Veronika colocou o último maço de dinheiro sobre a mesa do cartório e se recostou na cadeira.
Cinco anos.

Cinco anos de economia rígida, de abrir mão de férias, de roupas baratas de lojas populares, de almoços levados de casa em vez de comer em cafés.
Tudo por este momento.
— Os documentos estão prontos, — disse o tabelião, estendendo a pasta sobre a mesa.
— Parabéns.
Agora a senhora é proprietária de um apartamento de três quartos em um prédio novo na rua Sadovaya.
Veronika pegou a pasta com as mãos trêmulas.
Abriu.
Certificado de propriedade.
O nome dela.
O apartamento dela.
— Obrigada, — suspirou a jovem.
Ela saiu para a rua.
Ligou para os pais.
— Pai, mãe, está tudo feito!
— Parabéns, filhinha! — a voz do pai, Igor Pavlovich, era calorosa.
— Você foi muito determinada.
Estamos orgulhosos de você.
— Obrigada pela ajuda.
Sem vocês, eu não teria conseguido completar o valor que faltava.
— Que isso, Veronika, — interveio a mãe, Ulyana Dmitrievna.
— Nós somos família.
Você mesma ganhou a maior parte.
Nós só acrescentamos um pouco.
— Mesmo assim, obrigada.
Eu vou devolver tudo a vocês, com certeza.
— Nada de devoluções, — descartou Igor Pavlovich.
— É nosso presente.
Aproveite sua nova casa.
Veronika desligou e sorriu.
Um apartamento de três quartos.
Em um prédio novo, com uma boa reforma, em um bairro decente.
Seu território pessoal, sem controle de ninguém.
Um motivo de orgulho.
Uma prova de que era capaz de alcançar seus objetivos.
Um ano se passou com a decoração e a organização do apartamento.
Veronika comprou móveis, eletrodomésticos e cortinas.
Trabalhava como economista em uma grande empresa, e o salário era razoavelmente bom.
Morava sozinha, não prestava contas a ninguém, convidava amigos e organizava festas.
Ela conheceu Timur em um evento corporativo.
A empresa havia alugado um complexo de lazer fora da cidade para comemorar o encerramento bem-sucedido do trimestre.
Veronika estava no bar, pedindo um suco, quando um homem alto, com um sorriso agradável, apareceu ao seu lado.
— Posso lhe fazer companhia? — perguntou o desconhecido.
Veronika se virou.
Ele era bonito.
Mais ou menos da idade dela, talvez um pouco mais velho.
O terno caía bem nele, e seu olhar era aberto.
— Por favor.
Eles começaram a conversar.
Timur revelou ser gerente em uma empresa comercial e trabalhava com grandes clientes.
Falava de maneira interessante, com humor.
Fazia perguntas sobre Veronika e ouvia com atenção.
No fim da noite, trocaram números.
Começaram a se encontrar.
Timur a cortejava de forma bonita — flores, restaurantes, cinema.
Veronika começou a se abrir depois de um longo período de solidão.
Era agradável sentir cuidado e atenção.
Timur parecia confiável e sério.
Falava sobre planos para o futuro e sobre o desejo de formar uma família.
Depois de oito meses, ele a pediu em casamento.
De forma romântica, no parque, de joelhos.
Veronika aceitou sem pensar duas vezes.
Fizeram um casamento pequeno, apenas com amigos próximos e parentes.
Depois do casamento, Timur se mudou para o apartamento de Veronika.
Trouxe apenas seus pertences pessoais — roupas, livros e um notebook.
Nenhum móvel, nenhum eletrodoméstico.
— Eu tenho um apartamento de um quarto, — explicou o marido.
— Mas deixei para minha mãe.
Ela aluga meu apartamento e fica com o aluguel para ela.
Meu pai morreu há três anos.
É difícil para ela ficar sozinha.
— Entendo, — Veronika assentiu.
— Bem, então que seja assim.
Você não precisa daquele apartamento, já que está aqui.
— Obrigado, Veronika.
Mamãe vai ficar feliz.
Os primeiros meses de vida em comum passaram tranquilamente.
Veronika e Timur tomavam café da manhã juntos, assistiam a séries juntos à noite e viajavam para fora da cidade nos fins de semana.
A sogra, Viktoria Sergeyevna, vinha raramente.
Uma vez por mês, não mais que isso.
Sempre avisava com antecedência.
— Timur, amanhã vou passar na casa de vocês.
Vou levar tortas.
— Está bem, mãe.
Estamos esperando.
Viktoria Sergeyevna era uma mulher de uns cinquenta e cinco anos, forte, com traços duros no rosto.
Falava alto e com segurança.
Quando vinha visitar, trazia sacolas cheias — tortas, geleias e conservas.
— Veronika, minha filha, você come pouco.
