— E meus ombros não são de aço!

Eu não vou mais carregar você e seus pais nas costas! — explodiu Liuba.

— Ai, Liubonka, cá estamos nós de novo.

Pensei comigo: por que eu iria me dar ao trabalho de fazer jantar, se na sua casa a gente pode comer?

Você sempre tem tudo pronto, eu sei.

Ainda mais hoje, que é domingo, então você com certeza caprichou — cozinhou, assou, preparou de tudo.

A sogra falava com sua voz habitual, melosa e açucarada, arrastando as palavras e esticando o rosto num sorriso enjoativamente doce.

Já era o quinto dia seguido em que ela e o sogro apareciam ali todos os dias, sem faltar nenhum, como se fossem a um refeitório.

Não, melhor dizendo, como se fossem a um restaurante, porque preferiam comer o que fosse mais gostoso e mais caro.

— Que coisa curiosa!

Vocês vieram?

De novo? — disparou Liuba com raiva, aparecendo da sala.

— Que maravilha!

Só que eu não vi nenhuma placa de estabelecimento público na nossa porta.

Mas vocês, pelo visto, enxergam uma, já que vêm aqui como se isto fosse uma cafeteria.

Ah, não, o que estou dizendo!

Em cafeteria, afinal, é preciso pagar por tudo.

Provavelmente vocês confundiram a nossa casa com um asilo, um lugar onde benfeitores alimentam mendigos e toda sorte de coitados.

Todos os que não podem comprar comida para si mesmos!

Não é?

— Ai, estou passando mal!

Fiódor, me segura, vou cair.

Que grosseria sem precedentes!

Que falta de educação! — lamentou Sofia Romanovna, agarrando-se ao marido que estava ao seu lado.

— Você ouviu, Fiédia?

— Como você se atreve, sem-vergonha?

Do que está pensando em nos acusar? — perguntou o sogro em voz alta, amparando a esposa, que teatralmente parecia desabar no chão.

— E onde está o nosso filho?

Por que ele permite uma barbaridade dessas?

— O seu filho saiu.

German foi tomar um pouco de ar.

Pelo visto, ele também não gostou de que eu não queira mais me calar e suportar essa humilhação, — respondeu corajosamente a nora.

— Ligue agora mesmo para sua mãe e diga que hoje nós não estamos esperando por eles, — disse Liuba ao marido com evidente desagrado, pois tinha decidido ir ao cinema com as crianças e depois passear no parque.

— Como assim?

O que aconteceu?

Por que você não quer que mamãe e papai venham hoje à nossa casa? — espantou-se German.

— Porque eles estiveram aqui ontem.

Ficaram quase o dia inteiro sentados!

E anteontem também!

E três dias atrás também.

E vieram do mesmo jeito quatro e cinco dias atrás!

É por isso!

Por causa dessas visitas, eu não tenho mais tempo para nenhuma das minhas próprias coisas.

O que há de difícil de entender?

Tudo o que eu faço é ficar no fogão, pôr a mesa e depois lavar a louça depois de todos vocês.

Isso é normal?

— É, eu não pensava que isso fosse tão difícil para você, — ofendeu-se o marido.

— Mamãe e papai sentem saudades dos netos, querem ficar mais perto deles.

— Tão mais perto assim que os seus pais tiraram dos próprios netos as férias de verão, pelas quais, aliás, fui eu que juntei dinheiro!

Você, como sempre, gastou todos os seus pequenos ganhos com esse seu carro meio morto, e eu estava pensando nas crianças! — indignou-se a esposa.

— Mas por que você diz que tiraram?

Você está exagerando!

Só que meus pais pediram dinheiro emprestado.

Eles compraram um apartamento, afinal.

Procuraram um novo especialmente para morar mais perto de nós, — contava German à esposa como se ela estivesse ouvindo aquilo pela primeira vez.

— O fato continua sendo um fato.

Você entregou todas as nossas economias, e eu e as crianças não fomos viajar.

Não foi assim?

— Bem, foi…

No ano que vem a gente vai.

Meus pais vão nos devolver o dinheiro, e então iremos.

Não precisa ficar falando disso o tempo todo.

Até quando isso vai durar? — reagiu o marido, irritado.

— As crianças já esqueceram isso faz tempo, e você continua sem esquecer!

— Está bem, se você acha isso normal, então por enquanto vamos deixar esse assunto delicado de lado.

Mas há outra questão que me interessa.

