta de torrar a bunda no sol, até prometer que vai trabalhar no terreno calada e sorrindo, você não atravessa a soleira deste apartamento.

Ele soltou os braços dela com o mesmo desprezo de quem larga algo sujo.

Olga recuou, esfregando a pele avermelhada.

— Isso é ilegal, Andrei, — sussurrou ela, sentindo um medo pegajoso começar a invadir sua alma.

— Você não tem o direito de me trancar.

Isso é crime.

Andrei riu.

Foi uma risada curta, seca.

— Crime?

Olia, não me faça rir.

Que crime?

“O marido não deixa a esposa histérica sair para não fazer besteira”?

Qualquer policial do bairro apertaria minha mão.

Eu estou salvando a família, sua idiota.

Você agora correria para a casa da sua irmã, encheria a cabeça dela de mentiras, inflaria um escândalo do nada.

E amanhã voltaria rastejando para pedir perdão, mas seria tarde.

Eu estou salvando você de si mesma.

Ele se virou para a porta de entrada e, demonstrativamente, girou lentamente o trinco da fechadura de baixo.

Clique.

Clique.

Duas voltas.

O pesado som metálico ecoou na cabeça de Olga como um dobre fúnebre.

Essa fechadura abria apenas com chave por fora ou com trinco por dentro, mas Andrei, depois de pensar um segundo, tirou a própria chave do bolso e trancou também a fechadura de cima — a de segurança.

Aquela que sem chave não abre de nenhum dos lados.

— Assim, — assentiu satisfeito, escondendo o segundo molho junto ao primeiro.

— Seguro.

Olga ficou ali, com as costas encostadas na parede, olhando para a porta trancada.

De repente, percebeu com clareza aguda que estava numa armadilha.

Quinto andar.

Não havia grades nas janelas, mas pular seria loucura.

A varanda dava para o pátio, mas gritar dali?

Andrei a faria passar por louca.

Diria que a esposa teve um colapso nervoso.

E acreditariam nele.

Ele sempre soube parecer um homem confiável e sólido.

Enquanto isso, Andrei já perdera o interesse por ela.

Entrou na sala, onde as coisas dela ainda estavam espalhadas pelo chão, passou por cima da pilha de maiôs como se fosse lixo e sentou-se diante do computador.

A tela do monitor se acendeu, iluminando seu rosto concentrado com uma luz azulada.

— Então, — murmurou para si mesmo, abrindo o e-mail.

— Preciso conferir a nota do piso.

Da outra vez aqueles vigaristas não entregaram três metros quadrados…

Ele se comportava como se Olga não estivesse ali.

Como se ela fosse um móvel, um objeto de decoração que temporariamente havia deixado de funcionar e fora posto num canto até segunda ordem.

Essa indiferença a machucava mais do que os gritos.

Ele a anulava completamente como pessoa, como parceira, como ser humano com direito à palavra.

Olga escorregou pela parede até sentar no chão.

As pernas não a sustentavam.

Na cabeça martelava apenas um pensamento: ele não tinha roubado só o dinheiro e as férias.

Tinha roubado sua liberdade.

E o mais assustador era que acreditava sinceramente estar fazendo isso para o bem dela.

— Andrei, — chamou ela baixinho.

A voz tremia, mas ela tentava se controlar.

— Amanhã eu tenho dia de trabalho.

Se eu não aparecer, vão me demitir.

Andrei nem virou a cabeça, clicando com o mouse.

— Não vão te demitir.

Suas férias programadas começam amanhã, já estão assinadas.

Então você tem tempo.

Vai trabalhar uma semana na casa de campo, toda essa bobagem vai sair da cabeça, você vai pegar uma cor, ficar mais forte.

Mamãe vai assar tortas.

Você ainda vai me agradecer por eu ter te salvado daquela inutilidade de ficar largada na praia.

Ele ficou em silêncio por um segundo e depois acrescentou, sem mudar o tom:

— E sim, bloqueei o seu cartão-salário pelo aplicativo.

Afinal, eu tenho acesso à sua conta, lembra?

Foi você mesma que me deu a senha quando estávamos quitando a hipoteca.

Então, de qualquer forma, você não conseguiria comprar passagem nenhuma.

Fica quietinha.

Olga fechou os olhos.

Era xeque-mate.

Ele tinha pensado em tudo.