Aqui, fiz repolho fermentado para você.
— Obrigada, Viktoria Sergeyevna.
A sogra não se metia nos assuntos do jovem casal.
Sentava-se na cozinha, tomava chá e conversava com o filho sobre o trabalho dele.
Depois de algumas horas, ia embora.
Veronika ficava contente.
Uma boa sogra, adequada e nada invasiva.
Mas seis meses depois do casamento, algo mudou.
Viktoria Sergeyevna começou a aparecer com mais frequência.
Duas vezes por semana, depois três.
Às vezes sem avisar.
Veronika voltava do trabalho e viu a sogra na entrada do prédio.
— Olá, Veronika!
Decidi passar aqui para visitar vocês.
Timur provavelmente ainda está no trabalho?
— Sim, ele vai se atrasar hoje.
— Não tem problema.
Eu espero.
E a sogra ficava.
Entrava na sala, sentava-se no sofá e observava o apartamento.
— Veronika, por que vocês têm cortinas tão escuras?
Há pouca luz.
— Eu gosto delas.
— Seria bom trocar.
Conheço uma boa loja, lá vendem cortinas claras e bonitas.
Ou:
— Os móveis de vocês estão mal posicionados.
O sofá deveria ser movido para a outra parede.
— Viktoria Sergeyevna, para nós está confortável assim.
— Como quiserem.
Mas, segundo o feng shui, isso está errado.
No começo, Veronika interpretava os comentários como uma simples participação materna.
Afinal, a sogra se preocupava com o filho e queria que eles ficassem confortáveis.
Mas as visitas se tornavam cada vez mais frequentes, e os comentários, cada vez mais insistentes.
Viktoria Sergeyevna começou a ficar até tarde.
Preparava chá, sentava-se à mesa e iniciava longas conversas.
— Veronika, agora você faz parte da nossa família.
Deve entender nossas tradições.
— Que tradições, Viktoria Sergeyevna?
— Bem, tradições familiares.
Na nossa família, sempre foi costume decidir tudo juntos.
Em conjunto.
Sem segredos, sem assuntos separados.
— Certo, — Veronika assentia, sem entender aonde a sogra queria chegar.
— Em uma família de verdade, tudo deve ser comum, — continuava Viktoria Sergeyevna.
— Dinheiro, bens, decisões.
Isso é importante.
— Uhum.
Veronika ouvia só pela metade.
Tinha trabalhado o dia inteiro e estava cansada.
Queria apenas jantar e ir dormir.
Mas a sogra estava sentada ali, filosofando sobre valores familiares.
Depois, Viktoria Sergeyevna começou a falar sobre filhos.
— Veronika, quando você e Timur estão planejando ter um bebê?
— Ainda não conversamos sobre isso.
— Precisam conversar!
Timur já tem trinta e um anos.
Está na hora de ser pai.
— Viktoria Sergeyevna, isso é assunto nosso…
— Como assim assunto nosso?
Eu quero ser avó!
E além disso, crianças exigem segurança financeira.
É preciso distribuir os bens corretamente.
Veronika franziu a testa.
— O que quer dizer com distribuir?
— Bem, para que, se alguma coisa acontecer, a criança não fique sem nada.
— Se o quê acontecer?
Viktoria Sergeyevna fez um gesto de desdém.
— Acontece de tudo.
Nunca se sabe.
É preciso se prevenir.
Veronika não entendeu do que se tratava, mas uma inquietação se infiltrou em sua alma.
Por que aquelas conversas?
Por que a sogra estava tão preocupada com os bens deles?
Certa noite, Timur voltou para casa depois de um encontro com a mãe.
Veronika percebeu imediatamente que o marido estava nervoso.
Ele andava pelo quarto, mexia no telefone nas mãos e olhava pela janela.
— Timur, o que aconteceu? — perguntou Veronika.
— Hein?
Nada.
— Você está estranho.
— Só estou cansado.
Mas o marido claramente queria dizer alguma coisa.
Veronika via isso no rosto dele.
— Timur, você pode me contar se algo está te preocupando.
O marido parou e se virou para a esposa.
— Veronika, vamos nos sentar.
Precisamos conversar.
Sentaram-se no sofá.
Timur ficou em silêncio, escolhendo as palavras.
— Hoje eu me encontrei com minha mãe, — começou o marido finalmente.
— Ela está preocupada conosco.
— Conosco?
Por quê?
— Bem, com nosso futuro.
Com nossa segurança financeira.
Veronika franziu a testa.
— Timur, nós dois trabalhamos.
Ganhamos bem.
Que segurança é essa?
— Mamãe diz que precisamos proteger os bens.
Para o caso de diferentes situações.
— Que situações?
Timur hesitou.
— Bem, várias.
Nunca se sabe o que pode acontecer na vida.
