— Leva tu os teus pais! — declarou o marido. De manhã, a esposa pegou as chaves do próprio carro e deixou a mãe dele sem viagem.

Às sete e vinte da manhã, Andrei verificou duas vezes a prateleira no hall de entrada, olhou nos bolsos do casaco e só então percebeu que as chaves do carro realmente não estavam lá.

Natália, naquele momento, preparava-se tranquilamente para ir trabalhar e fechava a bolsa.

— Natach, onde estão as chaves?

— Comigo, — respondeu ela. — Hoje vou de carro.

Andrei olhou para o relógio.

Daqui a quarenta minutos, ele havia prometido estar na casa da mãe e, na noite anterior, garantira-lhe que não haveria nenhum problema com a ida à casa de campo.

O problema surgiu inesperadamente apenas para ele.

## O carro foi se tornando de ambos sem que ninguém tivesse conversado sobre isso

Natália havia comprado o carro antes mesmo do casamento.

Durante vários anos, juntou dinheiro, o pai acrescentou um pouco e, quando conheceu Andrei, ela já dirigia tranquilamente sozinha.

Depois do casamento, o marido também continuou com o próprio carro, bastante velho.

Um ano e meio antes, Andrei o vendeu e pretendia comprar outro, mas primeiro o dinheiro foi necessário para a reforma e depois decidiram adiar a compra para o ano seguinte.

— Para que gastar agora? Temos um carro, é suficiente para nós, — disse ele na época.

Natália não se opôs.

Andrei estava incluído no seguro, dirigia com cuidado, e ela própria frequentemente ia ao trabalho de transporte público.

No começo, o marido perguntava se o carro estava livre; depois, passou a se limitar a um breve: «Amanhã vou pegar o carro».

Alguns meses depois, até isso desapareceu.

As chaves ficavam na prateleira perto da entrada, e Andrei simplesmente as pegava quando precisava ir a algum lugar.

O carro era especialmente necessário para a mãe dele, Lídia Petrovna.

Na primavera começava a temporada da casa de campo: era preciso levar mudas, sacolas, ferramentas e depois trazer alguma coisa de volta.

Natália não se incomodava com isso e ela própria ajudara a sogra várias vezes.

Por isso, até a conversa de sexta-feira, ela nem considerava essas viagens um problema.

## Os pais dela pediram ajuda uma única vez — e receberam uma recusa

Na sexta-feira, depois do jantar, o pai de Natália telefonou.

Ele e a esposa viajariam de trem na manhã seguinte para visitar parentes.

Normalmente chegavam à estação por conta própria, mas daquela vez tinham duas malas e uma pesada bolsa de viagem.

— Se Andrei estiver livre, talvez possa nos levar? — perguntou o pai. — Se não puder, chamamos um carro, não tem problema.

Natália trabalharia de manhã.

Às sete e meia ela já precisava estar na loja, por isso se virou para o marido:

— Andriuch, consegue levar os meus amanhã de manhã? Eles precisam estar na estação às sete menos quinze. Pega o carro e depois volta para casa.

Andrei estava sentado à mesa da cozinha, olhando alguma coisa no celular.

Ao ouvir o pedido, fez uma careta de desagrado.

— Natach, amanhã eu finalmente queria dormir até mais tarde.

— Não é longe. Quando foi a última vez que eles nos pediram alguma coisa?

— Não podem chamar um carro?

Natália lembrou-lhe que o pai acabara de sugerir exatamente essa opção, mas para ela parecia estranho mandar os pais de carro pago quando o próprio carro estaria livre naquela manhã.

Andrei deixou o celular de lado e disse, já irritado:

— Leva tu os teus pais! — declarou o marido.

— Eu os levaria se não tivesse que trabalhar.

— Então chama um carro para eles. Por que eu tenho necessariamente que levantar às seis da manhã? São os teus pais, Natach.

Ela não discutiu.

Telefonou ao pai e disse que podiam chamar um carro tranquilamente.

— Só não comecem a discutir por nossa causa, — pediu ele.

— Ninguém está discutindo.

A conversa realmente poderia ter terminado ali.

Se, cerca de meia hora depois, Andrei não tivesse telefonado para a própria mãe.