Por quanto tempo, e principalmente por que razão, eu deveria alimentar os seus pais às minhas custas?

Já me bastam você e duas crianças.

— Você acha que oferecer alguma coisa aos pais que vieram nos visitar é algo fora do comum?

— Não, eu não acho isso, German.

E não sou contra oferecer alguma coisa.

Mas quando pessoas plenamente capazes se penduram no pescoço dos outros, usam a bondade alheia além de qualquer limite e abusam da hospitalidade, isso sim eu considero algo fora do comum.

E até mesmo uma verdadeira falta de vergonha.

— Liuba, por acaso você percebe que está falando dos meus pais? — perguntou German com voz manhosa e ofendida.

— E por acaso você percebe que, na última semana, eu deixei de ser esposa e mãe para virar cozinheira e faxineira?

Sem falar na quantidade de dinheiro gasta!

Porque a sua mamãezinha, dias atrás, quis truta ligeiramente salgada.

E o seu paizinho desejou uma sopa de macarrão feita com galinha caipira.

E depois os dois, de repente, sentiram saudade do sabor давно esquecido de mantis com carne de cordeiro.

Nada disso te incomoda, querido?

— Você pretende fazer escândalo?

Que natureza é essa a sua, Liuba?

Você não era assim antes!

— Não, claro, imagina, por que eu faria escândalo?

Eu só estou tentando lembrar você de que eu não sei imprimir dinheiro.

E o dinheiro que eu ganho eu quero gastar com meus filhos — com meu filho e minha filha, que precisam de um monte de coisas todos os dias!

E os seus pais, aliás, os dois trabalham.

E o seu pai ainda recebe pensão.

Eles por acaso não têm condições de comprar um pedaço de truta, uma galinha caipira ou um quilo de cordeiro para fazer mantis para os dois, sem os quais parece que a vida deles foi direto para o abismo?

— Você é insuportável!

Até ouvir você dá nojo.

Você joga na cara dos meus pais um pedaço de comida, sendo que eles fizeram tanto por nós! — German bateu a porta e saiu, ofendido com a esposa.

Liuba sabia perfeitamente que o marido tinha ido para a garagem, onde passava todo o tempo livre.

E, quanto às últimas palavras dele, até sorriu com ironia.

— Ah, sim!

Os seus pais ajudaram muito, claro.

Era melhor você nem me lembrar disso!

Quando Liubov e German se casaram, dez anos antes, decidiram logo viver por conta própria.

Alugaram um pequeno apartamento na periferia da cidade.

Sim, ali era desconfortável, e ficava longe do instituto onde Liuba já lecionava, depois de ter se formado em economia.

Mas o que eram esses incômodos em comparação com a juventude e os sentimentos intensos que fervilhavam dentro deles?

German foi trabalhar como motorista na redação de um jornal, embora tivesse diploma de direito.

Ele não se preocupava muito com o fato de que os ganhos de ambos mal bastavam para pagar o aluguel e viver de maneira mais ou menos suportável.

Preferia um trabalho de que gostasse e que não fosse cansativo demais.

— Vou pedir aos meus.

Mamãe prometeu ajudar com o aluguel este mês, — prometia German corajosamente à esposa, quando ela, tendo comprado mais uma vez um terno caro novo ou sapatos para parecer digna diante dos alunos, se preocupava com a falta de dinheiro.

— Sério?

Que ótimo!

Minha sogra nos ajudaria muito, — alegrava-se a ingênua Liubov.

Os sogros lhes davam dinheiro.

Liuba não podia pedir aos seus próprios pais.

O pai tinha abandonado a mãe e formado outra família, e a mãe criava sozinha a irmã mais nova de Liuba, ainda menor de idade.

Mas toda a ajuda dos pais do marido era uma faca de dois gumes.

Em primeiro lugar, Sofia Romanovna sempre lembrava à nora da dívida, esperando receber o dinheiro de volta.

E o mais rápido possível.

E Liuba se desdobrava, pegava trabalhos extras e devolvia o dinheiro.

Em segundo lugar, a sogra tomou para si o hábito de usar Liuba para seus próprios interesses.

Ora precisava colocar na universidade, com vaga gratuita e no curso mais prestigiado, o sobrinho da prima.

Um preguiçoso e mau aluno.

Ora queria, urgentemente, já durante o semestre letivo, matricular como aluna a filha de uma velha amiga.

E, de preferência, também com ensino gratuito.

