E na nossa casa eu não quero ver esse jardim de infância!
Entendeu?

— Dasha, eu queria conversar com você — Semion começou a abordar o assunto de longe assim que ela cruzou a porta do apartamento.
Ele estava parado no meio do corredor, mudando o peso de um pé para o outro, e aquele jeito dele — culpado e, ao mesmo tempo, cheio de uma determinação completamente inadequada — provocou imediatamente em Daria uma irritação surda.
Ela tirou os sapatos em silêncio, sentindo os pés doloridos se espalharem com alívio sobre o laminado fresco.
O ombro doía por causa do peso da bolsa, na qual parecia ter se acumulado todo o peso da semana de trabalho que finalmente chegava ao fim.
À sua frente estavam dois dias.
Dois dias abençoados de silêncio, sono prolongado, banho quente e aquele livro que ela não conseguia abrir havia um mês.
Seu pequeno paraíso pessoal, conquistado com tanto esforço.
— Só não me diga que é sobre a reforma da varanda, por favor.
Deixa eu pelo menos chegar até o sofá — disse ela, passando por ele e largando a bolsa sobre o pufe.
O ar no corredor pareceu ficar mais pesado, como se Semion o tivesse preenchido com aquele pedido ainda não dito.
— Não, é outra coisa.
É sobre a Sveta — disse ele às costas dela.
Daria parou no meio do caminho para a sala.
Aquilo era pior do que a varanda.
Muito pior.
O nome da irmã dele era sempre o prenúncio de alguma catástrofe, pequena ou grande, que por algum motivo cabia a eles resolver.
Ela se virou devagar.
— O que aconteceu com ela desta vez?
A gata vai dar à luz?
Inundou o apartamento dos vizinhos de baixo?
Ela precisa de dinheiro urgentemente de novo até o próximo salário, que nunca chega?
Semion fez uma careta como se estivesse com dor de dente.
Aproximou-se, tentando olhar nos olhos dela, e sua voz se tornou suave, quase íntima.
Era exatamente aquele tom que ele usava quando estava prestes a pedir algo que sabia que seria desagradável.
— Dasha, é sério.
Ela está completamente esgotada com aqueles dois pestinhas.
Você conhece Nikita e Liôshka, eles não são crianças, são dois motores que nunca param.
Sveta está à beira de um colapso, ligou hoje e quase chorou no telefone.
Ela disse que, se não descansar pelo menos uns dois dias, vai simplesmente enlouquecer.
Ela precisa respirar, ficar sozinha, se recuperar, para conseguir continuar sendo mãe.
Ele fez uma pausa, esperando a reação dela.
Daria olhava para ele, e sua irritação inicial, cansada e pesada, rapidamente se transformava em uma indignação fria e cortante.
Ela já via a cena inteira: o rosto cheio de pena dele, as palavras preparadas de antemão sobre “a vida difícil de uma mulher” e, por fim, o pedido que destruiria todos os planos dela para as próximas quarenta e oito horas.
— E eu sugeri que poderíamos ficar com os meninos aqui.
No fim de semana.
Só dois dias, Dasha.
A gente ajuda, tenta entender a situação dela.
Somos uma família.
A explosão veio sem aviso.
Daria não gritou, não.
Sua voz soou como se tivesse sido forjada em aço.
— Você enlouqueceu, Sem?
O fim de semana inteiro?
Os dois?
Aqui?
Eu trabalhei como uma condenada a semana inteira, contando os minutos até sexta à noite só para poder me deitar e olhar para o teto em silêncio.
Em si-lên-cio, você entende essa palavra?
E você está propondo transformar nossa casa num circo funcionando vinte e quatro horas por dia com duas crianças incontroláveis?
O olhar dela se cravou nele, exigindo uma retirada imediata, uma rendição.
Mas Semion, impulsionado pelo sentimento de dever fraterno, deu um passo à frente.
— Dasha, por que você está agindo como se eles não fossem da família?
São crianças.
Sim, fazem barulho, mas…
— Exatamente! — a voz dela ganhou força, enchendo todo o apartamento.
