Ele se apressou para o hall de entrada e começou a se vestir às pressas.
— Como assim, você vai?

Você não pode sair agora! — exclamou Uliána, indo atrás dele.
Nos braços, ela carregava a filha de um ano deles.
— Será que Antonina não é capaz de chamar um médico sozinha?
«Quando será que tudo isso vai acabar?..» — pensou Uliána em desespero, contendo o grito que queria escapar.
Stepan fechou a jaqueta, pegou as chaves e lançou um olhar irritado para a esposa.
Ao longo dos anos de casamento, ele se cansara tanto de se dividir entre a mãe e a esposa que, às vezes, estava pronto para descarregar toda a raiva acumulada em Uliána, só para se sentir melhor.
Ele entendia que estava sendo difícil para ela com as crianças, sabia que naquele dia ela queria se distrair um pouco, mas não podia mudar a situação.
— Quando eu chego, ela melhora na hora!
— Você não acha estranho que isso aconteça toda vez? — observou Uliána com cautela.
— Talvez ela esteja simplesmente se aproveitando de você?
— Eu já sei que você não gosta nem um pouco da minha mãe, mas tenha um pouco de consciência!
Uliána ajeitou melhor a pequena Nina nos braços e, mordendo o lábio, mal conseguiu se conter para não arrancar as chaves das mãos do marido.
— Eu só não quero que Antonina continue a manipulá-lo com tanta habilidade, — disse friamente.
— Ela faz isso de propósito para nos colocar um contra o outro.
Pense nisso…
— Eu não quero ouvir nada! — interrompeu-a Stepan bruscamente.
— Eu preciso ir!
Ele saiu depressa, batendo a porta com força.
Com o som brusco, Uliána estremeceu.
Olhou para a bebê satisfeita e suspirou pesadamente — o fim de semana estava arruinado outra vez.
— Dá a impressão de que minha sogra já sabe de antemão todos os meus planos… Como explicar, então, que já faz um mês que não conseguimos ir ao cinema? — murmurou ela, olhando o relógio, e foi para o quarto.
Sentada à mesinha estava a filha mais velha deles, Liúba, de quatro anos, colorindo um desenho com entusiasmo.
— Mamãe, e o papai, onde está? — perguntou a menina.
— Foi embora…
— Para a casa da vovó?
— Não, Liubótchka.
A vovó Maria vai chegar logo, vamos tomar chá juntas.
De qualquer forma, já não vamos sair para lugar nenhum, — disse Uliána baixinho, colocando a menor no chão.
Meia hora depois, a campainha tocou.
Na porta estava a mãe de Uliána, Maria Dmitrievna.
Ela olhou para a filha com surpresa, percebendo que ela ainda estava com roupas de casa.
— Uliána, por que você não está pronta? — perguntou ela, tirando o chapéu.
— Vocês iam ao cinema!
— Oi, mãe… Nós não vamos a lugar nenhum, — respondeu Uliána tristemente.
— O Stepan foi até a Antonina…
— Por quê? — admirou-se a mulher.
— Ela passou mal de novo.
O rosto de Maria Dmitrievna mudou imediatamente.
— Ela continua com isso?
Quando é que esse circo vai acabar?!
— Nunca… — sorriu Uliána com amargura.
— E o Stepan ficou magoado comigo de novo.
Ele está cada vez mais distante, acha que eu sou uma nora ruim.
Elas entraram no quarto, onde a avó foi imediatamente cercada pelas netinhas alegres.
Quando o barulho diminuiu um pouco, Maria Dmitrievna disse, pensativa:
— É preciso fazer alguma coisa.
Mais um pouco e o divórcio não estará longe… — ela olhou atentamente para a filha.
— Eu conheço mulheres assim: deu à luz a “luz da vida” dela e agora não vai deixá-lo ir embora… Não foi à toa que o marido a deixou.
— Já faz cinco anos que eu tento melhorar essa relação! — disse Uliána, desesperada.
— Mas ela continua se metendo: vem todos os dias, como se estivesse na própria casa, mexe nas minhas coisas!
Você sabe muito bem… — suspirou ela.
