A mensagem chegou numa quinta-feira à noite, quando eu estava na cozinha cortando legumes para o jantar.
O telefone do meu marido estava sobre a mesa, com a tela virada para cima — como sempre, ele o havia deixado ali ao ir tomar banho.
Eu nem pretendia olhar.
Mas a notificação pareceu atrair meu olhar sozinha.
“Igorzinho, estou esperando tanto pela nossa festa!
Já comprei o vestido, você prometeu que esta noite seria inesquecível.”
A mão com a faca congelou sobre a tábua.
Igorzinho…
Meu marido se chama Igor, e eu só o chamava assim nos primeiros anos do nosso casamento, uns vinte e cinco anos atrás.
E agora outra pessoa escrevia para ele da mesma forma.
Lentamente, deixei a faca de lado e enxuguei as mãos no avental.
Do banheiro vinha o som da água.
Eu tinha apenas alguns minutos.
Meus dedos tremiam quando peguei o telefone.
Eu sabia a senha — a data do nosso casamento.
Uma ironia que tornou tudo especialmente amargo.
A conversa com Kristina abriu instantaneamente.
Rolei as mensagens para cima, e cada nova palavra doía mais do que a anterior.
“Meu amor, hoje quero tanto estar com você.”
“Obrigada pelas flores, você é tão atencioso.”
“Mal posso esperar pelo dia trinta e um.
Você reservou a mesa no ‘Panorama’, não foi?”
“Panorama”.
O restaurante mais caro da cidade.
O mesmo para onde ele prometera me levar no nosso vigésimo quinto aniversário de casamento, mas sempre adiava.
Para mim, não houve tempo.
Para Kristina — claro que sim.
A água parou no banheiro.
Rapidamente coloquei o telefone de volta no lugar e voltei a preparar a salada.
As mãos se moviam automaticamente: cortar, misturar, salgar.
Mas por dentro, tudo se comprimiu em um bloco de gelo.
— Marina, por que você está tão pálida? — perguntou Igor, saindo do banheiro de roupão, com os cabelos molhados.
— Está se sentindo mal?
— Está tudo bem — respondi, sem levantar os olhos.
— Só estou cansada.
Ele se aproximou, abraçou-me por trás e beijou meu pescoço.
Senti o cheiro do seu novo e caro gel de banho.
Provavelmente também por causa dela.
— Escuta, eu queria conversar — começou ele, e eu entendi imediatamente: agora viria a mentira.
— Me ligaram do trabalho.
Preciso viajar com urgência a negócios.
Bem durante as festas de Ano-Novo.
Virei-me e olhei em seus olhos — familiares, castanhos, os mesmos pelos quais um dia me apaixonei.
— No Ano-Novo?
Mas nós sempre passamos juntos…
— Eu sei, meu sol — disse ele, abrindo os braços com ar culpado.
— Mas o projeto é importante.
Prometeram uma boa gratificação.
Você entende, não entende?
Entendo.
Entendo que você está mentindo na minha cara.
Que trinta anos de vida, uma filha, netos — tudo acabou sendo menos importante do que a sua Kristina e o vestido novo dela.
— Claro — assenti.
— Trabalho é trabalho.
Quando você vai embora?
— Na manhã do dia trinta e um.
Volto no dia três.
— Entendi.
Então vou passar a festa sozinha.
Ele me apertou contra si novamente.
— Perdoe-me, Marinka.
Prometo que depois compenso tudo.
Vamos viajar para algum lugar, comemorar nós dois.
Depois.
Algum dia.
Como já tinha acontecido tantas vezes.
Só que nunca fomos a lugar nenhum.
Naquela noite, não preguei os olhos.
Fiquei deitada ao lado dele, ouvindo sua respiração regular e pensando.
Eu poderia fazer um escândalo, jogar na cara dele tudo o que descobri.
Mas e depois?
Ele se justificaria, me acusaria de ciúmes, talvez confessasse.
E depois?
Divórcio aos cinquenta e sete anos?
Divisão de bens?
Vergonha diante da filha e dos netos?
Não.
Escolhi outro caminho.
De manhã, liguei para nossa filha, Nastia.
— Oi, mãe!
Como você está?
— Nastienka, e se eu for passar o Ano-Novo com vocês?
Vocês se importam?
— Com a gente?
Mãe, sério?
Claro que venha!
Vamos ficar muito felizes!
Aconteceu alguma coisa?
— Seu pai vai viajar a trabalho.
Não quero ficar sentada sozinha.
Vou ver os netos, passar um tempo com vocês.
— Mamãe, isso é maravilhoso!
Venha com certeza!
Precisa de passagem?
Eu compro!
— Não precisa, eu mesma resolvo.
Vou na manhã do dia trinta e um.
Depois da conversa, ficou um pouco mais leve.
Igor já tinha ido para o trabalho — nos últimos dias, ele chegava mais tarde e saía mais cedo.
Pelo visto, estava se preparando para a festa com a amante.
Abri o aplicativo do banco e olhei nossa conta conjunta.
Havia ali um pouco mais de cem mil hryvnias — a gratificação dele e nossas economias.
Uma quantia nada ruim.
Especialmente para um homem que pretendia impressionar outra mulher em um restaurante caro.
Os dias seguintes passaram como num nevoeiro.
Igor arrumava as coisas, andava apressado, saía supostamente para comprar presentes para os colegas.