Ora a nora tinha de resolver o problema das faltas e das pendências de um aluno relapso — o filho dos vizinhos dos sogros.

Liuba se cansava muito dessas conversas, explicando a Sofia Romanovna que ela não tinha tais poderes nem tais possibilidades.

— Como assim?

Você trabalha lá como professora, não como faxineira!

Está até planejando defender a tese e se recusa a ajudar! — indignava-se a sogra, sem acreditar na sinceridade da nora.

Quando Liuba soube que estava esperando um filho, decidiu comprar um apartamento próprio financiado.

Naquela altura, o dinheiro do casamento, que ela prudentemente havia colocado numa conta rendendo juros, já tinha aumentado bastante.

E a soma para a entrada eles tinham.

Mas nem aí faltaram situações absurdas.

Sofia Romanovna, sabendo desse dinheiro, de repente exigiu que eles o emprestassem, por prazo indeterminado, à sobrinha Macha, que aos dezoito anos tinha decidido se casar.

— Meu irmão e a esposa dele não têm dinheiro sobrando agora.

E eu quero que a menina tenha um casamento digno, — declarou a sogra a Liuba e German, que tinham ido visitar os pais para compartilhar logo duas boas notícias — a do bebê que viria e os planos de comprar a própria moradia.

— Mãe, você ao menos ouviu O QUE foi que nós dissemos? — espantou-se German.

— Eu e Liuba vamos ter um filho.

E nós precisamos comprar um apartamento.

Urgentemente.

Se dermos esse dinheiro para a Macha fazer o casamento, vamos continuar morando naquele apertamento de um cômodo, estranho e desconfortável, na periferia.

E ainda vamos levar o bebê para lá.

É isso que você está nos propondo?

— Não.

Eu só proponho ajudar a sua prima.

E eles vão devolver o dinheiro a vocês, junto com o futuro marido.

O rapaz da Macha é algum tipo de empresário, eu me esqueci.

E o bebê de vocês não nasce amanhã.

Ainda faltam mais de seis meses.

Então ainda vai dar tempo de comprar também o apartamento de vocês, — raciocinava Sofia Romanovna cinicamente.

— Ah, não me faça rir, empresário!

Tão bem-sucedido que nem dinheiro para o próprio casamento tem? — não conseguiu se calar a perturbada Liuba.

— Tudo pode acontecer.

Significa que agora não é a melhor fase nos negócios.

Mas vocês deveriam ter vergonha de negar ajuda a parentes próximos! — continuava a sogra.

Naquela ocasião, eles não deram dinheiro a ninguém e compraram o apartamento, embora German quase tivesse cedido e até tentado convencer a esposa a fazer o que sua mãe pedia.

Mas Liuba nem quis ouvi-lo.

Levaram a filha Dacha para o novo apartamento próprio, que cheirava a frescor.

Quando nasceu o segundo filho, Antochka, Liuba começou a falar seriamente com o marido sobre o fato de que já era hora de ele começar a exercer a advocacia, porque o dinheiro na família faltava de forma catastrófica.

Ela mesma, estando de licença-maternidade, usava cada minuto livre para escrever trabalhos acadêmicos por encomenda.

Pelo menos assim reforçava um pouco o escasso orçamento familiar.

Mas German não quis mudar nada.

O trabalho de motorista lhe convinha perfeitamente.

— Eu amo carros.

Entende, isso é a minha vida.

Mas eu não conseguiria trabalhar como advogado, isso é pesado e entediante.

Além disso, eu não tenho experiência, e em todo lugar pedem especialistas com experiência.

Nem entendo por que meus pais me obrigaram a obter essa formação! — raciocinava German de maneira estranha.

Quando Liuba voltou da segunda licença-maternidade, suspirou aliviada.

Finalmente, o dinheiro em casa começou a sobrar um pouco mais.

Mas surgiu outro problema.

Os sogros decidiram trocar de moradia.

Vender o apartamento de dois quartos e comprar um de um quarto num prédio novo, mas mais perto do filho e da família dele.

Liuba não gostava dessa ideia.

Mesmo morando longe deles, a sogra e o sogro viviam aparecendo na casa deles sob o pretexto de conviver com os netos.

E, ao mesmo tempo, não apenas se alimentavam continuamente às custas de Liuba.

Isso ainda seria metade do problema.

A sogra achava que podia pegar da nora tudo o que quisesse.