Cercou-a com bandeirinhas vermelhas, como se caça um lobo, e agora a empurrava para um canto onde só a esperavam submissão e canteiros sob o sol escaldante.

Mas em algum lugar no fundo, sob a camada de medo e choque, uma pequena chama má começou a acender dentro dela.

Uma chama de ódio por aquele homem sentado de costas para ela, escolhendo cimento para a cerca da mãe.

Lá fora, o crepúsculo se adensou, tingindo o quarto de tons cinza-sujos.

Olga estava sentada na beira do sofá, com as pernas recolhidas.

Não acendia a luz, como se esperasse que, no escuro, aquele pesadelo se desfizesse e ela acordasse em sua cama uma semana antes daquele dia maldito.

Mas a realidade se fazia sentir pelos cheiros.

Da cozinha vinha o odor de carne frita e cebola.

Andrei preparava o jantar.

Fazia isso sem pressa, com uma domesticidade ostensiva, batendo panelas, abrindo a torneira, farfalhando sacolas.

Agia como se nada tivesse acontecido, como se a mulher no cômodo ao lado não estivesse trancada, sem meios de comunicação e sem liberdade, mas apenas descansando diante da televisão.

Esse cheiro de comida provocava em Olga náusea, misturada com uma sensação aguda e humilhante de fome — ela não comia desde a manhã, enquanto se preparava para a longa ida ao aeroporto.

— Vem comer, — veio da cozinha.

A voz do marido soava uniforme, sem convite, mais como uma ordem dada a um cachorro.

Olga não se mexeu.

— Eu falei com quem? — Andrei apareceu na porta.

Numa mão segurava um garfo com um pedaço de carne espetado, na outra um pano de prato.

— Não se faça de mártir.

Amanhã vai ser um dia pesado, você vai precisar de forças.

Não vou ficar ouvindo depois seu choramingo de que está tonta de fome.

Ele se aproximou e acendeu a luz do teto.

O lustre se iluminou, ferindo os olhos dela.

Olga apertou as pálpebras, virando-se para a parede.

— Eu não vou comer com você, — disse ela em voz abafada.

— Não quero nada seu.

Andrei bufou, secando as mãos no pano.

— Orgulho?

Muito bem.

Isso passa quando o estômago gruda na coluna.

Tudo bem, eu fiz minha parte oferecendo.

Se não quer, fique com fome.

O orçamento agradece.

Ele voltou para a cozinha, e logo dali vieram sons de mastigação e da televisão ligada.

Assistia ao noticiário, comentava algo em voz alta, ria das piadas do apresentador.

Essa normalidade era o mais assustador de tudo.

Para ele, a violência tinha virado norma em uma única noite.

Ele cruzara a linha que separa família de prisão e nem percebera, tão certo estava de sua autoridade pedagógica.

Meia hora depois, voltou.

Saciado, satisfeito, com um palito de dente no canto da boca.

Nas mãos, trazia uma sacola velha e empoeirada.

— Levanta, — ordenou.

— Prova.

Andrei despejou o conteúdo da sacola direto no sofá, ao lado de Olga.

Eram roupas velhas que ela planejava jogar fora havia pelo menos dois anos: calças de moletom esgarçadas nos joelhos e manchadas de tinta, uma camiseta lavada demais e sem forma, e o velho casaco de fleece dele, queimado na manga.

As roupas cheiravam a mofo e armário alto.

— Aqui, — assentiu satisfeito.

— Roupa de trabalho.

Seus shortinhos e tops não servem para isso.

Mamãe não gosta quando ficam exibindo o corpo, e os mosquitos ainda vão te devorar.

Vista isso.

Amanhã saímos cedo, não vai haver tempo para ficar escolhendo.

Olga olhava para aquele monte de trapos.

Na mala dela estavam as calças de linho novas, os vestidos leves, as sandálias bonitas.

E estavam lhe propondo vestir restos velhos para amassar barro e carregar tijolos por causa do capricho da sogra.

— Eu não vou vestir isso, — disse ela, erguendo os olhos para o marido.

Algo dentro dela começava a mudar.

O medo que a paralisara nas últimas horas começava a recuar.

Seu lugar era ocupado por outro sentimento — frio, transparente, afiado como um caco de gelo.

Ódio.

Não histérico, não gritante, mas silencioso e absoluto.

— Vai vestir, não tem para onde fugir, — Andrei deixou de sorrir.

