Há cerca de cinco anos, apareceu entre nós, em Zaretchie, uma mulher chamada Nadia…

Era uma mulher da cidade, de uns quarenta anos.

Ela veio morar na velha cabana de sua tia falecida, perto da floresta.

Aquela casa ficou muito tempo vazia, toda torta e inclinada.

Ela veio até mim pela primeira vez para buscar comprimidos para a pressão.

Atravessou a soleira, e seus olhos estavam vazios, desbotados, como o céu de outono antes das geadas.

O rosto estava pálido, os ombros caídos.

Ela havia enterrado o marido.

Pelo visto, eles viviam como se fossem um só, e quando ele se foi, a agitação da cidade se tornou insuportável para ela.

Ela não conseguiu continuar ali, onde cada canto gritava sobre sua perda.

Veio para cá, para se esconder no silêncio.

No começo, foi difícil para ela.

Suas mãos não estavam acostumadas ao trabalho da aldeia: carregar água do poço fazia as costas doerem, rachar lenha deixava calos até sangrar.

Mas Nadia se mostrou teimosa.

Às vezes, eu passava pelo quintal dela a caminho de uma visita médica, e ela estava mexendo na horta.

A terra era úmida, pesada, e ela arrancava as ervas daninhas como se, junto com elas, arrancasse a tristeza da própria alma.

E então o nosso Piotr começou a ajudá-la com as tarefas da casa.

Petka era um homem trabalhador, de temperamento calmo.

Só que ele vivia com sua esposa, Tonia, como se estivesse debaixo de uma pedra pesada.

Tonia era uma mulher barulhenta, mandona; por qualquer coisa, gritava para a rua inteira ouvir.

Já Petia era calado.

Primeiro, ele consertou o telhado de Nadia.

Depois, arrumou a cerca.

Às vezes, depois do turno na serraria, ele passava por lá, e os dois se sentavam no banquinho perto do portão.

Nadia lhe trazia chá num copo facetado e geleia num pires.

E ficavam sentados no crepúsculo, conversando baixinho.

Ao lado de Nadia, Petia parecia começar a florescer, endireitava os ombros.

E no rosto de Nadia, pela primeira vez em muito tempo, surgiu um sorriso tímido, como o primeiro raio da primavera.

Perto do caminhão-loja, as mulheres logo começaram a mexer a língua.

Sussurravam e balançavam a cabeça.

Depois, Petia simplesmente pegou e foi embora de Tonia.

Juntou suas coisas numa velha bolsa esportiva e foi para a casa de Nadia.

Meu Deus, o que começou então!

Tonia gritava tanto que os cães uivavam pelos quintais.

E Nadia…

Nadia simplesmente brilhava.

Parecia-lhe, meus queridos, que o destino tivera pena dela e lhe dera uma segunda chance de felicidade feminina.

Eles viviam tranquilamente.

Petia pôs a cabana em ordem e construiu uma varanda nova.

Nadia assava tortas e pendurou cortininhas novas nas janelas.

A gente entrava na casa deles, e a alma ficava aquecida.

Mais perto da primavera, Nadia veio correndo até mim.

As bochechas queimavam, as mãos tremiam.

Sentou-se na maca, mexendo no lenço.

— Semionovna, — sussurrou, enquanto lágrimas brilhavam em seus olhos, — acho que vamos ter um bebê.

Ah, como fiquei feliz por ela!

Abracei-a, tão magrinha, e senti seu coraçãozinho bater como o de um passarinho preso.

Pensei: pronto, graças a Deus, a desgraça finalmente se afastou dessa pobre mulher.

Mas nos alegramos cedo demais.

Entendem qual é o problema…

Muitas vezes, o homem não tem medo das dificuldades, mas da responsabilidade.

Assim que Petia soube do bebê, mudou completamente.

Passou a andar sombrio, escondendo os olhos.

E Tonia não se acalmava, continuava envenenando a alma dele por meio das vizinhas.

Ora mandava dizer que a casa estava desmoronando sem ele, ora soltava a frase: não se constrói o próprio paraíso sobre a infelicidade dos outros.

Foi aí que Petia desmoronou.

O homenzinho se revelou fraco.

Teve medo dos sussurros das pessoas pelas costas e não suportou o peso da responsabilidade.

Numa noite, quando a chuva caía como se fosse despejada de baldes, ele arrumou sua bolsa.

Nadia contou depois que ele ficou parado na porta, amassando o boné nas mãos, sem olhar nos olhos dela uma única vez.

Resmungou algo sobre ter se enganado, sobre o hábito puxá-lo de volta.

E foi embora para a escuridão.