— Timur, fale diretamente.
O que você quer?
O marido respirou fundo.
— Mamãe sugeriu passar todos os bens para o nome dela.
Temporariamente.
Para proteção.
Veronika ficou imóvel.
— O quê?
— Escute.
Eu estou disposto a passar meu carro para o nome da mamãe.
E você, o apartamento.
Assim é mais seguro.
— Mais seguro contra o quê?!
— Contra vários riscos.
Mamãe diz que é a decisão correta.
Veronika sentiu tudo dentro de si gelar.
Passar o apartamento.
Para o nome da sogra.
O apartamento pelo qual ela havia trabalhado durante cinco anos.
Que havia comprado com seu próprio dinheiro, antes mesmo de conhecer Timur.
— Timur, isso é uma piada?
— Não.
Mamãe está falando sério.
E eu também.
— Você está me propondo entregar meu apartamento à sua mãe?
— Não entregar.
Passar para o nome dela.
Temporariamente.
É apenas uma medida de precaução.
— Precaução contra o quê?!
— Bem, nunca se sabe.
De repente surgem problemas.
Credores, por exemplo.
— Que credores?!
Eu não tenho dívidas!
— Agora não.
Mas depois pode ter.
Veronika saltou do sofá.
— Você decidiu passar meu apartamento para o nome da sua mãe?!
Você perdeu completamente o juízo?!
Timur também se levantou e tentou pegar as mãos da esposa.
— Veronika, acalme-se.
Você entendeu errado…
— Como assim entendi errado?!
Você acabou de dizer para passar o apartamento para o nome de Viktoria Sergeyevna!
— Sim, mas é uma medida temporária!
Depois vamos passar de volta!
— Depois quando?!
Depois de quanto tempo?!
— Bem… quando for necessário…
Veronika puxou as mãos.
— Este é meu apartamento!
Minha propriedade!
Eu o comprei antes do casamento!
Com meu dinheiro!
Você entende isso?!
— Entendo, mas…
— Sem mas!
Você é uma marionete nas mãos da sua mãe!
Ela manipula você!
Timur ficou vermelho.
— Não fale assim da minha mãe!
— Vou falar!
Porque é verdade!
Ela quer tomar meu apartamento!
— Não tomar, proteger!
— Proteger de quem?!
De mim mesma?!
— Dos riscos!
— Que riscos?!
Diga pelo menos um risco concreto!
Timur hesitou.
— Bem… existem vários…
— Ou seja, você mesmo não sabe!
A mamãe disse, e você correu para obedecer!
— Mamãe se preocupa conosco!
— Mamãe quer se apoderar do meu apartamento!
É isso que ela quer!
O marido começou a levantar a voz.
— Você é egoísta, Veronika!
Pensa apenas em si mesma!
— Eu penso na minha propriedade!
Que eu conquistei sozinha!
— A família é mais importante que a propriedade!
— Que família?!
Você quer me privar do meu apartamento por capricho da sua mãe!
— Não é capricho!
É cuidado!
— É uma tentativa de roubo!
Timur bateu com o punho na mesa.
— Você valoriza a família?!
Ou apenas seus direitos?!
— Eu valorizo aquilo que conquistei!
— Então você não se importa com meus sentimentos?!
— Eu não me importo com suas manipulações!
Os vizinhos começaram a bater na parede.
Eles estavam gritando alto demais.
Veronika se virou para o marido.
— Arrume suas coisas.
— O quê?
— Arrume suas coisas e vá embora.
— Veronika, do que você está falando?
— Estou falando que não pretendo viver com uma pessoa que tenta tirar meu apartamento de mim!
— Eu não estou tentando tirar!
— Você propõe passá-lo para o nome da sua mãe!
É a mesma coisa!
— Veronika, espere, vamos conversar com calma…
— Não há nada para conversar!
Vá embora!
Veronika foi até a porta e a abriu completamente.
— Fora!
Timur ficou parado no meio da sala, olhando para a esposa, atordoado.
— Você está falando sério?
— Absolutamente.
Vá embora.
Agora.
— Mas… este apartamento também é meu…
— Não.
Este apartamento é meu.
Comprado antes do casamento.
Com meu dinheiro.
Você está registrado aqui temporariamente.
E eu vou cancelar esse registro agora.
— Veronika…
— Timur, não estou brincando.
Ou você vai embora sozinho, ou eu chamo a polícia.
O marido ficou parado por mais alguns segundos.
Depois se virou bruscamente e foi para o quarto.
Começou a jogar as coisas em uma bolsa.
Veronika ficou junto à porta, observando.
Timur juntou roupas, documentos e o carregador do telefone.
Saiu para o corredor.
Calçou os sapatos.
Pegou a bolsa.
Bateu a porta.
Foi embora.
Veronika trancou a porta.
Encostou as costas nela.