— Dasha…
— Se você quer fazer isso, então fique você com os filhos da sua irmã, porque eu definitivamente não preciso disso!
E na nossa casa eu não quero ver esse jardim de infância!
Entendeu?!
— Espera um pouco…
— Eu quero descansar na minha própria casa, não trabalhar de graça como babá dos meus sobrinhos só porque a mãe deles “está cansada”.
Eu também estou cansada!
E, estranhamente, ninguém se oferece para me levar por um fim de semana para uma pousada tranquila!
— Mas, Dasha, ela é minha irmã! — ele tirou do bolso aquilo que considerava seu argumento decisivo.
Daria sorriu torto.
Aquele sorriso era mais assustador do que qualquer grito.
— Exatamente.
Sua.
Então tire folga do trabalho na segunda-feira, pegue um táxi e vá salvar sua irmã.
Você pode morar na casa dela por uma semana, entreter os filhos dela, levá-los ao zoológico, dar comida na colher.
É seu direito e sua obrigação familiar.
Mas, se você acha que vai transformar meu apartamento numa filial do jardim de infância particular dela, está muito enganado.
As palavras de Daria permaneceram suspensas no ar como a fumaça pesada de uma fogueira apagada de forma brusca demais.
Não se dissipavam, mas pareciam se depositar sobre os móveis, as paredes e sobre o próprio Semion.
Ele ficou parado olhando para ela, e em seu rosto a confusão lentamente deu lugar a uma expressão de dignidade ofendida.
Ele esperava uma discussão, súplicas, talvez até alguns caprichos femininos que pudesse acalmar com carinho.
Mas recebeu uma recusa direta e dura, acompanhada da humilhante permissão para ir sozinho salvar a irmã.
Aquilo não era apenas discordância, era um desafio à autoridade dele, ao papel dele como homem e irmão.
— Eu não reconheço mais você, Dasha — disse finalmente, e notas frias apareceram em sua voz.
— Quando você ficou tão… insensível?
Estou falando de ajudar uma pessoa próxima, minha irmã, que cria dois filhos sozinha, e você vem falar do seu descanso e do silêncio.
Você realmente não se importa com ninguém além de si mesma?
Nós deveríamos ser uma equipe, uma família.
Ou esse conceito só vale quando você precisa de alguma coisa?
Ele atingia deliberadamente os pontos mais dolorosos: acusava-a de egoísmo, colocava em dúvida suas qualidades humanas.
Era sua tática preferida — desviar o foco do pedido inconveniente e colocá-lo sobre a moral de quem ousava recusar.
Daria foi para a cozinha em silêncio, com as costas retas como uma corda esticada.
Pegou uma caneca no armário, colocou chá dentro e apertou o botão da chaleira elétrica.
Cada movimento dela era ostensivamente calmo, e aquilo enlouquecia Semion muito mais do que se ela continuasse gritando.
Ele foi atrás dela, sem qualquer intenção de deixar que aquele silêncio ofensivo tivesse a última palavra.
— O quê, não tem nada a dizer?
Eu estou certo, não estou?
É mais fácil se esconder atrás da chaleira do que admitir que você simplesmente tem preguiça de se esforçar por dois dias pela minha família!
Daria se virou devagar para ele, apoiando o quadril na bancada.
Atrás dela, a chaleira começava a zumbir suavemente, ganhando força.
— Sua família?
Sem, e nós dois somos o quê?
Um projeto?
Uma convivência temporária?
Você separa “a sua família” da nossa com uma facilidade impressionante quando isso lhe convém.
Quer falar de ajuda e insensibilidade?
Tudo bem, vamos falar.
Você se lembra do nosso aniversário de casamento dois anos atrás?
A casa de campo à beira do lago que eu reservei com três meses de antecedência.
Nós já tínhamos preparado as coisas, e eu estava ansiosa para passar aquele fim de semana com você.
Lembra do que aconteceu na sexta-feira à tarde?
Semion ficou tenso.
Ele se lembrava perfeitamente.
— Sveta ligou — continuou Daria, em um tom calmo e impiedoso — e disse que Nikita de repente estava com trinta e sete vírgula dois de febre.