Ah, meus queridos…

Como era terrível olhar para Nadia naqueles dias.

Eu ia vê-la todas as noites.

Entrava, e na cabana havia um silêncio que quase tinia.

Nadia ficava sentada junto à janela, olhando para a escuridão.

O rosto pálido, os lábios apertados com força.

Nem uma lágrima, nem uma queixa.

Lembro-me de ter ido vê-la certa vez.

Minha Nadia estava sentada junto à janela, tricotando sapatinhos minúsculos de bebê.

As mãos tremiam tanto que as agulhas batiam baixinho uma na outra, mas ela continuava puxando ponto por ponto.

Pinguei um calmante para ela e lhe entreguei.

Ela pegou o copo, bebeu de uma vez, depois encostou a testa em mim e ficou imóvel.

E havia tanta dor humana naquele silêncio que minha própria alma se partiu.

Mas ela não desistiu.

Resistiu por causa do bebê.

No outono, ela deu à luz uma menina forte e saudável.

Chamou-a de Aniutka.

Quando colocaram aquele pequeno calorzinho em seu peito, Nadia começou a chorar.

Pela primeira vez em todo aquele tempo, permitiu que as lágrimas corressem.

E com aquelas lágrimas, parecia sair dela toda a amargura que Petia havia deixado.

Nadia passou a viver pela filha.

E sabem, era como se uma força interior tivesse surgido dentro dela.

Seus olhos ficaram mais ternos, sua voz se tornou calma e profunda.

Sobre Piotr, ela nunca disse uma única palavra ruim.

E Petia…

Ele voltou para Tonia.

Vivem como viviam antes.

Só que agora ele anda curvado e envelheceu de repente uns dez anos.

Quando me encontra na rua, cumprimenta com voz abafada e passa depressa.

Parece que entende o peso que colocou sobre a própria alma.

Passaram-se dois anos.

Chegou a Zaretchie um novo homem.

Chamava-se Ilia.

Era um homem já não muito jovem, com fios grisalhos nas têmporas, olhos inteligentes e atentos.

Veio restaurar a oficina do kolkhoz e alugou metade da casa da velha Shura.

Ilia era um homem com passado, também viúvo.

Carregava suas feridas no coração e não as escondia.

E, de algum modo imperceptível, começou a aparecer na casa de Nadia.

Não havia ali discursos apaixonados nem promessas grandiosas.

Tudo era simples, humano.

Ora ele trazia água do poço, ora cortava a grama atrás do quintal.

E para Aniutka, trazia ora morangos silvestres maduros da floresta, ora um buquezinho de margaridas do campo.

À noite, sentavam-se na varanda, Aniutka se remexia no colo de Ilia, e ele e Nadia tomavam chá.

Ilia não tentava parecer melhor do que era.

Ele simplesmente estava por perto.

Confiável como um velho carvalho.

Ele via a dor de Nadia e a compreendia.

E ao lado dele, ela finalmente começou a descongelar por completo.

A confiança entre eles cresceu, firme como as raízes daquele carvalho.

Lembro-me de que, na primavera, Ilia veio ao posto médico.

Sentou-se numa cadeira e colocou sobre os joelhos as mãos grandes, calejadas pelo trabalho.

— Semionovna, — disse ele, — eu vou levar Nadia e Aniutka comigo.

Vou levá-las para a cidade; lá tenho minha própria casa, forte e segura.

Nadia aceitou.

De alegria, quase deixei o aparelho de pressão cair das mãos.

Abençoei-o em pensamento.

Eles partiram ao amanhecer.

Nadia passou para se despedir.

Nós nos abraçamos com muita força.

Ela cheirava a pão fresco e a uma calma surpreendente.

Seus olhos brilhavam, o sorriso era luminoso, sem sombra da dor passada.

— Obrigada por tudo, Valentina Semionovna, — sussurrou ela ao meu ouvido.

— Vá com Deus, minha menina, — eu disse.

— Seja feliz, você merece.

E quando o carro deles, sacudindo nos buracos, desapareceu atrás da curva, eu vi Piotr.

Ele estava ao longe, perto da velha macieira de copa larga que crescia no terreno baldio.

Estava sozinho, fumando um cigarro atrás do outro, olhando para a nuvem de poeira na estrada.

E havia em sua postura tanta tristeza surda e irreparável…

Naquele instante, ele compreendeu o que havia perdido.

Perdeu a mulher que o amava de todo o coração.

Perdeu a filha que ele nem sequer pegou nos braços uma única vez.

E tudo por causa de sua própria fraqueza, por medo da opinião dos outros.

Então pense depois no que é mais importante na vida.

Uma paixão passageira ou um ombro confiável ao lado?