Voltava satisfeito, com um sorriso misterioso.
E eu olhava para ele e não sentia raiva, mas uma calma fria.
Dois dias antes da festa, ele perguntou:
— Você tem certeza de que não vai ficar chateada por eu te deixar sozinha?
— Igor, somos adultos.
Eu entendo tudo.
Além disso, decidi ir para a casa da Nastia.
Ele ficou imóvel.
— Para a casa da Nastia?
No Ano-Novo?
— Sim.
Por que não?
Vou passar um tempo com minha filha e meus netos.
Percebi o alívio nos olhos dele.
Agora ele não teria sentimento de culpa.
A esposa não estava sozinha — tudo estava bem.
A manhã do dia trinta e um estava gelada e ensolarada.
Deixei um bilhete: “Fui para a casa da Nastia.
Boa viagem de trabalho.
Marina.”
No trem, olhava pela janela para os campos cobertos de neve.
Igor escrevia: “Boa viagem”, “Avise quando chegar”.
Marido atencioso.
Só que à noite esse marido atencioso deveria estar sentado no restaurante com outra mulher.
Nastia me recebeu na estação com flores.
Nós nos abraçamos, e mal consegui conter as lágrimas.
Em casa, os netos correram até mim gritando:
— A vovó chegou!
E, pela primeira vez em muito tempo, minha alma ficou quente.
Depois do almoço, Nastia sugeriu irmos ao shopping para comprar os últimos presentes para as crianças.
Andávamos pelas lojas, ao redor as luzes brilhavam e a música tocava.
— Para a Liza, quero esta boneca, e para o Maksim, um brinquedo de montar — disse Nastia.
— Pegue — respondi.
— Eu pago.
— Mãe, não precisa…
— Deixe-me me sentir uma avó generosa.
Paguei com o cartão da conta conjunta.
Depois comprei para Nastia um belo conjunto de roupas, brincos, cosméticos e um novo tablet.
Brinquedos para os netos.
Uma casinha para o gato.
Quando Nastia me parou e perguntou o que estava acontecendo, olhei para o relógio.
Cinco e meia.
Àquela hora, Igor provavelmente já estava sentado no restaurante ao lado de Kristina.
Sentamo-nos em um café, e contei tudo.
Sobre a mensagem.
Sobre a conversa.
Sobre a “viagem de trabalho”.
Sobre o “Panorama”.
Nastia ouviu em silêncio.
— Como ele pôde?
Depois de tantos anos?
— Não sei — eu disse.
— Mas quero que ele sinta as consequências.
— E você está gastando o dinheiro dele?
— Nosso — corrigi.
— Com a família.
De repente, ela riu através das lágrimas.
— Mãe, você é um gênio.
Voltamos às compras.
Comprei um casaco para mim, botas para Nastia e mais brinquedos para as crianças.
Restavam cerca de nove mil.
Entramos em uma loja de bebidas e gastamos o restante.
No cartão restaram apenas algumas centenas.
À noite, o telefone tocou.
— Marina! — a voz de Igor estava tensa.
— O cartão da conta conjunta está com você?
— Sim.
Por quê?
— Houve grandes débitos!
Você comprou alguma coisa?
— Claro.
Presentes para as crianças e para Nastia.
O que aconteceu?
— Quanto você gastou?!
— Não contei.
O quê, o restaurante afinal não correspondeu às expectativas?
Silêncio.
— Como você sabe sobre o restaurante?
— O que você acha?
Achou que eu era cega, Igorzinho?
Ele respirava pesadamente.
— Marina, vou explicar tudo, mas agora há um problema.
Não há dinheiro.
Preciso pagar a conta…
— E Kristina está esperando?
Que pena.
Mas sabe, eu também queria passar um Ano-Novo bonito.
E vou passá-lo com minha filha e meus netos.
E você se vire sozinho.
Desliguei.
Minha alma ficou leve.
Passamos o Ano-Novo de forma barulhenta, com crianças, risos e presentes.
À meia-noite, Nastia levantou a taça:
— Às mulheres que não permitem ser traídas impunemente.
— A nós — repeti.
No dia primeiro de janeiro, chegou uma mensagem:
“Precisamos conversar seriamente.”
Respondi de forma breve:
“Eu também.
Mas não hoje.”
Três dias depois, voltei para casa.
O apartamento estava vazio.
À noite, Igor chegou.
— Ela me deixou bem no restaurante — disse ele baixinho.
— Disse que eu era um fracassado.
— Sinto muito.
— Sou um idiota, Marina.
Não sei o que aconteceu comigo.
Talvez uma crise de idade.
Quis algo novo…
— E encontrou Kristina.
— Sim.
E perdi todo o resto.
Ele ficou em silêncio por muito tempo.
— Você consegue me perdoar?
Olhei para o homem com quem vivi quase trinta anos.
— Não sei, Igor.
Realmente não sei.
Preciso de tempo.
Talvez ainda encontremos um caminho de volta um para o outro.
Talvez não.
Mas uma coisa eu entendi com certeza: não sou mais aquela mulher que suporta tudo em silêncio.
Eu sei me defender.
E o dinheiro…
Foi gasto nas coisas certas.
Na filha.
Nos netos.
No amor e na família.
E esse foi o Ano-Novo mais incomum da minha vida.








