A dacha tinha passado para Arina por herança do avô, quando ela tinha vinte e três anos.
Era uma pequena casa de troncos em um povoado de chácaras de veraneio, a quarenta quilômetros da cidade, com um terreno de seis соток, macieiras, arbustos de groselha e uma velha баня junto à cerca.

O avô construiu tudo sozinho, com as próprias mãos, colocando a alma em cada prego.
Antes de morrer, chamou Arina, segurou sua mão e disse:
— Isto é para você. Vou registrar em seu nome. Cuide bem. Aqui dá para descansar de tudo.
Arina assentiu, segurando a palma quente e enrugada dele.
Um mês depois, o avô faleceu, e a dacha se tornou sua ilha pessoal de silêncio.
Ela vinha para lá sozinha, trabalhava no notebook na varanda, lia, caminhava pela floresta.
Ali não havia correria, não havia gente demais, não havia necessidade de explicar nada a ninguém.
Ela conheceu Igor três anos depois.
Ele trabalhava como gerente em uma empresa comercial, era comunicativo, alegre, gostava de grandes companhias e festas barulhentas.
Arina era o oposto dele — calma, fechada, preferia a solidão à multidão.
Mas dizem que os opostos se atraem.
Eles começaram a namorar e, um ano depois, se casaram.
Arina avisou logo de início:
— A dacha é o meu espaço pessoal. Veio do meu avô, está registrada em meu nome. Vou ficar feliz se você for para lá comigo, mas vamos combinar: nada de festas barulhentas, nada de multidões de convidados. Este é um lugar para descansar.
Igor assentiu:
— Claro, eu entendo. Não sou daqueles que se metem no que não é da sua conta.
No começo, foi exatamente assim.
Eles iam para lá os dois, Igor ajudava com os afazeres — consertava a cerca, pintava o gazebo, cortava a grama.
Arina era grata pela ajuda.
Tudo corria tranquilamente.
Mas, aos poucos, algo começou a mudar.
Certo dia Igor perguntou:
— Escuta, meus pais podem vir nos visitar neste fim de semana? Só por um dia, para passear, fazer churrasco.
Arina deu de ombros:
— Bem… por um dia, tudo bem. Só avise a eles que este é um lugar tranquilo, sem música alta e sem festas até de madrugada.
— Claro, — garantiu Igor.
Os pais chegaram no sábado de manhã.
A mãe de Igor, Valentina Ivanovna, era uma mulher enérgica, autoritária, acostumada a mandar.
O pai era calado, tranquilo, obedecia à esposa em tudo.
Eles trouxeram enormes sacolas de comida, uma churrasqueira, carvão e meio balde de carne marinada.
— Ah, que beleza vocês têm aqui! — exclamou Valentina Ivanovna, olhando o terreno. — Igorzinho, por que você nunca disse que vocês tinham uma dacha assim?
Arina corrigiu:
— Esta dacha é minha. Era do meu avô.
— Sim, sim, claro, — assentiu distraidamente Valentina Ivanovna, já observando os canteiros. — Então, o que vocês plantaram aqui? Pepinos? Tomates? Vai ser preciso adubar…
O dia transcorreu normalmente.
Fizeram churrasco, sentaram na varanda, conversaram.
Ao anoitecer, os pais foram embora.
Arina soltou um suspiro de alívio.
Mas, duas semanas depois, Igor pediu de novo:
— Meus pais querem vir no fim de semana. Pode?
— De novo? — admirou-se Arina.
— Sim, eles gostaram. Dizem que aqui o ar é limpo, dorme-se bem.
Arina franziu a testa, mas concordou.
Afinal, eram os pais do marido.
Desta vez, Valentina Ivanovna trouxe ainda mais coisas — cobertores, travesseiros, chinelos, panelas.
— Para que tanta coisa? — perguntou Arina.
— Ora, — respondeu a sogra, — é mais prático quando tudo o que é seu está à mão. Vai que falta alguma coisa aqui.
Ela começou a espalhar suas coisas pela casa, a reorganizar a louça nos armários, a mover os móveis.
— O que a senhora está fazendo? — perguntou Arina, confusa.
— Ah, nada demais, — fez pouco caso Valentina Ivanovna. — Só estamos colocando ordem. Aqui as coisas estão dispostas de um jeito meio ruim, não é prático.
Arina quis retrucar, mas Igor a interrompeu:
— Qual é, Arish, não é nada grave. Mamãe só quer ajudar.
Arina apertou os lábios e ficou em silêncio.
Depois disso, os pais começaram a vir todos os fins de semana.
Valentina Ivanovna se comportava com cada vez mais segurança — decidia o que preparar no almoço, onde pendurar a roupa, quem convidar para visitar.