E que sozinha não conseguiria lidar com uma catástrofe dessas.
E você largou tudo e correu para a casa dela.
Nosso aniversário, o sinal da casa de campo, meus planos — tudo foi para o inferno por causa do resfriado do seu sobrinho.
— Era diferente, não compare! — tentou retrucar, mas sua voz soou pouco convincente.
— Naquela vez a situação era crítica!
A criança estava doente!
— Crítica? — Daria sorriu, mas não havia diversão em seus olhos.
— Situação crítica é quando, no sábado de manhã, Sveta posta nas redes sociais fotos com as amigas num spa com a legenda “finalmente consegui escapar para descansar um pouco, obrigada ao meu irmão amado”.
Enquanto isso, o filho dela “gravemente doente” estava alegremente destruindo seu apartamento sob sua amorosa supervisão.
Ou você esqueceu quando ele derramou suco no meu notebook?
Naquela ocasião você também disse que “ele é só uma criança, não fez de propósito”.
Você pagou pelo conserto?
Não.
Você simplesmente disse à Sveta que ela lhe devia o dinheiro.
Ela pagou?
Não.
Cada palavra dela era como um golpe preciso que tirava o ar dos pulmões dele.
Ele tentava responder, encontrar uma justificativa, mas todos os argumentos se desfaziam diante daqueles fatos frios e irrefutáveis.
Ele não estava defendendo a irmã, estava defendendo a própria imagem de nobre salvador, uma imagem que Daria agora destruía metodicamente.
— Ela simplesmente puxa seus cordões, Sema.
E o principal deles é seu sentimento de culpa e de obrigação.
As “crises” dela acontecem exatamente quando nós temos planos.
Nem antes, nem depois.
E você dança conforme a música dela todas as vezes, esquecendo completamente que tem uma esposa que também pode ter desejos e necessidades.
Então não venha me falar de insensibilidade.
Eu simplesmente estou cansada de ser figurante no seu teatro de salvamento da princesa Sveta.
A chaleira atrás de Daria estalou ao desligar, e aquele som seco cortou a atmosfera viscosa da cozinha.
Ela despejou calmamente a água fervente sobre as folhas de chá na caneca, e um vapor perfumado subiu no ar.
Aquele vapor, aquele gesto imperturbável, foram piores para Semion do que um tapa.
Ele não via cansaço naquele comportamento, mas desprezo.
Desprezo pelas palavras dele, pela irmã dele, pelo senso de dever dele.
Toda a justa tristeza fraterna dele evaporou num instante, dando lugar a um ressentimento masculino, sombrio e profundo.
— Então é assim, é? — ele deu um passo à frente, invadindo o pequeno espaço dela junto à bancada.
— Você simplesmente decidiu apagar minha irmã da nossa vida porque ela ousou pedir ajuda?
Virou tudo de cabeça para baixo, transformou ela em algum tipo de manipuladora e você mesma na vítima.
Uma posição bem conveniente, não há o que dizer.
Agora ele já não falava num tom compreensivo, mas duro e acusador.
A tática havia mudado: como não conseguira despertar pena, precisava acusar.
— Você simplesmente não gosta da minha família.
Nunca gostou.
Qualquer desculpa serve para mostrar sua superioridade.
Ela estragou seu notebook, coitadinha de você.
Dasha, isso é ridículo!
Você ganha dez vezes mais do que aquele notebook custava!
Para ela, por outro lado, isso é uma fortuna!
Mas para você é mais importante esfregar aquele suco na cara dela do que demonstrar um mínimo de generosidade!
Daria afastou a caneca.
Nem sequer havia tomado um gole.
Olhou para ele como se olha para uma pessoa que se perdeu irremediavelmente entre três árvores e, mesmo assim, continua furiosamente insistindo que encontrou o caminho certo.
— Não é uma questão de dinheiro, Semion.
E você sabe disso muito bem.
É uma questão de atitude.
Do fato de você permitir que ela trate nossa casa, minhas coisas e meu tempo como algo que lhe pertence por direito.