— E não adianta falar com o Stepan.
Eu até pedi para trocar as fechaduras, mas ele só fica irritado.
— Eu tive uma ideia… — disse Maria Dmitrievna com um sorriso astuto.
Ela já sabia como desmascarar a sogra.
— Mãe, como você está? — perguntou Stepan, preocupado, segurando a mão da mãe.
Antonina Viktorovna estava deitada na cama — rosada, de olhos azuis e cabelos grisalhos macios.
Havia satisfação em seus olhos, mas ela continuava gemendo.
— Ah, como estou me sentindo mal… A idade cobra seu preço… — sussurrou ela.
— Talvez devêssemos chamar uma ambulância?
— Não, não! — ela balançou a cabeça, assustada.
— Melhor me traga água.
Stepan trouxe rapidamente um copo.
Ao voltar, sentou-se ao lado dela e observou a mãe.
Depois de tomar um gole, ela suspirou aliviada e olhou para o filho.
— Você parece triste… O que aconteceu?
— É… Eu e a Uliána brigamos um pouco…
Nos olhos de Antonina passou um lampejo de raiva.
— Como é que você consegue viver com ela? — disse irritada.
— Todos esses anos mudaram você completamente…
— Mãe!
Eu amo a Uliána, — respondeu ele com firmeza.
— É só que queríamos ir ao cinema, mas agora não deu certo.
— Para ela, o cinema é mais importante do que a minha saúde?!
Ela só fica esperando o momento em que meu apartamento vai ficar livre!
Stepan se levantou, surpreso.
— Mãe, o que você está dizendo?
Você já está melhor.
Acho que eu já devo ir.
Antonina deixou o copo cair bruscamente e levou a mão ao coração — ela não podia permitir que a nora vencesse.
Na manhã seguinte, a campainha tocou no apartamento de Antonina.
Ela se surpreendeu — não esperava visitas.
Do outro lado da porta estava Uliána.
— Uliána?
O que aconteceu?
— Bom dia.
Nós precisamos conversar seriamente, — disse ela com calma, entrando.
Elas foram para a cozinha.
Antonina fez um chá barato e colocou biscoitos secos sobre a mesa.
— Então, o que foi? — perguntou com um sorriso forçado.
— Por que a senhora manipula seu filho? — perguntou Uliána diretamente.
— O que você quer dizer com isso? — a sogra ficou tensa.
— A senhora entende muito bem!
Por causa das suas “crises”, nós não conseguimos viver normalmente!
Nem fins de semana, nem descanso… Devolva as chaves do apartamento!
— Só faltava essa!
Este apartamento é do meu filho!
Se não gosta, faça as malas e vá embora!
Uliána olhou atentamente para ela e entendeu tudo.
— O que a senhora quer conseguir?
Quer que o Stepan more com a senhora?
— Sim! — respondeu Antonina bruscamente.
— Ele é meu filho!
E você não é ninguém!
Um homem deve viver em paz, e não carregar uma família nas costas!
— Eu estou de licença-maternidade…
— E daí?!
Comigo ele ficaria melhor!
— A senhora está falando sério? — perguntou Uliána, chocada.
Sem esperar resposta, ela foi embora.
«Ela sempre quis se livrar de mim…» — pensava Uliána na rua.
— «Está na hora de colocar um ponto final…»
Nesse mesmo dia, Uliána conversou com o marido e contou tudo.
Ele não acreditou nela.
Então ela tomou uma decisão — reuniu as crianças e foi para a casa da mãe.
— Eu não vou viver numa casa onde qualquer um pode entrar!
Escolha: ou nós nos mudamos e estabelecemos limites, ou divórcio!
Stepan tentou trazê-la de volta, mas sem sucesso.
Uma semana depois, ao se deparar com os “cuidados” da mãe, que praticamente tinha ido morar com ele, ele entendeu a verdade.
Ele fez as pazes com Uliána e concordou com a mudança.
A vida melhorou — não perfeitamente, mas ficou mais tranquila.
E Antonina Viktorovna ainda continuava esperando que, um dia, o filho voltasse para ela… como antes.