## Para a própria mãe, a manhã de sábado servia perfeitamente

Natália já estava separando as coisas para o trabalho quando ouviu do quarto:

— Mãe, chego aí por volta das oito. Não carregue as mudas sozinha, nós descemos tudo juntos.

No começo, ela achou que tinha ouvido errado e se aproximou da porta.

— Você vai à casa da sua mãe amanhã?

Andrei cobriu o telefone com a mão.

— Vou levá-la para a casa de campo.

— De carro?

— Sim.

Só então Natália percebeu que o marido não tinha intenção nenhuma de dormir até tarde e que não tinha nenhum plano especial para a manhã.

Ele simplesmente não queria levantar cedo por causa dos pais dela, mas, pela própria mãe, estava disposto a dirigir quase cinquenta quilômetros para fora da cidade.

— Você já prometeu o meu carro para a sua mãe?

Andrei franziu a testa.

— O que quer dizer «o teu»? Eu dirijo esse carro o tempo todo.

— Você dirige o tempo todo porque eu deixo.

— Natach, não precisa transformar isso num drama. Minha mãe precisa levar as mudas, ela sozinha não vai conseguir chegar lá com aquelas caixas.

Uma hora antes, o pai dela também teria dificuldade para se deslocar com duas malas.

Para ele, Andrei lembrara imediatamente da possibilidade de chamar um carro.

Natália não quis mais discutir.

Antes de dormir, colocou as chaves na bolsa e programou o despertador para o horário habitual.

## De manhã, a regra teve que valer para as duas famílias

Agora Andrei estava no hall de entrada, já completamente vestido, e claramente não entendia por que Natália não lhe entregava as chaves.

— Minha mãe está me esperando. Ontem eu disse que iria.

— Eu sei.

— Então por que você pegou as chaves?

Natália vestiu o casaco e ajeitou tranquilamente a alça da bolsa.

— Porque hoje vou trabalhar com o meu carro.

— Você sempre pode ir de ônibus.

— Posso. Mas hoje não quero.

Ele ficou olhando para ela durante alguns segundos e então entendeu tudo.

— Você está fazendo isso de propósito?

— Depois da conversa de ontem, sim. Você disse que cada um cuida dos próprios pais. Eu me lembrei disso.

Andrei passou a mão pelos cabelos, irritado.

— Mas eu justamente estou indo levar a minha mãe.

— No meu carro, que você prometeu a ela antecipadamente sem nem me perguntar.

O telefone de Andrei tocou.

Lídia Petrovna já estava esperando por ele e queria saber se ele já havia saído.

O marido olhou para a tela e depois novamente para Natália.

— E o que eu digo para ela agora?

— A verdade. Que hoje a dona do carro precisa dele.

— Ela preparou duas caixas de mudas.

— Então vocês adiam a viagem ou encontram outra solução.

Natália não bateu a porta nem continuou discutindo.

Simplesmente foi trabalhar com o próprio carro.

Mais tarde, Andrei verificou no aplicativo quanto custaria uma viagem até a casa de campo.

Considerando a distância, dava mais de dois mil rublos só de ida.

Ao ouvir o valor, Lídia Petrovna disse imediatamente que naquele dia não iria a lugar nenhum e que as mudas poderiam ser levadas alguns dias depois.

Aproveitou também para perguntar ao filho por que ele havia prometido ir, se o carro pertencia a Natália e ele não tinha combinado nada com ela previamente.

Andrei gostou ainda menos dessa pergunta.

À noite, Natália voltou para casa.

O marido já estava lá e preparava o jantar.

— Os teus viajaram bem? — perguntou ele algum tempo depois.

— Sim. Papai me escreveu dizendo que chegaram sem problemas.

Andrei ficou em silêncio por um momento.

— Minha mãe adiou a ida à casa de campo para o próximo fim de semana.

— Está bem.

Naquela noite, eles não voltaram mais à conversa do dia anterior.

Alguns dias depois, Andrei precisou novamente do carro.

Aproximou-se de Natália enquanto ela guardava as compras na geladeira e perguntou:

— Amanhã depois das seis você precisa do carro? Se não, eu queria ir à casa da minha mãe.

Natália conferiu os próprios planos.

— Depois das seis pode pegar.

Desde então, as chaves continuaram ficando em casa, mas Andrei passou primeiro a perguntar se o carro estava livre e só depois prometia uma viagem a alguém.