Como um recurso que pode usar quando quiser sem dar nada em troca.
Nem sequer respeito.
A discussão havia chegado a um impasse.
Ele falava de laços familiares, ela falava de espaço pessoal e respeito próprio.
Estavam na mesma cozinha, mas olhavam para a situação de planetas diferentes.
Semion via uma irmã esmagada pelas circunstâncias.
Daria via uma mulher adulta que manipulava com sucesso o próprio irmão, jogando sobre ele a responsabilidade pela própria vida.
E aquela discussão poderia continuar para sempre, andando em círculos com os mesmos argumentos, até que alguém fizesse a jogada decisiva.
E Daria fez.
Ela se endireitou, e sua voz ficou baixa, mas justamente por isso ainda mais pesada.
— Vou dizer isso uma vez só, Semion, e não vou repetir.
Este apartamento é meu.
Meu.
E eu não quero ver aqui nem os filhos dela nem os problemas dela.
Eu quero silêncio.
Se você acha que seu dever é ir salvá-la, essa é sua escolha.
Mas, se você arrumar suas coisas agora e for para a casa dela, pode não voltar.
Ela não estava ameaçando.
Apenas constatando um fato.
Não era uma explosão emocional, mas um ultimato frio e ponderado.
Uma linha traçada na areia.
Aqui — a casa deles.
Lá — a irmã dele.
E ele precisava escolher de que lado ficaria.
O rosto de Semion se deformou.
Aquilo ele não esperava.
Achava que ela discutiria, negociaria, protestaria, mas não que colocaria a questão de maneira tão definitiva.
Um lampejo de pânico passou por seus olhos, substituído imediatamente por uma determinação furiosa e desesperada.
Ele percebeu que havia perdido completamente aquela rodada.
E então fez o que fazem as pessoas encurraladas — decidiu explodir todo o campo de jogo.
Puxou bruscamente o telefone do bolso, e seus dedos começaram a bater com força na tela.
— Ah, é assim?
Você quer fazer desse jeito?
Ótimo! — sibilou, olhando para ela de forma desafiadora.
— Não quer falar comigo?
Então vai falar com ela!
Procurou o número de Sveta nos contatos e, com um gesto teatral, ativou o viva-voz e colocou o telefone no centro da mesa da cozinha.
Longos toques soaram pelo alto-falante.
Daria olhava para ele sem mudar de expressão.
Entendia perfeitamente o que ele estava fazendo.
Estava tornando público o conflito privado deles, tentando envergonhá-la e obrigá-la a ceder diante do olhar de uma terceira pessoa, uma juíza invisível.
Os toques pararam.
— Alô?
Sema? — veio do telefone a voz um pouco cansada, mas cheia de esperança, de Svetlana.
Semion se inclinou sobre o aparelho, e seu rosto mudou imediatamente.
A raiva desapareceu, e voltou a máscara do irmão atencioso.
— Svetik, oi!
Não se preocupe, está tudo bem!
Estamos esperando vocês!
Sim, sim, já resolvemos tudo, a Dasha também está superfeliz em ajudar.
Arrume as coisas dos meninos, podemos recebê-los agora mesmo.
A voz de Svetlana saindo pelo alto-falante era fina e cheia de uma gratidão chorosa.
Parecia algo estranho naquela cozinha impregnada de uma tensão espessa como piche.
Daria olhava para o marido, para o rosto dele deformado por uma preocupação falsa e melosa, para sua postura de protetor e salvador.
Ele não havia apenas mentido.
Tentara quebrá-la usando a própria irmã como aríete, como escudo humano, transformando Daria em um monstro sem coração caso ousasse se opor.
Aquele truque manipulador e barato foi a gota d’água.
— Dashenka!
Meu anjo!
Eu sabia que você não recusaria! — chilreava Svetlana do outro lado da linha.
— Já estou quase terminando de arrumar as coisas deles!
Ai, vocês estão me salvando, vou agradecer pelo resto da vida…
Semion lançou à esposa um olhar triunfante.
O olhar de um vencedor que acabara de colocar em seu devido lugar uma teimosa insolente.