Seu rosto tornou-se duro outra vez.

— E mais uma coisa.

Agora vou ligar para a mamãe no viva-voz.

Você vai cumprimentá-la e agradecer.

— O quê? — Olga achou que tinha ouvido errado.

— Vai agradecer, — repetiu Andrei, tirando o telefone.

— Vai dizer: “Mamãe, obrigada por nos receber.

Estamos tão felizes em ajudar, Andrei é um ótimo filho, organizou tudo”.

E com voz animada.

Se tentar soltar alguma coisa a mais ou reclamar — aguente as consequências.

Eu faço da sua vida um inferno tão grande que trabalhar nos canteiros vai parecer paraíso.

Desligo a internet, quebro seu celular.

Entendeu?

Ele pairava sobre ela, esmagando-a com sua massa, seu cheiro de cebola frita e sua certeza.

Ele acreditava de verdade que a estava adestrando.

Que estava quebrando seu egoísmo para transformá-la numa “esposa normal”.

Olga ficou em silêncio.

Observava os dedos dele correndo pela tela do smartphone e, de repente, entendeu tudo.

Diante dela não estava um marido.

Nem sequer uma pessoa.

Diante dela estava uma função, um programa ajustado para destruir sua personalidade.

Discutir com ele era inútil.

Implorar, humilhante.

Lutar fisicamente, impossível.

Mas havia outra coisa que podia ser feita.

— Está bem, — disse ela baixinho.

Andrei parou.

O dedo ficou suspenso sobre o botão de chamada.

Ele estreitou os olhos, desconfiado.

— O que quer dizer com “está bem”?

— Está bem, vou vestir essas roupas.

E vou, — ela abaixou a cabeça para que ele não visse seus olhos.

Neles não havia submissão, mas a calma glacial de um atirador antes do disparo.

— Você tem razão, Andrei.

Eu me comportei de forma egoísta.

Precisamos ajudar a mamãe.

Não precisa ligar agora, já está tarde, vamos acordá-la.

Amanhã eu mesma digo tudo a ela.

Pessoalmente.

Andrei ainda a observou por um minuto, procurando alguma armadilha.

Mas Olga permanecia quieta, passando os dedos pelo tecido velho das calças.

A tensão em seus ombros diminuiu.

Ele sorriu com autossatisfação — vitória.

O método funcionava.

Mão firme — era disso que uma mulher precisava para colocar os pensamentos em ordem.

— Viu só, — ele lhe deu um tapinha no ombro, e Olga se encolheu com o toque, mas se conteve.

— Quando quer, você consegue.

Boa menina.

Vai dormir.

Amanhã acordamos às seis.

Ele se virou e foi para o quarto, jogando a sacola com as roupas na poltrona.

— E a chave? — perguntou Olga às costas dele.

— A chave vai ficar debaixo do meu travesseiro, — bocejou Andrei.

— Não inventa, Olia.

A porta é de ferro, as fechaduras são boas.

Dorme.

A porta do quarto se fechou.

Olga ficou sozinha na sala em penumbra.

Levantou-se devagar e pegou a camiseta velha nas mãos.

O tecido era desagradável ao toque, áspero.

Ela já não chorava.

Não havia lágrimas.

Havia apenas um objetivo.

Ele queria que ela fosse para a casa de campo?

Ela iria.

Ele queria que ela se ocupasse de alguma coisa?

Ela se ocuparia.

Só que dificilmente o resultado seria do agrado dele.

Olga foi até a cozinha.

Sobre a mesa estava a pasta com os documentos que Andrei examinara com tanto orgulho naquela noite.

O contrato para a instalação do portão, os recibos do piso, as notas do cimento e, o mais importante, um envelope grosso com o restante do dinheiro em espécie para pagar a equipe — justamente o dinheiro que deveria ter virado coquetéis à beira-mar.

Ela estendeu a mão para a pasta.

Os dedos não tremiam.

O despertador tocou exatamente às seis da manhã, rasgando o silêncio do apartamento com um toque estridente.

Andrei levantou primeiro.

Estava disposto, enérgico e cheio daquela agitação prática típica de quem tem certeza da própria superioridade absoluta.

Tomou banho rapidamente, cantarolando alguma coisa, e saiu para o corredor enquanto abotoava a camisa xadrez.

Olga já estava acordada.