Certa vez ela trouxe também a irmã e o sobrinho de Igor.
— Valentina Ivanovna, eu não sabia que viriam mais convidados, — disse Arina.
— Ah, e daí! Somos família! Não somos estranhos! — respondeu a sogra, fazendo pouco caso.
O sobrinho, um rapaz de uns vinte anos, barulhento e insolente, ocupou logo o quarto onde Arina costumava trabalhar.
Espalhou suas coisas sobre a mesa, ligou música nos fones de ouvido e se esticou no sofá.
— Este é o meu local de trabalho, — disse Arina.
— Ah, desculpa, tia, — ele se sentou de má vontade. — Minha mãe me disse que aqui podia.
Arina saiu para a varanda, onde Igor consertava alguma coisa.
— Igor, precisamos conversar.
— Sobre o quê? — ele nem levantou a cabeça.
— Sobre o que está acontecendo. Sua mãe traz gente para cá sem o meu consentimento. Seu sobrinho ocupou meu quarto. Eu não consigo trabalhar, não consigo descansar.
Igor suspirou.
— Arish, não pega no pé. É família. No verão, a dacha tem que ter vida. Não dá para deixá-la vazia.
— Ela não está vazia. Eu moro aqui. Trabalho aqui.
— Então se adapte. Você não vai ficar sozinha como uma eremita, vai?
Arina olhou para ele demoradamente.
— Então eu tenho que me adaptar aos seus parentes? Na minha casa?
— Mas esta casa não é só sua. Somos casados, então é nossa.
— Não, Igor. A dacha está em meu nome. É minha propriedade, recebida antes do casamento.
Igor fez uma careta.
— Lá vem você de novo. O tempo todo lembrando que isso é seu. Fica feio.
— Fica feio? — Arina sentiu algo dentro dela se esticar até o limite. — Feio é quando as pessoas dispõem da propriedade alheia sem pedir permissão.
— Meu Deus, que alheia! Eu sou seu marido!
— E isso não lhe dá o direito de trazer para cá qualquer um.
Igor largou as ferramentas e se levantou.
— Sabe de uma coisa, Arina, você é obcecada demais com o que é seu. Estou cansado dos seus limites e das suas regras. Talvez esteja na hora de aprender a dividir.
Ele se virou e entrou em casa.
Arina ficou parada na varanda.
Suas mãos tremiam, e um nó prendia sua garganta.
Naquela noite, ela voltou para a cidade sem explicar nada.
Disse apenas que tinha um trabalho urgente.
Igor nem tentou impedi-la.
Passou-se uma semana.
Arina trabalhava de casa, não atendia as ligações de Igor, pensava na situação.
Ela precisava entender o que fazer dali em diante.
Na sexta-feira à noite, decidiu ir à dacha para buscar os documentos e o notebook que haviam ficado lá.
Chegou sem avisar.
E parou imóvel diante do portão.
No pátio havia carros — três, talvez quatro.
Da casa vinha música alta.
Na varanda estavam sentadas umas dez pessoas, não menos.
Alguns faziam churrasco, alguns jogavam cartas, alguns dançavam ao som da música.
Arina abriu lentamente o portão e entrou no terreno.
A primeira a notá-la foi Valentina Ivanovna.
— Ah, Arina! Você chegou! Bem na hora, estamos comemorando o aniversário da Svetá, tia do Igor. Entre, não fique com vergonha!
Arina não respondeu.
Entrou na casa.
Na sala, havia uma longa mesa posta.
Sobre sua toalha favorita estavam pratos com comida, garrafas de vinho, tigelas de salada.
No sofá dormia um homem bêbado — ela não o conhecia.
No quarto, sobre a cama, havia bolsas e casacos de alguém.
Arina subiu ao segundo andar, onde ficava seu quarto de trabalho.
O sobrinho de Igor dormia numa cama dobrável, com roupas espalhadas ao redor e latas vazias de cerveja.
Arina desceu.
Igor estava junto à churrasqueira, virando os espetos, rindo de alguma piada.
— Igor, — chamou ela.
Ele se virou, viu-a e sorriu.
— Ah, Arish, você chegou! Ótimo! Junte-se a nós!
— O que está acontecendo aqui?
— Ora, é o aniversário da tia Svetá. Resolvemos comemorar. O tempo está bom, o lugar é ótimo. — Ele falava com leveza, com descuido, como se tudo aquilo fosse perfeitamente normal.
— Você pediu a minha permissão?
Igor fez uma careta.
— Arish, chega. No verão, a dacha tem que ter vida. Não dá para deixá-la trancada.
— Dá, — disse Arina com calma. — Porque esta dacha é minha.
Igor sorriu com ironia.
— Lá vem de novo.
Arina olhou para as pessoas que haviam ocupado sua casa, seu pátio, sua vida.