Respirava com dificuldade.
As mãos tremiam.
Mas a decisão estava tomada.
Definitivamente.
Veronika entrou com o pedido de divórcio.
O apartamento estava no nome dela desde antes do casamento.
O carro estava no nome dele.
Não havia bens adquiridos em conjunto.
Veronika ligou para os pais.
Contou tudo.
— Filhinha, você agiu corretamente, — disse Igor Pavlovich.
— De forma alguma passe o apartamento para o nome de alguém.
— Nós apoiamos você completamente, — acrescentou Ulyana Dmitrievna.
— Venha para nossa casa se precisar.
Fique um pouco e descanse.
— Obrigada, pai, mãe.
Eu vou dar conta.
Timur começou a ligar dois dias depois.
Veronika não atendia.
Ele escrevia mensagens.
Pedia para se encontrar e conversar.
“Veronika, vamos conversar sobre tudo com calma.”
“Eu não queria te magoar.”
“Mamãe só estava preocupada.”
“Me dê uma chance de explicar.”
Veronika apagava as mensagens sem ler.
Uma semana depois, Timur apareceu diante do prédio.
Tocou o interfone.
— Veronika, abra.
Por favor.
— Não.
Vá embora.
— Me deixe pelo menos falar!
— Já conversamos sobre tudo.
Eu pedi o divórcio e não vou mudar de ideia.
— Veronika!
A jovem desligou o interfone.
Timur esperou embaixo por uma hora.
Depois foi embora.
Viktoria Sergeyevna ligou.
A voz da sogra estava gelada.
— Veronika, o que você está fazendo?
Expulsou seu marido de casa!
— Viktoria Sergeyevna, isso não é da sua conta.
— Como não é da minha conta?!
Ele é meu filho!
— E este é meu apartamento.
E meu casamento.
Que acabou.
— Por causa de uma bobagem!
— Por causa de uma tentativa de tirar minha propriedade.
— Ninguém pretendia tirar nada!
Era uma medida de precaução!
— Uma medida de que eu não preciso.
Adeus, Viktoria Sergeyevna.
Veronika desligou.
A sogra ligou novamente várias vezes.
A jovem rejeitava as chamadas.
Depois bloqueou o número.
O processo de divórcio se arrastou por três meses.
Timur tentou atrasar tudo e pediu adiamentos.
Veronika foi inflexível.
O marido vinha com a mãe.
Viktoria Sergeyevna ficava sentada no corredor do tribunal, olhando para Veronika com ódio.
Ela a ignorava.
Na última audiência, o juiz anunciou a decisão.
— O casamento entre Veronika e Timur está dissolvido.
Não há reivindicações patrimoniais.
O certificado de divórcio será obtido no cartório de registro civil.
Veronika se levantou e saiu da sala.
Timur tentou alcançá-la.
— Veronika, espere…
— Não temos nada para conversar.
— Me perdoe.
Eu fui um idiota.
— Sim.
Foi.
A mulher passou por ele.
Não se virou.
Recebeu o certificado um mês depois.
Voltou para casa.
Sentou-se no sofá.
Olhou para o documento.
O apartamento permaneceu com ela.
Ninguém o tomou dela.
Ninguém o passou para o próprio nome.
Veronika continuou trabalhando.
Encontrava-se com amigos.
Viajava.
Vivia uma vida plena.
Às vezes lembrava de Timur.
Sem mágoa, sem dor.
Apenas como uma lição.
Como um lembrete de que independência e amor-próprio são mais importantes do que qualquer compromisso.
Um ano depois do divórcio, Veronika conheceu Andrey.
Programador, trabalhava em uma empresa de TI.
Calmo, inteligente e com bom senso de humor.
Eles começaram a sair juntos.
Andrey nunca perguntava sobre o apartamento.
Não se interessava por bens.
Simplesmente passava tempo com Veronika, conversavam, riam e iam ao cinema.
Quando o relacionamento ficou mais sério, Veronika mesma levantou o assunto.
— Andrey, quero avisar logo.
O apartamento está no meu nome.
E continuará no meu nome.
Andrey sorriu de leve.
— Veronika, este é seu apartamento.
Eu não tenho nenhuma pretensão sobre ele.
— De verdade?
— De verdade.
Eu tenho o meu.
Se algum dia decidirmos morar juntos, conversaremos sobre tudo com calma.
Sem pressão, sem exigências.
Veronika sentiu alívio.
Era assim que deveria ser.
Respeito.
Compreensão.
Limites.
Eles continuaram se encontrando.
Não tinham pressa.
Apenas aproveitavam a companhia um do outro.
E o apartamento permaneceu com Veronika.
Sua fortaleza pessoal.
Sua conquista.
Sua independência.
E ninguém mais tentou tirar isso dela.