Ela estava sentada no pufe do hall de entrada, vestindo exatamente aquelas calças de moletom frouxas e a camiseta cinza que ele lhe jogara na noite anterior.

Nos pés, tênis velhos.

As mãos pousadas sobre os joelhos, o rosto pálido, sem maquiagem, o olhar vazio, como o de um manequim.

Andrei soltou um grunhido satisfeito.

A visão da esposa quebrada e obediente o animava mais do que um café forte.

— Agora sim, outra coisa, — disse animadamente, batendo-lhe no ombro.

— Viu?

Não é tão difícil assim ser uma pessoa normal.

Agora vamos tomar café rapidinho e descer.

A Gazelle com a equipe já saiu, chegam em meia hora.

Ainda temos de passar no mercado para comprar água para os trabalhadores.

Ele tirou do bolso o precioso molho de chaves, tilintando-o como um carcereiro, e abriu com ar triunfante as duas fechaduras.

Os estalos do mecanismo soaram como uma permissão para o banho de sol no pátio da prisão.

A porta se entreabriu, deixando entrar no apartamento abafado uma corrente de ar do corredor.

— Vai ligar o carro, — ordenou Andrei, calçando as botas.

— As chaves do carro estão no aparador.

Enquanto isso, eu recolho o lixo e pego os documentos.

Olga levantou-se lentamente.

Não foi em direção à saída.

Em vez disso, deu um passo mais para dentro do corredor, em direção ao banheiro.

— Aonde vai? — franziu a testa Andrei, amarrando o cadarço.

— Eu disse que estamos sem tempo.

— Lavar as mãos, — respondeu ela baixinho.

Andrei fez um gesto com a mão, como quem diz vá, mas rápido.

Foi para a cozinha, saboreando de antemão o momento em que pegaria o envelope gordo de dinheiro, a pasta com o contrato e se sentiria o verdadeiro dono da vida, o homem que agradou a mãe, colocou a esposa no lugar e arrumou a casa de campo.

Aproximou-se da mesa.

A pasta estava no lugar.

Abriu-a para conferir o dinheiro — cento e cinquenta mil em notas de cinco mil, separados especialmente para pagar o chefe da equipe.

A pasta estava vazia.

Andrei congelou.

Piscou, virou a pasta de cabeça para baixo, sacudiu-a.

Nada.

Nem dinheiro, nem contrato do portão, nem recibos do piso.

Um suor frio apareceu imediatamente em sua testa.

— Olia! — berrou ele, correndo para o corredor.

— Onde está o dinheiro?

Para onde você levou?

Do banheiro veio um som característico — o ruído da água enchendo a caixa da descarga.

E um estranho farfalhar úmido.

A porta do banheiro estava entreaberta.

Andrei puxou a maçaneta.

Olga estava ajoelhada diante do vaso sanitário.

Nas mãos, tinha um maço de notas vermelho-alaranjadas.

Mas aquilo já não era um maço.

Era uma massa molhada, desfeita.

Ao lado, no piso frio, jaziam pedaços de papel com carimbos — o contrato, rasgado em minúsculos fragmentos.

— O que você está fazendo?! — guinchou Andrei, a voz subindo para um falsete.

Olga não se virou.

Com calma, metodicamente, abriu os dedos e soltou as últimas notas no redemoinho da água.

Depois apertou a descarga.

A água desceu com violência, levando consigo o portão de ferro forjado, o trabalho da equipe, o piso intertravado e o status de “bom filho”.

O papel rodopiou e desapareceu no buraco negro do esgoto.

Andrei ficou parado na porta, paralisado de horror.

Via o dinheiro desaparecer, mas seu cérebro se recusava a acreditar no que acontecia.

Aquilo era tão irracional, tão monstruoso em sua falta de sentido, que ele simplesmente não conseguia se mover.

Olga levantou-se lentamente.

Sacudiu as mãos, como se tivesse acabado de terminar um trabalho sujo, e se virou para ele.

Em seus olhos não havia medo nem triunfo.

Apenas um deserto de gelo.

— O encanamento é velho, — informou em tom cotidiano, passando pelo marido petrificado.

— Pode entupir.

Mas chamar o encanador sai mais barato do que instalar uma cerca.

— Você… você… — Andrei arfava, o rosto tomado por manchas roxas.

— Você destruiu o dinheiro?!

Tem noção do que fez?

A equipe vai chegar!