— Vejo que você assumiu demais o papel de dono, — disse ela em voz baixa, mas com clareza. — Aqui na dacha não há mais lugar para vocês.
Igor ficou imóvel, o espeto suspenso no ar.
— O quê?
— Eu disse: aqui não há mais lugar para vocês. Peço a todos que juntem suas coisas e deixem a propriedade.
As conversas à mesa cessaram.
As pessoas se viraram e a olharam, sem entender.
Valentina Ivanovna se levantou.
— Arina, do que você está falando? Nós somos família!
— Família não dispõe da propriedade alheia sem o consentimento do proprietário.
— Igor! — a sogra se voltou para o filho. — E você vai permitir que ela fale assim conosco?
Igor ficou ali, confuso, sem saber o que dizer.
— Arina, você não pode simplesmente expulsar as pessoas, — conseguiu dizer por fim.
— Posso. Esta é a minha propriedade. Tenho todos os documentos. Se alguém não sair por vontade própria, chamarei a segurança do povoado.
— Você enlouqueceu! — Igor elevou a voz.
— Não. Só estou lembrando de quem é esta casa.
Arina pegou o telefone e discou para a segurança.
— Boa noite. Aqui é Arina Sergeeva, lote número dezessete. Há pessoas na minha propriedade sem o meu consentimento. Peço que venham.
— Sim, já estamos indo, — responderam.
Valentina Ivanovna empalideceu.
— O que você está fazendo?! Que vergonha!
— Vergonha é usar a propriedade alheia como se fosse sua.
Os convidados começaram a recolher suas coisas às pressas.
Alguns resmungavam, outros juntavam seus pertences em silêncio.
Dez minutos depois, os carros foram saindo um após o outro do terreno.
Só Igor ficou.
Ele estava no meio do pátio, olhando para Arina com incompreensão e ressentimento.
— Você realmente fez isso?
— Fiz.
— Essa é a minha família!
— Esta é a minha casa.
Igor balançou a cabeça.
— Você é egoísta, Arina. Não pensei que fosse assim.
— E eu não pensei que você ignoraria meus pedidos e traria gente para cá sem que eu soubesse.
— Então acabou. É isso?
— Sim, Igor. Acabou.
Ele foi embora, batendo o portão.
Arina ficou sozinha.
Ela percorreu a casa, recolheu o lixo, lavou a louça, arejou os cômodos.
Levou os objetos esquecidos dos convidados até o portão.
Fechou todas as janelas, apagou as luzes.
E sentou-se na varanda, olhando para o jardim escuro.
Silêncio.
Um silêncio tão profundo como não havia havia muito tempo.
Naquela noite, ela dormiu sozinha na casa.
Pela manhã, acordou cedo, preparou café e saiu para a varanda.
O sol se erguia sobre as árvores, os pássaros cantavam, o orvalho brilhava na relva.
A casa do avô voltava a ser dela.
Alguns dias depois, Igor telefonou.
Sua voz estava fria.
— Vou buscar minhas coisas no apartamento.
— Está bem.
— E nem pense que eu vou voltar.
— Eu não penso.
— Então, divórcio?
— Sim.
Ele desligou.
Arina não chorou.
Ela já havia entendido há muito tempo — não se pode construir uma relação com alguém que não respeita seus limites.
Com alguém que acha que tem o direito de dispor do seu espaço, da sua vida, das suas coisas.
A dacha voltou a ser o que sempre tinha sido — um lugar de silêncio, paz e trabalho.
Arina ia para lá nos fins de semana, trabalhava, caminhava, lia.
Não convidava ninguém.
Não dava as chaves a ninguém.
Certa vez, uma amiga perguntou:
— Você não se arrepende?
— De quê?
— Bem, de ter se divorciado por causa da dacha.
Arina balançou a cabeça.
— Eu não me divorciei por causa da dacha. Eu me divorciei porque aquela pessoa não ouvia a palavra “não”. E achava que os desejos dele eram mais importantes que os meus.
A amiga assentiu.
— Entendi.
Passaram-se seis meses.
Arina continuava a trabalhar, a ir à dacha, a viver sua vida.
Igor se casou de novo — com uma mulher que não tinha imóvel próprio e acolheu com alegria a parentela dele.
Arina soube disso por acaso, por amigos em comum.
Deu de ombros.
Não se importava.
Numa noite de verão, ela estava sentada na varanda com uma xícara de chá.
O sol se punha, pintando o céu com faixas alaranjadas e rosadas.
Em algum lugar ao longe tocava música — os vizinhos estavam comemorando alguma coisa.
Mas ali, no terreno dela, havia silêncio.
E aquele era o melhor silêncio de sua vida.