Esperava que ela agora recuasse, ficasse em silêncio, obrigada a se submeter ao fato consumado.
Mas não havia levado uma coisa em conta: uma pessoa que não tem mais nada a perder não pode ser encurralada.
Daria deu dois passos silenciosos em direção à mesa.
Não olhou para Semion.
Seu olhar estava preso ao retângulo preto do telefone, de onde continuava saindo um fluxo interminável de agradecimentos.
Estendeu a mão e, sem tocar no aparelho, apenas se inclinou na direção dele.
— Sveta, aqui é a Dasha — disse ela.
Sua voz estava plana, quase sem cor, completamente desprovida de emoção.
Aquela entonação morta soou na cozinha mais alto do que qualquer grito.
Do outro lado da linha houve um segundo de silêncio.
— Ah, Dashenka, oi para você também!
Eu estava justamente dizendo ao Sema…
— Não arrume as coisas das crianças — interrompeu Daria com o mesmo tom calmo e metálico.
— Elas não vêm para cá.
Nem hoje, nem amanhã, nem nunca.
Seu irmão mentiu para você.
Eu não concordei.
As palavras caíram sobre a mesa como pedaços de gelo.
Semion estremeceu como se tivesse levado um golpe.
Correu para o telefone para encerrar aquilo, mas já era tarde demais.
A caixa de Pandora estava aberta.
— O quê? — a voz de Svetlana mudou imediatamente.
A gratidão chorosa evaporou, substituída por surpresa e irritação mal disfarçada.
— Como assim você não concordou?
Sema, o que está acontecendo aí?
Você disse que estava tudo resolvido!
— Sveta, espera, não escuta ela, ela não está bem! — balbuciou Semion, tentando recuperar o controle da situação.
Seu rosto ficou vermelho, e gotas de suor surgiram na testa.
Ele parecia patético.
— O que significa “ela não está bem”?! — guinchou Svetlana, e agora sua voz estava cheia de veneno.
— Que joguinhos você está fazendo pelas minhas costas?
Você me prometeu!
Você me deu esperança!
E agora o quê?
Tenho que dizer às crianças que o tio Sema é um mentiroso?!
— Sveta, eu…
Dasha, fala alguma coisa para ela! — virou-se para a esposa com uma súplica desesperada.
Daria olhava para ele como se o visse pela primeira vez.
Aquele homem estranho e agitado que primeiro a havia traído e agora implorava para que ela o salvasse das consequências da própria traição.
Ela se inclinou novamente em direção ao telefone.
— Ele contou tudo corretamente, Sveta — disse com a mesma voz gelada.
— Ele é um mentiroso.
Prometeu a você algo que não podia cumprir, às minhas custas.
Agora procure outro idiota para resolver seus problemas.
Nossa família não vai mais participar disso.
Depois disso, pegou o telefone e apertou o botão para encerrar a ligação.
A conversa havia terminado.
Semion murchou como se todo o ar tivesse sido retirado de seu corpo.
Olhava para o aparelho silencioso como se fosse uma cobra morta.
Ele havia sido humilhado.
Destruído.
E não apenas diante da esposa, mas também diante da irmã, para quem havia se esforçado tanto para parecer um herói.
Levantou lentamente os olhos para Daria.
Não havia raiva neles, apenas vazio e uma confusão surda, quase animal.
Ele não conseguia entender como tudo havia desmoronado tão depressa.
Daria pegou em silêncio a caneca, já fria havia muito tempo, despejou o conteúdo na pia e a enxaguou.
Seus movimentos eram precisos e tranquilos, como se nada tivesse acontecido.
Como se tivesse acabado de lavar a louça depois de um jantar comum.
Colocou a caneca no escorredor e, sem olhar para o marido, passou por ele em direção à saída da cozinha.
Já na porta, parou e, sem se virar, disse por cima do ombro:
— Você vai dormir na sala.
E encontre uma caixa grande.
Amanhã de manhã vai juntar tudo o que lembrar sua irmã e levar para ela.
Junto com você…