Ora tentava levar consigo o sabão em pó para máquina de lavar de que tinha gostado pelo cheiro ou, como ela considerava, o xampu de que eles já não precisavam mais.

— Faz tempo que está aí com vocês.

Vou levar, sim?

Para que vai ficar estragando? — raciocinava a sogra de maneira estranha.

Achando que a nora ganhava bem na universidade, a mãe do marido levava tudo o que lhe aparecia diante dos olhos.

Linguiça ou queijo da geladeira, um saco de batatas ou um pacote de panos de prato novos, detergente e até xícaras de chá novas.

— Elas não combinam com o interior da cozinha, — declarava a sogra, com ar entendido, enquanto enfiava a louça na bolsa.

Os sogros escolheram um apartamento numa construção nova, e o dinheiro da venda do antigo apartamento de dois quartos não bastava.

— Precisamos ajudar meus pais, — declarou German.

— Vamos dar dinheiro a eles.

— Nós não temos dinheiro sobrando.

O que temos é para as férias.

Eu prometi às crianças, — respondeu a esposa.

— Liuba, você entende que meus pais já venderam o apartamento!

Eles não têm onde morar!

Será que você é tão cruel assim?

Eu já prometi a eles que ajudaria com dinheiro.

Que comprem o apartamento de que gostaram.

— Eu sou contra.

Eu e as crianças estávamos esperando por essas férias.

— Meus pais estão numa situação sem saída.

E nós temos de ajudá-los.

Eles vão devolver tudo.

Até o último centavo.

Liuba entendia que escândalos não levariam a nada.

Era preciso dar esse dinheiro aos sogros.

Mas agora ela se arrependia profundamente disso.

No auge da discussão, German voltou.

— Ora, chegou o filhinho.

Agora ele vai lhe mostrar como se deve falar com os pais, — animou-se o sogro ao ver German.

— O que está acontecendo aqui? — perguntou o marido, contrariado, olhando para a esposa.

— Ela está jogando um pedaço de comida na nossa cara, — disse a sogra com voz ofendida.

— E esta é a sua esposa, a mãe dos nossos netos!

Uma mulher seca, grosseira, sem coração.

E ainda candidata a doutora!

Devia ter vergonha!

— E do que eu deveria ter vergonha? — explodiu novamente Liubov, que havia se acalmado um pouco.

— Está vendo?

Admire sua esposa!

— Sim, olhem bem para mim e me agradeçam.

Vocês todos se agarraram em mim como sanguessugas.

O filhinho de vocês é um preguiçoso que, durante todos os anos do nosso casamento, ganhou quase duas vezes menos do que eu!

E vocês também adoram viver às custas dos bens alheios, sem o menor constrangimento.

— Nós economizamos em tudo, para você saber! — soltou o sogro em voz alta.

— Sim!

Para quitar mais depressa a dívida com vocês, — fez coro ao marido Sofia Romanovna.

— Em vez de nos dar esse dinheiro de graça.

Aos pais, afinal.

Mas não, vocês querem tudo de volta.

E de onde vamos tirar?

Temos um apartamento novo.

Lá precisa de reforma e de móveis…

— De graça?

Então é assim que a senhora fala!

Mas por que foi então, Sofia Romanovna, que a senhora nunca nos deu, a nós jovens recém-casados que estávamos apenas começando a vida, dinheiro algum de graça?

A senhora sempre exigia de volta até o último rublo! — disparou secamente a nora.

— Não posso…

Eu não posso mais ouvir tudo isso!

Vamos embora, Fiódor.

Nossos pés nunca mais pisarão aqui, — a sogra virou-se para a saída.

— Sim, vão embora!

E lembrem-se: meus ombros não são de aço.

Por isso, eu não vou mais carregar nem vocês, nem o seu filhinho, nas minhas costas!

Chega! — gritou Liuba atrás dos pais de German, que iam saindo.

A partir daquele dia, os sogros deixaram de ir à casa deles.

German foi obrigado a começar a procurar outro trabalho, um em que pagassem mais.

Liuba lhe deu um ultimato.

Caso contrário, divórcio.

E à sogra ela lembrou que o recibo da dívida deles estava esperando a sua hora e que seria melhor se apressassem em devolver o que deviam.

Liuba decidiu ainda no inverno pagar as férias de verão para si mesma e para os filhos.

Para que ninguém mais cobiçasse esse dinheiro.

A partir deste momento, será assim e não de outro jeito!