A encomenda foi paga só em parte!

Vai ter multa!

Mamãe está esperando!

Finalmente ele despertou e correu para o vaso sanitário, como se esperasse pescar alguma coisa, mas a água já tinha se acalmado, deixando na superfície apenas alguns pedaços molhados do contrato.

Enquanto isso, Olga saiu para a sala.

Andrei veio atrás, cerrando os punhos.

A fúria fervilhava dentro dele, procurando uma saída.

Ele queria agarrá-la, sacudi-la, obrigá-la a desfazer tudo, embora soubesse que era impossível.

— Você é louca! — gritava ele, cuspindo saliva.

— Vou te internar num hospício!

Você vai me devolver tudo!

Vai pagar até o último centavo com trabalho!

Olga estava junto à porta aberta da varanda.

O vento da manhã agitava as cortinas sujas.

Na mão direita ela segurava as chaves do carro dele — o crossover novinho do qual ele tanto se orgulhava e com o qual deveriam ter ido.

— Para, — Andrei freou, vendo o brilho do metal na mão dela.

— Não se atreva.

Olia, não se atreva.

Agora já não é brincadeira.

— E eu não estou brincando, — disse ela calmamente.

— Você queria que eu respirasse ar puro, não era?

Pois estou respirando.

E ao seu carro também vai fazer bem tomar um ar.

Ela fez um movimento amplo com o braço.

Andrei se lançou para a frente, tropeçou na sacola de roupas jogada ali no dia anterior e caiu de joelhos.

Só pôde assistir enquanto suas chaves, descrevendo um belo arco, voavam do quinto andar.

Lá embaixo, sob as janelas, cresciam densos arbustos espinhosos de roseira-brava e urtigas altas até a cintura, escondendo uma boca de lobo aberta da drenagem pluvial.

O leve tilintar do metal batendo no asfalto, em algum lugar muito abaixo, colocou um ponto final naquela manhã.

Ou talvez fosse o som borbulhante da água no bueiro.

Do quinto andar, era impossível distinguir.

Andrei continuava sentado no chão, olhando para a mão vazia da esposa.

Ele tremia.

Não de medo, mas de impotência.

Estava acostumado a esmagar com lógica, dinheiro e autoridade.

Mas contra a pura destruição destilada ele não tinha argumentos.

Ela não discutia, não provava nada.

Apenas destruíra o mundo dele.

Olga passou por cima dele, indo em direção à porta de entrada.

Nem sequer se trocou.

Ela não se importava com a própria aparência.

— Aonde você vai? — grasnou Andrei, sem tentar se levantar.

— Você não vai a lugar nenhum.

A porta…

— A porta está aberta, — lembrou ela.

— Você mesmo abriu.

Ela parou na soleira, pegou sua bolsa, que continuava no canto desde a noite anterior, e tirou dali suas chaves do apartamento.

Andrei viu aquilo, mas não conseguia se mexer.

Olga olhou para ele de cima para baixo.

Seu olhar percorreu o rosto deformado dele, as mãos que até um minuto antes pretendiam comandar a obra e que agora jaziam impotentes sobre o laminado.

— Receba você mesmo a equipe, — disse com voz uniforme.

— Explique o caso de força maior.

Fale da mamãe, da cerca.

Invente alguma coisa.

Você é o chefe da família, o estrategista.

Então resolva.

Ela saiu para o patamar.

— E mais uma coisa, Andrei, — acrescentou, já segurando a maçaneta pelo lado de fora.

— As chaves do apartamento ficam comigo.

Vou buscar minhas coisas quando você não estiver.

Nem precisa trocar as fechaduras.

Eu não volto mais para cá de qualquer jeito.

A porta se fechou com estrondo.

Andrei ficou sentado no corredor, em completo silêncio, interrompido apenas pelo som da água pingando na caixa da descarga.

Ele ouvia o elevador levando a esposa embora.

Depois, lá embaixo, no pátio, a porta do prédio bateu.

Lentamente, ele baixou o olhar para as próprias mãos.

Vazio.

Nem dinheiro, nem carro, nem esposa, nem férias.

Só o cheiro do desodorizador do banheiro, que agora lhe parecia o odor mais repugnante do mundo.

E em algum lugar distante, na casa de campo, a cerca torta da mãe dele continuava apodrecendo, sem nunca ter recebido os novos portões de ferro forjado…